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Adriane Lopes processa Erika Hilton após ser chamada de "pior prefeita do Brasil" e pede R$ 15 mil

Lopes ainda pede que a postagem da parlamentar, que a acusa de pelo menos cinco crimes, sejam arquivados sob pena de multa diária

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP) entrou com uma ação inibitória contra a deputada federal Érika Hilton (PT) por alegações feitas pela parlamentar nas redes sociais. Adriane pede que Hilton apague as postagens feitas em seu instagram e no X onde a chama de "pior prefeita do Brasil" juntamente com outras acusações e ainda pede indenização por danos morais no valor de R$ 15 mil. 

De acordo com o documento ao qual o Correio do Estado teve acesso, Adriane afirma que as postagens, que têm grande alcance e repercussão pública, foram feitas "sem qualquer ressalva, questionamento ou indicação de fonte". 

No dia 06 de maio, a deputada publicou em suas redes sociais, que a Lei Municipal 7.615/2026 sancionada pela prefeita, que estabelece diretrizes para o uso de banheiros públicos com base no critério de “mulheres biológicas”, foi uma tentativa da política de mudar o foco das investigações por corrupção para gerar comoção.

Hilton acusa a prefeitura de estar envolvida em esquemas de desvio de R$ 156 milhões da saúde pública de Campo Grande, além da nomeação de 12 pastores em cargos municipais; o investimento de R$ 1,2 milhão pelo Instituto Municipal da Previdência no Banco Master; o superfaturamento de R$ 24,4 milhões em licitação de semáforos e de R$ 62 milhões em contratos de iluminação pública. Somado a tudo isso, Adriane Lopes carregaria o posto de "pior prefeita do Brasil", com Campo Grande liderando os índices de feminicídio no País. 

Segundo a defesa de Adriane, foi encaminhada uma Notificação Extrajudicial ao gabinete da deputada solicitando a apresentação dos documentos e provas para os fatos citados, mas não obteve resposta no prazo estipulado, de 72 horas. 

"O silêncio, diante de uma notificação formal com prazo estipulado, reforça a conclusão de que as afirmações foram realizadas sem o cuidado mínimo com a veracidade dos fatos e com o intuito de causar dano à reputação da Autora", afirma. 

A defesa da prefeita, representada pelos advogados Niutom Ribeiro Chaves Jr e Igor Sales da Silva, as alegações ultrapassam os limites da liberdade de expressão, atingindo a honra, a reputação e a dignidade da gestora, que vive "com honestidade e probidade, pautando seu modo de vida nos ditames da moral". 

Além disso, afirma que Hilton não poderá se valer da imunidade parlamentar no caso, já que as publicações foram feitas em suas redes sociais pessoais, voltadas ao público geral e sem vinculação direta aos seus exercícios de funções parlamentares. 

De acordo com o Supremo Tribunal Federal, as manifestações realizadas fora do Parlamento, em programa de televisão, sem conexão com o exercício do mandaato, não possuem imunidade material, "podendo o parlamentar ser responsabilizado civil e criminalmente por seus excessos". 

Assim, à justiça, a defesa pede a retirada imediata das publicações nos perfis pessoais da deputada, sob pena de multa diária de R$ 10 mil por dia de descumprimento . 

Também pede o pagamento indenizatório de R$ 15 mil por danos morais, visto que os conteúdos propagados seriam "nitidamente falsos, ofensivos e produzidos com nítida intenção de atacar a honra, a dignidade e a imagem" de Adriane, resultando na "manipulação da percepção da sociedade sobre a autora", podendo resultar na incitação de ódio e "prática de crimes contra sua integridade física". 

O pedido da prefeita da Capital será analisado pelo juiz Marcus Abreu de Magalhães, da 12ª Vara Cível de Campo Grande.

Relembre o caso

As afirmações de Érika Hilton repercutiram nacionalmente após a parlamentar criticar a sanção da Lei no dia 22 de abril por Adriane Lopes. 

A medida integra a "Política Municipal de Proteção da Mulher", instituída em todo o município de Campo Grande. 

O projeto é de autoria do vereador André Salineiro (PL) e foi aprovado em uma votação apertada na Câmara dos Vereadores no dia 26 de março, com 13 votos favoráveis e 11 contrários, além de ter um debate acalorado.

De acordo com o texto, a Política Municipal de Proteção da Mulher terá os seguintes objetivos:

  • I - aplicar a equidade, levando em consideração os aspectos biológicos comuns das mulheres;
  • II - garantir a utilização de banheiros exclusivos às mulheres biológicas, como forma de resguardar a sua intimidade e de combater todo tipo de importunação ou de constrangimento;
  • III - promover palestras, aulas, audiências e debates acerca da importância da valorização da mulher em todos os segmentos sociais.

A lei também determina a adaptação de estruturas públicas e a fiscalização de estabelecimentos privados para garantir o cumprimento das medidas e evitar qualquer tipo de constrangimento às mulheres.

Além disso, o município não poderá apoiar ou patrocinar eventos esportivos que não considerem o sexo biológico das participantes.

Hilton afirmou que a lei é "inconstitucional" e "inaplicável", abrindo precedentes para que "políticos e/ou pervertidos tentem fiscalizar os órgãos de mulheres e meninas nas portas de banheiros" ou, ainda, para que "pessoas odiosas se sintam autorizadas a violentar mulheres trans ou qualquer mulher que fuja do padrão de beleza em banheiros, como mulheres negras e lésbicas". 

Érika também encaminhou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a Lei, pedindo a análise da constitucionalidade da norma e a adoção de medidas para levá-la ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No documento enviado à PGR, a deputada sustenta que a legislação “segrega mulheres trans e travestis ao proibir que usem banheiros públicos de acordo com sua identidade de gênero” e afirma que a norma cria um ambiente de "constrangimento generalizado".

"Trégua acabou"

Por que o acordo de paz entre Irã e EUA acabou e o que acontece agora?

A menos de um mês, o presidente Donald Trump assinou o memorando de entendimento que estendeu o cessar-fogo entre Washington e Teerã

08/07/2026 21h00

Presidente dos Estados Unidos da América, Donaldo Trump

Presidente dos Estados Unidos da América, Donaldo Trump Foto: Arquivo

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Menos de um mês após a assinatura do memorando de entendimento que estendeu o cessar-fogo entre Washington e Teerã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 8, que a trégua "acabou".

O acordo preliminar, assinado em 18 de junho, previa a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação comercial e mais tempo para negociar o fim definitivo do conflito, que já durava meses. No entanto, as tensões entre os dois países nunca diminuíram.

Em 26 de junho, os EUA bombardearam instalações militares iranianas sob a justificativa de que, no dia anterior, o Irã havia atacado um navio em Ormuz com um drone. Na época, o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que o suposto ataque iraniano "violou claramente o cessar-fogo".

Trump, por sua vez, classificou a ação como uma "violação insensata" da trégua. No dia seguinte, Washington voltou a atacar instalações militares iranianas pelo mesmo motivo.

Na terça-feira, 7, os EUA revogaram uma licença que suspendia temporariamente as sanções ao petróleo iraniano, após considerarem as ações de Teerã em Ormuz "totalmente inaceitáveis".

Horas depois, o Centcom confirmou novos bombardeios contra o território iraniano, alegando que a ofensiva era uma resposta a supostos ataques de Teerã contra três navios que navegavam pelo estreito.

O governo iraniano não reivindicou a responsabilidade pelos ataques às embarcações. Após os novos bombardeios americanos, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de violarem cláusulas do acordo entre os dois países.

"A era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar nenhum. Não vamos nos curvar", escreveu Ghalibaf em uma publicação nas redes sociais.

O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, que coordena as Forças Armadas do Irã, classificou as recentes ações americanas como um "ato flagrante de agressão" e advertiu que o país daria "uma resposta esmagadora".

A reação ocorreu na madrugada desta quarta-feira, quando a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter atingido 85 instalações militares americanas no Kuwait e no Bahrein. A operação empregou mísseis e drones e, segundo os militares iranianos, também resultou na derrubada de um drone americano modelo MQ-9.

Ao ser questionado por jornalistas sobre a situação do cessar-fogo, Trump respondeu que, para ele, a trégua havia acabado. "No que me diz respeito, acabou", disse o republicano durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara. "Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo", acrescentou, em referência aos negociadores americanos.

"Eles são escória, são pessoas doentes, são liderados por pessoas doentes, e são pessoas perversas e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam", afirmou.

O presidente americano também acusou o Irã de distorcer o acordo entre os dois países. "Todos concordaram: nada de arma nuclear. Nós fizemos um acordo. Eles saem, fazem piada com a imprensa, dizem que nunca falamos sobre isso. Tem alguma coisa errada com eles, são malucos", acrescentou.

Após a fala de Trump, os preços do petróleo, que já vinham em alta após os ataques na região, subiram mais de 6%. O barril do Brent avançou 6,3%, para US$ 78,80, enquanto o petróleo de referência dos EUA registrou alta de 6,4%, para US$ 75.

O futuro do conflito ainda é incerto. As negociações estão suspensas até o fim do funeral do ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto no primeiro dia do ataque conjunto dos EUA e de Israel a Teerã. A cerimônia, que já dura dias, deve ser concluída na quinta-feira, 9.

Em meio à tensão, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, pediu que operadores de navios evitem enviar embarcações por Ormuz. Segundo ele, a medida evitaria expor os quase 6 mil marítimos retidos no Golfo Pérsico a um "perigo desnecessário".

O capítulo mais recente do conflito no Oriente Médio também repercutiu em outros países, inclusive na cúpula da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que os ataques americanos foram "absolutamente necessários".

"O Irã está basicamente violando o cessar-fogo", disse Rutte. Ele também atribuiu ao Irã os ataques contra navios comerciais em Ormuz e afirmou que o país seria um dos principais temas de discussão na cúpula.

Já a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kalla, afirmou que os novos ataques “complicam ainda mais as negociações já tensas para encerrar a guerra” e classificou os bombardeios ao Bahrein e ao Kuwait como "inaceitáveis".

"De acordo com o memorando, Teerã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz. Seus recentes ataques a navios perto do estreito violam esse compromisso e ameaçam perturbar a retomada do fornecimento de energia", escreveu Kaja em uma publicação nas redes sociais.

Ela também afirmou que, na próxima segunda-feira, 13, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia se reunirão com seus homólogos do Golfo para discutir como podem "trabalhar juntos para apoiar a implementação do acordo e preservar a liberdade de navegação no estreito".

*Com informações das agências internacionais.

SENADO FEDERAL

Senado deve votar hoje projeto relatado por Nelsinho Trad sobre marco legal de inteligência

Texto define normas para o funcionamento da atividade de inteligência e reforça mecanismos de controle e segurança jurídica

08/07/2026 13h45

O senador Nelsinho Trad disse que  a proposta fortalece a estrutura de inteligência do Estado e amplia sua contribuição para as ações de segurança pública

O senador Nelsinho Trad disse que a proposta fortalece a estrutura de inteligência do Estado e amplia sua contribuição para as ações de segurança pública Divulgação

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Mais de duas décadas após a criação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Senado Federal deve votar nesta quarta-feira (8) o Projeto de Lei 6.423/2025, que cria o primeiro marco legal para regulamentar de forma abrangente a atividade de inteligência no Brasil.

A proposta tem como relator o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI). O texto busca suprir uma lacuna existente desde a criação da Lei nº 9.883, de 1999, que instituiu o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) e a Abin, mas não estabeleceu normas detalhadas sobre a atuação dos órgãos de inteligência, seus limites, instrumentos e formas de fiscalização.

Segundo Nelsinho Trad, a proposta fortalece a estrutura de inteligência do Estado e amplia sua contribuição para as ações de segurança pública.

"Todo projeto que contribua para tornar a segurança pública mais eficiente terá o apoio do nosso mandato", afirmou o senador.

O parlamentar também destacou que a regulamentação permitirá maior integração entre os órgãos responsáveis pela produção de informações estratégicas e as forças de segurança, ampliando a capacidade de enfrentamento ao crime organizado.

"O crime organizado passou a atuar de forma transnacional, movimenta recursos em escala internacional, utiliza tecnologia e desafia os modelos tradicionais de combate. O Estado precisa acompanhar essa evolução", declarou.

A votação ocorre em um momento de intensificação dos debates sobre segurança pública, impulsionados pelo avanço das organizações criminosas, pelas ameaças cibernéticas e pela crescente atuação de facções brasileiras além das fronteiras nacionais.

Principais mudanças

O substitutivo elaborado pelo relator incorporou parte das 49 emendas apresentadas por parlamentares e promove alterações em relação ao texto original. Entre os principais pontos estão:

proibição do uso da atividade de inteligência para fins políticos ou eleitorais;
vedação à produção de informações baseadas exclusivamente em convicções políticas, religiosas, filosóficas, ideológicas ou eleitorais;
retirada da exigência de armazenamento em massa de dados por provedores de internet;
necessidade de autorização judicial para medidas sigilosas de caráter excepcional;
criação de mecanismos de controle e rastreabilidade sobre o acesso às informações;
ampliação da segurança jurídica para os profissionais da área de inteligência;
inclusão do combate ao crime organizado entre as hipóteses que autorizam o emprego de técnicas especiais de inteligência.

Contribuições

Durante a tramitação, o relator analisou 49 emendas apresentadas por 14 senadores de diferentes partidos. Ao todo, 23 foram acolhidas integralmente e outras 10 parcialmente.

Para Nelsinho Trad, as alterações resultaram de um processo de diálogo entre diferentes correntes políticas, permitindo a construção de um texto que busca equilibrar o fortalecimento da inteligência estatal com a preservação das garantias individuais e da segurança jurídica.

O projeto chegou a ser incluído na pauta do Senado em abril, mas teve a votação adiada após solicitação do governo. Agora, a expectativa é de que a proposta seja apreciada pelo Plenário antes do recesso parlamentar.

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