Política

Com verba pública

Além de Daniel Vorcaro, deputado de MS também ajudou a "bancar" filme sobre Bolsonaro

Marcos Pollon e outros dois parlamentares do PL usaram emendas parlamentares para financiar Dark Horse; PF tem áudio de Flávio Bolsonaro cobrando financiamento de dono do Banco Master

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O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon - atualmente com o mandato suspenso - assim como o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, também ajudou a financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A diferença é que o deputado sul-mato-grossense usou dinheiro público, de emenda parlamentar, na iniciativa. 

Pollon é um dos parlamentares que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, pediu explicações sobre o direcionamento de emendas para o filme. Além dele, os deputados federais Mário Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) também direcionaram emendas para o longametragem, estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel. 

Deputado federal Marcos Pollon/ Divulgação PL

Os três parlamentares destinaram, ao todo, R$ 2,6 milhões em emendas Pix em 2024 a uma ONG presidida pela sócia da produtora que fez o filme “Dark Horse”, que conta a história de Bolsonaro. O objetivo do despacho do ministro é apurar se o repasse teve como destinação final o financiamento do filme.

Nesta quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulvou áudio do senador e pré-candidato à presidência da República do PL, Flávio Bolsonaro, cobrando mais repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cobrando dinheiro para patrocinar o filme. 

Mensagens por escrito e áudio dos contados de Flávio com o dono do Banco Master foram reveladas, elas integram o inquérito da Polícia Federal, que estão no bojo da operação Compliance Zero.

Segundo informou o Intercept e consta do áudio de Flávio Bolsonaro em poder da Polícia Federal, , teria havido uma negociação para que Vorcaro ajudasse com uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões e que já teriam sido feitos pagamentos até 2025 no valor de US$ 10 milhões. 

Esses valores estão referidos nos documentos contidos na investigação do caso Master

A extração integral desse conteúdo foi compartilhada com a defesa de Vorcaro em fevereiro, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Até o momento, a PF não realizou nenhuma diligência ou abriu investigação para apurar esses fatos específicos envolvendo Flávio.

No final da manhã desta quarta, o senador foi questionado por repórter do Intercept quando o político deixava o STF após encontro com o presidente da Corte, Edson Fachin. O parlamentar disse ser “mentira” que o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro.

“É mentira, de onde você tirou isso?”, afirmou, dando uma gargalhada e se afastando do local onde respondia perguntas de jornalistas. Depois, o jornalista diz que o Intercept divulgaria mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro. Ele chama o repórter de militante e diz: “É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado”.

O áudio

O Intercept Brasil divulgou nesta quarta-feira áudio em que o senador pede dinheiro para o dono do Banco Master para pagar despesas com o filme Dark Horse.

“Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, diz Flávio no áudio divulgado.

Nas mensagens obtidas pelo Intercept, Flávio Bolsonaro escreve ainda a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”.

A mensagem teria sido enviada no dia 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025.

O pôster do filme Dark Horse foi divulgado em abril e tem data de estreia marcada: 11 de setembro deste ano, em meio ao calendário eleitoral brasileiro.

O ator Jim Caviezel interpreta o ex-presidente no longa. A produção, que envolve gravações no Brasil e nos Estados Unidos, promete contar a história recente da carreira política do ex-presidente até ser eleito em 2018. O roteiro é do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e produção da Go Up Entertainment.

Segundo o Intercept, as negociações para que Vorcaro bancasse o filme foram feitas por Flávio e outros intermediários, como Mario Frias e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.
Frias, Pollon e Bia Kicis enviaram os valores, por meio de emendas parlamentares a uma organização não governamental (ONG) da produtora do longa-metragem. 

Em 2024, Frias destinou recursos do Orçamento da União ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama. Karina é dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção de The Dark Horse.
 

eleições 2026

Correio do Estado prepara cobertura completa da apuração das Eleições 2026

Para acompanhar a apuração ao vivo, de onde você estiver  seja pelo computador ou na palma da mão pelo celular, basta acessar o nosso Portal

28/09/2026 09h26

Foto: Denis Felipe

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O destino das urnas reflete a voz e os anseios de cada cidadão sul-mato-grossense. No próximo domingo, 4 de outubro de 2026, quando as portas das seções eleitorais se fecharem e o silêncio der lugar à expectativa, o Correio do Estado estará com toda a sua estrutura pronta para levar até você, voto a voto, a contagem final que definirá o futuro do país e do nosso Estado.

Com o compromisso histórico de ser os olhos e os ouvidos da nossa gente, o portal acompanhará em tempo real cada detalhe da votação.

Não se trata apenas de números e porcentagens subindo na tela, mas de registrar o momento em que a democracia se consolida, revelando os escolhidos para os cargos de Presidente, Governador, Senador e Deputados.

A cobertura especial do Correio do Estado vai muito além do placar das urnas.

Nossa equipe de jornalistas trará análises aprofundadas, reportagens exclusivas e o olhar atento voltado para as especificidades e realidades de Mato Grosso do Sul.

Cada região do Estado terá sua representatividade acompanhada de perto, mostrando como a escolha popular desenhará os próximos quatro anos de gestão pública.  

Para acompanhar a apuração ao vivo, de onde você estiver  seja pelo computador ou na palma da mão pelo celular , basta acessar o nosso Portal.

Fique conosco no dia 4 de outubro e viva a emoção da apuração com a credibilidade, a agilidade e o respeito à informação que você já conhece.  

Entenda como funcionará a votação neste pleito

Para o pleito deste ano, a votação seguirá o horário unificado pelo fuso de Brasília.

Em Mato Grosso do Sul, por conta do fuso horário local, as seções abrem as portas logo cedo, das 7h às 16h. Assim que os trabalhos forem encerrados nas urnas eletrônicas, a totalização dos dados será iniciada de forma imediata.

Nas cabines, os eleitores votarão em uma ordem específica de cinco cargos: Deputado Federal, Deputado Estadual, Senador, Governador e, por fim, Presidente da República.

O uso de documentos oficiais com foto ou do aplicativo e-Título garante o acesso à urna, enquanto o transporte de aparelhos celulares para a cabine de votação permanece estritamente proibido.

A 6 dias da eleição

Em MS, 92,6% não sabem para quem dar segundo voto ao Senado

Pesquisa espontânea do IPR/Correio do Estado ainda mostra que 76,79% não sabem dizer a quem pretendem dar o 1º voto

28/09/2026 07h45

Foto: Carlos Moura / Agência Senado

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A seis dias do primeiro turno das eleições, 92,60% dos eleitores de Mato Grosso do Sul ainda não sabem apontar espontaneamente a quem pretendem dar o segundo voto ao Senado. 
O índice chama a atenção porque, neste ano, cada eleitor terá direito a escolher dois candidatos diferentes para representar o Estado no Senado.

O levantamento Instituto de Pesquisa Resultado (IPR)/Correio do Estado mostra que a indefinição também é elevada em relação à primeira escolha, embora em proporção menor: 76,79% dos entrevistados não souberam dizer espontaneamente a quem pretendem dar o primeiro voto.

A diferença de quase 16 pontos porcentuais entre os dois índices evidencia que a segunda escolha está ainda menos consolidada. 

Enquanto pouco mais de 23% dos entrevistados citaram algum candidato, branco ou nulo para o primeiro voto, apenas cerca de 7% fizeram o mesmo quando questionados sobre a segunda opção.

No caso do segundo voto, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) foi citado por 2,81% dos entrevistados, enquanto o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) aparece com 1,53%, seguido pela senadora Soraya Thronicke (PSB), com 0,77%, e pelo advogado Roberto Oshiro (Novo) e pelo deputado federal Vander Loubet (PT) com 0,13% cada.

Já no caso do primeiro voto Capitão Contar aparece com 7,53%, seguido por Reinaldo Azambuja, com 6,76%, enquanto Soraya Thronicke e Vander Loubet registram 3,06% cada e Luiz Lemes (DC) e Roberto Oshiro foram mencionados por 0,26% cada. 

Além disso, a ex-ministra Simone Tebet (PSB), que vai concorrer por São Paulo, e Valter da Comagran (PRD) receberam 0,13% das citações cada.

ANÁLISES

Para o cientista político Daniel Miranda, o elevado porcentual de eleitores que ainda não aponta candidatos ao Senado é compatível com uma característica das eleições para cargos legislativos: boa parte das escolhas ocorre nos últimos dias da campanha.

"Nas eleições para os legislativos, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, a maioria dos eleitores define seus candidatos na reta final da campanha", afirmou.

Segundo Miranda, as disputas para cargos do Executivo costumam concentrar maior atenção do eleitorado por causa do peso político, da exposição durante a campanha e da maior presença cotidiana de governadores e do presidente da República no noticiário.

"Em geral, as disputas para o Executivo atraem mais atenção, devido ao peso político de tais cargos, ao maior tempo de horário eleitoral destinado a eles e à maior visibilidade, cotidiana e nos noticiários, que governadores e presidente da República têm", explicou.

Nesse contexto, conforme ele, não surpreende que uma parcela expressiva dos eleitores ainda não tenha fechado os dois votos para o Senado.

"É normal as pessoas não apenas não terem definido seu voto ainda, como sequer saberem todos os cargos em disputa nas eleições deste ano", disse.

Miranda avalia que essa definição deve se intensificar justamente nos últimos dias antes da votação. "Somente bem próximo do dia da eleição é que as pessoas vão definir suas preferências eleitorais e, aí sim, os indecisos vão se decidir", afirmou.

ESPAÇO PARA MUDAR

O cientista político Tércio Albuquerque também chama a atenção para o tamanho do grupo que ainda não definiu espontaneamente o segundo voto e, para ele, o porcentual recomenda cautela em interpretações de que a distribuição das duas cadeiras já estaria definida antes da votação.

"Essa indefinição dos eleitores de Mato Grosso do Sul quanto a quem seria o seu candidato a senador coloca um pouco de água fria nessa fervura que criava uma situação em que somente o PL teria essa possibilidade de eleger os dois senadores", analisou.

Na avaliação dele, os últimos dias de campanha ganham ainda mais importância diante da quantidade de eleitores que não aponta espontaneamente uma segunda opção. 

"Assim, a depender da campanha que for desenvolvida pelos candidatos, dos apoios dos candidatos à Presidência e ainda dos apoios que possam efetivamente receber nesta reta final, esse quadro pode sofrer alterações", pontuou.

Na pesquisa estimulada, Reinaldo Azambuja (PL) aparece com 23,98%, seguido por Capitão Contar (PL), com 20,34%. Vander Loubet (PT) registra 8,99% e Soraya Thronicke (PSB), 8,61%. 

Para Albuquerque, embora Reinaldo e Contar apareçam com porcentuais maiores no levantamento estimulado, a indefinição registrada na pesquisa espontânea mantém relevante a disputa pelo eleitor que ainda não formou as duas escolhas para o Senado. 

"Em que pese essa indefinição, temos uma reta final em que os candidatos ainda vão buscar esse eleitor que não definiu os dois votos", avaliou.

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