Política
SABATINA
Representante do PSOL na corrida eleitoral 2022 abre a série de entrevistas feita pelo Correio do Estado
Redes sociais
Em uma rede social, Evander Vendramini disse que Flávio deveria "identificar e expulsar todos"
20/10/2026 18h45
Foto: Adriana Viana / Alems
Por meio de suas redes sociais, o ex-deputado estadual Evander Vendramini (Avante) defendeu a expulsão de estrangeiros do Brasil em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela presidência , pleito que ocorre no próximo domingo (25).
Em uma postagem realizada em seu perfil do Facebook, destacou que os estrangeiros adeptos à esquerda deveriam ser identificados e expulsos do país já a partir de janeiro do próximo ano.
"Estrangeiros que estão no Brasil e são adeptos da esquerda, a partir de janeiro Flávio tem que identificar e expulsar todos, sem contaminação desses vag@bundos!", destacou o ex-deputado.
Conforme o artigo 20 da Lei 9459/1997 - "Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.", crime que prevê penas de três anos de reclusão e multa.
Declaração de ex-deputado provocou reações e risadas de seus seguidores / Reprodução - FacebookNeste ano, o ex-deputado estadual desistiu da eleição deste ano por ter calculado que o Avante, partido ao qual se filiou recentemente teria condições de eleger apenas um candidato, o que se confirmou nas urnas, uma vez que a sigla elegeu apenas Lídio Lopes.
Vereador em Corumbá por três mandatos consucutivos entre 2004 e 2012, foi candidato ao Governo do Estado em 2014 pelo PP, pleito vencido por Reinaldo Azambuja.
Em 2016, foi eleito novamente vereador corumbaense e dois anos mais tarde conquistou seu primeiro e único mandato na Assembleia Legislativa, onde permaneceu entre 2018 e 2022. Há quatro anos, tentou a reeleição, contudo conquistou apenas suplência no Legislativo.
De acordo com o Observatório das Migrações Internacionais (Obmigra), projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Brasília em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o país abriga 2 milhões de estrangeiros.
Racha Político
Cassiano Maia e Ângelo Guerreiro protagonizam troca pública de acusações por organização de festa tradicional; divergências políticas começaram ainda na sucessão municipal de 2024
20/10/2026 18h44
Antigos aliados políticos, Cassiano Maia (à esquerda) e Ângelo Guerreiro (à direita) protagonizam troca pública de críticas após divergências sobre a Cavalgada de Arapuá, em Três Lagoas. Foto: Reprodução Instagram/Montagem Correio do Estado.
Uma festa tradicional que deveria reunir cavaleiros, comitivas e moradores de Três Lagoas, terceira cidade mais populosa de Mato Grosso do Sul, acabou se transformando no centro de uma disputa entre dois antigos aliados políticos. O prefeito Cassiano Maia (PP) e o ex-prefeito e deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro (PSDB) protagonizaram uma troca pública de acusações envolvendo a organização da 19ª Cavalgada de Arapuá, realizada no último fim de semana, nos dias 17 e 18 de outubro.
O episódio marcou uma nova etapa no rompimento entre os dois, que já acumulavam desentendimentos desde as eleições municipais de 2024.
Desta vez, porém, Cassiano decidiu responder diretamente ao antigo aliado e publicou um vídeo nas redes sociais, no sábado (17), no qual contestou as críticas de Guerreiro e expôs divergências que, até então, evitava abordar publicamente com a mesma intensidade.
O estopim foi a contratação do Sindicato Rural de Três Lagoas para organizar a cavalgada, tradicional celebração realizada no distrito de Arapuá.
Guerreiro questionou a mudança na condução do evento, anteriormente organizado por uma associação ligada à história da festividade, além dos recursos públicos destinados à realização da festa.
A resposta de Cassiano ultrapassou o assunto da cavalgada. Em uma gravação de mais de dez minutos, o prefeito defendeu o procedimento adotado pela administração municipal, contestou a postura do antecessor e apresentou sua versão sobre o desgaste político que afastou os dois antigos aliados.
A polêmica começou após Ângelo Guerreiro divulgar um vídeo em que criticou a decisão da Prefeitura de transferir a organização da festa para o Sindicato Rural.
O ex-prefeito lembrou que idealizou a cavalgada em 2005 e que, posteriormente, a Associação Ferradura passou a participar da realização do evento. Segundo ele, a entidade foi afastada da organização com a mudança de administração.
Guerreiro afirmou que o Sindicato Rural é uma instituição respeitada, mas questionou a experiência da entidade na realização da festividade.
"Ela não é dona, como a prefeitura também não é dona", declarou o deputado eleito ao tratar da cavalgada.
Apesar das críticas, Guerreiro incentivou a população a comparecer à celebração, mesmo sem sua participação à frente da organização.
Horas depois, Cassiano publicou um vídeo em resposta. O prefeito afirmou que o Sindicato Rural venceu um procedimento público e que outras entidades interessadas, incluindo a Associação Ferradura, poderiam ter participado da seleção.
Cassiano também acusou Guerreiro de tentar conservar influência sobre a festividade e de utilizar o evento como instrumento de promoção política pessoal. As afirmações representam a versão do atual prefeito e não comprovam, por si, qualquer irregularidade praticada pelo antecessor.
Durante a gravação, o prefeito ainda questionou as condições de higiene na preparação de alimentos durante edições anteriores da festa, mas não apresentou documentos que demonstrassem as supostas falhas.
Apesar da discussão recente sobre a cavalgada, a relação entre Cassiano Maia e Ângelo Guerreiro já estava desgastada havia aproximadamente dois anos.
Guerreiro governou Três Lagoas por dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2024, e teve Cassiano como integrante de sua equipe administrativa. O atual prefeito passou por secretarias importantes, como Saúde e Finanças, antes de ser escolhido como sucessor político.
Com o apoio de Guerreiro, Cassiano venceu a eleição municipal de 2024 com 68,61% dos votos válidos. A parceria, entretanto, começou a apresentar sinais de desgaste ainda durante a campanha.
No vídeo divulgado no sábado, Cassiano afirmou que uma das primeiras divergências ocorreu após assumir o compromisso de estudar a redução da jornada diária dos servidores municipais de oito para seis horas.
Segundo ele, Guerreiro não concordou com a possibilidade e passou a se afastar da candidatura. O atual prefeito também relembrou que seu antecessor não compareceu às cerimônias de diplomação e posse.
O afastamento chegou a ser interrompido em outubro de 2025, quando os dois participaram de uma reunião de reconciliação na Câmara Municipal, articulada com a participação de lideranças políticas estaduais. A reaproximação, porém, não se sustentou.
As divergências voltaram a ganhar força durante a campanha eleitoral deste ano. Em setembro, durante um comício, Ângelo Guerreiro acusou publicamente Cassiano de traição política.
O ex-prefeito afirmou que havia ajudado a construir a trajetória do sucessor e reclamou da falta de apoio em sua candidatura à Assembleia Legislativa.
"Mas, após três dias da eleição, o primeiro a ser apunhalado e traído fui eu", afirmou Guerreiro durante o discurso.
A declaração ocorreu depois de Cassiano se aproximar politicamente do ex-deputado estadual Eduardo Rocha (PSDB), adversário de Guerreiro na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Os dois concorreram pelo mesmo partido, mas o apoio do prefeito ficou com Rocha. Apesar disso, Guerreiro saiu vitorioso das urnas em 4 de outubro, conquistando 37.704 votos, dos quais 27.004 foram registrados em Três Lagoas.
Naquele momento, a acusação de traição feita pelo ex-prefeito já havia tornado pública a ruptura. A novidade no episódio da cavalgada foi a reação direta de Cassiano, que passou a contestar abertamente o antigo aliado nas redes sociais.
Além da divergência sobre a festa, Cassiano utilizou a gravação para criticar situações administrativas que, segundo ele, foram herdadas do governo de Guerreiro.
O prefeito mencionou problemas de iluminação pública, manutenção de áreas verdes e instalação de aparelhos de ar-condicionado em escolas municipais sem a adequação necessária da rede elétrica.
Cassiano afirmou que sua administração vem trabalhando para solucionar essas questões, por meio de intervenções nas unidades escolares e modernização da iluminação pública.
Ao rebater o antecessor, também contestou a ideia de que sua eleição representaria a continuidade de um comando político exercido por Guerreiro.
"Você não aceita e não ajuda as pessoas que te sucedem", afirmou Cassiano durante o vídeo.
As críticas sobre a gestão anterior não foram acompanhadas, na manifestação, de documentação suficiente para verificar individualmente todas as situações apontadas.
Enquanto a disputa política ganhava repercussão, a 19ª Cavalgada de Arapuá aconteceu normalmente.
Segundo balanço divulgado pela Prefeitura de Três Lagoas na segunda-feira (19), o evento reuniu mais de 8 mil pessoas durante os dois dias de programação e contou com a participação de mais de 300 cavalos.
A festa teve apresentações musicais, cavalgada, churrasco e atividades tradicionais. Cassiano também participou do percurso acompanhado de familiares.
O encerramento da celebração, entretanto, não colocou fim à divergência política. O episódio reforçou o afastamento entre dois nomes que estiveram no mesmo grupo durante anos e hoje ocupam posições distintas na política de Três Lagoas.
Com Guerreiro eleito para retornar à Assembleia Legislativa em 2027 e Cassiano à frente da Prefeitura, a disputa também passa a envolver a relação institucional entre o município e seu futuro representante no Legislativo estadual.
O Correio do Estado procurou o prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, e o ex-prefeito e deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro para obter esclarecimentos sobre a troca pública de críticas, as divergências envolvendo a Cavalgada de Arapuá e o rompimento político entre os antigos aliados.
Até a publicação desta reportagem, não houve retorno de nenhum dos dois. O espaço permanece aberto para manifestações.
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