Política

Reta Final

Apoiadores de Lula tomam o Centro de Campo Grande e apostam em virada

Com bandeiraço, caminhada e palavras de ordem, jovens, famílias e lideranças políticas se reuniram na Praça Ary Coelho, na véspera do segundo turno, para defender a reeleição do presidente Lula.

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Bandeiras vermelhas, buzinaço, palavras de ordem e manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcaram a manhã deste sábado (24), no Centro de Campo Grande.

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, apoiadores do petista se reuniram na Praça Ary Coelho e percorreram ruas da região central em uma mobilização que aposta na virada eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25).

O movimento reuniu principalmente jovens, famílias com crianças, trabalhadores e lideranças políticas de Mato Grosso do Sul.

Com bandeiras e cartazes, manifestantes se reúnem no Centro de Campo Grande em apoio à reeleição do presidente Lula. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

Em um ambiente pacífico e de convivência entre diferentes gerações, os participantes carregavam bandeiras, cartazes e faixas com reivindicações sociais, incluindo a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1.

A concentração começou por volta das 9h, nas proximidades do cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho.

Durante a manifestação, os apoiadores realizaram um bandeiraço e um buzinaço, enquanto motoristas que passavam pela região eram convidados a demonstrar apoio à candidatura petista.

Entre as palavras de ordem entoadas pelos manifestantes estavam "Sem anistia", "Olê, olê, olá, Lula, Lula" e "Ei, trabalhador, eu estou na rua pro seu filho estudar".

Também foram registrados gritos de "O estudante organizado é o terror da família Bolsonaro", em referência à participação de jovens na mobilização.

A caminhada passou pelas ruas 14 de Julho, Marechal Rondon e 13 de Maio, com retorno à Praça Ary Coelho. A manifestação integra as atividades de mobilização política realizadas no último dia de campanha antes da votação que definirá o próximo presidente da República.

Manifestantes fazem bandeiraço e interagem com motoristas durante mobilização eleitoral no Centro de Campo Grande. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

Lideranças apostam em virada e convocam eleitores

Presente na manifestação, o deputado estadual Pedro Kemp (PT), reeleito neste ano, destacou a participação da juventude e afirmou que o principal objetivo do movimento é incentivar o comparecimento às urnas, especialmente em Mato Grosso do Sul, que registrou a maior taxa de abstenção do país no primeiro turno.

"A nossa militância está muito motivada. A juventude, principalmente, veio com força para o nosso movimento, e a gente fez essa grande manifestação hoje para reunir trabalhadores, trabalhadoras, jovens e pessoas idosas, para incentivar todos a irem votar amanhã", afirmou.

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destaca a importância da mobilização dos eleitores para o segundo turno. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

O parlamentar também demonstrou preocupação com os eleitores que deixaram de votar no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

"Mato Grosso do Sul foi um estado onde a abstenção foi a maior no país. Nós queremos, então, fazer essa conclamação para todo mundo. Votar é importante, a participação de todos, principalmente das pessoas idosas e dos jovens de 16 e 17 anos, que não são obrigados a votar", acrescentou.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 483.210 eleitores sul-mato-grossenses não compareceram às urnas no primeiro turno, o equivalente a 23,87% do eleitorado.

O percentual colocou o Estado na primeira posição nacional em abstenção e reforça a preocupação das campanhas em mobilizar eleitores para a votação decisiva.

Sobre o resultado da eleição presidencial, Kemp afirmou acreditar em uma mudança no cenário eleitoral.

"A nossa expectativa é de vitória. Nós temos observado as últimas pesquisas dando uma tendência de virada. Então, a gente acredita que vai ser possível amanhã a gente chegar em primeiro lugar", declarou.

O deputado estadual eleito Tiago Botelho (PT) também participou da manifestação e avaliou que a mobilização representa uma demonstração de resistência política em Mato Grosso do Sul.

"A importância é mostrar que Campo Grande, Mato Grosso do Sul, tem resistência, tem luta e, acima de tudo, entende que o Brasil não pode ser governado por gente que tem relações com o PCC, com o crime organizado", afirmou o parlamentar eleito, ao fazer uma acusação contra o campo adversário.

O deputado estadual eleito Thiago Botelho (PT) participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destaca a mobilização dos apoiadores na véspera do segundo turno. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

Botelho ainda defendeu a continuidade de programas sociais federais e associou o resultado das eleições à manutenção de políticas públicas.

"A vitória do presidente Lula não é sobre a eleição apenas de um homem, é a defesa da democracia. É sobre a importância de políticas públicas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Pé-de-Meia continuarem existindo", declarou.

Para ele, a mobilização das últimas semanas poderá influenciar o resultado das urnas.

"A expectativa é de virada. Está no Brasil inteiro uma grande onda. As pesquisas vêm dando um empate técnico. Eu não tenho dúvida do poder de mobilização", acrescentou.

Fábio Trad critica governo estadual e defende oposição permanente

O ex-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul Fábio Trad (PT), que terminou a disputa estadual na segunda colocação, também participou da mobilização e demonstrou otimismo com a possibilidade de reeleição de Lula.

Trad afirmou que, em sua avaliação, os levantamentos eleitorais indicam uma mudança no comportamento do eleitorado brasileiro.

"No Brasil inteiro, e isso foi detectado pelo Datafolha, há um crescimento consistente da candidatura progressista, representada pelo presidente Lula, e uma estagnação da candidatura adversária. Ao mesmo tempo, aumentou a rejeição ao Flávio e diminuiu a rejeição ao presidente Lula, aumentando a aprovação do seu governo", declarou.

Fábio Trad (PT), ex-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

"Então, numericamente, nós entendemos que já se formou uma onda, e a tendência é que, até amanhã, a gente vire o jogo e ganhe a Presidência do Brasil para mais um mandato do presidente Lula", acrescentou.

Ao comentar o cenário político estadual, Trad afirmou que pretende manter uma postura de oposição ao governo de Eduardo Riedel (PP) e defendeu uma fiscalização permanente por parte da bancada eleita para a Assembleia Legislativa.

"Espero que a bancada eleita na Assembleia, agora com quatro, faça uma oposição crítica, republicana, vigilante e permanente, porque Mato Grosso do Sul poderia estar em um patamar civilizatório comparável ao de Santa Catarina e ao de outros estados, com um IDH bem acima do nosso", afirmou.

Manifestantes participam do ato em apoio a Lula, que reuniu lideranças políticas e apoiadores no Centro da Capital. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

O petista também fez críticas à administração estadual, classificando o governo como "ruim" e "incompetente", e argumentou que a riqueza produzida em Mato Grosso do Sul deveria resultar em melhores indicadores sociais.

Jovens e famílias marcam presença na manifestação

A artista Sofe Minott, de 25 anos, também participou da mobilização e destacou o protagonismo da juventude e a união com os movimentos sindicais.

Para ela, a manifestação representa uma oportunidade de mobilizar trabalhadores e mostrar a diversidade política e social de Campo Grande.

“A gente vem para a rua para mostrar a força da juventude. Estamos no vira-voto para convencer a classe trabalhadora de que o bolsonarismo não é de direita, ele é de extrema direita”, afirmou.

Jovens participam da manifestação com pinturas no rosto, bandeiras e palavras de ordem em apoio à candidatura de Lula. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

“E a gente está aqui, não só a juventude, mas também os sindicatos, se unindo para mostrar a força da classe trabalhadora e mostrar que Campo Grande também não é só terra do agro, mas é terra de muita gente que trabalha, é a terra da juventude”, completou.

A participação expressiva de jovens foi um dos aspectos destacados pelos organizadores do ato. Entre os presentes estava o vereador Jean Ferreira (PT), que relacionou a mobilização à defesa da democracia e à continuidade das políticas públicas federais.

"Essa mobilização está acontecendo no Brasil inteiro, em defesa da eleição do nosso presidente Lula. E Campo Grande não podia ser diferente. Mato Grosso do Sul já elegeu duas vezes um governador do PT. Aqui também é terra de resistência pela democracia, pela liberdade de expressão e pela liberdade de imprensa", declarou.

O vereador Jean Ferreira (PT) participa de manifestação em apoio à reeleição de Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destaca o protagonismo da juventude na mobilização eleitoral. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.
 

Jean também destacou o papel das novas gerações na disputa política e afirmou que os jovens têm se mobilizado em torno de temas como educação, saúde, meio ambiente e direitos sociais.

"A juventude entende que, para a gente conseguir continuar existindo e continuar tendo condições mínimas de existência, precisamos ter um meio ambiente saudável, precisamos ter políticas públicas de saúde, educação e garantir a emancipação do povo brasileiro", afirmou.

O parlamentar considera que a mobilização nas ruas e nas redes sociais poderá contribuir para uma mudança no resultado eleitoral.

"A expectativa é de virar. A gente está com a expectativa de virar, porque a esquerda não estava organizada e mobilizada como está agora neste segundo turno. Então, a gente está muito mais forte nas redes sociais agora e está conseguindo virar votos", disse.

O vereador Landmark Rios também reforçou a expectativa de vitória do presidente Lula e afirmou que o domingo representa o momento decisivo da disputa eleitoral.

Para ele, a manifestação deste sábado funciona como preparação para o que classificou como o "dia da virada".

Manifestantes ocupam ruas do Centro de Campo Grande em ato de apoio a Lula, neste sábado (24), com participação do vereador Landmark Rios. Foto: Welyson Lucas/Correio do Estado.

Manifestantes defendem democracia e liberdade religiosa

Além das lideranças partidárias, o movimento reuniu eleitores que participaram do ato para defender pautas sociais e apresentar suas expectativas para o futuro do país.

O administrador de empresas e sacerdote de umbanda Anderson, de 47 anos, afirmou que sua presença estava relacionada à defesa da liberdade religiosa e do Estado laico.

"É de extrema importância. Pelo menos nós, aqui em Mato Grosso do Sul, temos visto que as religiões de matriz africana têm sido muito atacadas. E a gente sabe que, no governo do adversário, eles não admitem que a nossa fé seja professada", declarou, em crítica ao campo político adversário.

O sacerdote de umbanda Anderson, de 47 anos, participou da manifestação em apoio a Lula, neste sábado (24), no Centro de Campo Grande, e destacou a defesa da liberdade religiosa e do Estado laico. Foto: Welyson Lucas/Correio do Estado.

Segundo Anderson, a participação de representantes de diferentes religiões demonstra a preocupação desses grupos com a preservação de direitos constitucionais.

"Na defesa do Estado Democrático de Direito, na defesa do Estado laico, nós estamos aqui, fazendo-nos presentes para defender as pautas em que acreditamos", acrescentou.

Já a técnica de enfermagem Tânia Rodrigues, de 61 anos, destacou a importância das políticas sociais e afirmou que participou da manifestação por acreditar na necessidade de ampliar as oportunidades para as famílias de baixa renda.

"Esse movimento, meu filho, traz para o povo a importância da democracia. A democracia é importante, e o presidente Lula traz isso para nós, sabe? Ele luta pela democracia, e eu estou aqui lutando pelos pobres, meu filho, por nós que somos pobres e precisamos de políticas que ajudem a população mais necessitada, como, por exemplo, o Bolsa Família", afirmou.

Natural de Bela Vista, município localizado na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, Tânia também falou sobre sua trajetória familiar e a importância da educação pública.

"Eu venho de uma família paraguaia. Sou de Bela Vista, na fronteira, sou fronteiriça. Minha família é paraguaia, mas eu nasci no Brasil, minha casa é no Brasil. Minha filha é da Universidade Federal daqui", relatou.

Para a técnica de enfermagem, a eleição representa a possibilidade de continuidade de políticas que considera fundamentais para a população mais vulnerável.

"Então, é por tudo isso que eu vejo que o Lula tem que ganhar dessa vez de novo. Sabe por que a gente precisa desse velhinho? Por tudo isso que ele é", concluiu.

Disputa presidencial chega ao último dia de campanha

A mobilização ocorre em meio a uma disputa presidencial acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Levantamento Datafolha divulgado na quinta-feira (22) apontou empate de 50% a 50% nos votos válidos, considerando os números arredondados.

O levantamento mostra um cenário de indefinição estatística, embora não permitam afirmar antecipadamente qual candidato vencerá a eleição.

Em Campo Grande, apoiadores de Flávio Bolsonaro também programaram uma mobilização para a tarde deste sábado, com concentração prevista na Cidade do Natal, na Avenida Afonso Pena.

Neste domingo (25), os eleitores de Mato Grosso do Sul voltarão às urnas para escolher o presidente da República. Como a disputa estadual foi encerrada no primeiro turno, com a reeleição de Eduardo Riedel, os sul-mato-grossenses votarão apenas para o cargo de presidente.

Para os manifestantes que estiveram na Praça Ary Coelho, a expectativa é de que a mobilização nas ruas se transforme em votos, em uma eleição marcada pela polarização política e pela disputa pelo apoio dos eleitores ainda indecisos.

Companheiro

Riedel reafirma apoio a Flávio Bolsonaro e diz que candidato tem o melhor projeto para o Brasil

Governador disse que medidas adotadas pela equipe de Flávio serão importantes para reduzir a taxa de juros do país

23/10/2026 18h50

Riedel ao lado e Flávio e do senador eleito Reinaldo Azambuja

Riedel ao lado e Flávio e do senador eleito Reinaldo Azambuja Foto: Reprodução / Redes Sociais

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O governador Eduardo Riedel (PP) reafirmou o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial e avalia que o candidato tem o melhor projeto econômico para o Brasil.

Segundo o governador, as medidas que a equipe de Flávio pretende adotar serão importantes para reduzir a taxa de juros, considerada um dos entraves ao crescimento nacional.

“A gente está vendo o que está acontecendo no país e fica muito preocupado. Por que o Brasil não está crescendo? Porque tem uma taxa de juros de 20% ao ano. Como é que você abaixa os juros de uma economia? Com austeridade fiscal, dando exemplo, com capacidade de gestão, de entrega e não com atitudes populistas que a gente vem tendo nos últimos anos. O Flávio tem uma equipe no entorno dele que tem essa clareza muito grande”, afirmou o governador.

Riedel destacou que a equipe de Flávio Bolsonaro tem a preocupação de colocar a austeridade fiscal em prática e, ao mesmo tempo, garantir o apoio social tão necessário em um país como o Brasil.

“Assim, ele vai dar um rumo correto para o crescimento e o desenvolvimento, que são necessidades do nosso país”, completou.

O governador também concorda com a proposta do candidato do PL de manter os programas de apoio social para atender quem mais precisa, mas, ao mesmo tempo, construir um caminho de saída.

“Abrir uma porta para melhorar de vida pela educação, qualificação e, assim, contribuir com o desenvolvimento”, afirmou.

Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, Riedel destacou que Flávio terá o apoio necessário no Congresso Nacional para promover as reformas que o Brasil precisa.

Segundo o governador, o candidato poderá contar com o apoio da bancada de Mato Grosso do Sul, que reúne três senadores e sete deputados federais do mesmo campo político.

“Tivemos a felicidade aqui de eleger uma grande bancada federal. Elegemos os dois senadores da República do nosso campo político — Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL) —, que vão se somar a Tereza Cristina (PP), que continua lá. Então, teremos três senadores extremamente responsáveis com o Estado e alinhados dentro de uma mesma visão, além de sete deputados federais fazendo parte deste grupo”, comemorou.

Eleições 2026

Nascida em MS, Mailza pode ser eleita governadora do Acre neste domingo

Natural de Mundo Novo, sul-mato-grossense assumiu o governo em abril e disputa seu primeiro mandato pelo voto direto; pesquisa divulgada nesta sexta-feira (23) aponta vantagem sobre o adversário

23/10/2026 17h22

Natural de Mundo Novo (MS), Mailza Assis disputa neste domingo (25) o segundo turno das eleições para o Governo do Acre e busca conquistar seu primeiro mandato como governadora pelo voto direto.

Natural de Mundo Novo (MS), Mailza Assis disputa neste domingo (25) o segundo turno das eleições para o Governo do Acre e busca conquistar seu primeiro mandato como governadora pelo voto direto. Foto: Reprodução Instagram.

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Uma sul-mato-grossense poderá conquistar, neste domingo (25), seu primeiro mandato como governadora do Acre pelo voto direto. Nascida em Mundo Novo, município localizado no extremo sul de Mato Grosso do Sul, Mailza Assis (PP), de 49 anos, disputa o segundo turno das eleições estaduais contra o senador Alan Rick (Republicanos) e chega à votação decisiva à frente do adversário nas pesquisas eleitorais divulgadas até o momento.

Apesar de já ocupar o cargo de governadora, Mailza assumiu o comando do Executivo acreano somente em 2 de abril de 2026, após a renúncia de Gladson Cameli (PP), que deixou o governo para disputar uma vaga no Senado Federal.

Até então vice-governadora, ela passou a administrar o estado por força da sucessão constitucional e agora busca conquistar, pela primeira vez, um mandato próprio à frente do Palácio Rio Branco.

A disputa coloca a política nascida em Mato Grosso do Sul diante da possibilidade de consolidar uma trajetória construída longe de sua terra natal.

Depois de encerrar o primeiro turno com 49,76% dos votos válidos, ficando a uma pequena diferença da vitória, Mailza enfrenta a decisão de mais de 614 mil eleitores acreanos.

Pesquisa aponta Mailza com 59% dos votos válidos

A cinco dias do segundo turno, levantamento do Instituto Real Time Big Data, divulgado na terça-feira (20), apontou Mailza Assis com 59% das intenções de voto válidas, contra 41% de Alan Rick, uma diferença de 18 pontos percentuais.

Na pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados e são consideradas todas as respostas, a governadora registrou 50% das intenções de voto, enquanto o senador apareceu com 35%.

Outros 11% dos entrevistados declararam intenção de votar em branco ou anular o voto, enquanto 4% não souberam ou preferiram não responder.

A pesquisa ainda mediu os índices de rejeição dos dois concorrentes. Alan Rick apresentou 37%, enquanto Mailza registrou 29%. Outros 18% declararam rejeitar ambos os candidatos e 16% disseram não rejeitar nenhum deles.

O Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores do Acre entre os dias 15 e 19 de outubro de 2026. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número AC-09297/2026.

Sul-mato-grossense ficou a 0,24 ponto percentual da vitória

A possibilidade de Mailza permanecer à frente do Acre ganhou força após o resultado do primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Conforme os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a governadora recebeu mais de 218 mil votos, o equivalente a 49,76% dos votos válidos, encerrando o primeiro turno na liderança da disputa.

Alan Rick terminou na segunda colocação, com mais de 141 mil votos, o equivalente a 32,27% dos votos válidos.

A diferença entre os dois candidatos foi de 76.901 votos. Mesmo assim, Mailza não conseguiu encerrar a disputa antecipadamente, pois precisava superar a metade dos votos válidos.

Faltaram apenas 0,24 ponto percentual para atingir a marca de 50%, o que levou a decisão para o segundo turno.

De Mundo Novo ao comando do Acre

A história de Mailza Assis começa em Mundo Novo, município de Mato Grosso do Sul localizado na região de fronteira com o Paraguai e próximo à divisa com o Paraná.

Nascida em 10 de dezembro de 1976, a governadora passou parte da juventude em território sul-mato-grossense antes de se mudar para o Acre, em 1996, onde estabeleceu residência e iniciou uma trajetória que a levaria ao Congresso Nacional e, posteriormente, ao comando do Executivo estadual.

Pedagoga e pós-graduada em políticas públicas, Mailza começou sua atuação na administração pública no município de Senador Guiomard, situado nas proximidades de Rio Branco.

Na prefeitura, exerceu funções ligadas à administração municipal e à assistência social, áreas que contribuíram para sua projeção na política local.

A entrada na política nacional ocorreu nas eleições de 2014, quando integrou, como primeira suplente, a chapa de Gladson Cameli ao Senado Federal.

Com a eleição de Cameli para o Governo do Acre em 2018, Mailza assumiu uma cadeira no Senado em 2019, passando a representar o estado no Congresso Nacional.

Em 2022, voltou a integrar uma chapa com Gladson Cameli, desta vez como candidata a vice-governadora. A dupla venceu a eleição ainda no primeiro turno, garantindo a continuidade do grupo político no comando do estado.

A mudança mais significativa ocorreu em abril deste ano, quando Cameli renunciou ao governo para concorrer ao Senado.

Como vice, Mailza assumiu definitivamente o Executivo em 2 de abril, tornando-se a segunda mulher a ocupar o governo acreano, depois de Iolanda Fleming, que assumiu o cargo em 1986.

Agora, pouco mais de seis meses depois de chegar ao Palácio Rio Branco, ela enfrenta sua primeira eleição como candidata titular ao governo.

Mais de 614 mil eleitores decidirão o futuro do Acre

Segundo a Justiça Eleitoral, 614.375 eleitores estão aptos a votar no Acre neste segundo turno. Desse total, aproximadamente 52% são mulheres e 48% são homens.

Para vencer a disputa, um dos candidatos precisará conquistar a maioria absoluta dos votos válidos, excluídos os votos brancos e nulos.

A eleição estadual ocorrerá simultaneamente ao segundo turno da disputa pela Presidência da República.

Para Mato Grosso do Sul, a votação carrega uma particularidade: a presença de uma política nascida no interior do Estado na disputa pelo comando de uma unidade da Federação localizada na Região Norte.

Três décadas depois de deixar Mundo Novo e construir sua carreira política no Acre, Mailza Assis chega ao momento decisivo de sua trajetória eleitoral.

O resultado deste domingo determinará se a sul-mato-grossense, que assumiu o governo há apenas seis meses, conquistará o primeiro mandato como governadora escolhida diretamente pelos eleitores acreanos.

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