Os irmãos Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk seguirão presos, decisão que ocorre após audiência de custódia realizada na manhã desta quinta-feira (20), no Fórum de Campo Grande.
Segundo a Justiça, Eduardo, que possui milhares de seguidores nas redes sociais usava duas empresas, uma da Paraíba e outra do Rio de Janeiro para lavar o dinheiro que arrecadava com as rifas milionárias feitas por ele na internet, empresas essas que também tinham como clientes traficantes de drogas e outros criminosos.
Presos desde a última terça-feira (18), ambos foram indiciados por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias.
Ao Correio do Estado, Tiago Bunning, advogado de defesa de Eduardo Rezende destacou que a Justiça se apegou a uma interpretação jurídica para manter a prisão dos irmãos. Apesar de Eduardo utilizar o termo "rifa", o que ocorria na prática eram sorteios, e que toda a movimentação do dinheiro era publicizada e declarada pelo influenciador, o que segundo o advogado rechaça a possibilidade do influenciador lavar dinheiro.
"Todos os sorteios eram realizados e auditados por uma loteria do estado da Paraíba, além disso, todo o dinheiro e patrimônio dele (Eduardo) é declarado e posteriormente pago imposto. (...) rifa é dferente de sorteio, rifa você escolhe um número", destacou Bunning.
À reportagem, afastou a possibilidade de lavagem de dinheiro, uma vez que influenciador, segundo ele, apenas fazia a divulgação dos sorteios.
"Não há lavagem de dinheiro porque ele declara tudo o que possui, a origem do dinheiro é lícita. Os bens estão bloqueados, os carros foram apreendidos, se ele fizesse tudo isso que está sendo imputado e mantivesse a divulgação, me desculpe, mas ele seria um idiota (o que não é)", disse o advogado.
A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) por meio da Operação Rodas da Sorte, que cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e 4 mandados de prisão, sendo dois em Campo Grande, um em João Pessoa (PB) e outro no Rio de Janeiro (RJ).
Eduardo Razuk, de 32 anos, campo-grandense, principal alvo da ação é famoso nas redes sociais por realizar e divulgar rifas que prometiam como prêmio carros de luxo.
Por lei, as rifas com fins lucrativos são proibidas no Brasil, o que se configura contravenção penal, permitidas apenas se forem feitas sob a organização de instituições filantrópicas.
Uma denúncia feita no início deste ano deu origem a uma investigação que constatou que Eduardo Razuk e seus sócios supostamente faziam a lavagem do dinheiro arrecadado nas rifas com a ajuda de duas empresas de fora do Estado.
A estratégia jurídica e comercial fraudulenta utilizada, segundo a polícia, mascarava a contravenção penal de exploração de jogos de azar como se fossem autorizadas é definida como “falsa roupagem lícita às rifas ilegais”.
Ao todo, 22 veículos foram apreendidos na operação. Entre os automóveis recolhidos estão modelos de alto valor, como um Volkswagen Arteon, veículo pouco comum no Brasil, com valor estimado entre R$ 800 mil e R$ 900 mil. Também estão entre os carros uma BMW avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão e uma RAM estimada em mais de R$ 600 mil.
Com carros que ultrapassam R$ 13 milhões, as rifas dos sorteios custava poucos reais. Na página utilizada para comercialização dos bilhetes, campanhas recentes apresentavam cotas por R$ 0,99, R$ 1,49, R$ 2,49 e R$ 2,99.
Entre os prêmios anunciados estava um Porsche 911 GTS, modelo que pode ultrapassar R$ 1 milhão no mercado. No site, a participação era oferecida por R$ 2,99. A campanha aparece como concluída, com sorteio indicado para 11 de julho deste ano.
O modelo de negócio permitia que milhares de pessoas participassem das campanhas pagando valores baixos, enquanto os prêmios utilizados para atrair compradores eram veículos de elevado valor de mercado.
Conforme o regulamento disponibilizado aos participantes, os sorteios utilizariam como referência a extração da Loteria Federal realizada na data indicada em cada campanha.
Para chegar ao bilhete vencedor, seriam utilizados os três últimos algarismos do primeiro e do segundo prêmios da extração. Se, por exemplo, os números terminassem em 345 e 746, a cota vencedora seria 345.746.
Caso o número não tivesse sido vendido, entraria em funcionamento a regra de aproximação, avançando numericamente até encontrar uma cota adquirida.
Horas antes de ser preso, o influenciador estava em Angra dos Reis (RJ). Mesmo após a prisão, conteúdo relacionado às rifas seguiu em seu perfil no Instagram.
Em abril de 2020, ele chegou a ser preso em Campo Grande por suspeita de receptação de um Toyota Corolla XRS com placas paraguaias. O veículo havia aparecido em vídeos publicados pelo próprio influenciador e, posteriormente, foi localizado e apreendido pela Polícia Civil.
*Saiba
Conforme os prazos, a Polícia Civil deve concluir o inquérito até a quinta-feira (27). Após o prazo, o Ministério Público decide se oferece ou não a denúncia.
Soraya Thronicke


