Política

ELEIÇÕES 2026

Valdemar Costa Neto confirma que PL em MS terá como candidatos ao Senado Capitão Contar e Azambuja

O presidente nacional do partido ainda revelou que já fechou com o PP para apoiar a reeleição de Riedel e, em troca, legenda não lançará candidatura a senador

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Em entrevista concedida na manhã deste sábado (10) ao Correio do Estado, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que o partido em Mato Grosso do Sul terá como pré-candidatos ao Senado Federal nas eleições gerais deste ano o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar.
 
Além disso, ele revelou ainda que já está acertado com a presidente estadual do PP, senadora Tereza Cristina, que o PL vai apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e, em troca, a Federação União Progressista, formada pelo PP e União Brasil, abrirá mão de lançar um pré-candidato ao Senado Federal.
 
Na teoria, a afirmação de Valdemar Costa Neto põe fim à possibilidade de que o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado estadual Gerson Claro (PP), possa ser o pré-candidato da Federação União Progressista ao senador da República no pleito deste ano.
 
“A aliança do PL com o PP em Mato Grosso do Sul está fechada desde o ano passado e foi costurada com as participações do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PL), comigo e com o senador Rogério Marinho (PL-RN) em reunião com as lideranças sul-mato-grossenses Riedel, Tereza e Azambuja”, declarou.
 
Questionado sobre como ficará a situação da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), que teve o nome lançado como pré-candidata ao Senado Federal pelo partido pelo próprio Jair Bolsonaro, o presidente nacional da legenda disse que ela terá de adiar essa probabilidade. 
 
“O Bolsonaro me disse que gosta muito da Gianni, que é esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), mas, como ele está impossibilidade de fazer campanha corpo a corpo – o ex-presidente está preso, cumprindo pena de mais de 27 anos de prisão -, ficaria complicado para ela se viabilizar politicamente”, explicou.
 
Valdemar Costa Neto acrescentou que Bolsonaro entende que Gianni teria chances de ser eleita senadora caso ele fizesse a campanha eleitoral ao lado dela. “Como as circunstâncias atuais o impede disso, é melhor lançar dois pré-candidatos já com musculatura política – Contar e Azambuja – e com chances de vitória, capazes de caminharem com as próprias pernas”, comentou.
 
Ele ressaltou que o nome de Bolsonaro é forte, mas, no caso de Gianni Nogueira, que ainda é uma novata na política, a ausência do ex-presidente ao lado dela tornaria a tarefa muito complicada. “Por isso, ele espera que ela deixe o projeto de ser senadora para uma próxima oportunidade, quando terá mais bagagem política”, argumentou.
 
No caso do senador Nelsinho Trad (PSD), o presidente nacional do PL disse que o parlamentar tinha sido convidado em 2023 para se filiar ao partido e, dessa forma, disputar a reeleição ao Senado Federal na legenda. “Nós gostamos muito do Nelsinho, ele sempre esteve do lado do Bolsonaro no Senado Federal e seria muito bem-vindo ao PL, entretanto, por questões que não veem ao caso neste momento, isso não foi possível”, lamentou.
 
Diante disso, Valdemar Costa Neto descartou com Nelsinho Trad possa compor a aliança do PL e PP na campanha eleitoral deste ano. “Infelizmente, teremos de caminhar separados, mas, temos de reconhecer que ele é um candidato muito forte e com grandes chances de ser reeleito. No entanto, vamos trabalhar para que Azambuja e Contar conquistem as duas cadeiras ao Senado por Mato Grosso do Sul”, concluiu.

Contar no PL

Em novembro do ano passado, o presidente nacional do PL anunciou, por meio de postagem nas suas redes sociais, a filiação do ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB) ao partido para disputar uma vaga ao Senado ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual da legenda.
 
“O ex-deputado estadual Capitão Contar, o mais votado da história de Mato Grosso do Sul, está retornando ao Partido Liberal. Ele aceitou o convite que fiz para disputar o Senado pelo PL, com o apoio do nosso presidente Jair Bolsonaro. A volta dele à família PL reforça o nosso time e mostra ainda mais a força do projeto que queremos para o futuro do povo sul-mato-grossense e do Brasil. Estou muito feliz com seu retorno. Seja bem-vindo, Capitão!”, escreveu.
 
Na prática, a chegada de Capitão Contar ao PL e o lançamento da pré-candidatura dele ao Senado pelo partido, fazendo uma “dobradinha” com Azambuja provoca uma verdadeira reviravolta na corrida eleitoral às duas cadeiras para senador da República por Mato Grosso do Sul, afinal, acaba com as especulações sobre quem estaria ao lado do ex-governador na disputa pelas duas vagas à Câmara Alta do Brasil.
 
O Correio do Estado questionou o ex-governador sobre o anúncio feito pelo presidente nacional do PL e Azambuja reforçou que a prioridade é reeleger o governador Riedel. “Eu já tinha convidado ele para se filiar ao PL e agora o Valdemar convidou também. E ele é bem-vindo, pois, se a gente quiser ganhar da esquerda temos de unir a direita e o centro-direita. Assim como a Rose Modesto foi adversária e hoje é aliada, como o André foi adversário e hoje está com a gente, o Contar poderá ser um bom companheiro também”, declarou.
 
Azambuja ressaltou que, com o Capitão Contar no PL, o partido ficará mais forte e isso também vai fortalecer o palanque para a reeleição do governador e para fazer dois senadores da direita. 
“Ninguém tem vaga garantida, nem eu. Por isso, temos que ver melhor a condição dos pré-candidatos para serem eleitos com as pesquisas qualitativas e quantitativas. Hoje, o Contar tem apresentado um bom desempenho e é um pré-candidato com musculatura política”, analisou.
 
Já o Capitão Contar disse à reportagem que na reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, recebeu o convite para retornar ao partido e ser senador com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Temos um objetivo em comum de fortalecer a direita em todo o País, consolidar um projeto nacional e ampliar a presença de parlamentares comprometidos com os valores da liberdade, da Constituição e do povo brasileiro, na Câmara e no Senado. É um retorno ao PL e ao grupo que estou desde 2018, quando me comprometi a representar os sul-mato-grossenses apoiado por Jair Bolsonaro”, declarou.
 
Ele completou que entende que diante do cenário atual é fundamental que se tenha condições de dar um basta aos abusos e interferências de poderes. “Sou imensamente grato ao PRTB que abriu as portas para uma candidatura ao governo do Estado e que nos permitiu fazer uma eleição histórica. Nosso país precisa de uma grande força para construir a maioria no Senado, com a possibilidade de fazer 25 senadores eleitos pelo PL. Será um momento decisivo para o Brasil. Mais do que nunca, o Brasil precisa de todos nós”, finalizou.

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ELEIÇÕES 2026

MS elegeu os dois deputados mais velhos do Brasil

Londres Machado foi eleito deputado estadual pela 14ª vez, enquanto Zé Teixeira foi pela 9ª consecutiva

05/10/2026 09h00

Londres Machado (PP) e Zé Teixeira (PL), reeleitos deputados estaduais

Londres Machado (PP) e Zé Teixeira (PL), reeleitos deputados estaduais

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A população de Mato Grosso do Sul elegeu, neste domingo (4), Zé Teixeira (PL), de 86 anos, e Londres Machado (PP), de 84 anos, para ocuparem os cargos de deputados estaduais. Ambos ocupam as primeiras posições de políticos mais velhos do Brasil. 

Com 54.080 votos, Zé Teixeira (PL) foi o deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul. Com forte base eleitoral em Dourados e na região sul do Estado, ele terá mais quatro anos de mandato e mantém sua trajetória de longa permanência na Assembleia Legislativa.

Este será o 9º mandato do produtor rural, que ingressou na política sul-mato-grossense pela primeira vez em 1994, quando foi eleito deputado estadual. Zé Teixeira tem sua atuação concentrada principalmente no agronegócio, na infraestrutura rural e na segurança jurídica no campo.

O recordista de mandatos em Mato Grosso do Sul, Londres Machado (PP), foi reeleito com 33.581 votos. É a 14ª vez que o parlamentar ocupará o cargo de deputado estadual, atuando na política desde 1970, antes mesmo de Mato Grosso ser dividido.

Machado já presidiu a Assembleia Legislativa em diversas ocasiões, exerceu interinamente o Governo do Estado e integrou a Assembleia Constituinte de Mato Grosso do Sul. Mantém forte base política no interior e na faixa de fronteira.

A lista de deputados estaduais acima dos 65 anos ainda tem os ex-governadores André Puccinelli, com 78, e Zeca do PT, 76, além de Paulo Corrêa, com 69 anos. 

Deputados estaduais eleitos

Dos 24 deputados eleitos, 16 já integram a Assembleia Legislativa, enquanto oito chegam de fora da composição atual, o equivalente a 33,3% das cadeiras.

Entre os nomes que estreiam na Assembleia estão Daverson Matos (PL), André Salineiro (PL), Gianni Nogueira (PL) e Tiago Botelho (PT). Além disso, retornam à Casa de Leis nomes que já tiveram passagem pelo Legislativo, como André Puccinelli (MDB), Hélio Peluffo (PP) e Paulo Duarte (PSDB). 

O PL elegeu  a maior bancada da próxima legislatura, com nove cadeiras. O PT terá quatro deputados, enquanto PSDB e PP terão três representantes cada. Republicanos terá dois parlamentares, e MDB, União Brasil e Avante, uma cadeira cada. 

Confira os eleitos:

  • Zé Teixeira (PL) - 54.080
  • Paulo Corrêa (PL) - 44.541 votos
  • Pedro Caravina (PSDB) - 43.845 votos
  • Zeca do PT - 42.714 votos
  • Coronel David (PL) - 41.492 votos
  • André Puccinelli (MDB) - 40.602 votos
  • Tiago Botelho (PT) - 39.387 votos
  • Ângelo Guerreiro  (PSDB) - 37.704 votos
  • Gianni Nogueira (PL) - 36.108 votos 
  • Odilon Ribeiro (PL) - 35.905 votos
  • Gerson Claro (PP) - 35.767 votos
  • Londres Machado (PP) - 33.581 votos
  • Hélio Peluffo Filho (PP) - 31.435 votos
  • Daverson Munhoz de Matos (PL) - 30.604 votos
  • Gleice Jane (PT) - 29.844 votos 
  • André Salineiro (PL) - 28.437 votos
  • Pedro Kemp (PT) - 28.397 votos
  • Lucas de Lima (PL) - 26.204 votos
  • Professor Rinaldo Modesto (União Brasil) - 23.763 votos
  • Márcio Fernandes (PL) - 23.122 votos
  • Renato Câmara (Republicanos) - 20.976 votos
  • Lídio Lopes (Avante) - 20.801 votos
  • Paulo Duarte (PSDB) - 20.029 votos
  • Pedro Pedrossian Neto (Republicanos) - 19.516 votos

Eleição Presidencial

Onda bolsonarista faz Flávio avançar e empareda Lula para o segundo turno

Ultrapassagem de Flávio e desempenho de seus aliados projetam dificuldades enormes para o presidente; PT tem votação abaixo do esperado

05/10/2026 08h20

Logo após o fim da apuração dos votos, Lula, ao lado de Alckmin, fez balanço do resultado das urnas, enquanto Flávio Bolsonaro comemorou com aliados em Brasília

Logo após o fim da apuração dos votos, Lula, ao lado de Alckmin, fez balanço do resultado das urnas, enquanto Flávio Bolsonaro comemorou com aliados em Brasília Foto: Montagem

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A arrancada dos bolsonaristas no primeiro turno das eleições gerais ontem foi um fato político de repercussão. Pelo avanço das forças de Flávio Bolsonaro (PL) e por seus próprios erros, o presidente Lula (PT) chega à segunda rodada emparedado.

Se havia o receio entre petistas de que um empate ou uma vantagem mais estreita do filho de Jair Bolsonaro no primeiro turno deixaria o tira-teima difícil, a situação do presidente se tornou dramática, embora não seja irreversível.

A seu favor, há a possibilidade de que a migração dos nanicos à direita que perderam força no pleito tenha atingido o limite, mas é incerto onde Lula poderá buscar votos, salvo por acontecimentos imprevisíveis. A aposta indicada em sua primeira fala é a comparação de biografias, algo difícil de medir.

O resultado surpreende quando é observada a curva das intenções de voto da campanha anódina, marcada pela contaminação do caso do Banco Master no Judiciário, e não, como seria racional imaginar, na candidatura de Flávio, envolvido com Daniel Vorcaro.

Mas o movimento bolsonarista já se insinuava no fim da corrida, como indicava o Datafolha na véspera. Ele absorveu não apenas boa parte da esquerda, mas a própria direita mais moderada.

E Lula, acima de tudo, perdeu a liderança para si mesmo. Sua campanha foi marcada por três defesas.

Na defesa da democracia, Lula aproveitou a balbúrdia bolsonarista do 8 de Janeiro para assumir a bandeira da democracia. Deu certo por algum tempo, mas, a partir de meados de 2023, o petista passou a contar apenas com a bancada de Alexandre de Moraes no Supremo. O preço foi conhecido neste ano.

No caso da soberania, Donald Trump deu ao presidente um presente com seu tarifaço e punições de 2025. Ele pôde assumir a defesa do interesse nacional, ganhou pontos na avaliação e ainda dobrou o americano.

Embora não tenha ocorrido um ataque frontal como o Planalto temia, a estratégia não funcionou eleitoralmente.

Também estão os números frios. O lulismo reclama da falta de reconhecimento dos bons indicadores da economia, mas esqueceu o contexto. Se o desemprego está em baixa, basta caminhar por grandes cidades para enxergar onde estão os postos de trabalho. A inflação pode estar sob controle, mas o endividamento das famílias eliminou qualquer sensação de bem-estar.

Talvez entorpecido pela segurança que a aliança com o Supremo lhe dava diante do Congresso à direita, o governo passou quatro anos vendo PL, Centrão e PSD montarem máquinas eleitorais para o controle de emendas parlamentares.

Lula ficou com palanques e bancadas potenciais fracas. Tudo isso trouxe uma capilaridade ao discurso antipetista que nem mesmo o carisma do presidente conseguiu conter, apesar de um arsenal de emergência com proibição de bets, fim da escala 6x1 e reajuste do Bolsa Família.

Logo após o fim da apuração dos votos, Lula, ao lado de Alckmin, fez balanço do resultado das urnas, enquanto Flávio Bolsonaro comemorou com aliados em Brasília

Candidato Teflon

De seu lado, Flávio vestiu o figurino teflon. Candidato com o maior passivo judicial na disputa, passou meses quase sem precisar se expor – a ausência do debate, uma escolha também de Lula, só o favoreceu.

Quando os questionamentos chegaram, era tarde, e a dissolução da realidade na vida digital facilitou sua trajetória: qualquer investigação da Polícia Federal vira perseguição, dúvida sobre medalha para miliciano, detalhe.

Não é diferente do que aconteceu com o maior ícone do bolsonarismo, Trump, eleito apesar de uma condenação criminal. Para manter o exemplo americano, Lula acabou encarnando o Joe Biden que os petistas menos deslumbrados temiam: um candidato desgastado.

Agora, o político brasileiro mais importante do século 21 no País terá de enfrentar o risco de encerrar a carreira em derrota. Ou uma vitória de Pirro, com a estrutura política dominada por adversários, sem falar nas eventuais pressões vindas dos EUA.

Flávio contará com o sentimento de virada, que muitas vezes define eleições. Isso deverá atrair apoios antes improváveis. Ele nunca foi a escolha do condomínio da centro-direita sequestrado pela vanguarda bolsonarista, mas isso tende a mudar.

Eventual triunfo será apenas o começo. Se vencer ao fim, contudo, terá de conviver com um ecossistema de aliados com interesses próprios, como o governador reeleito com folga em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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