Política

COFRES CHEIOS

Arco de aliança de PL, PP e União Brasil terá R$ 1,8 bilhão do Fundão para 2026

Esses três partidos fazem parte do projeto de reeleição do governador Eduardo Riedel para o pleito do próximo ano em MS

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A Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional elevou de R$ 1 bilhão para R$ 4,9 bilhões o valor reservado no Orçamento de 2026 (PLN nº 15/2025) para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mais conhecido como Fundo Eleitoral ou Fundão, das eleições gerais do próximo ano e, com isso, os partidos do arco de aliança formada pelo PL e a Federação União Progressista, do PP e o União Brasil, terão R$ 1,8 bilhão para gastar na campanha.

Em Mato Grosso do Sul, esses três partidos fazem parte do projeto político para reeleger o governador Eduardo Riedel (PP) e eleger senador o ex-governador Reinaldo Azambuja (PP).

Apenas a federação terá R$ 953,7 bilhões para 2026, enquanto o PL terá outros R$ 886,8 milhões, sendo, de longe, os maiores valores entre os outros 54 partidos com direito ao FEFC. O montante de R$ 1,8 bilhão ainda pode passar para R$ 2 bilhões, caso sejam confirmados oficialmente outros partidos.

O relator da Instrução Normativa (IN) nº 1/25, que trata sobre o Fundão, deputado federal Isnaldo Bulhões Júnior (MDB-AL), disse que a proposta do Poder Executivo será ajustada para atingir o valor das eleições de 2024.

O governo federal já tinha retirado R$ 1 bilhão das emendas de bancadas estaduais para atender o Fundo Eleitoral, mas, agora, foram retirados mais R$ 2,9 bilhões. O restante será cortado das despesas não obrigatórias e, com isso, a reserva para emendas de bancadas passará de R$ 15,2 bilhões para R$ 11,2 bilhões.

O diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fresato Barbosa, explicou ao Correio do Estado que os partidos grandes, ou bem representados no Congresso Nacional, vão ter um rateio de verbas públicas com esse Fundo Partidário bem maior do que o dos partidos menores.

“E, com recursos robustos, essa aliança, essa estrutura entre esses partidos, a campanha eleitoral tem de ser mais ampla”, projetou.

Com esse dinheiro, na análise de Aruaque Barbosa, PL, PP e União Brasil contratarão bons marqueteiros, investirão pesado na mídia formada por rádio, TV e redes sociais, bem como na organização de eventos, propaganda em massa e mobilização da base.

“Tudo isso gera visibilidade e presença e pode influenciar os eleitores, mesmo em locais com menor penetração de campanha eleitoral”, ressaltou.

Ou seja, com mais recursos, o arco de aliança pró-Riedel terá mais opções e mais chegada em relação aos outros partidos. “E essa vantagem estratégica aí entre PL, PP e União Brasil, se já tiver tudo alinhado, vai criar uma hegemonia, na minha opinião, local”, assegurou, completando que o FEFC maior amplia o puxador de votos, isto é, financia candidatos, vários candidatos ao mesmo tempo, federal, estadual e local, para dar suporte.

Ele argumentou ainda que um Fundão mais robusto atrai nomes competitivos que puxem voto e que somam o coeficiente para ter mais chances de ter sobra, fazendo um número maior de deputados estaduais, federais e senadores. “Fortalece a máquina eleitoral, com a diversidade territorial, como transporte, propaganda, enfim, comitês de campanha e por aí vai”, assegurou.

Aruaque Barbosa também explicou que um Fundo Eleitoral maior aumenta a competitividade contra os adversários, o que é muito importante.

“Se os partidos adversários tiverem menor recurso, ou se dependerem de doações privadas, ou candidaturas com menor estrutura, ficarão em desvantagem. Então, com recursos e com essa união partidária, o arco do governador Riedel tende a ter uma vantagem significativa, só que isso também não significa certeza de vitória”, alertou.

O diretor do IPR lembrou que esse dinheiro tem de ser bem gasto, seguindo as regras, compensação de contas, limite de contas, enfim, todo um aparato por trás que pode prejudicar também, pois cria aquela lógica de ambição eleitoral, guerra do dinheiro público, o que levanta críticas sobre a desigualdade de condições e influência da verba pública.

“O excesso de dinheiro pode levar a campanha para um outro discurso, portanto, precisa tomar um certo cuidado também para não cair nessa armadilha de ter dinheiro e depois ter uma conotação de gasto de dinheiro público”, advertiu.

*SAIBA

Conforme a Justiça Eleitoral, o dinheiro só fica disponível para cada partido quando a direção executiva nacional da sigla definir e divulgar seus critérios usados para a distribuição interna dos recursos. A verba deve ser aplicada exclusivamente no financiamento das campanhas eleitorais e as siglas devem prestar contas.

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Supremo Tribunal Federal

STF torna Malafaia réu por injúria contra generais e rejeita calúnia

Os quatro ministros entenderam que há indícios suficientes para receber a denúncia em relação ao primeiro crime

28/04/2026 22h00

STF torna Malafaia réu por injúria contra generais e rejeita calúnia

STF torna Malafaia réu por injúria contra generais e rejeita calúnia Divulgação

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira, 28, tornar réu o pastor Silas Malafaia por injúria contra generais do Exército e rejeitar a acusação de calúnia. Os quatro ministros entenderam que há indícios suficientes para receber a denúncia em relação ao primeiro crime.

Contudo, dois deles avaliaram que críticas foram genéricas em relação à instituição, o que derrubou a acusação pelo crime de calúnia.

Em seu voto, Zanin entendeu que não há elementos para caracterizar a calúnia, já que as declarações do pastor se dirigiram de forma ampla ao Exército, sem imputação específica de crime a autoridades determinadas. Zanin foi acompanhado por Cármen Lúcia.

A acusação se baseia em declarações feitas por Malafaia durante manifestação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista, quando chamou generais de quatro estrelas de "cambada de frouxos", "omissos" e "covardes".

Pelo Código Penal, a calúnia ocorre quando há atribuição falsa de um crime a alguém, enquanto a difamação se refere à imputação de fatos ofensivos à reputação. Já a injúria diz respeito a ofensas diretas à honra ou dignidade da vítima.

"O crime de calúnia exige narrativa de fato determinada, direcionada à pessoa determinada. Pois bem, aqui, embora haja referência ao alto comando do Exército, que também é composto pelo comandante do Exército, o comandante Tomás, entendo que a referência foi sobre a maneira genérica ao alto comando do Exército", disse Zanin.

Já o relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, manteve seu voto pelo recebimento da denúncia pelos dois crimes e foi acompanhado por Flávio Dino.

Com o empate na análise de um dos pontos, prevalece a solução mais favorável ao réu, conforme previsto no Código de Processo Penal.

"Só há 16 generais quatro estrelas do alto comando. Então, obviamente, é aqui a pessoa certa", argumentou Moraes.

Com o recebimento da denúncia, Malafaia passa à condição de réu e o processo avança para a fase de instrução, em que são produzidas provas, ouvidas testemunhas e apresentados novos argumentos pelas partes. Ao final dessa etapa, o STF decidirá se o pastor será condenado ou absolvido.

O caso é analisado pela Primeira Turma do STF em sessão presencial após Zanin pedir vista do processo no plenário virtual e, posteriormente, solicitar destaque, o que levou o julgamento ao plenário físico.

CPI das BETS

PF diz que Hugo Motta e Ciro Nogueira voaram em avião de empresário suspeito de contrabando

A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, que é sócio de uma empresa de apostas online. Ele estava presente no voo com os parlamentares, que ocorreu em abril de 2025, período em que a CPI das Bets estava ativa no Senado

28/04/2026 19h00

Ciro Nogueira, presidente nacional do PP

Ciro Nogueira, presidente nacional do PP Foto: Agência Senado

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A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo realizado em uma aeronave particular de um empresário investigado na CPI das Bets do Senado.

Esse inquérito, entretanto, foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois que a PF constatou que quatro parlamentares acompanharam o empresário no voo: o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Os parlamentares ainda não se manifestaram.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo. O Estadão teve acesso ao relatório da PF produzido na investigação. Os parlamentares foram procurados pela reportagem, mas ainda não se manifestaram. O espaço segue aberto.

A aeronave pertence ao empresário Fernando Oliveira Lima, que é sócio de uma empresa de apostas online. Ele estava presente no voo com os parlamentares, que ocorreu em abril de 2025, período em que a CPI das Bets estava ativa no Senado, com a participação de Ciro Nogueira. Lima foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.

O voo saiu da ilha de Saint Martin, um paraíso fiscal do Caribe, e pousou na noite do dia 20 de abril do ano passado no aeroporto de Catarina, em São Roque (SP), usado para aviação executiva. As suspeitas da PF surgiram a partir de uma investigação sobre a corrupção de um auditor fiscal, Marco Canella, indiciado em um outro inquérito por facilitação de contrabando ou descaminho. O auditor foi procurado, mas também não se posicionou.

No caso do voo dos parlamentares, Canella permitiu que um funcionário do empresário desembarcasse no aeroporto e passasse com sete volumes de bagagem por fora do raio-X. O procedimento irregular foi gravado pelas câmeras de segurança.

Ainda não foram identificados os donos das bagagens que passaram ilegalmente pelo raio-X. Como o voo era proveniente de um paraíso fiscal e o auditor já tinha sido indiciado por crimes de facilitação ao contrabando e descaminho, a PF suspeita que o conteúdo das bagagens possa ser ilegal.

Durante a apuração, porém, foi constatado que parlamentares também estavam a bordo do voo. Eles passaram suas malas pelo procedimento normal de raio-X, mas não é possível saber até o momento se as bagagens que foram transportadas por fora do raio-X tinham itens pertencentes aos parlamentares.

Em um relatório parcial, a PF escreveu que a continuidade das investigações pode indicar o envolvimento de algum dos parlamentares nos crimes apurados e, por isso, seria necessário o envio do caso ao STF.

"Considerando que, caso as investigações tenham continuidade e indiquem que, além da conduta do Auditor Fiscal MARCO ANTÔNIO CANELLA, haja outras condutas ilícitas, bem como que uma das pessoas mencionadas no "item 9" supra tenham envolvimento, os autos devem tramitar pela CINQ/CGRC/DICOR/PF, e o Processo junto ao Supremo Tribunal Federal, motivo pelo qual, salvo melhor juízo, entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário", diz o despacho.

Em suas redes sociais, o empresário registrou fotos da viagem, mas os parlamentares não aparecem. As imagens mostram o interior da aeronave com refeições e um mapa de bordo a destino de Saint Martin, a aeronave chegando a uma praia com mar azul claro e diversos momentos na praia.

O inquérito chegou nesta semana ao STF e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Ele enviou o caso para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deve opinar se há indícios de crimes para que os fatos sejam investigados perante o Supremo.

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