Política

DISPUTA ACIRRADA

Assembleia Legislativa pode ser renovada em até 42% nas eleições do próximo ano

Dos 24 deputados estaduais da Casa de Leis, pelo menos 10 parlamentares não devem retornar aos atuais cargos em 2027

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A pedido do Correio do Estado, os diretores do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fresato Barbosa, e do Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul (Ipems), Lauredi Sandim, fizeram uma projeção de que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) deverá ter uma renovação de 42% nas eleições gerais de 2026.

Na análise deles, dos atuais 24 deputados estaduais, pelo menos 10 não deverão conseguir retornar aos respectivos cargos, em razão da forte concorrência que está sendo esperada para o pleito de 2026 
e também pelo fato de os parlamentares vigentes terem uma boa base eleitoral, o que impossibilita uma grande renovação nos quadros da Casa.

Para Barbosa, a concorrência será muito alta em consequência dos ex-prefeitos que pretendem garantir uma vaga na Alems e têm uma forte base política nos municípios que administraram.

“Além disso, muitos dos novos candidatos terão apoio de caciques políticos, como é o caso do diretor do PP de MS, Marco Aurélio Santullo, que será o nome da senadora Tereza Cristina para a Casa de Leis. Ainda temos casos dos próprios caciques que pretendem disputar uma cadeira, como o ex-governador André Puccinelli (MDB), que tem uma força muito grande”, detalhou.

No caso de ex-prefeitos do interior, o diretor do IPR citou o ex-prefeito de Aquidauana Odilon Ribeiro (PSDB) e também o ex-prefeito de Três Lagoas Ângelo Guerreiro (PSDB), os quais saíram dos cargos muito bem avaliados pelas suas respectivas populações.

“Por outro lado, temos deputados estaduais que terão grandes dificuldades para serem reeleitos e, em razão disso, não deverão retornar aos cargos, ainda mais se não tiverem apoio partidário e não tiverem grupo. Esses, com certeza, estarão nessa lista de 10 nomes que não regressarão na próxima legislatura”, projetou Barbosa.

Para ele, todas essas possibilidades farão com que as 24 cadeiras da Alems sejam as mais disputadas desde as últimas eleições em MS. “Parece que está caminhando para esse porcentual de renovação mesmo, variando de 8 a 10 novos nomes ou até mais, o que é algo considerável”, analisou.

No entanto, o diretor do IPR ressaltou que, como há pouco mais de um ano para as eleições de outubro de 2026, muita coisa pode acontecer ainda. “Porém, parece que a Alems tem tudo para ter essa renovação mesmo”, afirmou.

OUTROS ARES

De acordo com Sandim, dos atuais 24 deputados estaduais, apenas Mara Caseiro (PSDB) e Jamilson Name (PSDB) não deverão concorrer à reeleição, abrindo, dessa forma, obrigatoriamente, duas vagas das 10 que são projetas para a renovação.

“Os dois parlamentares têm projetos mais altos e vão disputar vagas na Câmara dos Deputados, em Brasília [DF]. Por isso, devemos ter essa pequena renovação, de 6 a 10 novos deputados estaduais”, pontuou.

Além disso, conforme o diretor do Ipems, pelo menos cinco ex-prefeitos deverão ocupar vagas na Alems, pois virão com muita força no pleito do próximo.

“São eles Hélio Pellufo [PSDB], ex-prefeito de Ponta Porã; Odilon Ribeiro, ex-prefeito de Aquidauana; Marquinhos Trad [PDT], ex-prefeito de Campo Grande; Ângelo Guerreiro, ex-prefeito de Três Lagoas; e André Puccinelli [MDB], ex-prefeito de Campo Grande”, enumerou.

Já na Câmara dos Deputados, conforme o diretor do Ipems, a renovação da bancada de Mato Grosso do Sul poderá ser de até 50%.

“Penso que teremos uma renovação maior, podendo ficar entre três e quatro novos parlamentares. Para essas vagas, os nomes mais fortes são o ex-deputado estadual Capitão Contar [PRTB], a ex-deputada federal Rose Modesto [União Brasil] e o ex-prefeito de Dourados, Alan Guedes [PP]”, citou.

NOVO ENDEREÇO

Beto Pereira anuncia amanhã sua filiação ao Republicanos

Em fevereiro deste ano, o deputado federal havia assumido a presidência do PSDB

25/03/2026 08h25

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos Divulgação

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O deputado federal Beto Pereira oficializa amanhã a troca do PSDB pelo Republicanos para tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

A confirmação foi obtida pelo Correio do Estado junto a interlocutores do parlamentar, que deve assumir a presidência estadual do partido em Mato Grosso do Sul no lugar do deputado estadual Antonio Vaz.

A reportagem apurou que a chegada do deputado federal ao Republicanos foi articulada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) diretamente com o presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), durante reunião em Brasília (DF).

Beto Pereira vai para o Republicanos com a finalidade de consolidar a aliança da legenda com o grupo político de Riedel e Azambuja, que tinha PL, PP, União Brasil e PSDB, e tem como meta a reeleição do governador e a eleição de dois senadores da República, um deles o ex-governador.

Além de Beto Pereira, o Republicanos também ganhará o reforço do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e do deputado estadual Pedro Pedrossian Neto, ambos do PSD, do senador Nelsinho Trad, que informou o apoio à reeleição de Riedel, mesmo que o partido não faça parte dessa ampla aliança.

Com a adesão do grupo governista, o Republicanos projeta montar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados, com potencial para conquistar ao menos uma vaga, tendo, além de Beto Pereira, a vereadora Isa Marcondes, a Cavala, que foi a mais votada de Dourados nas eleições municipais de 2024.

HISTÓRICO

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o RepublicanosO deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos - Forto: Divulgação

Nascido em Campo Grande, em 14 de novembro de 1977, Humberto Rezende Pereira, mais conhecido como Beto Pereira, é formado em Direito e iniciou sua carreira política como prefeito de Terenos. Ele é filho do ex-senador Valter Pereira e tataraneto do fundador da Capital, José Antônio Pereira.

Em 2004, foi eleito prefeito do município de Terenos aos 26 anos, tornando-se o gestor mais jovem do Estado na época. No ano de 2008, foi reeleito com mais de 70% dos votos dos eleitores.

Em 2009, assumiu a presidência da Associação Sul-Mato-Grossense de Municípios (Assomasul) e, em 2012, Beto Pereira se tornou vice-presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) – o primeiro sul-mato-grossense a assumir essa função.

Em 2014, foi eleito deputado estadual, com 27.182 votos, e, em 2017, assumiu a presidência estadual do PSDB de Mato Grosso do Sul, enquanto em 2018 se elegeu deputado federal, com 80.500 votos.

No ano de 2019, foi eleito secretário-geral do PSDB nacional e, em 2022, foi reeleito deputado federal, com 97.872 votos, por Mato Grosso do Sul.

Em fevereiro de 2023, foi eleito para compor a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Um ano depois, em 2024, foi candidato a prefeito de Campo Grande, mas não conseguiu chegar ao segundo turno.

 

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ELEIÇÕES 2026

Vereadores do PSDB se recusam a servir de escada para deputados estaduais

Os parlamentares municipais da Capital querem na chapa tucana somente um entre Jamilson Name e Pedro Caravina

25/03/2026 08h20

Os deputados estaduais Marcio, Jamilson, Caravina, Lidio e Paulo durante a sessão de ontem

Os deputados estaduais Marcio, Jamilson, Caravina, Lidio e Paulo durante a sessão de ontem Luciana Nassar/Alems

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A formação da chapa para deputados estaduais pelo PSDB em Mato Grosso do Sul deixou de ser uma negociação tranquila para virar o estopim para um motim por parte dos vereadores do partido em Campo Grande que têm pretensões de concorrer a vagas na Assembleia Legislativa do Estado no pleito deste ano.

O Correio do Estado apurou que os vereadores Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha deram um ultimato ao partido depois que foram informados que os deputados estaduais Jamilson Name e Pedro Caravina vão continuar no ninho tucano para tentar a reeleição, inviabilizando que, pelo menos, um parlamentar municipal tenha chance real de ser eleito.

Na semana passada, conforme fontes ouvidas pela reportagem, estava tudo certo para que o deputado estadual Pedro Caravina fosse para o PP, ficando apenas Jamilson Name no partido, com a deputada estadual Lia Nogueira, o que permitiria que os três vereadores tivessem a oportunidade de disputar as cadeiras na Casa de Leis.

Porém, nesta semana, Caravina refez a conta de votos necessários para ser reeleito e constatou que, com os três vereadores na chapa, seria muito mais fácil garantir o retorno à Assembleia Legislativa se continuasse no PSDB do que tentando a sorte no PP, da senadora Tereza Cristina.

CAMPEÕES DE VOTOS

Entretanto, a permanência dele, de acordo com apuração do Correio do Estado, fará com que a chapa fique com dois deputados estaduais campeões de votos, tornando a campanha eleitoral de Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha muito mais difícil, pois dificilmente a chapa fará mais do que três parlamentares na eleição deste ano.

Portanto, com essa matemática, será mais fácil que Jamilson e Caravina sejam reeleitos, restando apenas uma possível cadeira na Assembleia Legislativa para o ninho tucano, que seria disputada pelos três vereadores e ainda pelos deputados estaduais Lia Nogueira e Paulo Duarte, que deve trocar o PSB pelo PSDB.

Por isso, os três vereadores avisaram que não pretendem ser “escada” para os deputados estaduais no pleito deste ano e, caso Jamilson ou Caravina resolvam bater o pé sobre ficar no PSDB, Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha não serão mais candidatos neste ano, enfraquecendo a chapa.

Para complicar ainda mais a situação, além da chegada de Paulo Duarte, também é cogitada a pré-candidatura do ex-prefeito de Três Lagoas Ângelo Guerreiro como deputado estadual pelo PSDB, outro nome com muitos votos, principalmente, na região da Costa Leste de Mato Grosso do Sul.

OUTRO LADO

Procurados pelo Correio do Estado, os três vereadores não consideraram comentar, mesmo posicionamento do deputado estadual Jamilson Name, enquanto o deputado estadual Pedro Caravina disse que não estava sabendo do ultimato.

“Eu entendo que a chapa desenhada pelo PSDB tem total condição de eleger de quatro a cinco deputados estaduais. Com quatro deputados estaduais de mandato, os três vereadores da Capital e com outras lideranças filiadas, teremos uma chapa muito competitiva”, projetou.

No entanto, ainda conforme Caravina, a decisão de sair candidato não é para agora, mas somente nas convenções. “Agora é filiação, e todos estão filiados”, analisou, prevendo que tudo deve ser resolvido.

Agora, a definição final sobre a formação da chapa para deputados estaduais terá de passar pelas mãos do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e do atual governador Eduardo Riedel (PP), que estão à frente das negociações dos partidos da ampla aliança formada para a reeleição de Riedel e eleição de Azambuja ao Senado.

 

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