Política

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Ataque dos EUA à Venezuela expõe divisão na América do Sul; veja como cada governo se posicionou

Maioria dos países demonstrou preocupação com uma nova intervenção americana na região e fez apelos ao diálogo

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Os líderes dos países da América do Sul demonstraram neste sábado, 3, forte divisão política ao reagirem de forma muito díspar ao ataque lançado pelos Estados Unidos contra a Venezuela no qual o presidente Nicolás Maduro foi capturado. A maioria dos países demonstrou, porém, preocupação com uma nova intervenção americana na região e fez apelos ao diálogo.

Colômbia, Brasil e Uruguai condenaram o ataque - embora com tons diferentes - e pediram à ONU que agisse e buscasse uma solução pacífica, principalmente porque ninguém sabe quais serão os próximos passos de Donald Trump, que aproveitou para enviar mensagens a outros países, como Colômbia, Cuba e México. "Temos que fazer alguma coisa", disse ele.

Enquanto Brasil e Colômbia, principalmente, demonstraram um certo isolamento na região, governos aliados à administração Trump, como os da Argentina, Paraguai e Equador, comemoraram a saída daquele que consideram um criminoso e confiaram que a vitória que a oposição obteve nas eleições presidenciais de 2024 acabaria por se impor.

Condenações e pedidos de ação da ONU

Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que embora de esquerda havia adotado desde as últimas eleições presidenciais na Venezuela um tom mais crítico a Maduro, considerou que as ações dos Estados Unidos "ultrapassam um limite inaceitável" e estabelecem "um precedente extremamente perigoso". "Atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, no qual a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", afirmou. "Essa ação nos lembra os piores momentos de ingerência política (...) e ameaça a preservação da região como um lugar de paz".

Colômbia: O presidente Gustavo Petro criticou duramente o ataque ao seu aliado, ordenou o envio de forças de segurança à fronteira e anunciou "toda a assistência disponível em caso de entrada maciça de refugiados". "Os conflitos internos entre os povos são resolvidos pelos próprios povos em paz", afirmou o primeiro presidente de esquerda da Colômbia.

Uruguai: Diferentemente de Brasil e Colômbia, o Uruguai, apesar das críticas, adotou um tom mais moderado. "Os fins não justificam os meios", afirmou o presidente de esquerda Yamandú Orsi em seu perfil no X.

Comemorações e pedidos de reconhecimento da vitória da oposição

Argentina: O presidente Javier Milei lançou seu popular "Viva la libertad, carajo" (Viva a liberdade, caramba) logo após o ataque ser divulgado. Mais tarde, em uma emissora de televisão local, ele garantiu que a Argentina dará "total apoio à moção dos Estados Unidos". Seu governo considerou o ataque "um avanço decisivo contra o narco-terrorismo que afeta a região", o que permitirá "recuperar plenamente a democracia" e reconhecer a vitória do opositor Edmundo González Urrutia em 2024.

Equador: O conservador Daniel Noboa afirmou em seu pefil no X que "a hora de todos os criminosos narcochavistas está chegando". "Sua estrutura acabará por cair em todo o continente". Além disso, enviou uma mensagem à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, a González e ao povo venezuelano: "É hora de recuperar seu país. Vocês têm um aliado no Equador".

Paraguai: O conservador Santiago Peña classificou como "uma boa notícia" a queda de Maduro, que liderava um "regime ilegítimo e ditatorial". Ele ofereceu sua colaboração e experiência "para a mudança do regime para um de plena vigência das liberdades e direitos".

Bolívia: O governo boliviano, de centro-direita, disse apoiar "o povo venezuelano no processo de recuperação da democracia" e considerou que a crise atual "é consequência do colapso do Estado de Direito, bem como da consolidação de estruturas criminosas que capturaram o aparato estatal".

Peru: O presidente interino José Jerí desejou a rápida recuperação da ordem interna na Venezuela - ele considerava Maduro ilegítimo - e anunciou que dará apoio a mais de um milhão de venezuelanos que vivem em seu país para um "retorno imediato, independentemente de sua condição migratória". "Muitas famílias poderão se reencontrar."

Um país em transição, com líderes opostos

Chile: O país sul-americano foi o exemplo mais claro das divisões continentais que a região vive. Em fim de mandato, o presidente de esquerda Gabriel Boric, muito crítico de Maduro, condenou o ataque e a ingerência estrangeira e pediu uma "saída pacífica", reafirmando seu apoio ao direito internacional. No entanto, o ultradireitista José Antonio Kast, que assumirá a presidência em março, disse que a prisão de Maduro "é uma ótima notícia para a região" e instou os líderes latino-americanos a colaborarem para o retorno dos venezuelanos ao seu país. "Sua permanência no poder, sustentada por um regime narco-ilegítimo, expulsou mais de 8 milhões de venezuelanos e desestabilizou a América Latina por meio do narcotráfico e do crime organizado", afirmou em sua conta no X.
 

Postura

Presidente da CPMI do INSS vai colocar informações sigilosas sobre Vorcaro em sala-cofre

Tratamento será diferente ao dispensado pela comissão a outros alvos, caso se concretize a medida

23/02/2026 19h00

Senador Carlos Viana

Senador Carlos Viana Foto: Divulgação

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Presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou nesta segunda-feira, 23, que pretende colocar informações sigilosas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, solicitadas pelo colegiado, em uma sala-cofre. O tratamento será diferente ao dispensado pela comissão a outros alvos, caso se concretize a medida.

Os dados oriundos das quebras de sigilos fiscal e telemático estavam sob custódia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por ordem do ministro Dias Toffoli.

Com a mudança de relatoria do caso Master, o novo relator, ministro André Mendonça, determinou a entrega dos documentos à CPI. Há uma cadeia de custódia para o tratamento desses papéis. Cabe à Polícia Federal entregá-los à comissão, o que ainda não ocorreu.

A sala-cofre é um local onde os parlamentares que integram a CPMI do INSS podem acessar os documentos remetidos pela PF. Ao acessá-la, cada deputado e senador registra sua entrada, observa as versões físicas dos dados e não pode levá-los.

O método de tratamento das informações é diferente daquele conferido aos demais itens de investigação, que são entregues em formato digital a todos os membros da CPI.

Segundo Viana, os dados ficarão nesta sala-cofre "até a gente ter chance de analisar o que está lá". O presidente da comissão disse que a decisão cabe exclusivamente a ele. "Eu pretendo fazer isso", disse, antes da reunião da CPI realizada nesta segunda-feira, 23.

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SERVIDOR PÚBLICO

Veto da Prefeitura ao pagamento da previdência em 12 parcelas será votado na Câmara

De acordo com o Executivo, a redução do prazo, de 36 para 12 meses, implica no planejamento orçamentário municipal

23/02/2026 18h25

Sessão ocorre nesta terça-feira, a partir das 9h

Sessão ocorre nesta terça-feira, a partir das 9h Divulgação: Câmara Municipal

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Nesta terça-feira (24), os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande votarão se mantêm ou rejeitam o veto da prefeita Adriane Lopes (PP), que não aprovou a emenda dos parlamentares ao Projeto de Lei Complementar 1.012/25,  a qual assegurava a redução, de 36 para 12 meses, para pagamento das parcelas referentes ao ressarcimento de contribuições previdenciárias, além de atualização dos valores pelo IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

A Prefeitura justificou o veto alegando que a redução do prazo implica no planejamento orçamentário. Além disso, a administração municipal argumenta que a proposta foi discutida com sindicato dos beneficiários.

A medida beneficia aqueles servidores efetivos com exercício entre 13 de novembro de 2019 e 18 de outubro de 2022 (data que antecede a vigência da previdência complementar no município) e que fizeram a opção para o Regime de Previdência Complementar. 

Lei sancionada

A prefeita Adriane Lopes (PP) sancionou, no dia 19 de janeiro deste ano, a Lei Complementar referente ao ressarcimento do valor excedente da contribuição previdenciária dos servidores públicos do Município. O dinheiro será devolvido em folha de pagamento do trabalhador, dividido em 36 parcelas mensais e sucessivas. 

Aqueles que optaram por contribuir para o Regime de Previdência Complementar (RPC) ao Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), entre o período de 13 de novembro de 2019 e 18 de outubro de 2022, serão ressarcidos pela Prefeitura.

O texto proposto tinha como objetivos principais regulamentar a devolução dos valores que, segundo o projeto, foram descontados "indevidamente" e também diminuir as parcelas de 36 para apenas 12 vezes.

A prefeita vetou parcialmente trechos do Projeto de Lei Complementar. O IMPCG entende que o projeto de lei modificou, sem análise de viabilidade orçamentária, o texto original que foi deliberado e elaborado pelos membros presentes na Reunião Ordinária do Comitê de Acompanhamento de Previdência Complementar com a participação do sindicato dos servidores envolvido.

Além disso, entende que  o PL contraria a legislação previdenciária (LC n. 415/2021), por tratar de uma temática diferente do texto apresentado e trazer atualização que se refere a "valores como desconto indevido", o que, segundo a Prefeitura, não condiz com os fatos. O Executivo alega que, à época, estes descontos foram realizados em conformidade com a legislação previdenciária.

Outro trecho que foi vetado trata-se do prazo do ressarcimento. A Procuradoria-Geral do Município (PGM) aponta que também foi deliberado pelo Comitê de Acompanhamento de Previdência Complementar (CAPC), por unanimidade e de comum acordo com o Sindicato dos Auditores da Receita, o parcelamento em 36 vezes, com a concordância da Secretaria Municipal da Fazenda”.

O texto queria alterar o fluxo financeiro de ressarcimento de 36 para “até 12 parcelas”,  e segundo a PGM, isto "afronta diretamente o planejamento orçamentário, capacidade financeira do ente, com a execução das despesas obrigatórias e com a manutenção do equilíbrio fiscal ao longo do exercício".

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