Política

CORRUPÇÃO EM CAMPO GRANDE

Avenida Lúdio Coelho: pivô da Lama Asfáltica também foi usada no esquema de Patrola

Engenex, empreiteira contratada pela prefeitura para cuidar de vias sem asfalto, 'cascalhou' avenida pavimentada já há 12 anos

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A cada enxadada, uma minhoca. Conversa de caipira quando este quer escandalizar, impressionar, as pessoas que os ouvem contar causos. Fica parecido diálogo de caboclo, folhear o relatório preparado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), sobre o esquema de desvio de recurso público envolvendo empreiteiras e a prefeitura de Campo Grande.

Cada folha virada, uma nova narrativa surge recheada de suspeitas de fraude. Numa das páginas do relatório que o Correio do Estado teve acesso, é mencionado que a Engenex Construções, fez "intervenções" em trecho da Avenida prefeito Lúdio Coelho, aos arredores do Residencial Oliveira III. 

Suspeitas de fraude na execução da obra da Lúdio Coelho surgiram pela primeira vez numa operação da Polícia Federal, oito anos atrás (ver logo abaixo)

Retomando o relatório do MPMS: ocorre que a empreiteira foi contratada para cuidar da manutenção de vias sem asfalto. E a Avenida Lúdio Coelho tem asfalto desde 2011, há mais de década.

"Em análise aos documentos oficiais, juntados aos autos do procedimento licitatório, apurou-se que na data de 15/02/2021, a empresa Engenex Construções teria efetuado intervenção na Avenida Prefeito Lúdio Martins Coelho, nos trechos entre as Ruas João Rezek e Rogério Giordano, Rua Maria Carlota Giordano até a Rua Armando Capriata entre as Ruas Alberto Jissun Minei até a Rua Avenida Roseira", escreveram os investigadores do MPMS que sustentaram o levantamento por meio da planilha oficial de medição da obra.

No entanto, o MP diz, em seguida, que: "ocorre que, segundo apurado, a Avenida Lúdio Martins Coelho possui pavimentação asfáltica nos trechos mencionados, impossibilitando assim, de acordo com o preconizado no contrato 194/2018 a intervenção da empresa Engenex Construção no local".

A avenida em questão foi inaugurada no dia 17 de março de 2011 pelo então prefeito da cidade, Nelsinho Trad, hoje senador do PSD..

ENCRENCAS

Não é a primeira vez que Avenida Lúdio Martins Coelho é incluída em escândalos.

Em 2015, por exemplo, a via foi citada na Lama Asfáltica, operação da Policia Federal, que derrubou um esquema de fraude em licitações que envolveu o então ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, do MDB.

Conforme a investigação, a obra de pavimentação e saneamento da Lúdio Coelho teria sido superfaturada em quase R$ 5 milhões. Também segundo a apuração, o Estado pagou por serviços não feitos na área, no valor R$ 482 mil. 

Parte da obra foi custeada por recurso federal. Processo deste caso foi reaberto ano passado e corre na Justiça Federal. A operação Lama Asfáltica provocou denúncias e prisões do ex-govenador, ex-secretário de Obras, Edson Giroto e o empreiteito João Amorim, dono da Proteco. Os três foram denunciados por suspeitas de desvio de recurso acerca da obra da Lúdio Coelho.

A partir daí foram descobertas outras fraudes em obras, incluindo também em rodovias.

CASCALHOS DE AREIA

O MP-MS deflagrou uma semana atrás (dia 15), a Cascalhos de Areia, operação que investiga empreiteiras implicadas em fraudes em licitações promovidas pela prefeitura de Campo Grande.

A ALS, do empreiteiro André Luís dos Santos, o conhecido André Patrola, seria o chefe da suposta organização criminosa. Pela investigação, Patrola seria o verdadeiro dono de empreiteiras hoje em nome de laranjas.

 

 
 

 

Redes Sociais

Deputada Mara Caseiro relata invasão e uso indevido de perfil oficial no Instagram

Parlamentar afirmou que mensagens, comentários e conteúdos publicados durante o período devem ser desconsiderados

23/08/2026 16h30

A deputada estadual Mara Caseiro f

A deputada estadual Mara Caseiro f Arquivo

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A deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), e também candidata a uma cadeira na Câmara Federal  informou, por meio de uma publicação nas redes sociais, que seu perfil oficial no Instagram teria sido acessado e utilizado indevidamente por uma pessoa que integrava sua equipe de comunicação.

Segundo a parlamentar, durante o período em que a conta teria sido acessada, perfis foram bloqueados e ofensas foram publicadas em seu nome, sem autorização e sem participação da atual equipe de comunicação. “Peço que desconsiderem qualquer mensagem, comentário, solicitação ou conteúdo estranho enviado pelo meu perfil nesse período”, escreveu a deputada na publicação.A deputada estadual Mara Caseiro f

Mara Caseiro afirmou ainda que as providências necessárias já estão sendo tomadas para apurar o ocorrido, mas não detalhou quando o acesso indevido teria acontecido, por quanto tempo a conta permaneceu sob controle da outra pessoa ou quais conteúdos e comentários foram publicados.

O Correio do Estado entrou em contato com a assessoria de comunicação da deputada para obter um posicionamento e mais informações sobre a situação, mas não recebemos o retorno até a publicação desta matéria.

Eleições

Procuradoria eleitoral barra candidatura de dono de faculdade na fronteira

Doação irregular às vésperas de eleição municipal há seis anos foi determinante para derrubar candidatura

23/08/2026 09h45

Carlos Bernardo (União Brasil)

Carlos Bernardo (União Brasil) Foto: Divulgação

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Pela segunda vez em quatro anos, a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul optou por barrar a candidatura de Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal e fundador da Faculdade de Medicina da Universidade Central do Paraguai em Pedro Juan Caballero, cidade fronteiriça a Ponta Porã, interior do Estado.

O pedido foi assinado pelo Procurador Silvio Pettengill Neto neste sábado (22), que manteve sua decisão anterior sobre a derrubada da candidatura. Em 2022 ele também foi impedido de disputar as eleições pelo mesmo motivo. 

A impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara-GO em 2020. Em decisão colegiada, a Justiça determinou à época que o repasse ultrapassou o limite legal de 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador em 2019.

Com base na declaração de imposto de renda, Carlos Bernardo poderia doar até R$ 20.767,55, contudo, o repasse ultrapassou em R$ 69.223,45 o limite permitido. 

Na ocasião, ele foi apontado como o maior doador da campanha de Rogério Rezende, valor que correspondeu a 26,58% da arrecadação total do candidato e 300% do que ele poderia doar.

Conforme a alegação do procurador Silvio Pettengill Neto, a doação "não deveria existir na realidade da
campanha eleitoral do beneficiário, de modo que a sua simples existência na conta bancária de candidato ou partido beneficiado, por óbvio, acarretou o desequilíbrio entre os candidatos em disputa."

De acordo com o Portal DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, a doação aconteceu às vésperas do primeiro turno, 13 de novembro, dois dias antes do pleito. Rogério Rezende foi derrotado nas urnas. 

Desse modo, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul reconheceu a irregularidade, ratificou a sentença do juízo da 52ª zona eleitoral e impediu Carlos Bernardo de disputar as eleições há quatro anos, quando lançou-se candidato a deputado federal pelo MDB. 

"A Lei Complementar n. 64/1990, ao regulamentar as hipóteses de inelegibilidade infraconstitucionais, estabelece no art. 1º, inc. I, al. p, que 'são inelegíveis (...) para qualquer cargo (...) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22'”.

Apesar da decisão colegiada impedir a candidatura de Carlos Bernardo por oito anos, ele disputou a prefeitura de Ponta Porã em 2024.

Na ocasião, a Justiça entendeu que a doação irregular realizada por ele ao candidato goiano não impactaria diretamente a disputa pela prefeitura ponta-poranense.

A determinação da Procuradoria Eleitoral será encaminhada à Justiça eleitoral que deve acatar o pedido nos próximos dias. 

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