O senador Flávio Bolsonaro (RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, será o primeiro presidenciável a visitar Campo Grande (MS) nesta quinta-feira (9), quando deve participar da cerimônia de abertura da Expogrande 2026, no Parque de Exposições Laucídio Coelho.
A informação foi confirmada ao Correio do Estado pelo presidente do PL em Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja, explicando que, inicialmente, a visita estava prevista para o dia 14 de abril, mas o senador resolveu antecipar.
“Sim, o senador Flávio vem a Campo Grande na quinta-feira. Ele me confirmou por telefone e, além da abertura da Expogrande, teremos reuniões políticas”, declarou, completando que está preparando a agenda do presidenciável.
O deputado estadual Coronel David, que é o secretário-geral do PL no Estado, explicou que a vinda do senador Flávio Bolsonaro a Campo Grande não é apenas uma visita política. “É um chamado à união de todos que acreditam no Brasil de verdade. E representa que Mato Grosso do Sul está inserido nesse grande projeto para o Brasil liderado pelo Flávio”, assegurou.
Ele acrescentou que receber o pré-candidato do PL à Presidência da República é um marco para o fortalecimento da direita em Mato Grosso do Sul. “É a prova de que estamos organizados, firmes e prontos para defender nossos valores e ajudar no projeto para fazer do Flávio o nosso presidente da República”, reforçou.
O Coronel David ainda destacou que se trata do momento de somar forças, de levantar a cabeça e de mostrar que a direita sul-mato-grossense está comprometida com o futuro do Brasil.
Escolha do vice
Flávio Bolsonaro vem a Campo Grande no momento em que está sendo articulada a definição sobre quem será o seu pré-candidato a vice-presidente, sendo que pessoas mais próximas ao senador resistem à indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS), nome defendido por lideranças do Centrão e já sugerido pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Esse grupo mais ideológico, considerado o “núcleo duro” da pré-campanha, avalia que o vice deve representar lealdade direta ao projeto político do senador, sem vínculos com blocos partidários robustos.
Nos bastidores, aliados comparam o cenário à escolha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, quando teve José Alencar como vice, visto à época como um nome capaz de trazer estabilidade à chapa.
A discussão também é influenciada por experiências anteriores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, ele escolheu Hamilton Mourão como vice, com quem teve divergências durante o mandato. Já em 2022, optou por Walter Braga Netto, considerado um aliado mais alinhado e sem base política própria.
Dentro dessa lógica, aliados de Flávio veem no ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), uma alternativa viável para a vice. Embora também seja pré-candidato à Presidência da República, Zema é apontado como um nome sem ligação direta com o Centrão e potencialmente mais alinhado ao bolsonarismo.
A resistência a Tereza Cristina, por outro lado, envolve dois fatores principais: sua proximidade com o Centrão e um episódio recente que gerou desconforto entre setores mais radicais, relacionado à sua participação em uma comitiva nos Estados Unidos. Nos bastidores, aliados indicam que Eduardo Bolsonaro atua contra a indicação da senadora.
Apesar disso, Tereza Cristina mantém força entre empresários e agentes do mercado financeiro, que a veem como um nome mais moderado e previsível. A escolha do vice, portanto, segue uma lógica pragmática: além de afinidade política, pesa na decisão o que cada nome pode agregar à chapa, como tempo de televisão, acesso a recursos do fundo eleitoral e apoio partidário.
No caso de Zema, entra na equação o peso eleitoral de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, embora ainda haja dúvidas sobre sua capacidade de ampliar votos. Já Tereza Cristina surge como uma opção com forte respaldo político e econômico, especialmente junto a setores organizados da direita.

