Política

Disputa por imóvel

Bernal diz que atirou para "se defender" em imóvel leiloado

Discussão por disputa de imóvel termina com ex-prefeito matando fiscal tributário na região central de Campo Grande

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O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, justificou que matou a tiros fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, na tarde desta terça-feira (24), “para se defender”.

O imóvel em questão, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados, como noticiou o Correio do Estado, foi adquirido pela vítima, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em um leilão.

Ao site Investiga MS, Bernal, que se apresentou à polícia após o crime, informou que reagiu a uma tentativa de agressão. Em conversa com a reportagem, afirmou que era a terceira vez que o imóvel teria sido invadido.

“Desta vez, fui avisado. Estavam arrombando a porta da sala. Quando me viram, tentaram me agredir e tive que me defender”, contou ao Investiga MS.

Entenda

Como apurou a reportagem, a vítima chegou ao imóvel pouco antes das 14h, acompanhada de um chaveiro, e houve um desentendimento, no qual o ex-prefeito se recusou a entregar a casa.

Nesse momento, ele efetuou disparos contra Roberto Carlos, que foi atingido por pelo menos três tiros. Na sequência, deixou o local e se apresentou em uma delegacia de polícia.

Imbróglio

O imóvel foi levado a leilão em junho de 2025 devido a uma dívida de pensão que ultrapassa R$ 112 mil, conforme determinação da 1ª Vara da Família e Sucessões de Palmas (TO), onde, à época, residia o filho do ex-prefeito.

De acordo com os autos do processo, quando ainda era prefeito, Bernal e o filho celebraram um acordo em ação que tramitou em Campo Grande. Ficou estabelecido que o valor de três salários mínimos seria descontado diretamente de seus subsídios, incluindo o 13º salário, e depositado na conta do filho.

Nesse ínterim, Bernal foi cassado em 2014 e não conseguiu cumprir a obrigação. Segundo consta na ação, endividado e sem pagar a pensão, mesmo após o filho conceder prazo para regularizar a situação financeira, ele não manteve contato, nem respondeu a ligações para resolver a pendência.

Diante disso, foi determinada a intimação para que Bernal efetuasse o pagamento do débito no prazo de três dias. Caso contrário, bens seriam penhorados até a quitação da dívida.

O pagamento não foi realizado, e o imóvel, que estava penhorado, acabou sendo leiloado.

EX-RADIALISTA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos em em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos, sendo o segundo mais bem votado. 

Em 2012 lançou campanha para prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Girot, no segundo turno, com 62,55% dos votos válidos. Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas perdeu a disputa. 

NOTA DOS AUDITORES

O sindicato que representa os auditores emitiu nota lamentando o assassinato.

"É com profunda consternação e indignação que recebemos a notícia do assassinato do nosso colega Roberto. Ele era um servidor dedicado, pai de família e, acima de tudo, uma pessoa honrada. Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade à família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. A perda deixa uma lacuna irreparável no seio da família e em toda a nossa categoria, que hoje se encontra enlutada."

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Suspeita de irregularidade

Em menos de 3 meses, Câmara gasta mais de R$ 500 mil em diárias

Pagamentos frequentes a servidores, referentes a viagens chamam a atenção do MP para possível complemento salarial com uso indevido de dinheiro público

24/03/2026 15h22

Crédito: Câmara Municipal de Chapadão do Sul

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) constatou que, somente no primeiro trimestre de 2026, servidores da Câmara Municipal de Chapadão do Sul geraram um gasto de R$ 528.303,65 com despesas de viagens a trabalho.

Conforme explicou o MPMS, as diárias são destinadas a cobrir despesas com viagens, como alimentação, hospedagem e transporte. O que chamou a atenção foi o alto custo em um curto espaço de tempo.

Ainda segundo levantamento feito pelo Ministério Público, a quantia supera os gastos registrados em anos anteriores (2024 e 2025), no mesmo período, indicando indícios de uso indevido do dinheiro público como complemento de remuneração.

Cabe ressaltar que a Lei Municipal nº 1.164, de 22 de novembro de 2017, estabelece valores que vereadores e servidores devem receber em diárias quando estiverem em viagem a trabalho, tanto dentro quanto fora de Mato Grosso do Sul.

Ainda assim, segundo o Ministério Público, a lei não está sendo cumprida.

Na publicação de diárias e passagens feita pelo órgão, constam cinco servidores comissionados e apenas um efetivo.

Reprodução MPMS

Outro ponto levantado é que, conforme estabelece a lei, os valores pagos pelas viagens “superam os fixados para servidores públicos federais, inclusive para ministros de Estado do governo federal, conforme informação extraída do site oficial do governo”.

Decreto publicado pelo governo federal com valores de diárias

Servidores da Câmara

Como é o caso do servidor Weliton Freitas Gomes Menezes, que exerce o cargo de assessor jurídico da Câmara Municipal, em cargo comissionado. Conforme o Portal da Transparência do município, em janeiro recebeu salário de R$ 5.855,98 e, em fevereiro, R$ 14.639,95.

Em quatro viagens (03/03/2026, 11/02/2026, 03/02/2026 e 21/01/2026), gerou despesas ao erário que somam R$ 22.873,55.

Também constam no levantamento os servidores Jessica Cristiane Horbach, Marcos Vinicius Antunes Montovanelli (comissionado), Emily Barroso Fernandes (comissionada) e Andreia Cristiane de Lima (efetiva).

Veja os proventos dos servidores:

  • Andreia Cristiane de Lima, servidora efetiva desde 18 de março de 2013, recebeu em janeiro deste ano remuneração bruta de R$ 19.462,13;
  • Emily Barroso Fernandes, comissionada, admitida em 19 de fevereiro de 2024, recebeu em janeiro R$ 6.013,26 (bruto);
  • Jessica Cristiane Horbach, comissionada desde 3 de fevereiro de 2025, tem salário bruto de R$ 9.532,46;
  • Marcos Vinicius Antunes Montovanelli, comissionado, contratado em 1º de fevereiro de 2022, recebe salário de R$ 4.919,94.

Recomendação

Com isso, o Ministério Público ressaltou que, embora seja permitido aos servidores participarem de eventos a trabalho, o dinheiro público precisa ser aplicado com critério.

Cabe a quem autoriza as viagens verificar se o gasto é necessário e se o evento trará benefício para a Câmara ou para a população.

Na recomendação, o MPMS aponta que existem alternativas para evitar deslocamentos, como reuniões online, cursos virtuais e videoconferências.

Outro ponto destacado foi a constatação de que os servidores estão recebendo diárias com frequência, praticamente todos os meses, o que pode indicar uso como “complemento de salário”, o que é irregular.

Diante disso, o Ministério Público recomendou que a Câmara Municipal mude a forma de pagamento das diárias e corrija possíveis irregularidades, como:

  • criar uma nova lei ou ajustar a atual em até 30 dias, com regras claras e rígidas;
  • reduzir o número de diárias para vereadores, com limite mensal;
  • estabelecer critérios mais rigorosos para concessão dos pagamentos.

A Câmara Municipal tem dez dias úteis, a partir do recebimento da recomendação, para informar se irá cumprir as medidas. Caso contrário, poderá ser alvo de ações por improbidade administrativa e outras medidas judiciais.
 

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Vai para casa

Moraes converte prisão de Bolsonaro em domiciliar após parecer da PGR

Procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou no parecer que a evolução clínica de Bolsonaro "recomenda a flexibilização do regime"

24/03/2026 14h15

Ex-presidente Jair Bolsonaro

Ex-presidente Jair Bolsonaro Foto: Agencia Brasil

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) converteu nesta terça-feira (24) o regime de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a domiciliar humanitária. A decisão acatou um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que nesta terça-feira (23), se pronunciou favoravelmente à progressão da detenção.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou no parecer que a evolução clínica de Bolsonaro "recomenda a flexibilização do regime" de prisão. Segundo Gonet, a concessão da prisão domiciliar "encontra apoio no dever dos Poderes de preservação da integridade física e moral" de pessoas sob custódia do Estado

O procurador-geral sustentou que o quadro de saúde do ex-presidente exige acompanhamento constante que o ambiente familiar pode oferecer, mas que o sistema prisional não tem condições de garantir.

A equipe médica de Bolsonaro, de acordo com a manifestação, aponta que as comorbidades do ex-presidente representam risco iminente à sua integridade, com possibilidade de novos episódios súbitos de mal-estar.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve nesta segunda-feira (23) com Moraes. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, também esteve com ministro para tratar do estado de saúde do pai.

Coube a Moraes decidir se acolhia ou não a manifestação da PGR e autorizava a transferência do regime prisional, como pediu a defesa do ex-presidente.

Internação e condenação

Bolsonaro foi condenado no ano passado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde então, cumpria pena na Papudinha, em Brasília.

No dia 13 de março, o ex-presidente passou mal e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital federal para tratamento de pneumonia decorrente de broncoaspiração. Ele segue hospitalizado. 

No início de março, Moraes havia rejeitado um primeiro pedido de prisão domiciliar. O ministro argumentou que se trata de medida excepcional e que Bolsonaro não preenchia os requisitos legais.

Na decisão, o ministro destacou que o ex-presidente mantinha intensa agenda de visitas na Papudinha, incluindo encontros com políticos, o que, segundo o magistrado, indicava bom estado de saúde.

Moraes também citou perícia da Polícia Federal que não identificava necessidade de transferência para cuidados hospitalares, embora o laudo registrasse que Bolsonaro apresenta "quadro clínico de alta complexidade".

Na Papudinha, o ex-presidente já recebeu mais de 140 atendimentos médicos, com consultas diárias de médicos particulares e de profissionais da própria unidade prisional.

Quadro de saúde

Nesta manhã, Bolsonaro deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, onde passa por tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. 

Segundo boletim médico divulgado, apesar de apresentar melhora clínica, ele segue no hospital com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta hospitalar.

O documento é assinado pelo cirurgião-geral Cláudio Birolini; pelos cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado; pelo gerente médico, Wallace S. Padilha; e pelo diretor-geral do hospital, Allisson Barcelos Borges.

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