Política

Suspeita de irregularidade

Em menos de 3 meses, Câmara gasta mais de R$ 500 mil em diárias

Pagamentos frequentes a servidores, referentes a viagens chamam a atenção do MP para possível complemento salarial com uso indevido de dinheiro público

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) constatou que, somente no primeiro trimestre de 2026, servidores da Câmara Municipal de Chapadão do Sul geraram um gasto de R$ 528.303,65 com despesas de viagens a trabalho.

Conforme explicou o MPMS, as diárias são destinadas a cobrir despesas com viagens, como alimentação, hospedagem e transporte. O que chamou a atenção foi o alto custo em um curto espaço de tempo.

Ainda segundo levantamento feito pelo Ministério Público, a quantia supera os gastos registrados em anos anteriores (2024 e 2025), no mesmo período, indicando indícios de uso indevido do dinheiro público como complemento de remuneração.

Cabe ressaltar que a Lei Municipal nº 1.164, de 22 de novembro de 2017, estabelece valores que vereadores e servidores devem receber em diárias quando estiverem em viagem a trabalho, tanto dentro quanto fora de Mato Grosso do Sul.

Ainda assim, segundo o Ministério Público, a lei não está sendo cumprida.

Na publicação de diárias e passagens feita pelo órgão, constam cinco servidores comissionados e apenas um efetivo.

Reprodução MPMS

Outro ponto levantado é que, conforme estabelece a lei, os valores pagos pelas viagens “superam os fixados para servidores públicos federais, inclusive para ministros de Estado do governo federal, conforme informação extraída do site oficial do governo”.

Decreto publicado pelo governo federal com valores de diárias

Servidores da Câmara

Como é o caso do servidor Weliton Freitas Gomes Menezes, que exerce o cargo de assessor jurídico da Câmara Municipal, em cargo comissionado. Conforme o Portal da Transparência do município, em janeiro recebeu salário de R$ 5.855,98 e, em fevereiro, R$ 14.639,95.

Em quatro viagens (03/03/2026, 11/02/2026, 03/02/2026 e 21/01/2026), gerou despesas ao erário que somam R$ 22.873,55.

Também constam no levantamento os servidores Jessica Cristiane Horbach, Marcos Vinicius Antunes Montovanelli (comissionado), Emily Barroso Fernandes (comissionada) e Andreia Cristiane de Lima (efetiva).

Veja os proventos dos servidores:

  • Andreia Cristiane de Lima, servidora efetiva desde 18 de março de 2013, recebeu em janeiro deste ano remuneração bruta de R$ 19.462,13;
  • Emily Barroso Fernandes, comissionada, admitida em 19 de fevereiro de 2024, recebeu em janeiro R$ 6.013,26 (bruto);
  • Jessica Cristiane Horbach, comissionada desde 3 de fevereiro de 2025, tem salário bruto de R$ 9.532,46;
  • Marcos Vinicius Antunes Montovanelli, comissionado, contratado em 1º de fevereiro de 2022, recebe salário de R$ 4.919,94.

Recomendação

Com isso, o Ministério Público ressaltou que, embora seja permitido aos servidores participarem de eventos a trabalho, o dinheiro público precisa ser aplicado com critério.

Cabe a quem autoriza as viagens verificar se o gasto é necessário e se o evento trará benefício para a Câmara ou para a população.

Na recomendação, o MPMS aponta que existem alternativas para evitar deslocamentos, como reuniões online, cursos virtuais e videoconferências.

Outro ponto destacado foi a constatação de que os servidores estão recebendo diárias com frequência, praticamente todos os meses, o que pode indicar uso como “complemento de salário”, o que é irregular.

Diante disso, o Ministério Público recomendou que a Câmara Municipal mude a forma de pagamento das diárias e corrija possíveis irregularidades, como:

  • criar uma nova lei ou ajustar a atual em até 30 dias, com regras claras e rígidas;
  • reduzir o número de diárias para vereadores, com limite mensal;
  • estabelecer critérios mais rigorosos para concessão dos pagamentos.

A Câmara Municipal tem dez dias úteis, a partir do recebimento da recomendação, para informar se irá cumprir as medidas. Caso contrário, poderá ser alvo de ações por improbidade administrativa e outras medidas judiciais.
 

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Eleições 2026

Azambuja lidera em seis de nove regiões e é nome mais competitivo ao Senado em MS

CNJ adiou para agosto a análise de mudanças no regimento interno sobre os procedimentos disciplinares de magistrados

25/06/2026 08h00

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja Marcelo Victor

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O recorte por regiões da pesquisa de intenções de votos contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) apontou que o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) é o nome mais competitivo na disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul.

Conforme os dados apresentados, Azambuja lidera em seis das nove regiões do Estado analisadas e aparece com vantagem na região de Campo Grande e na região de Dourados, reforçando a leitura de que entra no cenário eleitoral com capilaridade regional e forte presença no interior.

O ex-governador aparece na frente nas regiões de Amambai (40%), Campo Grande (39%), Corumbá (50%), Dourados (55%), Jardim (56%) e Maracaju (59%).

O desempenho sugere uma base distribuída em diferentes regiões do Estado, sem dependência de um único polo eleitoral, além de indicar força em colégios relevantes tanto do interior (Dourados) quanto da Capital.

Em algumas regiões, a vantagem dele é mais expressiva, como na de Corumbá, onde alcançou 50%, enquanto o senador Nelsinho Trad (PSD) obteve 38% e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) fez 18%.

Na região de Dourados, maior colégio eleitoral do interior, Azambuja atingiu 55% contra 37% do Capitão Contar e 24% de Nelsinho.

Já na região de Jardim, o ex-governador apareceu com 56%, enquanto o Capitão Contar somou 50%; na região de Maracaju, Azambuja alcançou 59% contra 47% do adversário do colega de partido.

Apesar da dianteira de Azambuja, Capitão Contar segue como um nome competitivo e mantém redutos importantes, como na região de Bonito, onde fez 59%, e divide a ponta em Coxim, onde registrou 50%, mesmo porcentual de Nelsinho. 

Além disso, ele aparece com índices elevados nas regiões onde não lidera, como nas de Jardim (50%), de Maracaju (47%), de Aquidauana (38%), de Dourados (37%) e de Campo Grande (36%).

Nelsinho Trad, por sua vez, concentra força em regiões específicas e aparece com melhor desempenho na de Aquidauana, onde lidera com 47%, à frente de Capitão Contar, com 38%, e de Azambuja, com 34%.

Em Coxim, o senador empatou tecnicamente com o Capitão Contar, ambos com 50%. Nelsinho também registrou desempenho relevante nas regiões de Corumbá (38%), de Campo Grande (32%), de Amambai (32%) e de Jardim (31%).

Já o deputado federal Vander Loubet (PT) e a senadora Soraya Thronicke (PSB) aparecem mais distantes da briga principal no recorte apresentado, tendo o petista oscila entre 6% e 30%, com melhor desempenho na região de Coxim, onde chegou a 30%, mas fica atrás dos três principais nomes na maior parte das regiões.

Soraya varia de 0% a 25%, com suas melhores marcas nas regiões de Corumbá e de Jardim, ambas com 25%, enquanto na região de Maracaju, por exemplo, a senadora aparece com 0%. 

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja

CONTAR X POLLON

A pesquisa IPR/Correio do Estado também comparou os desempenhos do Capitão Contar com o do deputado federal Marcos Pollon (PL) e o ex-deputado estadual ocupa a liderança isolada para o Senado, com 17,8% das preferências contra 9,2% do colega de legenda.

Capitão Contar lidera em todas as nove regiões pesquisadas, com destaque para as de Jardim (27,3%) e de Coxim (25%), enquanto na região de Dourados ele teve 20,6%. 

O cenário mais apertado fica na região de Aquidauana, onde há empate técnico (15,6% contra 12,5%), enquanto o pior desempenho de ambos ocorre na região de Corumbá, onde Contar lidera com 9,4% e Pollon soma 4,7%.

DADOS

O levantamento IPR/Correio do Estado, que foi realizado no período entre os dias 9 e 13 de junho deste ano e registrado sob os números BR-00547/2026 e MS-02355/2026, tem intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A pesquisa ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade distribuídas em nove regiões do Estado, que abrangem 21 municípios e representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossenses.

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Política

A cada visita de um Bolsonaro à Casa Branca, quem paga a conta é o povo, diz Elias Rosa

A declaração foi feita em entrevista à CNN Brasil

24/06/2026 21h00

Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, nos Estados Unidos

Flávio Bolsonaro e o irmão, Eduardo, nos Estados Unidos Reprodução

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, criticou a família de Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, 24, atribuindo a parentes do ex-presidente a responsabilidade pela aplicação de tarifas do governo dos Estados Unidos contra o Brasil.

"Eu lamento dizer isso, mas, a cada visita de um Bolsonaro à Casa Branca, quem paga a conta é o povo brasileiro, e tem sido assim desde o início", disse o ministro, durante uma entrevista à CNN Brasil.

Rosa relembrou que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou a abertura de uma investigação contra o Brasil pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), ainda em julho do ano passado, com base na Seção 301.

A investigação resultou, em junho deste ano, na recomendação do USTR para que os EUA aplicassem novas tarifas contra produtos brasileiros, por causa de supostas práticas comerciais indevidas do País. O governo brasileiro vem negociando para evitar que essas taxas entrem em vigor.

"Me parece que foi uma encomenda que eles tinham feito para o governo norte-americano, imaginando que, quanto maior o dano à economia brasileira, melhor é o capital político deles", acusou o ministro.

Rosa relatou já ter participado de oito reuniões com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para tratar das investigações. Na mais recente delas - realizada no último sábado, 20 -, ficou acertado um prazo de duas semanas para que a próxima rodada aconteça.

Segundo o ministro, a preocupação tem sido de indicar maneiras de fazer uma acomodação tarifária para aumentar a participação de bens e serviços americanos na economia brasileira, mas sem causar prejuízos ao País.

"Um dos temas que a 301 levanta é que os nossos acordos preferenciais com Índia e México causariam dano para as exportações norte-americanas. Em algumas reuniões temos discutido isso, tentando mostrar que as linhas tarifárias com o México ou a Índia não causam dano aos EUA", disse.

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