Política

FOGO AMIGO?

Beto Pereira tenta, mas não consegue apagar críticas de "aliado" das redes

Justiça Eleitoral mantém vídeo com apontamentos de Rafael Tavares a Beto Pereira; magistrados alegam liberdade de expressão e dizem que pessoas públicas não estão isentas de críticas

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Nas eleições em curso, uma situação tensa surgiu entre o ex-deputado estadual Rafael Tavares (PL), pré-candidato a vereador, e o deputado federal Beto Pereira (PSDB), ambos supostamente aliados. O diretório municipal do PSDB, liderado por Beto Pereira, tentou na Justiça Eleitoral remover um vídeo das redes sociais de Tavares, mas não teve sucesso.

Foram duas negativas consecutivas. A primeira veio do juiz da 53ª Zona Eleitoral, David de Oliveira Gomes Filho, há aproximadamente um mês. O PSDB solicitou que a Justiça Eleitoral removesse um vídeo em que Tavares afirmava que Beto Pereira e Camila Jara não haviam assinado um Projeto de Lei que aumentava a pena para estupradores, alegando que o projeto nem sequer havia sido levado à votação.

O juiz entendeu que se tratava de uma manifestação pessoal de Tavares e não de uma propaganda eleitoral.

“A postagem não afirma que o deputado votou contra o projeto de lei e o PSDB não diz que o deputado assinou o tal projeto. Não há como identificar uma mentira nos fatos a que se refere a postagem. Já a conclusão sobre estes fatos, está no exercício da liberdade de pensamento daquele que fez a postagem”, afirmou o juiz.

Além disso, o magistrado destacou que a publicação se tratava mais de um posicionamento pessoal sobre questões políticas do que de propaganda eleitoral antecipada.

“Não há pedido de votos para ninguém e nem de não-voto a determinada pessoa. Aliás, seria curioso reconhecer uma propaganda negativa contra a candidatura de alguém que ainda não é candidato a nada.”

Liberdade de Expressão

Para o magistrado, pessoas públicas não podem estar isentas de críticas.

“A liberdade de expressão é uma garantia constitucional e pessoas públicas não estão isentas de críticas, especialmente durante o curso do seu mandato. A supressão da opinião alheia é uma atitude ditatorial que não se enquadra num Estado democrático”, afirmou David de Oliveira Gomes.

O juiz também afirmou que excluir a crítica de Rafael Tavares a Beto Pereira poderia sufocar o pensamento alheio.

“O Poder Judiciário não deve compactuar com o sufocamento do pensamento alheio, enquanto manifestado de modo comedido, como acontece em publicações em redes sociais.”

Desistência do recurso

O PSDB recorreu, mas o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), Carlos Eduardo Contar, manteve a decisão de primeira instância.

“O direito constitucional à liberdade de expressão é um dos pilares do estado democrático, especialmente no âmbito eleitoral”, afirmou Contar, acrescentando que figuras públicas estão mais sujeitas a especulações e notícias.

Contar concluiu que a crítica política feita por Tavares não apresentava elementos suficientes para ser considerada propaganda eleitoral negativa ou fake news.

Após perceber que não obteria sucesso, o PSDB desistiu do recurso, com o desembargador Sideni Soncini Pimentel homologando o pedido de desistência, declarando perda de interesse recursal.

* Atualizado às 17h30

 

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stf

Fachin suspende decisões de Mendonça e Dino sobre comando da Polícia Federal

Presidente do STF considerou que decisões conflitantes de dois ministros da Corte obrigavam uma correção imediata

09/09/2026 16h18

Ministro Luiz Edson Fachin, do STF

Ministro Luiz Edson Fachin, do STF Foto: Gerson Oliveira

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, suspendeu as decisões mais recentes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino. O primeiro havia determinado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O segundo, restituído o delegado ao posto. Com a nova decisão de Fachin, Rodrigues é mantido no comando da PF até que a decisão final sobre o caso seja tomada pelo presidente do Supremo.

Na decisão, repreende publicamente Mendonça e Dino pela guerra de liminares. "É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência."

Também diz que decisões monocráticas em sentidos opostos, comprometem a integridade do tribunal e a ordem pública.

"Delineia-se, assim, quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal: decisões monocráticas sucessivas, proferidas por integrantes desta Corte em incidentes distintos, mas entrelaçados pelos mesmos fatos e autoridades", diz a decisão.

Fachin ressalta que havia avocado para si os processos que envolviam decisões de Mendonça e de Alexandre de Moraes sobre desdobramentos do caso Master. Mendonça tornou público relatório de 218 páginas com várias citações a Moraes e conversas que o magistrado manteve com Daniel Vorcaro. Em reação, Moraes usou relatórios de inteligência da PF apócrifos para pedir investigação de Mendonça.

Na sequência, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, o que provocou reação de Dino determinando a restrituição do delegado ao cargo na manhã desta quarta-feira.

Crise

Edson Fachin cancela sessão do STF em meio à crise entre Moraes e Mendonça

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros

09/09/2026 13h15

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão plenária que estava prevista para esta quarta-feira, 9. Não houve justificativa para a atitude. A decisão foi tomada logo depois que o ministro Flávio Dino revogou a decisão do colega André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros, ou que tome alguma decisão relativa à guerra instalada no tribunal nos últimos dias.

A crise começou quando Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal (PF) com trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na sequência, Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news como investigado.

Fachin, por sua vez, abriu prazo para todos os envolvidos se manifestarem. Enquanto os prazos corriam, Mendonça determinou na terça (8) a retirada de Rodrigues do cargo e, nesta quarta, Dino revogou a medida.

Havia expectativa que a sessão desta quarta fosse palco para a manifestação de ministros sobre a crise. Na terça, na Segunda Turma, que Mendonça integra, havia o mesmo risco. A sessão no colegiado também foi cancelada.

Entre os processos pautados para julgamento no plenário nesta quarta estava um que discute os poderes investigativos da Polícia Federal. Seria analisada a condução de investigações criminais por delegados de polícia, incluindo a possibilidade de requisição direta de perícias, informações, documentos e dados para a instrução de inquéritos.

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