Política

ELEIÇÕES 2026

Boato sobre Nossa Senhora Aparecida gera 181 mil comentários em 20 horas

As menções ao tema foram feitas por 139.677 perfis de usuários, com geração de 902 mil curtidas, conforme a Vox Radar

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O boato de que o candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, apoiaria proposta de retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil gerou 180.857 comentários em 20 horas, revela levantamento da Vox Radar, empresa de monitoramento de redes sociais. As menções ao tema foram feitas por 139.677 perfis de usuários, com geração de 902 mil curtidas, conforme a Vox Radar. O estudo foi encomendado pela CNN. Flávio Bolsonaro negou ter apoiado a proposta.

O levantamento identificou que os primeiros comentários sobre o tema começaram ainda na noite desta quinta-feira, 24. "Nas primeiras cinco horas, 92% dos comentários que tomavam posição acreditavam no boato, e a reação era de defesa da santa: "ninguém mexe com Nossa Senhora", observou a Vox Radar. O volume explodiu na manhã desta sexta, 25, e teve pico às 14h, com 33 643 comentários na hora", observou a Vox Radar.

A informação teve origem no projeto legislativo 2.623/2007, do então deputado e pastor da Assembleia de Deus, Victorio Galli, que propunha substituir "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos". O projeto foi arquivado em 2008. Galli foi assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro em 2019. A informação foi divulgada pela GloboNews na quinta-feira (24), que posteriormente pediu desculpas pelo erro

Segundo a empresa de monitoramento de redes, dois assuntos dominaram a conversa nas redes: a tese de "fake news do PT" e o erro da Globo (46.827), a fé e o voto católico (47.104). "Os dois últimos quase não se misturam: quem fala de fake news desmente o boato, quem fala de fé acredita nele", apontou a Vox Radar. O projeto de lei relacionado ao assunto foi citado em apenas 4.401 comentários.

A maior parte dos comentários relacionados ao tema, 36%, desmentiam ou não acreditavam no boato, enquanto 26% mostravam acreditar no boato e repetiam as menções. "A posição sobre o boato segue quase à risca o lado político de quem comenta. Na direita, 72% desmentem e praticamente ninguém acredita (354 comentários); na esquerda, 65% acreditam e 136 desmentem. Ninguém mudou de lado por causa do caso: o boato serviu para confirmar o que cada torcida já pensava do Flávio", avaliou a Vox Radar. "A diferença está em quem não tem lado identificado: 44.712 comentários, dos quais 32% acreditam, 9% desmentem e 33% não se posicionam", apontou o levantamento. Entre os usuários declarados católicos, 47% manifestaram acreditar no boato e 14% desmentiram.

Na análise da Vox Radar, a direita venceu no volume e a esquerda, na ressonância. "Quem desmente escreve 1,4 vezes mais comentários, mas quem acredita soma 2,2 vezes mais curtidas", pontuou a empresa de monitoramento de redes sociais.

Conforme o levantamento, a correção da GloboNews e o desmentido de Flávio Bolsonaro "ficaram na bolha". O público católico foi aquele no qual o desmentido reverberou menos. "A correção funcionou para quem já defendia o Flávio, mas não chegou com a mesma força a quem não tem lado. Para esse público, o que ficou foi a associação entre a santa e o nome do Flávio, mais do que uma acusação precisa contra ele", observou a Vox.

Para a Vox Radar, o boato pressionou o senador Flávio Bolsonaro, mas tem dano eleitoral limitado. "O boato chegou a quem não é da esquerda: sem lado e católicos, dominou as curtidas, inclusive nos posts da imprensa. E tirou o Flávio da agenda dele: ele gravou vídeo, publicou no Instagram, falou a jornalistas no Rio e a campanha anunciou notícia-crime no Ministério Público Eleitoral, tudo a nove dias da eleição. O boato custa ao Flávio tempo e terreno, não votos que se possam ver aqui. O risco está no católico sem lado, que não comenta "mudei meu voto" mas curte 'será que os católicos vão continuar apoiando Flávio?'", analisou a Vox.

Flávio Bolsonaro desmentiu duas vezes o boato. "É mentira que apoiei projeto para retirar Aparecida como padroeira do Brasil. Respeito todas as religiões. Jamais vou falar para a Igreja Católica a forma que os padres têm ou não que induzir a sua Igreja Católica. Isso não é papel do Estado se meter na igreja, como o Lula faz", declarou a jornalistas, ontem, após participar da cerimônia do curso de formação de praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Ainda na noite de sexta-feira, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou que as plataformas Meta, X, TikTok e YouTube removam imediatamente as publicações relacionadas à narrativa. Na decisão, Mendonça reconhece "como notoriamente inverídico o núcleo factual segundo o qual Flávio Nantes Bolsonaro ou sua família propôs, articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição ou do título de Padroeira do Brasil".

MARCHA PELA DEMOCRACIA

Movimento pró Lula reúne 1 milhão de apoiadores na Avenida Paulista

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE)

11/10/2026 14h45

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11)

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11) Reprodução: rede social / Lula

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato na Avenida Paulista, na manhã deste domingo (11). Segundo o perfil oficial do candidato à reeleição, cerca de 1 milhão de apoiadores se reuniram nas ruas de São Paulo para o ato, o qual teve o objetivo de reverter o cenário das eleições no segundo turno, diante da desvantagem na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), que ficou à frente no primeiro turno da eleição.

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE).

O ato, batizado de Marcha pela Democracia, foi convocado por estudantes, comunidades de fãs, movimentos sociais e partidos de esquerda. A concentração começou às 11h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu até a praça Roosevelt, no centro da capital paulista.

Em discurso durante a marcha, Lula criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nunes Marques de derrubar um canal do Whatsapp com mais de 3 milhões de apoiadores do petista, a pedido da campanha de Flávio, ao dizer que dissemina desinformação. Além disso, Lula disse desconfiar do comportamento da Justiça Eleitoral.

"Não é possível que um presidente [de tribunal] eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano", afirmou Lula a jornalistas, em referência a Kassio Nunes Marques.

O petista disse ainda estar "desconfiado do comportamento da corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa".

"Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral", afirmou. "Acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque já há alguns dias estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", completou Lula.

Novo canal

Logo após a ordem de derrubada, Janones gravou vídeo criticando a decisão e convocando seus seguidores a entrarem em um novo canal no Instagram. No material, ele pede que os eleitores de Lula denunciem a decisão de Kassio e diz que a medida será um tiro no pé na campanha de Flávio.

"Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito, a censura vai ser instalada. A censura já começou", afirmou. "Só que eles vão sentir a força de 3,3 milhões de pessoas unidas. Nós não vamos nos calar. Nós vamos continuar."

"Vocês venceram a batalha, mas a guerra vocês não venceram", disse. "Eu vou criar um canal dentro do Instagram, que aí eles não terão como derrubar", seguiu Janones.

Na última quarta, Lula disse que sua campanha de primeiro turno neste ano foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. Ele deu a declaração a aliados ao lado do coordenador da campanha, Edinho Silva, que foi criticado por petistas pela forma como conduziu o esforço de reeleição de Lula.

"Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou Lula.

*Com informações do Folha de S. Paulo

BRASIL

TSE atende Flávio e manda suspender canal do whatsapp Exército do Lula

Janones nega desinformação em grupo com 3,3 milhões de pessoas

11/10/2026 14h00

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno Foto: Divulgação

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp para postagens de apoio ao candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT),  que conta com cerca de 3,3 milhões de pessoas. Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turnoLuiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno

O ministro atendeu ao pedido de suspensão protocolado pela campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).

A campanha de Flávio alegou que o canal foi criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) para disseminar desinformação sobre o cancelamento do Programa Bolsa Família, redução do valor de aposentadorias, entre outros casos.

No entendimento de Kassio, o canal é responsável pela replicação de conteúdos que já foram considerados “inverídicos” pelo tribunal, como a afirmação de que Flávio seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida de padroeira do Brasil, além de afirmar que o candidato reduzirá aposentadorias se for eleito.

“Quando essa mesma potência é posta a serviço da replicação de fatos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, o dano ao equilíbrio do pleito é imediato e de difícil reversão”, afirmou.

O presidente do TSE também afirmou que a "paridade de armas" deve ser garantida entre os candidatos.

“A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”, completou.

Competência

Kassio ressaltou ainda que sua decisão foi tomada em função da proximidade do segundo turno das eleições.

“O perigo na demora também está presente. O segundo turno das eleições realizar-se-á em 25 de outubro de 2026, e cada hora de funcionamento do canal amplia a exposição do eleitorado, com repercussão imediata e de difícil reversão”, justificou.

A legalidade do canal “Exército do Lula” já estava judicializada no TSE antes da decisão do presidente da Corte.

A campanha de Flávio ajuizou uma ação para cassar o mandato de Janones, além de solicitar a suspensão do canal.

Neste sábado (10), o ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, relator do processo, pediu que o presidenciável apresente informações complementares.

Em suas redes, Janones rebateu a acusação de que utiliza o canal para disseminar notícias falsas. Segundo ele, o objetivo do canal é mobilizar e orientar eleitores durante o segundo turno das eleições presidenciais, que será disputado no dia 25, último domingo do mês, entre Flávio e Lula.

Janones também enfatizou que não divulgou nenhuma notícia no canal.

“A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar”, complementou.

Janones disse que o pedido da candidatura do PL é motivado por “medo”.

“Eles pedem que eu seja proibido de criar outros canais. Sabe o nome disso? Medo. Eles estão com medo”, disse.

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