Política

Eleições 2018

Bolsonaro e aliados correm para entender e explicar 'nova CPMF' de Paulo Guedes

Bolsonaro e aliados correm para entender e explicar 'nova CPMF' de Paulo Guedes

FOLHAPRESS

19/09/2018 - 21h00
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Jair Bolsonaro (PSL) e seus aliados apressaram-se em tentar explicar a proposta de Paulo Guedes, guru econômico da campanha, de criação de um novo imposto nos moldes da CPMF. O presidenciável e seu entorno afirmam que em um eventual governo do candidato os impostos seriam reduzidos.

Em anúncio para uma plateia reduzida nesta terça-feira (18), revelado pela Folha de S.Paulo, Guedes disse que pretende recriar um imposto nos moldes da CPMF, que incide sobre movimentação financeira, pretende criar uma alíquota única do IR (Imposto de Renda) de 20% para pessoas físicas e jurídicas -e aplicar a mesma taxa na tributação da distribuição de lucros e dividendos.

Por outro lado, ele estuda eliminar a contribuição patronal para a previdência, que incide sobre a folha de salário -que tem a mesma alíquota, de 20%.

Em suas redes sociais, Bolsonaro escreveu horas após a publicação da reportagem que sua "equipe econômica trabalha para redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações. Chega de impostos é o nosso lema! Somos e faremos diferente. Esse é o Brasil que queremos!"

Na noite desta terça-feira (18), o presidente da União Democrática Ruralista, Luiz Antonio Nabhan Garcia, empresário e principal conselheiro de Bolsonaro na área dos agronegócios, participou de um jantar em São Paulo com cerca de cem empresários interessados em ouvir as ideias da campanha. No encontro, Nabhan apresentou os lemas da redução de impostos e desburocratização.

"Deve haver algum desacerto, alguma desinformação, pois tivemos uma reunião com Guedes na tarde de ontem e nada disso foi falado", diz Nabhan à reportagem.

A reunião da cúpula da campanha, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, contou com a presença de Guedes e Nabhan; o general da reserva Augusto Heleno; o senador Magno Malta (PR-ES); o fundador do PSL Luciano Bivar; Gustavo Bebianno, presidente do PSL, e Julian Lemos, vice; o ex-presidente do PSL Antonio de Rueda; os filhos de Bolsonaro, Eduardo e Flávio; o deputado federal Major Olímpio (PSL-SP); e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

"Posso dizer que Bolsonaro é um homem de palavra, conheço-o há quase 30 anos e todas as conversas que tive com ele foram no sentido de desburocratizar e reduzir impostos. Sou empresário, membro do agronegócio, e sabemos que a recuperação do país passa pela redução dessa carga tributária", diz Nabhan.

O ruralista especula que talvez a ideia de Guedes seja recriar a CPMF para reduzir outros impostos, proposta à qual ele mesmo seria favorável. No entanto, ele diz ter tentado falar com o economista nesta quarta (19), após a publicação da reportagem, mas não teve retorno.

Em 2015, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) participou da organização de movimento "basta de tributos, não à CPMF" na Câmara dos Deputados. "Patrões e empregados não aguentam mais impostos, essa medida só vai gerar mais desemprego", escreveu à época.

O empresário Luciano Bivar, fundador do PSL e aliado de Bolsonaro, diz entender que esse imposto pensado por Guedes seria formado, na verdade, pela compactação de diversos impostos distintos, o que geraria redução da carga tributária e desburocratização. Sendo assim, não haveria contradição entre Guedes e o presidenciável.

"Ele não está criando novo imposto. Ele está concentrando vários impostos em um único imposto com alíquota menor. O CPMF foi demonizado porque era mais um novo imposto. Você pega dez impostos, cada um valendo dois, então seriam 20%. Pega esses dez e transforma em um só, cobrando só 10%, você reduz 50%. A ideia é essa, não tenho a menor dúvida, coerente com a ideia de redução de impostos", diz Bivar.

"É uma ideia do grupo econômico, mas levada à Bolsonaro. Ele usa muito o bom senso, ouve os técnicos, mas a canetada final vem dele", conclui.

Empresários que têm se aproximado da campanha de Bolsonaro telefonaram para aliados do presidenciável e manifestaram preocupação diante do teor da proposta de Guedes. As respostas que têm ouvido passam pela "falha de informação" e também pela ênfase na ideia de que se trata, sim, da redução da carga tributária por meio da concentração de impostos.

ALIADO DIZ QUE BOLSONARO TERÁ PALAVRA FINAL

O coordenador da campanha de Jair Bolsonaro em São Paulo, deputado Major Olímpio, minimizou a proposta do guru econômico do candidato, Paulo Guedes, de recriar a CPMF.

"O presidente é quem sempre decidirá o que é mais oportuno. O papel dele [Guedes] é de indicar alternativas", disse, afirmando ter sido surpreendido com a proposta de Guedes.

"Eu sou contrário à reedição e o Bolsonaro já disse que também que é. Não teremos aumento de tributação", afirmou.

Olímpio disse que a proposta sugerida por Guedes ao mercado nunca foi mencionada dentro da campanha.

O deputado minimizou a divergência de opiniões entre o economista, que já foi anunciado como futuro ministro da Fazenda de Bolsonaro, e dirigentes da campanha, e negou que haja falta de sintonia entre o candidato e seu guru na área econômica.

Para Olímpio, é natural que Guedes faça sugestões que depois possam ser descartadas. "A administração pública não é uma fórmula matemática."

ELEIÇÕES 2026

Pesquisa mostra avanço de eleitores nem bolsonaristas nem lulistas no Estado

Levantamento realizado no mês passado mapeou o posicionamento político e o alinhamento do eleitorado sul-mato-grossense

02/07/2026 08h00

Arquivo/Correio do Estado

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Pesquisa de opinião contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) de 9 e 13 de junho revela que, embora Mato Grosso do Sul mantenha predominância do eleitorado de direita, cresce o contingente de pessoas que não se identificam diretamente nem com o bolsonarismo nem com o lulismo.

O levantamento mostra um cenário em que a polarização nacional convive com um grupo expressivo de eleitores que prefere se declarar independente.

Quando questionados sobre o posicionamento ideológico com o qual mais se identificam, 41,58% dos entrevistados disseram ser de direita e outros 6,38% afirmaram se considerar de centro-direita, juntos, os dois grupos representam 47,96% do eleitorado sul-mato-grossense.

No outro extremo, 15,05% declararam identificação com a esquerda, enquanto 3,06% se posicionaram como centro-esquerda e outros 8,67% afirmaram ser de centro.

A pesquisa também apontou um porcentual significativo de eleitores que não se enquadram em nenhuma dessas classificações.

Ao todo, 25,26% responderam que não sabem ou preferiam não responder à pergunta sobre posicionamento ideológico, indicando um eleitorado distante das definições políticas tradicionais.

O levantamento também procurou medir o grau de identificação dos eleitores com as duas principais correntes políticas que dominam o cenário nacional.

Entre os entrevistados, 19,77% afirmaram ser bolsonaristas, enquanto um porcentual ainda maior, de 27,17%, declarou não se considerar bolsonarista, mas simpatizar mais com as ideias da direita.

O resultado indica que o campo conservador no Estado reúne apoiadores que nem sempre vinculam sua identidade política diretamente ao ex-presidente.

No campo da esquerda, 14,16% disseram ser lulistas, enquanto outros 12,76% afirmaram não se considerar lulistas, mas demonstraram maior afinidade com as ideias defendidas pela esquerda.

O dado que mais chama atenção é o crescimento do grupo dos independentes, pois, conforme a pesquisa, 22,45% dos entrevistados afirmaram não se identificar nem com o bolsonarismo nem com o lulismo.

Somados aos 3,70% que não souberam ou preferiram não responder, eles representam mais de um quarto do eleitorado estadual.

Os números indicam que Mato Grosso do Sul continua apresentando predominância do campo conservador, mas também evidenciam um eleitorado menos disposto a aderir automaticamente às principais lideranças nacionais.

A presença de um contingente expressivo de eleitores independentes sugere que as próximas disputas eleitorais no Estado poderão ser decididas por um segmento que tende a avaliar candidaturas mais pelas propostas e o desempenho administrativo do que pelo alinhamento com os polos da atual polarização política.

DADOS DA PESQUISA

Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos, a pesquisa IPR/Correio do Estado, registrada sob os números BR-00547/2026 e MS-02355/2026, ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade.

Os entrevistados estão distribuídos pelos municípios de Amambai, Aquidauana, Anastácio, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Mundo Novo, Nova Andradina, Paranaíba, Chapadão do Sul, Cassilândia, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 21 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores.

Ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

ANÁLISE

Diretor vê protagonismo dos eleitores independentes

O diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, analisou que a pesquisa demonstrou que Mato Grosso do Sul mantém um perfil majoritariamente conservador, mas também aponta uma mudança importante no comportamento do eleitorado: cresce o número de pessoas que não vinculam sua identidade política ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para ele, os números demonstram que o Estado continua oferecendo vantagem eleitoral para candidatos identificados com pautas conservadoras, embora o personalismo político esteja perdendo força com uma parcela crescente de eleitores que prefere manter independência em relação às principais lideranças nacionais.

“Mato Grosso do Sul é um estado conservador, mas isso não significa necessariamente que seja bolsonarista. A pesquisa mostra que existe um eleitorado muito maior identificado com as ideias da direita do que propriamente com a figura de Jair Bolsonaro”, analisou.

Para Barbosa, essa diferença indica que candidatos alinhados ao campo conservador tendem a disputar uma base eleitoral mais ampla, desde que consigam dialogar com eleitores que valorizam determinadas pautas sem necessariamente aderirem ao bolsonarismo.

“Os candidatos que apresentarem propostas alinhadas à direita têm hoje uma fatia maior do eleitorado para conquistar. Mas isso não significa que a identificação pessoal com Bolsonaro seja determinante para obter esse apoio”, afirmou.

Outro aspecto destacado pelo diretor do IPR é o crescimento do eleitorado independente. Na avaliação de Barbosa, esse movimento acompanha uma tendência observada em levantamentos nacionais, nos quais aumenta o número de eleitores que rejeitam a polarização entre os dois principais grupos políticos do País.

“Cada vez mais pessoas deixam de assumir uma identidade ideológica ligada à direita ou à esquerda. Muitos preferem se declarar independentes ou até se posicionar como de centro justamente para não serem rotulados como bolsonaristas ou lulistas”, explicou.

O diretor ressalta que esse grupo tende a ganhar importância nas próximas eleições por reunir eleitores menos fiéis a lideranças nacionais e mais propensos a avaliar candidatos pelas propostas e o desempenho administrativo.

Para ele, o levantamento mostra que, embora Mato Grosso do Sul continue sendo um estado de perfil conservador, o voto está cada vez menos concentrado na lógica da polarização.

Supremo Tribunal Federal

STF derruba norma que reduzia pela metade o prazo de prescrição de ações de improbidade

O plenário entendeu que a alteração esvaziaria os mecanismos de combate a irregularidades na administração pública e poderia levar ao encerramento prematuro de milhares de processos em andamento

01/07/2026 21h00

Supremo Tribunal Federal (STF)

Supremo Tribunal Federal (STF) Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

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O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quarta-feira, 1º, o julgamento sobre a reforma da Lei de Improbidade Administrativa promovida pelo Congresso Nacional. A sessão também marcou o encerramento dos trabalhos da Corte no primeiro semestre de 2026: o tribunal entra em recesso de 2 a 31 de julho.

Os ministros invalidaram a redução pela metade do prazo de prescrição de ações por improbidade. O plenário entendeu que a alteração esvaziaria os mecanismos de combate a irregularidades na administração pública e poderia levar ao encerramento prematuro de milhares de processos em andamento.

"São 28.379 ações de improbidade nos últimos 6 anos de todos os tribunais. O maior intervalo existente é entre o ajuizamento da ação e a sentença de primeiro grau: 5 anos e 10 meses. Se a lei estivesse em vigor, todos estariam prescritos", argumentou o ministro Alexandre de Moraes.

Embora tenham afastado esse trecho da legislação, a Corte estabeleceu um prazo máximo para a duração das ações. A partir da decisão, os processos deverão ser concluídos em até 20 anos, em lógica semelhante à utilizada na prescrição penal.

A Lei de Improbidade Administrativa está em vigor desde 1992 e prevê punições para agentes públicos envolvidos em práticas ilegais que atentem contra os princípios da administração pública ou provoquem prejuízo ao erário. A reforma, aprovada em 2021, alterou pontos considerados centrais do modelo, o que levou à judicialização das mudanças no Supremo.

A análise pelo STF das mudanças promovidas na norma pelo Congresso se estendeu por várias sessões. Nesta quarta, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, justificou o alongamento: "Essas sessões se mostraram necessárias porque havia uma minudência (detalhes) em cada dispositivo e, portanto, adotamos essa metodologia.'

A Suprema Corte analisou pelo menos 16 grupos de dispositivos da lei reformada pelo Congresso. Confira as principais conclusões definidas pelos ministros:

Improbidade exige dolo: ficou definido que não existe ato de improbidade administrativa culposo e mantida a exigência de dolo (intenção de cometer a ilegalidade) para que o ato seja enquadrado como improbidade;

Proteção para divergências de interpretação: mantida cláusula segundo a qual um agente público não pode ser punido por agir com base em uma interpretação da lei que, naquele momento, era aceita pela Justiça, salvo em caso de dolo ou erro grosseiro;

Perda da função pública ampliada: a sanção pode atingir outros vínculos públicos do condenado, não apenas o cargo ocupado no momento do crime;

Bloqueio de bens: foram afastadas restrições impostas pela reforma, ampliando as possibilidades de indisponibilidade de patrimônio para garantir eventual ressarcimento ao erário;

Prazo para ações de improbidade: considerada inválida a redução automática do prazo prescricional prevista na reforma e fixado limite máximo de 20 anos para a duração das ações;

Juiz pode reclassificar a conduta: derrubada regra que impedia o juiz de dar enquadramento jurídico diferente aos fatos narrados na petição inicial;

Direitos políticos: foi considerada inconstitucional a regra que permitia descontar, do período de suspensão dos direitos políticos, o tempo transcorrido entre a condenação colegiada e o trânsito em julgado.

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