Política

Projeto de Lei

Câmara acelera tramitação do projeto que equipara misoginia ao crime de racismo

O placar final da votação terminou com 293 votos sim e 158 votos não

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A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 1º., acelerar a tramitação do projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo. Agora, o texto deixa de ser analisado em comissões para já poder ir diretamente para a apreciação do plenário.

Houve resistência das bancadas evangélica e católica, que orientaram voto contrário. Essas duas frentes parlamentares manifestam receio que o texto possa criar barreiras para a garantia da liberdade religiosa. O placar final da votação terminou com 293 votos sim e 158 votos não.

"Eu tenho mais de 100 deputados. É uma bancada muito eclética. Teria muita dificuldade de votar a favor neste momento", disse Gilberto Nascimento (Podemos-SP), presidente da bancada evangélica, que pediu voto contrário.

A relatora da matéria, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), negocia uma redação que contorne esse problema e procura chegar a um consenso entre os deputados.

O próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pediu apoio dos deputados à aceleração do projeto. "Teremos todo o zelo e cautela ao pautarmos o mérito dessa matéria. Ela (Tabata) nem tem como construir o relatório já que ela não está de fato designada como relatora dessa matéria. E a urgência sendo aprovada, vamos ao lado das lideranças, com muita cautela e respeito poder construir o melhor texto possível", disse.

O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) rejeitou a sugestão de Motta. "Eu não voto texto que não existe. Hoje estamos dando uma carta branca, só que não existe texto final. Não sabemos exatamente o que será votado", afirmou o deputado.

Oposicionistas dizem que o projeto pode afetar a liberdade de expressão e querem que Tabata assegure no texto a garantia de liberdade religiosa. Eles também discutem a inclusão da palavra "ofensa" no texto, por entenderem que poderia ser vago o suficiente e sujeito a interpretação. A deputada ainda não apresentou a nova versão do texto.

"Hoje existe uma verdadeira indústria do ódio, que opera nas redes, que captura meninos muito jovens e os ensina, dia após dia, a enxergar a mulher como inimiga, como objeto, como culpada", disse Tabata, em defesa da proposta. "Chamar isso pelo nome de misoginia é um ato fundamental de proteção que uma sociedade deve oferecer a todas nós, começando pelas pequenas: admitir que essa coisa tem contorno, é concreta, tem uma motivação e deve ser punida."

A proposta até então divulgada tornaria a injúria a uma mulher como um crime com pena de dois a cinco anos de prisão, e multa com agravante do aumento da pena pela metade se o crime for cometido com duas ou mais pessoas ou se cometido contra criança, adolescente, pessoa idosa ou com deficiência.

Em caso de desobediência, diz o texto, o juiz ainda poderia determinar a suspensão temporária da conta ou perfil que veiculou conteúdo misógino. A pena pode ser aumentada até o dobro se o infrator nas redes cometer o crime "com o fim de obter vantagem econômica" ou se o criminoso detiver "expressiva audiência, influência pública ou capacidade ampliada de difusão no conteúdo em meio de comunicação ou plataforma digital".

O texto ainda diz que o juiz deve considerar como discriminatória qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão de cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher".

Crimes de calúnia (seis meses a dois anos de prisão e multa), difamação (três meses a um ano de prisão e multa) e injúria (um a seis meses de prisão e multa) podem ter a pena duplicada se o crime for cometido contra a mulher "no contexto de violência doméstica e familiar".

Em caso de desobediência, diz o texto, o juiz ainda poderia determinar a suspensão temporária da conta ou perfil que veiculou conteúdo misógino. A pena pode ser aumentada até o dobro se o infrator nas redes cometer o crime "com o fim de obter vantagem econômica" ou se o criminoso detiver "expressiva audiência, influência pública ou capacidade ampliada de difusão no conteúdo em meio de comunicação ou plataforma digital".

O texto ainda diz que o juiz deve considerar como discriminatória qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão de cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher".

Crimes de calúnia (seis meses a dois anos de prisão e multa), difamação (três meses a um ano de prisão e multa) e injúria (um a seis meses de prisão e multa) podem ter a pena duplicada se o crime for cometido contra a mulher "no contexto de violência doméstica e familiar".

EMENDA PARLAMENTAR

Pollon volta a destinar dinheiro para entidade fora de MS

Entidade sediada em Porto Alegre produz documentário sobre regimes comunistas e também recebeu recursos de outros parlamentares do PL e do fundo partidário

01/07/2026 12h00

Deputado federal Marcos Pollon destinou emenda parlamentar para ONG responsável por documentário com estreia prevista em Brasília

Deputado federal Marcos Pollon destinou emenda parlamentar para ONG responsável por documentário com estreia prevista em Brasília Foto: Divulgação

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O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) destinou R$ 200 mil em emenda parlamentar à organização não governamental Passos da Liberdade, sediada em Porto Alegre (RS), responsável pela produção do documentário “Nós”, obra que trata de regimes autoritários comunistas.

Segundo a Folha de S.Paulo, o filme, anteriormente chamado de “Genocidas”, recebeu R$ 860 mil em emendas parlamentares indicadas por deputados do PL. Além de Pollon, também aparecem como responsáveis por repasses os deputados Mário Frias (SP) e Eduardo Bolsonaro (SP). A estreia do documentário está prevista para 15 de julho, no Cine Brasília, no Distrito Federal.

A entidade também recebeu R$ 600 mil do diretório nacional do PL, comandado por Valdemar Costa Neto, por meio do fundo partidário. De acordo com nota fiscal obtida pela Folha, o pagamento foi registrado como prestação de serviços de assessoria em comunicação e produção audiovisual no Estado de Minas Gerais.

A Passos da Liberdade foi criada em 2023 e tem como presidente Rodrigo Cassol Lima, pré-candidato a deputado estadual pelo PL no Rio Grande do Sul. Ele também atua como coprodutor e responsável jurídico do documentário. A produção é dirigida por Gustavo Lopes, que ocupou a Secretaria Nacional de Audiovisual em 2022, no último ano do governo Jair Bolsonaro.

Conforme divulgado pelo portal, o documentário realizou gravações em países como Polônia, Alemanha, República Tcheca e Hungria. A proposta da obra é abordar regimes comunistas autoritários que marcaram a Europa após a Segunda Guerra Mundial. A produção, segundo pessoas ligadas ao projeto, não tem ligação direta com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

À Folha, a Passos da Liberdade confirmou a existência de contrato com o PL para prestação de serviços de comunicação institucional, com entrega de produto audiovisual. A entidade afirmou que a contratação não se confunde com pré-campanha, campanha eleitoral, propaganda eleitoral ou promoção pessoal de dirigentes da organização.

A ONG também declarou que o presidente da entidade não recebeu remuneração, honorários ou vantagem pessoal em razão do contrato. Sobre detalhes do serviço prestado ao partido, a organização informou que não poderia comentar o objeto por causa de cláusula de confidencialidade.

Outro caso

Esta não é a primeira vez que o nome de Pollon aparece associado à destinação de emendas para projetos culturais ligados a entidades privadas. Em junho, o Correio do Estado mostrou que o deputado sul-mato-grossense foi citado em apuração envolvendo emendas destinadas a organizações ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama.

Ela administra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo de operação da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude e possível desvio de recursos públicos em contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de internet sem fio.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino determinou que parlamentares prestassem esclarecimentos sobre emendas destinadas a entidades ligadas à empresária. Entre os projetos citados estava “Heróis Nacionais - Filhos do Brasil que não se rendem”, que, segundo informações encaminhadas ao STF, teria recebido indicação de R$ 1 milhão feita por Pollon.

Contudo, conforme esclarecimentos apresentados pelo parlamentar, a iniciativa não avançou devido ao não cumprimento de requisitos técnicos necessários para sua execução. Diante disso, foi solicitado o redirecionamento dos recursos para o Hospital de Amor de Barretos, em São Paulo. A defesa sustentou ainda que, como não houve execução, não haveria desvio de finalidade nem irregularidade material na aplicação dos recursos.

Sobre o novo repasse de R$ 200 mil à Passos da Liberdade, a reportagem entrou em contato com a assessoria de Marcos Pollon, que encaminhou a seguinte nota:

"A emenda foi destinada, de forma legal e transparente, a uma entidade legalmente apta à produção do documentário, que aborda os regimes genocidas e totalitários que marcaram a Europa e influenciaram a América Latina e que tem lançamento previsto para 15 de Julho deste ano. A escolha decorreu justamente da relevância histórica e cultural do projeto, que trata de um tema frequentemente ignorado pela produção audiovisual brasileira.

A esquerda travou uma guerra cultural durante décadas utilizando recursos públicos para financiar apenas a sua própria narrativa. Quando surge um projeto que apresenta uma visão diferente, tentam transformar um ato absolutamente legal em escândalo. Se fosse mais uma produção alinhada à esquerda, dificilmente essa emenda seria questionada.

A aplicação dos recursos seguirá o plano de trabalho aprovado, e a prestação de contas será realizada pela própria entidade, dentro dos prazos e das exigências legais estabelecidos no instrumento firmado com o Ministério da Cultura."

Eleições 2026

Riedel faz maratona de inaugurações por sete cidades antes das restrições eleitorais

O governador cumpre agenda intensa no interior até sexta-feira, último dia permitido pela Justiça até 4 de outubro deste ano

01/07/2026 08h00

O governador Eduardo Riedel (PP) durante agenda em Batayporã

O governador Eduardo Riedel (PP) durante agenda em Batayporã Álvaro Rezende/Secom

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O governador Eduardo Riedel (PP), que vai tentar a reeleição este ano, inicia hoje uma maratona de agendas públicas em, pelo menos, sete municípios do Estado antes das restrições da legislação eleitoral, que entram em vigor a partir de sábado e seguem até o pleito do mês de outubro.

Portanto, ele tem 72 horas para cumprir uma intensa programação de entregas de obras e compromissos oficiais por Nova Alvorada do Sul, Bandeirantes, São Gabriel do Oeste e Aquidauana, além de outros municípios que ainda devem ser incluídos no roteiro, conforme a definição da agenda oficial.

Neste sábado, passam a valer as restrições previstas na Lei das Eleições para agentes públicos em ano eleitoral.

As regras não impedem o funcionamento da administração estadual, mas estabelecem limites para evitar o uso da máquina pública em benefício de candidaturas e garantir equilíbrio na disputa eleitoral.

Mesmo com as vedações, Riedel poderá continuar exercendo normalmente as atribuições do cargo, mantendo reuniões de trabalho com secretários, prefeitos e demais autoridades, realizando visitas técnicas a obras, hospitais, escolas e repartições públicas.

Ele também pode participar de solenidades administrativas internas, assinando convênios e ordens de serviço quando permitidos pela legislação, além de conduzir reuniões sobre políticas públicas e atuar em situações de emergência.

Por outro lado, o governador ficará impedido de participar de inaugurações de obras públicas. Também deverá evitar qualquer utilização de eventos oficiais para promoção pessoal ou divulgação de eventual candidatura, realizar publicidade institucional fora das exceções previstas em lei, promover shows artísticos custeados com recursos públicos em inaugurações ou utilizar bens, servidores e recursos públicos para favorecer campanhas eleitorais.

Na prática, a administração estadual continuará funcionando normalmente, mas os eventos públicos passarão a ter caráter estritamente administrativo e institucional, sem discursos eleitorais, pedidos de voto ou qualquer elemento que possa caracterizar promoção pessoal.

Na manhã de ontem, Riedel afirmou: “Vou permanecer muito focado na agenda administrativa ao longo de julho e somente a partir de meados de agosto, com o início da campanha, passarei a dividir o meu tempo entre as atividades do governo e os compromissos políticos”. 

Ele também avaliou que a campanha deste ano será diferente da que disputou em 2022, já que precisará conciliar a condição de candidato com as responsabilidades do cargo. 

Embora reconheça que o período eleitoral costuma ser marcado por tensões, “agressões e baixarias”, disse estar tranquilo em relação à disputa e afirmou que o contato com a população nas viagens pelo interior continuará ocorrendo, mas que as agendas de campanha ganharão mais espaço apenas a partir de agosto.

Nos últimos dois meses, o governador percorreu cerca de 50 municípios e esteve em outras 10 cidades apenas na última semana.

Entre as 50 cidades visitadas nos últimos 60 dias estão Anaurilândia, Aparecida do Taboado, Aral Moreira, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Bodoquena, Bonito, Caracol, Caarapó, Coxim, Corumbá, Chapadão do Sul, Douradina, Eldorado, Glória de Dourados, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Itaquiraí, Japorã, Jardim, Ladário, Maracaju, Mundo Novo, Naviraí, Nioaque, Nova Andradina, Ponta Porã, Porto Murtinho, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Sete Quedas, Sonora, Tacuru, Taquarussu e Três Lagoas.

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