Política

CAMPO GRANDE

Câmara adia para 11 de julho votação da LDO para "alinhar" pontos divergentes

Relator da proposta, o vereador Papy revelou que o relatório final conta com 79 emendas apresentadas pelos parlamentares

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A Câmara Municipal de Campo Grande adiou para o dia 11 de julho a votação do Projeto de Lei nº 10.962/23, que dispõe sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício financeiro de 2024.

O vereador Papy (Solidariedade), relator da proposta e vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Casa de Leis, explicou ao Correio do Estado que a votação foi transferida para o próximo mês para que sejam alinhados pontos divergentes entre os Poderes Executivo e Legislativo.

“O relatório final conta com 79 emendas apresentadas pelos vereadores na busca de melhorias para a população em diversas áreas, e, por isso, a votação teve de ser adiada”, pontuou o parlamentar.

Ele explicou à reportagem que, se a LDO for aprovada na sessão do dia 11 de julho, vai ser incorporada ao texto-base e vira uma lei só, retornando para a apreciação da prefeita Adriane Lopes (PP), que pode sancionar ou vetar as emendas. “Espero que a gente consiga fazer isso tranquilamente no dia 11 de julho”, completou.

O relator pontuou que foi um trabalho interessantíssimo e muito organizado realizado pela Câmara Municipal. “Também vale ressaltar que o projeto que veio do Executivo veio bem-feito e que a Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento [Sefin] trabalhou muito bem”, assegurou.

Papy revelou ao Correio do Estado que na manhã de ontem participou de reuniões para alinhar alguns pontos da LDO. 

“Amanheci lá na Sefin para terminar de alinhar os pontos que tinham divergências entre a Câmara Municipal e a prefeitura. Dessa forma, até o dia 11 vamos chegar a um consenso do que será melhor para a população de Campo Grande”, garantiu. 

O vereador acrescentou que a Comissão de Finanças e Orçamento da Casa de Leis trabalhou bastante. 

“Com a relatoria em minhas mãos, os servidores do meu gabinete foram excepcionais, pois não é um trabalho fácil. A gente chega ao fim dessa jornada com bastante entusiasmo e também com o sentimento de dever cumprido”, afirmou.

PONTO DIVERGENTE

Segundo o presidente da Casa de Leis, vereador Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, um dos motivos que levaram à retirada da LDO de pauta e ao adiamento para o dia 11 de julho foi a divergência dos parlamentares sobre o ponto que trata do aumento dos valores das emendas impositivas.

Informações apontam que, entre as 79 emendas apresentadas, as principais alterações da LDO apontam para um aumento de R$ 200 mil para R$ 500 mil nas chamadas emendas impositivas. 

Em plenário, Carlão consultou os demais vereadores, citando o encontro entre o relator da LDO, a Mesa Diretora e a secretária municipal de Finanças e Planejamento, Márcia Hokama.

“Para retirarmos da pauta a LDO para votar no dia 11 em primeira votação e votação extraordinária é que tinha de ter o interstício de 10 dias da votação da emenda impositiva. A gente também votaria em duas sessões extraordinárias a segunda votação da emenda impositiva no Orçamento – que é aquela que aprovamos de no mínimo 0,2% e no máximo 0,7% – que é um marco importante para nós”, disse.

Vale lembrar que essas emendas impositivas precisam, obrigatoriamente, serem cumpridas pelo Executivo municipal.

Se antes cada vereador tinha R$ 200 mil, a expectativa é de que os valores girem em torno de R$ 250 mil para a Saúde e a mesma quantia para a Infraestrutura. Carlão ressaltou que a Câmara Municipal não vai abrir mão do mínimo de 0,2%.

ENTENDA O RITO

O relatório da LDO foi entregue à Mesa Diretora da Casa de Leis durante a sessão ordinária do dia 1º de junho. No total, foram apresentadas 141 emendas dos vereadores, e 96 foram consideradas aptas segundo os critérios legais, mas, na análise final, algumas foram aglutinadas por repetição de temas, totalizando 79.

No dia 11 de julho, a votação será feita em primeira discussão na sessão ordinária e, na sequência, será convocada uma sessão extraordinária, sem remuneração, para votação em segunda discussão. 

Depois, a proposta contendo as emendas será encaminhada para sanção ou veto da prefeita Adriane Lopes.

Emendas voltadas à cidadania, assistência social, desenvolvimento e sustentabilidade, integração e mobilidade, educação e saúde lideram as áreas de sugestões apresentadas.

O Correio do Estado teve acesso a algumas delas, como a Campo Grande + Integrada e Articulada, que visa fomentar o atendimento e a execução das emendas apresentadas e aprovadas pelos parlamentares, sancionadas pelo Poder Executivo, e dar maior publicidade, para a sociedade, da sua aplicação, com informações como nome do autor da emenda, valores, destinação e situação da execução.

Outra é a Campo Grande + Educação, que pretende implantar um programa de treinamento para profissionais da educação e agentes de saúde que possibilite a identificação de sinais de abuso moral, físico, sexual e exploração sexual infantil que ocorram de maneira presencial ou digital.

Também está incluída a Campo Grande + Desenvolvida e Sustentável, que vai implantar um plano de ação que dê andamento à pavimentação asfáltica, principalmente nas linhas do transporte coletivo urbano ainda não asfaltadas, e ao recapeamento nos bairros necessitados da Capital.

Ainda tem a Campo Grande + Segura e Inteligente, que tem como objetivo fomentar e implementar políticas públicas e programas visando maior segurança nas escolas da Rede Municipal de Ensino (Reme) para prevenir e combater a violência, garantindo proteção, integridade física e tranquilidade aos alunos, professores e demais funcionários das instituições de ensino.

Uma outra emenda é a Campo Grande + Saúde, que vai ampliar a rede de Centros de Atendimento Psicossocial, bem como a Campo Grande + Humana e Cidadã, que possibilitará ao município dar prioridade absoluta ao combate à fome e à miséria, estabelecendo parceria com sociedade civil, governos federal e estadual e organismos internacionais por meio da destinação dos recursos relativos a programas de saúde e sociais, além da geração de emprego e renda.

TRAMITAÇÃO

O projeto de lei que dispõe sobre as diretrizes para elaboração da Lei Orçamentária do exercício financeiro de 2024 prevê uma receita total estimada em R$ 6,526 bilhões, um crescimento de 20,45% em relação ao Orçamento deste ano, de R$ 5,481 bilhões.

A LDO começou a tramitar na Câmara Municipal no dia 17 de abril. No dia 28 do mesmo mês, foi promovida audiência pública para debater a proposta. O debate contou com a presença da secretária municipal de Planejamento e Finanças, Márcia Hokama, representantes de entidades de classe e associações.

Ouvindo as sugestões da população, os vereadores apresentaram suas emendas à LDO. Todas as sugestões precisam estar em consonância com o Plano Plurianual (PPA). 

O montante consolidado do Orçamento será encaminhado em outro projeto de lei do Executivo, baseado nessas diretrizes definidas, que deve chegar à Casa de Leis até 30 de setembro.

Na sessão de terça-feira, os vereadores aprovaram a proposta de emenda à Lei Orgânica para assegurar as emendas impositivas ao Orçamento municipal. 

Com isso, não há mais necessidade de uma emenda sobre o assunto constar na LDO e na Lei Orçamentária Anual (LOA). Essas emendas serão, porém, detalhadas em emendas no Orçamento municipal, tendo como base as diretrizes apresentadas.

Conforme a proposta, as emendas individuais passam a ser de 0,2%, no mínimo, a 0,7%, no máximo, do Orçamento. Tendo como base o valor previsto na LDO para o próximo ano, as emendas seriam de no mínimo R$ 450 mil e poderiam chegar a R$ 1,5 milhão. 

ELEIÇÕES 2026

Augusto Cury omitiu empresas nos Estados Unidos e no Brasil em declaração ao TSE

O candidato à presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, além de duas firmas no Brasil

06/09/2026 17h00

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República Foto: Felipe Machado/Correio do Estado

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O presidenciável Augusto Cury (Avante) omitiu empresas das quais é sócio na autodeclaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato a presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, nos Estados Unidos, além de duas firmas no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Em nota, a campanha de Cury informou que as participações omitidas são "inexpressivas" no patrimônio do candidato, que foi construído "de forma lícita". A equipe do empresário também disse que "eventuais inconsistências" serão corrigidas. O pedido de retificação não havia sido enviado até a manhã deste domingo, 6.

Ao TSE, Cury declarou ter participações societárias de sete empresas, entre firmas sediadas no Brasil e no exterior. Segundo a Folha, cinco companhias das quais ele é sócio ficaram de fora da declaração. Três delas estão sediadas na Flórida: a Cury Academia Comportamental, a Contemplare Investments e a Free Mind Publish.

No Brasil, Cury não declarou a sociedade na Contemplare e na Academia de Pensar e Brincar, ambas sediadas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Escritor de livros de autoajuda, Cury aparece em terceiro lugar na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. Com 10% das intenções de voto nos dois cenários avaliados pelo levantamento, o candidato cresceu oito pontos em relação à rodada anterior da pesquisa. Apesar da guinada, ele ainda está distante dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa.

Cury tem tido um reforço em suas redes sociais: o apoio de um exército de microinfluenciadores que não costumam publicar conteúdo sobre política nem demonstrar interesse pelo tema, além de profissionais ligados ao coach Pablo Marçal, também presidenciável pelo PRTB.

Postura

Senado não pode se omitir diante dos fatos que envolvem STF, diz Tereza Cristina

Ex-ministra de Bolsonaro é tida como uma das principais líderes da oposição no Legislativo

06/09/2026 13h45

Tereza Cristina

Tereza Cristina Andressa Anholete/Agência Senado

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Líder do PP, a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina defendeu que o Senado não se omita diante do fatos que envolvem o Supremo Tribunal Federal.

"O Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. A ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não podemos ignorar suspeitas gravíssimas. Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição", escreveu a senadora em publicação no Instagram.

Sem mencionar diretamente as revelações da última semana em que a Polícia Federal (PF) mostrou diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes, Tereza Cristina disse que a população está "estarrecida".

"A população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o STF. E com razão. A sociedade não pode perder a confiança nas nossas instituições. Nenhuma autoridade está acima da lei", continuou a senadora que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado.

Após a revelação da PF, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e pressionam a presidência da Casa pela abertura dos processos.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), há 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal. O Senado tem a competência constitucional de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.

Lider da oposição

Tereza Cristina foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2).

Além dela, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogerio Marinho (PL-RN) também foram contrários ao texto aprovado. 

Em sua justificativa, destacou não ser contrária à redução trabalhista e sim a pressa sobre a aprovação do texto sem a construção do debate necessário por parte dos senadores. 

"Eu acho muito complicada a definição de um texto constitucional de uma escala fixa, para que todos os tipos de atividades, sem considerar as diversas realidades do mercado de trabalho. Seria preciso uma nova Pec. O tema é de extrema importancia, mas a pressa da votação é o que me traz preocupação, ninguem pode fazer uma lei para um pais tão continental quanto o nosso, tão diverso quanto o nosso, tantas cadeias produtivas quanto o nosso sem uma discussão aprofundada", declarou a senadora. 

Na sequência, destacou que o papel dos senadores acerca da proposta não deveria ser somente de "carimbar" proposições advindas da Câmara dos Deputados. O nome da senadora é especulado para presidir o Senado no próximo ciclo, substituindo Davi Alcolumbre (União-AP)

Encaminhamento

Caso o texto seja aprovado pelos senadores sem alterações, poderá seguir para promulgação. Se houver mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.

Se a PEC for aprovada pelo Plenário e posteriormente promulgada, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 40 horas, mantido o limite de oito horas diárias.

A Constituição também passará a garantir dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.

A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, o que inclui os pisos das categorias.

A mudança será implantada em duas etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois do encerramento dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas.

A negociação coletiva continuará permitida para definir mecanismos de compensação de horários e regimes de descanso, desde que sejam respeitados os novos limites constitucionais.

Com informações de Estadão Conteúdo 

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