Política

Congresso

Câmara e Senado agem para aumentar salários; parlamentares de MS são contra

Pela proposta, vencimentos mensais de deputados e senadores vão passar de R$ 33,7 mil para R$ 36,8 mil a partir de 2023

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A Câmara dos Deputados e o Senado decidiram oficializar o pedido para que os salários de parlamentares e servidores sejam reajustados já a partir de 2023. Por meio de emendas, as duas Casas pedem a reserva de R$ 370,4 milhões do Orçamento de 2023 para aumentar as remunerações da Câmara e de R$ 199,3 milhões para elevar as do Senado.

Caso seja aprovado o reajuste, os salários dos deputados federais e dos senadores subiriam dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 36,8 mil, ou seja, um aumento de 9,4%. Para os parlamentares da bancada federal de Mato Grosso do Sul ouvidos pelo Correio do Estado, a medida é descabida neste momento pelo qual passa o País.

A senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS) se posicionou contra aumentar salários dos parlamentares e servidores, pois o Brasil enfrenta um momento delicado economicamente. “Para o próximo ano, estamos focados em buscar uma alternativa fiscal responsável para custear o Auxílio Brasil e amparar os brasileiros mais necessitados”, disse.

Ela completou que os salários dos servidores públicos de todo o País ficaram congelados como uma medida necessária durante a emergência sanitária da Covid-19. “Grande parte desses servidores ainda está sem aumento nos últimos anos. Não há como privilegiar um grupo em detrimento da maioria, principalmente os parlamentares que estão no topo da cadeia salarial pública do País”, pontuou.

Já o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a definição da pauta com os líderes partidários deverá ocorrer na próxima reunião, a ser convocada no fim desta semana. “Por enquanto, esse assunto não está na ordem do dia, estaremos dedicados ao esforço concentrado”, afirmou.

Câmara

Por outro lado, o irmão de Nelsinho Trad, o deputado federal Fábio Trad (PSD-MS), disse que, se a proposta for apresentada na Câmara dos Deputados, votará contra. “Não é o momento para fazer esse tipo de reivindicação, pois estamos enfrentando crise econômica, fome e miséria no País. Na minha opinião, é uma questão de escrúpulo”, afirmou, rechaçando a tentativa.

A deputada federal Rose Modesto (sem partido) também se posicionou contra o pedido de aumento, que já estaria engatilhado e planejado para ser apresentado após as eleições gerais. “Não fui comunicada sobre essa proposta, mas já adianto que meu posicionamento é contrário a essa possibilidade”, reforçou.

Para o deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP-MS), é preciso entender que esse pedido de reajuste ainda terá que ser autorizado pelo Congresso Nacional. “Ele não está aprovado e nem é de conhecimento de todo parlamento. Não participei dessa discussão. Precisamos conhecer, estudar e discutir ainda essa proposta”, ressaltou.

Ele lembrou que o mesmo será feito com a solicitação do Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu aumento de 18% no salário dos ministros. “Não acredito que seja conveniente aprovar esse tipo de proposta no momento em que o Brasil se encontra”, pontuou. Os demais integrantes da bancada federal do Estado não responderam à reportagem.

Articulações

A cúpula do Congresso Nacional já estava com o pedido de aumento salarial engatilhado desde agosto, mas planejava apresentar a proposta após as eleições gerais, para não prejudicar deputados federais e senadores que tentavam renovar o mandato. A medida foi oficializada no meio do feriado da Proclamação da República.

A articulação para aumentar os vencimentos ocorreu após iniciativa de ministros do STF. Em 10 de agosto, a Corte aprovou, por unanimidade, uma proposta de aumento de 18% para seus integrantes e todos os magistrados da Justiça Federal, o que representa um impacto de aproximadamente R$ 4,6 bilhões.

O reajuste, se aprovado, eleva o salário dos ministros do STF de R$ 39,3 mil para R$ 46,3 mil. Os pedidos de ampliação dos salários ainda precisam ser autorizados pelo Congresso Nacional, mas a tendência é de dar aval às iniciativas com a aprovação do Orçamento para 2023.

As emendas foram apresentadas após reuniões feitas pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com as mesas diretoras das duas Casas. O argumento para a correção dos valores é de que há recursos no caixa e, ainda, que deputados, senadores e servidores estão há oito anos sem reajuste.

O último foi dado em 2014: quando os ministros do Supremo decidiram aumentar os próprios salários, o movimento despertou forte reação negativa na sociedade civil, que tem cobrado um enxugamento da máquina pública.

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Diplomacia

Relações Rússia-Brasil se desenvolvem com sucesso, diz Putin em mensagem a Lula sobre 7/9

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais

07/09/2026 22h00

O presidente russo, Vladimir Putin

O presidente russo, Vladimir Putin Foto: Reprodução / Perfil Brasil

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em mensagem enviada nesta segunda-feira ao presidente do Brasil e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que as relações entre Rússia e Brasil "estão se desenvolvendo com sucesso no espírito da parceria estratégica". O texto, de felicitações pelo Dia da Independência no Brasil, foi publicado no perfil da embaixada da Rússia no País.

"Os nossos países cooperam ativamente nas mais diversas áreas, coordenam esforços no âmbito da ONU, do #BRICS, do G20 e de outras estruturas multilaterais", pontua o presidente russo.

Na mensagem, Putin chama Lula de "caro amigo" e observa que "nós, sem dúvida, continuaremos o trabalho junto construtivo para fortalecer ainda mais todo o conjunto de vínculos russo-brasileiros mutuamente benéficos. Isso atende plenamente aos interesses dos nossos povos amigos, está em consonância com a construção de uma nova ordem mundial - mais justa e multipolar".

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais, incluindo Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, e o presidente dos EUA, Donald Trump, com quem teve atritos recentemente devido à imposição de tarifas pelos EUA a produtos importados do Brasil "Eu não tenho adversários", ressaltou Lula em entrevista à Rádio Progresso.

Justiça

Fachin aguarda explicações de ministros para decidir sobre crise

Prazo de 5 dias para manifestação vence na sexta-feira

07/09/2026 13h30

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, também do Supremo, para decidir se leva a crise dos dois para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada.

A crise ganhou, na última semana, gravidade sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações.

No desdobramento mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e suspeito de praticar fraudes financeiras bilionárias e corromper autoridades públicas.

Antes de decidir, porém, ele deve aguardar até a próxima sexta-feira (11), quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna.

Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça.

A diferença da crise atual é que Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, de sua relatoria, os documentos e pedidos referentes ao caso. Embora improvável, é possível que o presidente do Supremo decida monocraticamente (de forma individual) sobre o arquivamento ou a abertura de investigação contra os colegas.

No processo consta, por exemplo, um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado, sob o argumento de que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço das investigações contra um de seus ministros.

O próprio Gonet, entretanto, é citado no mesmo relatório da PF por possíveis ligações com Vorcaro.

Outro pedido feito a Fachin, desta vez por Alexandre de Moraes, é para que o próprio Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Para embasar seu pedido, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça poderia direcionar as investigações do caso Master, de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado e traz na capa a advertência de se tratar de conjecturas “sem valor probatório”.

O Regimento Interno do Supremo prevê que somente o plenário tem a competência para processar e julgar membros da própria Corte, mas não traz detalhes sobre os procedimentos a serem adotados. 

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