Política

POLÍTICA

Centrão de MS contribuiu para derrota de Bolsonaro em votações

Senadores e deputados federais do Estado se posicionaram contra o governo em sessões no Congresso

CLODOALDO SILVA, DE BRASÍLIA

01/07/2019 - 09h27
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Em pelo menos uma das seis votações no Congresso que resultaram em derrotas para o presidente Jair Bolsonaro (PSL), os parlamentares federais sul-mato-grossenses dos partidos do centrão votaram contra o Palácio do Planalto neste ano. Contribuíram para derrotas do governo nas matérias sobre o orçamento impositivo, o decreto das armas, convocação intempestiva de ministro e derrubadas de medidas provisórias, entre elas, a que deixava o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Justiça.

Essas votações foram motivadas por orientações dos partidos – como PP, PSDB e DEM – que se mostraram insatisfeitos com os caminhos tomados pelo Executivo. Os deputados Beto Pereira, Bia Cavassa e Rose Modesto (todos do PSDB) e Fábio Trad (PSD) estão nesse grupo, bem como os senadores Nelson Trad (PSD) e Simone Tebet (MDB). 

O caso mais contundente deste posicionamento foi no dia 14 de maio, quando 307 deputados votaram a favor da convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para o dia seguinte, após anunciar cortes no orçamento da pasta, contrariando o governo. Os deputados Fábio Trad, Beto Pereira e Rose Modesto  foram favoráveis. A deputada Bia Cavassa não votou. Votaram com o governo apenas 82 deputados.

No mês passado, o governo teve algumas derrotas, entre elas, no dia 5, a aprovação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição 34/19, do orçamento impositivo de emendas de bancada, que prevê a execução obrigatória desse tipo de emenda, a exemplo do que já ocorre com as emendas individuais. Foram 378 votos a 4 no segundo turno. Do Estado, todos os deputados votaram a favor, com exceção do deputado Beto Pereira, que não votou. Em abril, o Senado também já havia apreciado a matéria, e os senadores Nelson Trad e Simone Tebet foram favoráveis.

Ainda, no Senado, os parlamentares do centrão deram sua contribuição para mais uma derrota do presidente Jair Bolsonaro. No dia 18 de junho, foi aprovado um projeto de decreto legislativo – 47 votos a 28 – que derrubou o decreto das armas. A senadora Simone Tebet votou pela sustação do decreto, já o senador Nelson Trad votou junto da senadora Soraya Thronicke (PSL) para manter o decreto. Após esta votação, o Palácio do Planalto revogou o decreto e apresentou outras matérias. 

Em relação à apreciação de medidas provisórias neste ano, três votações foram polêmicas por confrontarem o Poder Executivo. Uma delas foi a votação da MP 870. Em maio, a Câmara derrotou novamente o governo e aprovou, por 228 a 210 votos, a transferência do Coaf, do Ministério da Justiça para a pasta de Economia, contrariando Sergio Moro, que queria manter controle sobre o órgão. Votaram contra o governo os deputados Beto Pereira e Bia Cavassa, seguindo orientação do PSDB. No Senado, Simone Tebet e Nelson Trad seguiram o texto aprovado na Câmara e contribuíram para obtenção dos 70 votos contrários ao Palácio do Planalto.

Já na MP 863, que trata da franquia de bagagens despachadas em voos,  embora a aprovação no dia 21 de maio tenha sido simbólica (sem necessidade de os parlamentares registrarem sua opinião), parte da bancada do Centrão já manifestou que vai derrubar o veto do presidente a esta matéria, como a deputada Rose Modesto.

VETO

Entre os vetos do presidente a matérias aprovadas no  Congresso Federal, Simone Tebet votou contra o Planalto para derrubar o veto que impedia a concessão de benefícios fiscais para empreendimentos instalados na área de atuação da Sudeco. Nelson Trad não votou nesta matéria.

PEDIDO

Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber assessor do governo Trump na Papudinha

A defesa solicitou autorização excepcional ao ministro para que a visita ocorra no dia 16 de março

10/03/2026 19h00

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses Divulgação/UOL

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta terça, 10, ao ministro Alexandre de Moraes autorização para receber, na Papudinha, a visita de Darren Beattie, recém-empossado como assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil.

"O visitante cumprirá agenda oficial no Brasil e estará em Brasília por curto período, circunstância que acaba por inviabilizar a realização da visita nas datas ordinárias atualmente previstas para visitação (quartas-feiras e sábados)", alega a defesa do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A defesa solicitou autorização excepcional ao ministro para que a visita ocorra no dia 16 de março, no período da tarde, ou no dia 17 de março, pela manhã ou no início da tarde, "observadas todas as regras de segurança e controle do estabelecimento prisional".

"Diante do exposto, requer-se a autorização excepcional da visita do Sr. Darren Beattie nos períodos acima indicados, bem como a autorização para que o visitante esteja acompanhado de intérprete, a fim de viabilizar a adequada comunicação durante a visita, considerando que o Peticionário não possui plena fluência na língua inglesa", descreve o pedido dos advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser.

No dia 2 de março, ao negar o pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente, Moraes afirmou que Jair Bolsonaro "tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, o que comprova intensa atividade política e reforça os atestados médicos que apontam sua boa condição de saúde física e mental".

Segundo o perfil de Darren no site do Departamento de Estado dos EUA, o assessor é "apaixonado por promover ativamente a liberdade de expressão como ferramenta diplomática e por utilizar as conquistas culturais excepcionais dos Estados Unidos nas artes, música e academia para promover a segurança, a força e a prosperidade do povo americano".

Nomeado no mês passado para o cargo, Darren é responsável por conduzir as políticas e ações de Washington em relação a Brasília. O assessor é um crítico do governo Lula e da atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo sobre a trama golpista.

Além da função ligada ao Brasil, ele também é chefe interino do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais, e também é presidente do Instituto de Paz dos EUA, entidade nacional financiada pelo Congresso e encarregada de atuar na resolução de conflitos globais.

Em julho de 2025, Darren afirmou nas redes sociais que Moraes é "o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra Bolsonaro". Á época, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para explicar os comentários.

Alternativa da direita

"Mais louco do Brasil" articula candidatura em 2026 e renúncia entra no radar

Juliano Ferro não confirmou se renunciará ao mandato de prefeito de Ivinhema, mas confirmou que articula participação nas eleições de outubro

10/03/2026 16h56

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar Reprodução

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O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), pode embaralhar os planos de muitos pré-candidatos do campo da direita que estão se programando para disputar as eleições de outubro. Sem confirmar se vai renunciar ou não ao mandato, que tem validade até o fim de 2028, o autoproclamado “prefeito mais louco do Brasil” articula disputar as eleições, conforme disse ao Correio do Estado.

“Estou articulando”, disse o prefeito de Ivinhema ao ser perguntado pelo Correio do Estado se ele participaria das eleições de outubro. Pela manhã, uma carta de renúncia, com o timbre da Prefeitura de Ivinhema, vazou e provocou frisson em alguns grupos da direita.

Juliano Ferro, contudo, não diz que a carta é falsa; apenas foi direto: “Não publiquei e nem assinei”, comentou o prefeito “mais louco do Brasil”.

Várias possibilidades foram cogitadas sobre a participação de Juliano Ferro nas próximas eleições. A mais recente o colocou como eventual vice-governador em uma chapa liderada pelo deputado estadual João Henrique Catan, que recentemente deixou o PL e passou para o Partido Novo.

O Correio do Estado, contudo, apurou que Juliano Ferro deixar a prefeitura para ser vice é uma possibilidade remota. O prefeito de Ivinhema enxerga espaço mesmo é para ser candidato a deputado federal.

A seu favor, ele tem um “canhão” nas redes sociais. Atualmente, ele é o influencer que ostenta os maiores números de Mato Grosso do Sul. Tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e um alto engajamento, com alguns vídeos alcançando mais de 20 milhões de visualizações.

No ano passado, em entrevista ao Correio do Estado, Juliano Ferro não descartou nem mesmo se candidatar a governador. Na ocasião, só descartou concorrer para deputado estadual e senador para não atrapalhar seus padrinhos: Zé Teixeira e Reinaldo Azambuja, ambos do PL.

Nesta terça-feira (10), Ferro está em Brasília (DF), em périplo pelos gabinetes do Congresso Nacional em busca de emendas parlamentares e verbas para o município que administra.

A carta

Na carta, que vazou na manhã de hoje e é endereçada ao presidente da Câmara Municipal, o prefeito comunica sua saída “irretratável e irrevogável”.

O documento, timbrado pela prefeitura e assinado por Ferro, cita oficialmente que o ato é motivado por “razões de ordem estritamente pessoal e política”.

Ele agradeceu a todos os vereadores, servidores, população e colaboradores pelo apoio durante o período de mandato, que seria até 2028.

A carta termina com um agradecimento e uma reafirmação do compromisso de Ferro com o bem-estar do município, mesmo fora da função executiva. Ele se colocou à disposição para os procedimentos necessários à efetivação da renúncia, incluindo a prestação de contas.

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciarCarta de renúncia de Juliano Ferro, que vazou nesta terça-feira (10)

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