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Centrão reconhece vitória de Lula e isola Flávio na contestação das eleições

Logo após o resultado do primeiro turno, partidos do Centrão passaram em peso para o lado de Flávio, mas agora já deixaram o senado de lado

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Com a mesma rapidez com que embarcaram na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) após o primeiro turno, presidentes de partidos de centro e parlamentares do Centrão deixaram o senador isolado em sua tentativa de contestar o resultado das eleições deste domingo, 25, e reconheceram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.

Após a declaração da vitória de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral, Flávio, que perdeu por uma diferença superior a 4 milhões de votos, disse não reconhecer o resultado. "É inexplicável acontecer o que aconteceu. É impossível reconhecer o resultado dessas eleições. Vou pedir a anulação", disse o senador.

O pleito do senador não encontra eco em partidos do centro, que se apressaram a parabenizar Lula após a vitória.

Partidos como Novo, Republicanos, Podemos e a federação formada por União Brasil e PP declararam apoio a Flávio Bolsonaro logo após o primeiro turno, que terminou com o senador à frente de Lula e com possibilidade de atrair os votos dos demais candidatos que disputaram, todos de direita.

Reeleito no primeiro turno, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se jogou na campanha de Flávio e participou de atos ao lado do presidenciável. Depois de votar neste domingo, Tarcísio deu entrevista falando sobre formação de ministérios e chegou a defender a escolha de quadros técnicos, que deixassem de fora acordos partidários.

Tarcísio assistiu à apuração ao lado de Flávio e, até o momento, não parabenizou o petista pela reeleição. Em uma manifestação na rede social X, ele adotou o mesmo tom de Flávio ao contestar a prorrogação do horário das eleições. "A democracia se fortalece com regras claras, respeito às instituições e transparência em cada etapa do processo eleitoral", escreveu.

Por outro lado, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, parabenizou Lula pela reeleição no final da noite de domingo. "O novo mandato traz a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro, com respeito às diferenças e diálogo com o Congresso Nacional. É o que esperamos em favor do Brasil", disse também no X.

Integrantes do PP, comandado por Ciro Nogueira, também felicitaram o petista pela vitória. Em Alagoas, o senador eleito Arthur Lira, que declarou voto em Flávio no segundo turno, afirmou que o Brasil fez "a sua escolha democrática". "Agora é hora de trabalhar com diálogo e responsabilidade", escreveu.

Outro parlamentar do partido que fez campanha para o senador no Paraná, o deputado federal Ricardo Barros parabenizou o PT e Lula pela virada histórica. "Eu, como deputado federal eleito também para os quatro anos, estarei vigilante e cooperativo com a missão de dar aos brasileiros mais poder aquisitivo, mais qualidade de vida, mais saúde e mais educação", disse, em vídeo, nesta segunda-feira, 26.

No caso do União Brasil, o líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (MA), felicitou Lula. "Agora, os desafios do Brasil continuam enormes e exigem responsabilidade, diálogo e compromisso com o futuro. É hora de deixar as diferenças de lado, respeitar quem pensa diferente e lembrar que, acima de qualquer partido ou candidato, está o nosso País", escreveu no X

O Podemos, da deputada federal Renata Abreu, emitiu nota parabenizando Lula e desejando que, em seu quarto mandato, o petista "tenha sabedoria e responsabilidade para conduzir o País e governar para todos os brasileiros".

"O Podemos seguirá atuando com independência no Parlamento, colocando os interesses do Brasil e da população acima de qualquer disputa política", indicou.

KASSAB

Presidente do PSD, Gilberto Kassab assinou nota cumprimentando Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, pela vitória.

"O partido reafirma seu compromisso com nossa democracia e vai procurar corresponder às expectativas dos eleitores brasileiros: apoiar as iniciativas que busquem corrigir as desigualdades sociais, promover o equilíbrio fiscal e que tragam confiança àqueles que querem investir no Brasil, gerando empregos e riqueza para o país, para termos uma economia estável", escreveu

"Tenho certeza que nossos parlamentares e governadores eleitos seguirão defendendo os bons projetos e manterão a relação republicana com o Governo Federal, em defesa do objetivo comum a todos nós, que é o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar da nossa população", disse.

Nas eleições, governadores eleitos pelo partido ficaram neutros ou declararam apoio a Lula.

O presidente do MDB, Baleia Rossi, foi o primeiro a reconhecer a vitória do petista nas eleições. Em texto, ele afirmou que Lula foi "reeleito democraticamente conforme a Constituição de 1988"

"É um momento em que a vontade popular se fez soberana", escreveu. "Desejamos que ele tenha serenidade para governar o País em favor de todos sem exceção", escreveu.

Nas eleições, o partido rachou, com uma ala declarando apoio a Flávio e outra, minoritária, a Lula.

Novo mandato

Posse de Lula será em 5 de janeiro

Mudança está prevista em emenda constitucional de 2021

26/10/2026 21h00

Lula é reeleito presidente do Brasil

Lula é reeleito presidente do Brasil Foto: Lula Marques / Agência Brasil

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A posse para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin ocorrerá no dia 5 de janeiro de 2027, e não mais no primeiro dia do ano. Os governadores e vices vão assumir o mandato no dia seguinte.

Essa mudança de datas foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021. Trata-se de uma novidade na rotina da democracia brasileira. Desde a promulgação da Constituição de 1988, a data de posse ocorria sempre no dia 1º de janeiro. Antes de 1988, os chefes do Executivo tinham o evento de início de mandato no dia 15 de março.

Agenda

Com a mudança, os governadores eleitos conseguem participar da posse do presidente em Brasília. Antes, as cerimônias aconteciam no mesmo dia. O evento de posse do presidente tem a tradição de anteceder o desfile em carro aberto e a recepção na rampa do Congresso pelos chefes do Senado e da Câmara.

Legislativo

Na Câmara e no Senado, a data de posse dos novos senadores e deputados permanece inalterada: 1º de fevereiro. Na ocasião, os parlamentares eleitos prestam o compromisso regimental, sem discurso dos presentes. Neste mesmo dia, acontece a eleição das Mesas de cada Casa para mandato de dois anos.

Pós-eleições

Mesmo após eleições, denúncias de assédio eleitoral continuam em MS

Ministério Público do Trabalho já recebeu 35 denúncias no Estado, mais que o triplo das registradas até o primeiro turno; ameaças de demissão, perseguições e represálias por escolhas políticas podem ser denunciadas

26/10/2026 18h06

Mesmo após o fim das eleições, Mato Grosso do Sul continua registrando denúncias de assédio eleitoral; MPT já contabiliza 35 casos denunciados no Estado.

Mesmo após o fim das eleições, Mato Grosso do Sul continua registrando denúncias de assédio eleitoral; MPT já contabiliza 35 casos denunciados no Estado. Foto: Divulgação TRE.

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O fim das eleições de 2026 não encerrou os relatos de assédio eleitoral em Mato Grosso do Sul. Mesmo após o segundo turno, realizado neste domingo (25), o Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) continua recebendo denúncias de trabalhadores que sofreram ameaças, intimidações e outras formas de pressão relacionadas ao voto ou à preferência política.

Segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (26), o Estado já contabiliza 35 denúncias de assédio eleitoral, número mais de três vezes superior aos 11 registros feitos até o primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

A diferença representa 24 novas denúncias contabilizadas no período, um crescimento de aproximadamente 218%.

Os números demonstram que as denúncias não ficaram restritas à primeira etapa da disputa eleitoral. O levantamento, porém, não especifica quantas ocorrências foram registradas após a divulgação do resultado do segundo turno.

Em todo o Brasil, o Ministério Público do Trabalho recebeu 1.937 denúncias relacionadas a possíveis práticas de assédio eleitoral durante as eleições deste ano, incluindo situações de intimidação, constrangimento e pressão sobre trabalhadores em razão de suas escolhas políticas.

Entre as condutas que podem ser denunciadas estão ameaças de demissão, recusa de contratação e outras formas de retaliação motivadas pelo apoio a determinados candidatos ou partidos.

O MPT-MS esclarece que as denúncias podem envolver tanto episódios ocorridos durante a campanha quanto situações posteriores ao resultado das urnas, quando trabalhadores podem sofrer represálias por suas manifestações ou preferências políticas.

As práticas também não se limitam ao ambiente físico de trabalho. Mensagens enviadas por aplicativos, publicações em redes sociais e outras formas de comunicação digital podem ser utilizadas para ameaçar, intimidar ou constranger trabalhadores.

Trabalhador não pode ser punido por escolha política

A legislação brasileira assegura que o voto é livre e secreto, garantindo ao eleitor o direito de escolher seus representantes sem sofrer pressões ou interferências indevidas.

Isso significa que nenhum trabalhador é obrigado a revelar em quem votou, tampouco pode ser ameaçado, constrangido ou punido em razão de sua preferência política.

O assédio eleitoral pode ocorrer quando há tentativa de interferir na liberdade política de trabalhadores por meio de ameaças, intimidações ou outras práticas de constrangimento.

A procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Arosio, ressalta que o encerramento da votação não impede o registro de denúncias, inclusive quando as situações de pressão ou retaliação ocorrerem depois do resultado eleitoral.

“O encerramento das eleições não impede a apresentação de denúncias ao MPT-MS. O órgão mantém disponível seu canal on-line para receber relatos a qualquer momento, inclusive após o período eleitoral”, ressalta a procuradora.

A orientação também vale para trabalhadores que presenciaram situações de assédio, mesmo que não tenham sido diretamente atingidos.

Como denunciar assédio eleitoral em MS

Trabalhadores que sofreram ou testemunharam ameaças, constrangimentos e represálias relacionados ao voto podem procurar o Ministério Público do Trabalho para registrar uma denúncia.

O procedimento pode ser realizado de forma sigilosa, pela internet, por meio do canal oficial de denúncias do MPT-MS, disponível 24 horas por dia.

Além do atendimento on-line, a instituição mantém três unidades presenciais em Mato Grosso do Sul, localizadas nos seguintes endereços:

  • Campo Grande: Rua Dr. Paulo Machado, nº 120, Bairro Royal Park.

  • Dourados: Rua Ediberto Celestino de Oliveira, nº 2.605, Vila Planalto.

  • Três Lagoas: Rua Paranaíba, nº 1937, Jardim Colinos.

O atendimento presencial ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Mesmo com o encerramento das eleições, o MPT-MS reforça que os canais permanecem disponíveis para receber denúncias de possíveis violações à liberdade política dos trabalhadores, inclusive quando as represálias ocorrerem após a divulgação dos resultados das urnas.

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