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China, Rússia e Irã condenam ação dos EUA; Macron manifesta apoio

Países dividem opiniões sobre o ataque à Venezuela e captura de Nicolás Maduro executada pelo governo de Donald Trump

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O presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou apoio à ação militar dos Estados Unidos e afirmou que o "povo venezuelano está livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode se alegrar com isso".

Macron disse esperar que o candidato da oposição venezuelana nas eleições de 2024, Edmundo González Urrutia, a quem chamou de presidente, possa assegurar uma transição "o mais rápido possível".

Horas antes, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, havia dito que o ataque dos EUA contrariava o princípio do não uso da força, um dos fundamentos do direito internacional.

Já o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a tensão traz "potenciais implicações preocupantes para a região" e abre um precedente perigoso, "independentemente da situação na Venezuela".

Outros líderes mundiais questionaram a ação americana, ao mesmo tempo em que criticaram Nicolás Maduro.

Espanha e Rússia se ofereceram como mediadores. Irã e China, aliados da Venezuela, condenaram os EUA - Qiu Xiaoqi, representante do governo chinês para a América Latina e o Caribe, esteve com Maduro na véspera da ação americana.

1. ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, disse estar "profundamente alarmado" com a ação dos EUA.

"Independentemente da situação na Venezuela, tais acontecimentos constituem um precedente perigoso", afirmou Guterres, que enfatizou a importância de que todos os países cumpram plenamente a Carta da ONU.

"Apelo a todos os atores na Venezuela a engajarem-se em um diálogo inclusivo, pautado pelo pleno respeito aos direitos humanos e ao estado de direito", completou.

2. União Europeia

A vice-presidente da União Europeia e representante da entidade para assuntos internacionais, Kaja Kallas, disse que conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e com o embaixador europeu em Caracas.

Ela afirmou ainda que a UE "tem afirmado repetidamente que Maduro não tem legitimidade e defendido uma transição pacífica". "Em todas as circunstâncias, os princípios do Direito Internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados. Pedimos contenção", declarou no X.

3. França

O presidente da França, Emmanuel Macron, manifestou apoio à ação dos Estados Unidos e afirmou que o povo venezuelano deve se alegrar com a queda de Nicolás Maduro. Macron disse, em postagem, que o presidente venezuelano causou um "grave dano à dignidade de seu próprio povo".

"Desejamos que o Presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, possa assegurar essa transição o mais rápido possível", acrescentou.

Horas antes, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, havia dito que o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela contrariava o princípio do não uso da força, um dos fundamentos do Direito Internacional.

"A França lembra que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta de fora e que os povos soberanos decidem sozinhos o seu futuro", disse, em uma publicação na rede X. Barrot afirmara ainda que as múltiplas violações do princípio do não uso da força terão "graves consequências para a segurança mundial".

Apesar das críticas aos EUA, o ministro também se posicionou em relação a Maduro, dizendo que ele havia privado o povo venezuelano de suas liberdades fundamentais, em "grave violação à sua dignidade e autodeterminação".

4. Espanha

A Espanha defendeu o Direito Internacional e fez um apelo "à desescalada e à moderação". O governo espanhol também se colocou à disposição para mediar o conflito.

"A Espanha está disposta a colocar seus bons ofícios à disposição para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise atual", declarou o Ministério das Relações Exteriores espanhol, em nota. ]

O presidente espanhol, Pedro Sánchez, disse que o país acompanha "exaustivamente" a situação na Venezuela e também defendeu o respeito às normas do Direito Internacional e da Carta da ONU.

5. Rússia

O país condenou o ataque e também se ofereceu para ajudar a buscar uma solução pacífica.

"Nas circunstâncias atuais, é particularmente importante evitar qualquer nova escalada e concentrar-se na busca de uma solução por meio do diálogo. Acreditamos que todas as partes com queixas existentes devem buscar soluções para seus problemas por meio do diálogo. Estamos prontos para ajudar nesses esforços", declarou o Ministério das Relações Exteriores russo.

6. China

A China afirmou estar "profundamente chocada" e condenou "veementemente o uso flagrante da força pelos Estados Unidos contra um Estado soberano e contra seu presidente", segundo comunicado distribuído pelo Ministério de Relações Exteriores do país.

"Tais atos hegemônicos dos EUA violam gravemente o direito internacional e a soberania da Venezuela, e ameaçam a paz e a segurança na América Latina e na região do Caribe. A China se opõe firmemente a isso", diz o texto.

O país apelou aos EUA para que "respeitem o Direito Internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU, e cessem as violações da soberania e da segurança de outros países".

7. Irã

Aliado da Venezuela, o Irã chamou a ação de "uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial". O Ministério das Relações Exteriores iraniano pediu ao Conselho de Segurança da ONU que "aja imediatamente para interromper a agressão ilegal" e responsabilizar os culpados.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mato Grosso do Sul

Justiça inocenta Reinaldo Azambuja da delação da JBS

Além do ex-governador, conselheiro do TCE-MS, Márcio Monteiro; prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra; e o deputado estadual Zé Teixeira (PL) estão livres das acusações feitas pelo MPF

02/06/2026 15h13

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja Marcelo Victor

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A ministra Maria Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), recebeu determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e não deu seguimento à acusação feita pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-governador Reinaldo Azambuja Silva (PL), o conselheiro Marcio Campos Monteiro, do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra Ribeiro (PSDB), e o deputado estadual Zé Teixeira (PL).

Em seu despacho, datado de fevereiro deste ano, Maria Isabel Gallotti afirma que o ministro Dias Toffoli decidiu não haver justa causa para o prosseguimento da ação penal contra os quatro, sobretudo porque, segundo o ministro do STF, era baseada apenas na “narrativa de colaboradores” – no caso, os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. 

“Na espécie, a meu sentir, encontra-se ausente esse substrato probatório de corroboração que autorize a deflagração da ação penal”, afirmou Toffoli cujas aspas também foram destacadas pela ministra do STJ em seu despacho.

A acusação do MPF, que o ministro do STF entendeu não haver provas e que o STJ confirmou, acusava os quatro de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Azambuja, Marcio Monteiro, Nelson Cintra e Zé Teixeira foram livrados dessas acusações.

A decisão de Toffoli que trancou a ação penal contra Azambuja ainda se focou na violação do princípio da razoável duração do processo, uma vez que a denúncia foi oferecida em 2020, ratificada em 2022 e ficou sem ser apreciada por quase cinco anos. O outro elemento, como já destacado, foi a insuficiência probatória, já que se amparava apenas na delação premiada dos irmãos Batista, donos da JBS, sem corroboração probatória.

Na época, a acusação do MPF usou a delação dos donos da JBS para acusar os quatro inocentados por Toffoli, e outros quatro investigados por um esquema de pagamento de propina por meio de devolução dos incentivos fiscais.

 
SERENIDADE

O caso já tem oito anos e nesse tempo passou pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-MS), STJ e STF e, no fim, o próprio MPF pediu o seu arquivamento. 

No itinerário, houve quebra do sigilo de mais de 3 mil contas bancarias e ouvidas mais de 300 pessoas no curso da investigação, sem que houvesse provas que confirmassem a delação, até a absolvição final de Reinaldo Azambuja, já transitada em julgado.

Procurado pelo Correio do Estado para comentar a decisão, o ex-governador Reinaldo Azambuja afirmou que recebeu com tranquilidade o arquivamento definitivo do caso relacionado à Operação Vostok e às delações dos empresários Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS.

“Recebi com serenidade e renovada fé na Justiça a decisão de extinção e arquivamento, em última instância, das descabidas acusações contra mim, no âmbito da Operação Vostok, relacionada às delações do grupo JBS”, declarou o presidente estadual do PL e pré-candidato a senador da República.
Azambuja afirmou que enfrentou “oito longos anos de sofrimento pessoal e da família”, período em que afirmou ter sido foi alvo de ataques e injustiças, apesar de nunca ter se tornado réu no processo.

“Foram oito longos anos de sofrimento pessoal e da minha família, vítimas de repetidos ataques e injustiças, apesar de sequer ter sido recebida denúncia formal contra mim no Judiciário. No absurdo das operações de criminalização da política, jamais estive na posição de réu”, disse.

O ex-governador também destacou que o arquivamento ocorreu por ausência de provas e que a decisão transitou em julgado sem recurso do MPF. 

“Por total ausência de provas, o processo foi arquivado, com o devido trânsito em julgado e sem que o acusador – o Ministério Público Federal – tenha recorrido da decisão”, afirmou.

Por fim, Azambuja agradeceu o apoio recebido ao longo do processo e disse que pretende seguir atuando na vida pública. 

“Agradeço a Deus, à minha família, aos companheiros de jornada e principalmente à população de Mato Grosso do Sul pelo apoio incondicional e confiança inabalável. Por isso, jamais esmoreci; jamais perdi minhas convicções e esperança. Sigo em frente, com o mesmo compromisso com Mato Grosso do Sul e a coragem necessária para fazer as mudanças que o Brasil precisa”, concluiu.

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo AzambujaVeja a decisão que livrou Reinaldo Azambuja das acusações

ARTICULAÇÃO

Nelsinho lidera debate sobre novo tarifaço dos EUA e pede diplomacia para evitar escalada da crise

Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado defende negociação direta com aliados de Trump e alerta que retaliações podem ampliar a crise comercial

02/06/2026 14h14

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federa, o senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad está à frente da questão na Casa de Leis

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federa, o senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad está à frente da questão na Casa de Leis Geraldo Magela/Agência Senado

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Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado agora há pouco, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), informou que já mobilizou o Congresso Nacional para discutir os possíveis impactos da proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o que deve entrar em vigo nos próximos 40 dias.

O tema está sendo debatido na tarde desta terça-feira (2) pelos integrantes da comissão, diante da preocupação com os reflexos da medida sobre a economia nacional. Em meio à crise comercial, Trad defendeu que a resposta brasileira seja pautada pela serenidade, diálogo e responsabilidade. 

O senador também orientou representantes do setor produtivo, entidades de classe e empresas a levantarem os impactos concretos da taxação e encaminharem essas informações ao Congresso, a fim de subsidiar as discussões e eventuais medidas de reação.

Na avaliação do parlamentar, algumas alternativas cogitadas pelo Brasil apresentam baixa probabilidade de sucesso e podem até agravar o cenário. Entre elas está a judicialização da medida nos Estados Unidos, considerada pouco viável porque a legislação americana que embasa a taxação concede ampla discricionariedade ao Poder Executivo. 

Outra possibilidade seria uma contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas Trad avalia que a iniciativa teria efeito apenas simbólico, diante das limitações atuais do organismo internacional.

O senador também demonstrou preocupação com a eventual aplicação da chamada Lei da Reciprocidade. Segundo ele, a medida equivaleria a uma "bomba atômica" nas relações bilaterais, com potencial para ampliar ainda mais o tensionamento entre os dois países.

Como alternativas mais eficazes, Trad defende a intensificação do diálogo diplomático com atores capazes de influenciar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além da busca por aliados dentro do Congresso norte-americano que possam questionar ou tentar barrar a medida.

Apesar de o embaixador Jamieson Greer, principal negociador comercial dos Estados Unidos, ter sinalizado interesse em manter as negociações abertas até a decisão final prevista para 15 de julho, o senador avalia que o cenário é desafiador.

"A minha percepção é que a decisão já está praticamente tomada, e uma eventual reversão dependeria de o presidente Trump enxergar algum ganho político ou econômico nessa mudança de posição", afirmou.

A movimentação ocorre paralelamente a uma reunião de emergência convocada pelo governo federal em Brasília. O encontro reúne o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, além de integrantes da equipe econômica e diplomática do governo.

Também participam da reunião o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães; o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa; o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti; e o embaixador Maurício Lyrio, representante do Ministério das Relações Exteriores.

A principal estratégia do governo brasileiro é manter aberto o canal de negociação com as autoridades norte-americanas, buscando evitar o agravamento das tensões comerciais e minimizar os prejuízos para os exportadores brasileiros.
 

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