Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado agora há pouco, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), informou que já mobilizou o Congresso Nacional para discutir os possíveis impactos da proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o que deve entrar em vigo nos próximos 40 dias.
O tema está sendo debatido na tarde desta terça-feira (2) pelos integrantes da comissão, diante da preocupação com os reflexos da medida sobre a economia nacional. Em meio à crise comercial, Trad defendeu que a resposta brasileira seja pautada pela serenidade, diálogo e responsabilidade.
O senador também orientou representantes do setor produtivo, entidades de classe e empresas a levantarem os impactos concretos da taxação e encaminharem essas informações ao Congresso, a fim de subsidiar as discussões e eventuais medidas de reação.
Na avaliação do parlamentar, algumas alternativas cogitadas pelo Brasil apresentam baixa probabilidade de sucesso e podem até agravar o cenário. Entre elas está a judicialização da medida nos Estados Unidos, considerada pouco viável porque a legislação americana que embasa a taxação concede ampla discricionariedade ao Poder Executivo.
Outra possibilidade seria uma contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas Trad avalia que a iniciativa teria efeito apenas simbólico, diante das limitações atuais do organismo internacional.
O senador também demonstrou preocupação com a eventual aplicação da chamada Lei da Reciprocidade. Segundo ele, a medida equivaleria a uma "bomba atômica" nas relações bilaterais, com potencial para ampliar ainda mais o tensionamento entre os dois países.
Como alternativas mais eficazes, Trad defende a intensificação do diálogo diplomático com atores capazes de influenciar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além da busca por aliados dentro do Congresso norte-americano que possam questionar ou tentar barrar a medida.
Apesar de o embaixador Jamieson Greer, principal negociador comercial dos Estados Unidos, ter sinalizado interesse em manter as negociações abertas até a decisão final prevista para 15 de julho, o senador avalia que o cenário é desafiador.
"A minha percepção é que a decisão já está praticamente tomada, e uma eventual reversão dependeria de o presidente Trump enxergar algum ganho político ou econômico nessa mudança de posição", afirmou.
A movimentação ocorre paralelamente a uma reunião de emergência convocada pelo governo federal em Brasília. O encontro reúne o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, além de integrantes da equipe econômica e diplomática do governo.
Também participam da reunião o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães; o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa; o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti; e o embaixador Maurício Lyrio, representante do Ministério das Relações Exteriores.
A principal estratégia do governo brasileiro é manter aberto o canal de negociação com as autoridades norte-americanas, buscando evitar o agravamento das tensões comerciais e minimizar os prejuízos para os exportadores brasileiros.

