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Colômbia decide amanhã se continua com modelo social de Petro ou se vira para direita

São 41,1 milhões os colombianos registrados no cadastro eleitoral, incluindo aqueles que residem no exterior

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Os colombianos têm neste domingo (31) um encontro com as urnas para eleger o sucessor do presidente Gustavo Petro, em uma disputa eleitoral que se limita ao seguidor de seu modelo social, Iván Cepeda, e àqueles que apostam em uma guinada à direita, Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia, em meio a uma forte polarização e ao fracasso do atual governo em trazer a paz ao país.

São 41,1 milhões os colombianos registrados no cadastro eleitoral, incluindo aqueles que residem no exterior, que já puderam começar a votar ao longo desta semana. Nesta ocasião, os eleitores elegerão exclusivamente o presidente e o vice-presidente, uma vez que as eleições legislativas já foram realizadas em março.

Para evitar um segundo turno, qualquer candidato deve obter mais de 50% dos votos. O único capaz de conseguir isso, segundo algumas pesquisas, é Cepeda, que esteve durante toda a campanha na liderança das pesquisas, o que garante, pelo menos, sua passagem para o segundo turno em 21 de junho.

Cepeda prometeu dar continuidade à agenda progressista do presidente cessante Gustavo Petro, que buscou reforçar a presença do Estado em questões como aposentadorias e saúde, bem como reiniciar qualquer processo de negociação de paz apenas com os grupos armados que deixarem de assassinar líderes sociais.

As pesquisas mais otimistas atribuem a Cepeda até 44% dos votos, enquanto as mais cautelosas o colocam dez pontos abaixo. O candidato do Pacto Histórico, no entanto, corre o risco de ser derrotado em um hipotético segundo turno diante da previsível união das forças conservadoras.

Apesar de ter ampla experiência no Congresso, este filósofo e defensor dos Direitos Humanos reforçou sua carreira política com sua disputa judicial contra o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe por suas supostas ligações com grupos paramilitares e testemunhas falsas, pela qual foi condenado e posteriormente absolvido.

Cepeda participou de vários processos de negociação com grupos armados, entre eles o de 2016 com as extintas FARC, e, como defensor dos direitos humanos, conseguiu o reconhecimento como genocídio do massacre de mais de 5.700 pessoas por sua militância na União Patriótica (UP), da qual seu pai fez parte antes de ser assassinado em 1994 em uma trama entre o Estado e os paramilitares.

CANDIDATOS CONSERVADORES

O melhor colocado para disputar essa liderança de Cepeda nas pesquisas é o autoproclamado "outsider" da política colombiana Abelardo de la Espriella, um empresário e polêmico ultradireitista que, como advogado, chegou a representar figuras controversas como o fraudador condenado David Murcia Guzmán e Alex Saab, considerado o testa-de-ferro do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

"Recuperar a força pela razão ou pela força dentro do marco da lei" é um dos lemas de campanha desse admirador confesso do presidente Donald Trump e de sua política antidrogas. Assim como têm feito outros líderes conservadores da região, ele apostou no modelo de mão dura do salvadorenho Nayib Bukele.

De la Espriella também falou de um plano de choque para resolver a crise humanitária que existe no setor de saúde colombiano e de uma luta implacável contra a corrupção, prometendo devolver aos bolsos dos colombianos os mais de 20 milhões de euros que estima serem desviados a cada ano.

Sob sua candidatura independente Defensores da Pátria, as pesquisas lhe atribuem entre 30% e 37% dos votos, algumas das mais otimistas, embora outras, como as da emissora Caracol ou do jornal 'El Tiempo', mostrem uma diferença de até dez pontos a favor do candidato do partido no poder.

A terceira colocada é a senadora Paloma Valencia, membro de uma dinastia de políticos conservadores como o ex-presidente Guillermo León Valencia. A candidata do Centro Democrático é a escolhida pelo ex-presidente Uribe para estas eleições, nas quais obteria 14% dos votos, insuficiente para um segundo turno

Assim como De la Espriella, ela propõe aumentar as ofensivas militares contra os grupos armados, inclusive com a colaboração dos Estados Unidos, impor mais medidas punitivas e se mostrou em desacordo com a justiça especial decorrente dos acordos de paz de 2016 e de qualquer solução negociada.

Além disso, defende uma visão conservadora da família, negou que o aborto seja um direito das mulheres e se opôs à adoção por casais do mesmo sexo, algo que reiterou diante de quem será seu companheiro de chapa presidencial, Juan Daniel Oviedo, um candidato abertamente homossexual.

Valencia ainda é lembrada por ter proposto, há alguns anos, dividir o departamento de Cauca em dois: um para os indígenas - a quem acusou de conivência com as FARC -, "para que eles façam suas greves, suas manifestações e suas invasões", e outro com vocação para o desenvolvimento, que seria destinado ao restante dos habitantes.

DESAFIOS PARA A PRÓXIMA LEGISLATURA

Uma das grandes preocupações do eleitorado são os problemas do sistema público de saúde. À falta de medicamentos e de pessoal somam-se problemas de gestão, de recursos e a chegada de milhares de venezuelanos que chegam às áreas fronteiriças para receber assistência que não podem obter em seu país.

Petro deixará a Casa Nariño com sua reforma da saúde arquivada no Congresso após mais de um ano de debates, com a qual pretendia, por exemplo, reforçar a rede de centros de atenção primária, mas, acima de tudo, que o Estado centralizasse o controle dos recursos, acabando assim com a mediação das empresas privadas, às quais acusa de uso indevido de fundos, sendo este o principal ponto de atrito.

Juntamente com a saúde, a corrupção e a segurança são os outros temas que mais preocupam o eleitorado. A Colômbia continua sendo um dos países mais violentos da região. Segundo dados oficiais, em 2025 a taxa de homicídios foi a mais alta desde 2021, chegando a 14.000. Nos últimos cinco anos, os grupos armados duplicaram o número de seus membros; o caso mais emblemático é o do Clã do Golfo.

Sua ambiciosa política de paz esbarrou na dura realidade de que o narcotráfico, o verdadeiro motor que move esses grupos armados, continua sendo muito mais lucrativo do que as alternativas que o Estado pode oferecer, apesar de ter reduzido o número de pobres, aumentado o salário mínimo e apresentado previsões de crescimento ligeiramente superiores às dos demais países da região.

Apesar de Petro ter conseguido levar adiante sua reforma agrária, formalizando 1,7 milhão de hectares, promovendo a substituição de plantações ilícitas em vez de recorrer à erradicação e realizando algumas das maiores apreensões de cocaína dos últimos anos, as plantações de coca estão em níveis históricos.

Seja quem for o próximo presidente, ele deverá levar suas promessas eleitorais a um Congresso onde o Pacto Histórico, do partido do governo, é a maior força política em ambas as câmaras, seguido pelo Centro Democrático, o que prenuncia uma polarização significativa, na qual outras formações tradicionais, como liberais e conservadores, serão decisivas para formar maiorias e possíveis coalizões de governo.

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Brasília

Fachin diz que gravidade dos fatos não autoriza atalhos

Lula critica vazamentos seletivos e alerta para riscos à democracia

04/09/2026 21h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, garantiu, nesta sexta-feira (4), em Brasília, que será dentro da legalidade a resposta do Judiciário brasileiro aos fatos relacionados a supostas irregularidades na condução do caso do Banco Master e ao vazamento de trocas de mensagens entre o também ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário! Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo [legal] e as garantias constitucionais”, afirmou o ministro Edson Fachin.

Diante da crise no Poder Judiciário acentuada nesta semana, o presidente da Suprema Corte prometeu que a apuração dos fatos seguirá os procedimentos estabelecidos pela Constituição Federal e pelo ordenamento jurídico.

“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, declarou o presidente do STF.

O ministro Edson Fachin também reiterou a necessidade de as instituições da República serem preservadas, sobretudo em momentos de maior tensão. Ele frisou que nenhuma autoridade e nenhum Poder da República estão acima da Constituição Federal, pois “nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito”.

As declarações foram dadas no Palácio do Planalto, durante o evento de sanção de leis que criam fundos para aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU), para aumentar as fontes de recursos, com o objetivo de modernizar as instituições e ampliar o acesso da população à Justiça.

Igualdade

No mesmo evento no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a aplicação da legislação brasileira deve ser a mesma para todos os cidadãos.

“Ninguém, em nome da Democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém! Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, afirmou o presidente Lula. 

Para Lula, todos devem estar subordinados aos mesmos trâmites da legislação. "Afinal de contas, ela [a lei] vale para todos”, afirmou.

Vazamentos seletivos

Dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente da República cobrou transparência para contornar a crise, sob pena de o Poder Judiciário perder a credibilidade da opinião pública. 

“O que nós não podemos, neste país, é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos. Não é possível”, lamentou Lula.

O presidente Lula apontou que esses vazamentos colocam em risco a democracia brasileira. 

“Estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, as fake news, os vazamentos [de dados de investigações] não contribuem com a democracia”.

Entenda a crise

Nesta semana, o ministro do STF André Mendonça enviou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o pedido de abertura de inquérito contra o ministro do Supremo Alexandre Moraes, após relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraudes no Banco Master.

Em resposta, nesta quarta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra a atuação do Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal.

Horas antes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação da investigação sobre conversas de Moraes e Vorcaro.

Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo estabeleceu o prazo de cinco dias para que o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestem sobre o caso.

Eleições 2026

Prefeito de Paranaíba, 'Maycol Doido' declara apoio a Vander no Senado

Prefeito é quarto líder municipal a apoiar Loubet na corrida eleitoral deste ano

04/09/2026 14h45

Vander e Maycol Doido

Vander e Maycol Doido Foto: Divulgação

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O prefeito de Paranaíba, Maycol Henrique Queiroz Andrade (PP), conhecido como 'Maycol Doido', declarou apoio ao deputado federal Vander Loubet (PT) na disputa por uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul ao Senado nas eleições deste ano.

Na esteira da campanha, a movimentação do deputado federal tem como objetivo reunir apoio ou simpatia de cerca de 65 prefeitos de Mato Grosso do Sul. 

A manifestação chama atenção pelo histórico de confronto entre os dois políticos e pelo fato de Maycol integrar a ampla aliança de partidos que apoia a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

O prefeito chegou a protagonizar um episódio de forte tensão com Vander em agosto de 2023, em um restaurante de Campo Grande. Na ocasião, os dois discutiram e Maycol teria xingado o deputado, com a situação quase terminando em uma briga física.

O posicionamento do prefeito representa uma aproximação política que pode favorecer a estratégia de Vander de ampliar sua presença entre lideranças municipais e conquistar o chamado segundo voto dos eleitores que já possuem preferência por outro candidato ao Senado.

A estratégia busca atingir um eleitorado que, em parte, também está no radar do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), candidato ao Senado e integrante da aliança que apoia Riedel.

A declaração de Maycol ocorre em um cenário no qual Vander tenta avançar sobre setores políticos que não integram o campo tradicional do PT.

O parlamentar evita divulgar nominalmente toda a relação de prefeitos que estariam dispostos a trabalhar por sua candidatura, justamente para não criar constrangimentos entre gestores que mantêm compromissos com diferentes candidatos da aliança governista.

A estratégia é permitir que o apoio seja manifestado principalmente nas bases eleitorais, por meio de vereadores, lideranças municipais e apoiadores.

Além de Maycol Doido, outros prefeitos de partidos que integram a aliança de Riedel já declararam apoio a Vander. Entre eles estão Nelson Cintra (PSDB), de Porto Murtinho; Juliano Ferro (PL), de Ivinhema; e Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados.

Os três também apoiam o ex-governador Reinaldo Azambuja para uma das vagas ao Senado, mas optaram por Vander para a segunda cadeira, deixando Capitão Contar fora da composição de votos.

Em Porto Murtinho, a adesão de Nelson Cintra ganhou destaque por ocorrer mesmo diante de antigas divergências políticas. A participação do PSDB na aliança governista e a histórica rivalidade com o grupo ligado ao ex-governador Zeca do PT não impediram a aproximação entre o prefeito e Vander.

A ofensiva de Vander junto aos prefeitos teve novo capítulo no último sábado (29), durante uma reunião realizada em Tacuru, que contou com a participação do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, e prefeitos de 12 municípios.

A agenda reforça a estratégia do deputado de ampliar a interlocução com gestores municipais e consolidar apoios fora de seu reduto político tradicional.

Participaram da agenda gestores Elaine Aparecida Soligo (MDB), de Aral Moreira, Maria Lurdes Portugal (PL), de Caarapó, Niágara Kraievski (PP), de Coronel Sapucaia, Fabiana Maria Lorenci (PP), de Eldorado, Lídio Ledesma (PSDB), de Iguatemi, Thalles Henrique Tomazelli (PL), de Itaquiraí, Vitor da Cunha Rosa (PSDB), de Japorã, Gilson Marcos da Cruz (PSD), de Juti, Rosária de Fátima Ivantes Lucca Andrade (PSDB), de Mundo Novo, Heliomar Klabunde (MDB), de Paranhos, Erlon Fernando Possa Daneluz (PSDB), de Sete Quedas, Rogério de Souza Torquetti (PSDB), de Tacuru, Sérgio Diozebio Barbosa (MDB), de Amambai, e Rodrigo Massuo Sacuno (PL), de Naviraí.

Por meio de nota enviada à reportagem, a Prefeitura de Naviraí contestou a inclusão do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores que teriam participado da agenda realizada em Tacuru. Segundo a assessoria, o prefeito não foi ao evento, contudo mandou representantes ao encontro. 

Colaborou Daniel Pedra 

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