Política

CAMPO GRANDE

Reinaldo e Tereza travarão o 1º embate nas eleições de 2024

O ex-governador e a senadora, que foram aliados em 2022 para eleger Riedel, estarão em lados opostos em 2024, na Capital

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Com a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e o deputado federal Beto Pereira (PSDB) como fiéis “escudeiros”, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PSDB), presidente estadual do partido em Mato Grosso do Sul, e a senadora Tereza Cristina (PP) travarão, nas eleições municipais de 2024, na Capital, o primeiro embate entre ambos.

Se nas eleições do ano passado os dois caminharam juntos na campanha eleitoral para eleger Eduardo Riedel (PSDB) governador e José Carlos Barbosa (PP), o Barbosinha, vice-governador, no próximo ano, pelo menos em Campo Grande, estarão em lados opostos. Mas nada impede a retomada da aliança, caso um dos “escudeiros” não avançar ao provável segundo turno das eleições.

O ponto pacífico, entretanto, é que Reinaldo Azambuja e Tereza Cristina se enfrentam na Capital, uma situação inédita nos últimos anos, porém, que se concretizará após a demonstração de força da senadora na festa de filiação de Adriane Lopes ao Progressistas, na noite do dia 1º, no Clube Estoril, a qual, conforme os organizadores, reuniu mais de 5 mil pessoas.

Com a presença do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, e demais lideranças estaduais da legenda, como o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Gerson Claro, a senadora Tereza Cristina mandou um recado direto para Reinaldo Azambuja: que a atual prefeita vai concorrer à reeleição em 2024, enfrentando o candidato tucano Beto Pereira.

VORACIDADE

Na prática, também foi uma espécie de contra-ataque do PP à voracidade com que o PSDB está filiando prefeitos nos municípios do interior do Estado. Afinal, em apenas três dias, Reinaldo Azambuja abonou as fichas de filiação dos prefeitos de Miranda, Fábio Florença, de Tacuru, Rogério Torquetti, e de Iguatemi, Lídio Ledesma.

Além disso, o ex-governador já teria marcado as datas para o ingresso de mais dois gestores municipais no ninho tucano e “engatilhado” mais três no decorrer dos próximos meses.

Conforme apurou o Correio do Estado, assinarão as fichas de filiação ao PSDB de MS, nos dias 23 e 24 de junho, os prefeitos de Santa Rita do Pardo, Lucio Roberto Calixto (Podemos), e de Ivinhema, Juliano Ferro (União Brasil), respectivamente.

A reportagem conseguiu levantar ainda que os próximos três prefeitos que vão engrossar as fileiras da sigla são os de Paranaíba, Maycol Queiroz (PDT), Juti, Gilson Marcos da Cruz (PSD), e Bonito, Josmail Rodrigues (PSB). Com isso, o total de gestores municipais filiados ao PSDB chegará a 45, representando mais de 50% dos 79 municípios.

Ao Correio do Estado, Reinaldo Azambuja declarou que o partido não quer ser uma sigla isolada e, por isso, vai procurar dialogar com todas as legendas aliadas, citando o PP, o PSB, o Republicanos e o MDB, a fim de buscar uma ampla aliança onde for possível.

“Na política, temos de conversar com todo mundo e respeitar as questões locais. Onde der para compor, vamos fazer isso”, garantiu na última conversa com a reportagem.

O governador Eduardo Riedel também não vê problemas na filiação da prefeita Adriane Lopes ao PP e reforçou que esse fato não será motivo para um possível rompimento da aliança durante sua gestão.

“A gente tem um alinhamento muito grande com o PP. Como eu disse, é natural que essas questões políticas se ajustem. Eu entendo que o PP continua um grande aliado aqui no Estado. Está me ajudando a governar, e a senadora Tereza [Cristina] é uma grande aliada, tem uma agenda e uma pauta importante para Mato Grosso do Sul. Eu estou muito focado na gestão do Estado”, disse.

CONFIANTE

No ato de filiação de Adriane Lopes, na noite de quinta-feira, Tereza Cristina mostrou-se entusiasmada. “Adriane, hoje [quinta] você é muito bem recebida no PP. Seremos o maior partido do Brasil, o partido do equilíbrio e que tem responsabilidade com o País. Nas grandes pautas nacionais, o PP é o equilíbrio”, considerou.

Ela complementou prevendo que sua legenda vai ficar “turbinada” não só no Estado, mas em todo o Brasil. “Vamos trabalhar juntos para ela [Adriane] fazer o melhor de si por Campo Grande, nossa Cidade Morena. Prefeita, fico muito feliz de a senhora ter vindo para o nosso partido. Apoiaremos a Adriane em tudo o que pudermos. Daqui para frente é só vitória”.

Adriane Lopes também não vê nenhum abalo na relação com o PSDB em MS após sua filiação ao PP. “Temos o apoio do governador Riedel, e nossa filiação vem para somar e ser parceira. Estamos com a Tereza Cristina, parceira dele, visto que estamos com o vice-governador do PP e com a senadora, que apoiou a eleição do Riedel. Acredito que minha filiação só fortalece para os sul-mato-grossenses”, revelou ao Correio do Estado. 

(Colaborou Alison Silva)

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Registro

Alvo das operações Omertà e Armagedon, Jerson Domingos pode ter candidatura barrada

Ex-presidente do Tribunal de Contas disputa cadeira na Assembleia Legislativa

18/08/2026 17h15

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Foto: Arquivo Correio do Estado

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Alvo de duas denúncias apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul e candidato a deputado estadual Jerson Domingos (União Brasil) pode ser barrado de disputar as eleições de 2026.

A impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral sustenta que ele estaria inapto a disputar uma vaga na Alems em razão da causa de inelegibilidade prevista no artigo 17, § 4º, da Constituição Federal, dispositivo que veda aos partidos políticos a utilização de organização paramilitar.

Ele é apontado como integrante de um núcleo responsável por providenciar armas e a logística necessária para ações criminosas. Segundo a acusação, Jerson, que é cunhado de Jamil Name e tio de Jamilson Name, teria recebido, juntamente com Cinthya Name Belli, ordens para adotar providências relacionadas à aquisição de armas, veículos e contratação de executores. 

Jerson foi denunciado na segunda fase da Omertà por supostamente praticar o crime de impedimento ou embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa. 

Já na terceira fase da operação, a Armagedon, foi denunciado por integrar organização criminosa armada e por tráfico de armas de fogo. 

As investigações também resultaram em apreensões de armas e munições em quatro imóveis ligados a Jerson durante a segunda fase da Operação Omertà, deflagrada em março de 2020. 

A Procuradoria também recupera episódios anteriores da trajetória política de Jerson Domingos para sustentar a impugnação.

Entre eles está uma ocorrência registrada em dezembro de 2009, quando o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu imagens de um cambista ligado ao jogo do bicho circulando nas dependências da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) com um crachá de visitante emitido em nome do ex-presidente do TCE. 

À época, Jerson afirmou desconhecer a situação e disse que tomaria providências. O episódio posteriormente deu origem a uma ação penal por contravenção relacionada ao jogo do bicho. 

Diferentemente do sobrinho Jamilson Name condenado a oito anos pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, Jerson não possui condenação definitiva.

Em abril de 2024, a 1ª Vara Criminal de Campo Grande determinou o desmembramento dos processos em relação a ele e encaminhou cópias ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), diante do entendimento de que conselheiros de tribunais de contas possuem prerrogativa de foro.

Os casos passaram a tramitar na Corte Especial do STJ, sob relatoria do ministro Luis Felipe Salomão. Ele deixou a corte em novembro de 2025 ao atingir a idade limite de 75 anos, aposentando-se compulsoriamente. 

Na impugnação, a Procuradoria pede que, caso os requeridos não apresentem defesa em sete dias, seja realizado o julgamento antecipado do mérito, com o consequente indeferimento do registro de candidatura de Jerson Domingos.

Impugnação

Procuradoria eleitoral quer barrar candidatura de dono de faculdade paraguaia

Doação irregular realizada em 2020 pode impedir Carlos Bernardo de disputar cadeira no Congresso pela 2ª vez

18/08/2026 15h30

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara Foto: Reprodução / União Brasil

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Pela segunda vez em quatro anos, a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul pode barrar a candidatura de Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal e fundador da Faculdade de Medicina da Universidade Central do Paraguai em Pedro Juan Caballero, cidade fronteiriça a Ponta Porã, interior do Estado. 

O pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara-GO em 2020. Em decisão colegiada, a Justiça determinou à época que o repasse ultrapassou o limite legal de 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador em 2019.

Com base na declaração de imposto de renda, Carlos Bernardo poderia doar até R$ 20.767,55, contudo, o repasse ultrapassou em R$ 69.223,45 o limite permitido. 

Na ocasião, ele foi apontado como o maior doador da campanha de Rogério Rezende, valor que correspondeu a 26,58% da arrecadação total do candidato e 300% do que ele poderia doar.

Conforme a alegação do procurador Silvio Pettengill Neto, a doação "não deveria existir na realidade da
campanha eleitoral do beneficiário, de modo que a sua simples existência na conta bancária de candidato ou partido beneficiado, por óbvio, acarretou o desequilíbrio entre os candidatos em disputa."

De acordo com o Portal DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, a doação aconteceu às vésperas do primeiro turno, 13 de novembro, dois dias antes do pleito. Rogério Rezende foi derrotado nas urnas. 

Desse modo, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul reconheceu a irregularidade, ratificou a sentença do juízo da 52ª zona eleitoral e impediu Carlos Bernardo de disputar as eleições há quatro anos, quando lançou-se candidato a deputado federal pelo MDB. 

"A Lei Complementar n. 64/1990, ao regulamentar as hipóteses de inelegibilidade infraconstitucionais, estabelece no art. 1º, inc. I, al. p, que 'são inelegíveis (...) para qualquer cargo (...) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22'”.

Apesar da decisão colegiada impedir a candidatura de Carlos Bernardo por oito anos, ele disputou a prefeitura de Ponta Porã em 2024.

Na ocasião, a Justiça entendeu que a doação irregular realizada por ele ao candidato goiano não impactaria diretamente a disputa pela prefeitura ponta-poranense. Cabe recurso.

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