Política

sinal de alerta

Com receio de perder senador, Kassab convida Nelsinho para reunião do PSD

O parlamentar sul-mato-grossense está sendo sondado pelo PL, do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, para se filiar à sigla

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Após o Correio do Estado publicar que o senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad (PSD) estaria cada vez mais próximo do PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que teria chegado até a participar do ato pela anistia dos presos pelo 8 de Janeiro, realizado em Brasília (DF), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, convidou-o para uma reunião no dia 25, em São Paulo (SP).

A reportagem obteve a informação de que Kassab realizará um jantar reservado com a elite do PSD para tratar de questões partidárias, principalmente, o projeto de expansão da legenda, que ganhou na semana passada o reforço do ex-tucano Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e, agora, também está na tentativa de seduzir o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), e o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB).

De olho em fortalecer o partido para as eleições gerais do próximo ano, o presidente nacional do PSD não pretende ter nenhuma baixa nos seus quadros, principalmente de um senador da República, já que uma das armas utilizada por Kassab para ter poder de negociação política está no fato de ter uma bancada numerosa na Câmara dos Deputados e no Senado.

Por isso, ao pressentir a ameaça de perder um senador, ele agiu rápido e convocou Nelsinho Trad para participar desse jantar e também de evento no dia seguinte (26), quando o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung assinará a ficha de filiação ao PSD, chegando ao partido com a missão de comandar a Fundação Espaço Democrático, ambiente de estudos e formação política da sigla, e, depois, ser candidato ao Senado.

APROXIMAÇÃO

Conforme fontes ouvidas pelo Correio do Estado, a presença de Nelsinho no ato de Bolsonaro no início deste mês serviu para aumentar o flerte do ex-presidente para que o parlamentar sul-mato-grossense saia do partido de Gilberto Kassab e engrosse as filas do PL no Senado, onde os dois partidos têm as duas maiores bancadas, com 14 senadores cada um.

Portanto, caso Trad seja seduzido, o PL pode se tornar a maior bancada dentro da Casa de Leis, fortalecendo ainda mais a direita e enfraquecendo a esquerda do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos bastidores políticos de Mato Grosso do Sul, já seria dada como certa a troca do PSD pelo PL por parte de Nelsinho Trad, que pretende tentar a reeleição no pleito de 2026. Caso continue à frente do seu atual partido, as chances seriam bem remotas, portanto, o senador sul-mato-grossense pode responder ao flerte de Bolsonaro.

Procurado pelo Correio do Estado, Nelsinho disse que participou da caminhada pacífica pela anistia humanitária em apoio a quem recebeu penas abusivas por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Vim, a convite do Bolsonaro, prestar o meu apoio àqueles que foram colocados no mesmo patamar dos que depredaram e destruíram patrimônio público federal. Sou a favor de separá-los para que não sejam cometidas injustiças”, declarou.

Sobre o assédio de Bolsonaro para que troque o PSD pelo PL, o senador preferiu não comentar, explicando que as pautas defendidas pelo centro e pela direita estão dentro do seu leque de atuação no Senado.

NAMORO ANTIGO

Desde julho de 2023, o senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad e o PL mantêm uma espécie de namoro a distância, pois, há dois anos, ele chegou a receber um convite formal do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, entretanto, as conversas não avançaram.

A proximidade de Nelsinho e Bolsonaro é antiga, pois, quando o ex-presidente ainda estava como chefe do Executivo nacional, o senador sul-mato-grossense era aliado de primeira hora em Brasília, votando a favor dos projetos de lei encaminhados pelo seu governo.

Além disso, na eleição presidencial de 2022, tanto no primeiro quanto no segundo turno, Nelsinho não escondeu de ninguém que seu voto seria pela reeleição de Jair Bolsonaro, mesmo com o comando nacional do PSD pendendo para o lado da candidatura de Lula.

No segundo turno, entretanto, o senador, como presidente estadual do partido, chegou a convocar uma coletiva de imprensa para oficializar o apoio a Bolsonaro, justificando que pesaram para a decisão a fidelidade e o empenho em favor dos projetos do governo do ex-presidente submetidos ao Congresso Nacional.

Enquanto grande parcela do PSD migrava para o palanque do atual presidente da República no segundo turno, o senador sul-mato-grossense pôs sua liderança a serviço da campanha bolsonarista.

Essa foi apenas mais uma demonstração do vínculo que ele sempre manteve com o então presidente da República. No início de 2021, quando era presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad foi cotado para substituir o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Seis meses antes da especulação, em março de 2020, o senador já era visto ao lado do ex-presidente, tanto que virou notícia na mídia nacional por contrair Covid-19 após ter participado da comitiva de Bolsonaro que foi aos Estados Unidos.

Saiba

Com a filiação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o PSD passa a ter quatro chefes de Executivo nos estados: Fábio Mitidieri (Sergipe), Ratinho Jr. (Paraná) e Raquel Lyra (Pernambuco) – esta última, aliás, deixou o PSDB no início do ano. O partido, portanto, está empatado com PT e União Brasil, que também têm quatro governadores cada.

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ELEIÇÕES 2026

Em cenário de 1º turno, Lula tem 41%, Flávio, 31%, Caiado, 3% e Renan Santos, 3%

No último levantamento, divulgado em 22 de maio, Lula tinha nove pontos percentuais de vantagem em relação a Flávio: 40% a 31%

20/06/2026 14h00

Lula e Flávio seguem tecnicamente empatados, no limite da margem de erro, em um eventual 2º turno da eleição presidencial

Lula e Flávio seguem tecnicamente empatados, no limite da margem de erro, em um eventual 2º turno da eleição presidencial Reprodução: Folha de São Paulo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem dez pontos de vantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto no 1º turno para a Presidência da República. É o que aponta a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 20.

Na simulação de 1º turno, o petista registrou 41% ante 31% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No último levantamento, divulgado em 22 de maio, Lula tinha nove pontos percentuais de vantagem em relação a Flávio: 40% a 31%.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o empresário Renan Santos (Missão) possuem 3% das intenções de voto cada.

Já o deputado federal Aécio Neves (PSDB), o escritor Augusto Cury (Avante), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e a ativista Samara Martins (UP) possuem 2% cada.

O ex-deputado federal Cabo Daciolo (Mobiliza), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) e o jornalista Rui Costa Pimenta (PCO) possuem 1% das intenções de voto cada.

Brancos, nulos ou nenhum somam 7%. Eleitores que não sabem em quem votar são 4%.

Comparada com a pesquisa anterior do Datafolha, Lula variou positivamente 1 p.p, enquanto Flávio não teve o percentual alterado. Caiado, Zema e Samara oscilaram negativamente 1 p.p.

2º turno

Lula e Flávio seguem tecnicamente empatados, no limite da margem de erro, em um eventual 2º turno da eleição presidencial. O petista, no entanto, está numericamente à frente.

De acordo com o levantamento, Lula registra 47% das intenções de voto, enquanto Flávio alcança 43%. Os percentuais são os mesmos da última pesquisa do instituto, divulgada em 22 de maio. Eleitores que pretendem votar em branco, nulo ou não escolher nenhum dos candidatos somam 8%. Já os eleitores que afirmaram não saber em quem votar são 1%.

Já no cenário em que o candidato da oposição é Ronaldo Caiado (PSD), Lula chega a 47% das intenções de voto e o ex-governador de Goiás, 41%. Brancos, nulos ou nenhum dos candidatos somam 10% Eleitores indecisos somam 2%.

O presidente também venceria o ex-governador Romeu Zema (Novo) por 48% a 39%. Brancos, nulos ou nenhum dos candidatos somam 11%, enquanto os que não sabem são 2%.

O Datafolha ouviu 2.004 entrevistados, com 16 anos ou mais, em 139 cidades, de 17 a 18 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

 

Operação Suffragium

PF apura suposta compra de votos de chapa de Adriane Lopes e Camilla Nascimento

Foram cumpridos 7 mandados de busca e apreensão expedidos pelo TRE-MS em endereços em Campo Grande e Taquarussu

20/06/2026 08h30

A prefeita Adriane Lopes e a vice-prefeita Camilla Nascimento

A prefeita Adriane Lopes e a vice-prefeita Camilla Nascimento Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira a Operação Suffragium, destinada a aprofundar as investigações sobre um possível esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024 para a Prefeitura de Campo Grande. 

A ação inclui o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) em endereços residenciais e comerciais localizados em Campo Grande e no município de Taquarussu.

Segundo apuração do Correio do Estado, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), foi intimada pela PF para prestar esclarecimentos no curso das investigações.

A operação tem como foco apurar supostas irregularidades ligadas à campanha que resultou na reeleição da prefeita e da vice-prefeita Camilla Nascimento (sem partido).

De acordo com a PF, a investigação identificou indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo saques em espécie, transferências fracionadas por Pix e utilização de contas de terceiros para circulação e distribuição de recursos em períodos próximos aos dois turnos da eleição. 

Os valores teriam sido utilizados, em tese, para a compra de votos. Os fatos investigados podem configurar crime de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, conhecida popularmente como caixa dois. O inquérito tramita sob sigilo.

ESTRUTURA

Conforme apurado pela reportagem, a Polícia Federal divide o suposto esquema em quatro núcleos de atuação.

No topo estaria o chamado núcleo de comando político, formado pelos supostos beneficiários diretos da estrutura.

Em uma segunda camada aparece o núcleo de coordenação institucional e financeira, composto por agentes públicos e particulares responsáveis pelo gerenciamento dos recursos e pela distribuição dos valores.

Na sequência, os investigadores apontam a existência de um núcleo de intermediadores operacionais, integrado por lideranças comunitárias, cabos eleitorais e terceiros encarregados da mobilização de eleitores, organização de reuniões, transporte de apoiadores, adesivagem de veículos e pulverização dos pagamentos.

Na base da estrutura estariam os eleitores que teriam recebido vantagens indevidas em troca de apoio político e votos.

EX-ASSESSORA

Um dos principais alvos da operação é Simone Bastos Vieira, ex-assessora especial do gabinete da prefeita Adriane Lopes, que também teria sido intimada pela PF para prestar esclarecimentos. 

Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido em Taquarussu, município onde ela atualmente ocupa cargo comissionado como diretora do Departamento de Estratégia de Saúde da Família.

Segundo informações constantes na investigação, Simone teria realizado uma transferência via Pix no valor de R$ 1,2 mil para Sebastião Martins Vieira, mais conhecido como Tião da Horta. 

Conforme denúncia apresentada à Justiça Eleitoral, o valor teria sido destinado à compra de votos em favor da então candidata à reeleição.

Ainda de acordo com a denúncia, Tião da Horta teria sido chamado ao comitê eleitoral por Marcos Paulo Amorim Pegoraro, que exercia a função de coordenador de Articulação Comunitária da Prefeitura de Campo Grande durante o período eleitoral.

A investigação também aponta que Simone recebeu, em outubro de 2024, dois pagamentos salariais de
R$ 5.359,59 enquanto atuava no gabinete da prefeita. A informação consta em registros do portal da Transparência do município.

A Polícia Federal apura ainda a existência de movimentações financeiras paralelas, incluindo possíveis operações de caixa dois, saques em espécie e transferências eletrônicas utilizadas para abastecer a suposta rede de compra de votos.

Até o momento, os nomes dos demais investigados não foram divulgados oficialmente pelas autoridades responsáveis pelo caso.

TSE

A ação que pede a cassação da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, por suposta compra de votos nas eleições de 2024 ainda não teve julgamento de mérito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O caso teve origem em uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) proposta por partidos de oposição, que apontaram suposta compra de votos por meio de lideranças comunitárias, pagamentos via Pix e atuação de servidores ligados à campanha. 

Em primeira instância, a ação foi julgada improcedente e, posteriormente, o TRE-MS manteve os mandatos de Adriane Lopes e da vice-prefeita Camilla Nascimento de Oliveira por maioria de votos.

O Tribunal entendeu que não ficou comprovada a participação direta ou a anuência das candidatas nos atos investigados. 

Após a decisão do TRE-MS, a Procuradoria Regional Eleitoral recorreu ao TSE pedindo a cassação dos mandatos e a declaração de inelegibilidade das gestoras.

O Ministério Público Eleitoral sustenta que houve compra de votos e que os elementos reunidos nos autos indicariam conhecimento ou benefício das candidatas em relação ao esquema investigado.

Na Corte, o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa emitiu parecer contrário à cassação.

Segundo ele, os recursos apresentados pelos partidos autores não teriam condições de prosperar e a revisão da decisão do TRE-MS exigiria reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial eleitoral. 

Além disso, o parecer apontou insuficiência de provas para vincular diretamente Adriane e Camilla à suposta compra de votos. Contudo, esse parecer não vincula a decisão da Corte. 

O processo continua sob relatoria da ministra Estela Aranha, que poderá concordar ou não com a manifestação do Ministério Público Eleitoral quando o recurso for julgado. 

Portanto, a Operação Suffragium pode criar um novo cenário porque se trata de uma investigação criminal distinta da ação eleitoral já em tramitação no TSE. 

Caso surjam novas provas, elas poderão gerar outros procedimentos ou até influenciar discussões futuras na esfera eleitoral. Entretanto, a operação não altera automaticamente o recurso que já está aguardando julgamento no Tribunal.

As informações mais recentes disponíveis indicam que o processo segue sem julgamento definitivo no TSE.

Até o momento, o recurso ainda aguarda inclusão em pauta pela relatora, ministra Estela Aranha, sem previsão de análise pelo plenário da Corte.

* Saiba 

Em nota oficial, a prefeita Adriane Lopes disse que recebeu com surpresa a deflagração da Operação Suffragium, mas também com tranquilidade, “uma vez que o objeto da ação já foi analisado pelo Poder Judiciário, tendo a defesa obtido decisões favoráveis nas duas primeiras instâncias em MS e parecer favorável da Procuradoria-Geral no DF”.

“Importante destacar que as diligências não envolveram qualquer órgão da administração municipal nem guardam relação com atos da atual gestão”, informou a nota.

Ela reafirmou seu respeito às instituições e ao trabalho dos órgãos de controle e investigação, mantendo-se à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, com a convicção de que a verdade dos fatos prevalecerá, como já ocorreu nas decisões judiciais anteriormente proferidas.

“A administração municipal segue concentrada em seu compromisso diário de trabalhar por Campo Grande, com ações voltadas à melhoria da qualidade de vida da população”, finalizou.

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