Política

entrevista

"Concessão das BRs 163 e 262, malha ferroviária e UFN3 serão prioridade"

A ministra do Planejamento e Orçamento também falou sobre vida pessoal, domicílio eleitoral, comando do MDB no Estado, agronegócio e até sobre o orçamento secreto

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A ministra do Planejamento e Orçamento, senadora Simone Tebet (MDB-MS), concedeu uma entrevista exclusiva ao Correio do Estado, quando falou sobre diversos assuntos, com destaque para os projetos estruturantes para Mato Grosso do Sul, comando do MDB no Estado, tratamento do agronegócio no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e até sobre o orçamento secreto.

"Estarei acompanhando o governador Eduardo Riedel, que vai trazer, por solicitação do governo federal, quatro grandes projetos estruturantes para Mato Grosso do Sul. Se estiverem, obviamente, dentro dessas prioridades, as concessões da BR-163 e da BR-262, bem como a malha ferroviária e a fábrica de fertilizantes nitrogenados, todas elas serão incorporadas como projetos a serem abarcados pelo PPI ou serão consideradas prioritárias para o governo federal", reforçou Simone.

 
O seu marido, Eduardo Rocha, continua no governo de Mato Grosso do Sul. Com as agendas movimentadas dos dois, como é possível organizar os momentos em família?

Há oito anos nós estamos vivendo neste ritmo louco.

Durante esse período, eu como senadora e ele como deputado estadual depois ele se licenciou para ocupar a Secretaria de Estado de Governo [Segov] na gestão do ex-governador Reinaldo Azambuja [PSDB]. Agora, só mudaram as funções, eu no Ministério do Planejamento e ele como secretário-chefe da Casa Civil na administração do atual governador Eduardo Riedel [PSDB]. 

Os encontros são aos fins de semana, ou em Brasília (DF), como aconteceu na ocasião da minha posse como ministra, ou mesmo em São Paulo (SP), por conta das nossas filhas, ou ainda em Mato Grosso do Sul, quando, pelo menos uma vez por mês, visito minha família, especialmente a minha mãe, Fairte Nassar Tebet. 

Você acredita que a bolsonarização de parte significativa da sociedade, sobretudo aqui em Mato Grosso do Sul, seu estado de origem, fez com que parte da população se tornasse hostil a você?

A polarização política não é uma particularidade do estado de Mato Grosso do Sul. As urnas mostraram que o Brasil está literalmente dividido ao meio.

Essa polarização atinge todo o Brasil, e é natural quando você toma um lado no meu caso, eu escolhi estar do lado certo da história. As manifestações golpistas do dia 8 de janeiro, em Brasília, mostraram claramente o risco que corríamos e fizeram com que acabássemos sendo hostilizados pelo outro lado.

Qualquer lado que eu tivesse escolhido, levaria uma parte significativa da população, que hoje está dividida, a se sentir contrariada, mas a política é feita de ação, e, nos momentos de crise e nos momentos mais importantes, a omissão chega a ser criminosa.

Estar do lado certo da história e fazer aquilo que acredito é o que aprendi com os grandes homens públicos de Mato Grosso do Sul, especialmente com o meu pai, Ramez Tebet.

Sua atuação tem adquirido um peso cada vez mais nacional e, aparentemente, sua relação com Mato Grosso do Sul tem perdido espaço. Como o Estado em que você nasceu e formou sua carreira política se encaixa em seus planos para o futuro? Há a possibilidade de transferência de domicílio?

Mato Grosso do Sul é a minha terra, onde nasci e fui criada. Amo o meu Estado e faço política pensando, primeiro, na minha terra natal e, depois, no Brasil.

O futuro a Deus pertence, mas não está no meu radar a transferência de domicílio eleitoral. Agora, tenho uma missão por Mato Grosso do Sul e pelo Brasil de ocupar um dos ministérios mais importantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [PT]. 

Não vamos esquecer que todo e qualquer cidadão brasileiro está dentro do Orçamento. Direta ou indiretamente, é impactado pelas decisões do Ministério do Planejamento e Orçamento, que agora ocupo o comando.

Trata-se de uma responsabilidade muito grande, as ações são complexas, pois estamos falando de pelo menos R$ 5 trilhões de Orçamento que estão hoje sob a nossa responsabilidade, e isso, a meu ver, independentemente de fazer com que perca espaço ou não dentro do meu Estado, projeta ainda mais Mato Grosso do Sul, mostrando que temos homens e mulheres públicos competentes para ocupar qualquer espaço de poder na instância federal.

Recentemente, o governador Eduardo Riedel disse ao Correio do Estado que é urgente resolver o problema de concessões de rodovias como as BRs 163 e 262, que ficaram travadas sob a gestão Bolsonaro, e também da ferrovia Malha Oeste. Ele chegou a declarar que, se o governo federal não levar adiante os processos de parcerias público-privadas, solicitaria a delegação para ele conduzir o processo. O Programa de Parceria de Investimentos (PPI) está sob sua alçada. O que está nos planos? As soluções para esses gargalos em Mato Grosso do Sul quais serão? Serão rápidas? E como?

Nesta semana que se inicia, nos dias 26 e 27 de janeiro, o presidente Lula estará recebendo os 27 governadores que, porventura querem discutir os seus problemas, os problemas estaduais aqui em Brasília.

Estarei acompanhando o governador Eduardo Riedel, que vai trazer, por solicitação do governo federal, quatro grandes projetos estruturantes para Mato Grosso do Sul.

Se estiverem, obviamente, dentro dessas prioridades, as concessões da BR-163 e da BR-262, bem como a malha ferroviária e a fábrica de fertilizantes nitrogenados, todas elas serão incorporadas como projetos a serem abarcados pelo PPI ou serão consideradas prioritárias para o governo federal.

Só uma ressalva, o PPI não está mais sob a minha alçada, mas o Ministério do Planejamento estará auxiliando a Casa Civil para essa reestruturação do PPI e, depois, sua execução.

No caso de Mato Grosso do Sul, óbvio que estarei como uma parceira do governador Riedel, para que, uma vez incorporadas as prioridades do Estado no PPI, possam efetivamente sair do papel.
 
Você e seu marido saíram fortalecidos das últimas eleições, ao apoiarem Lula e Eduardo Riedel. Vocês têm planos para ter mais influência no MDB local, uma vez que o ex-governador André Puccinelli, além de perder a eleição para o governo do Estado, no segundo turno esteve com Bolsonaro e Capitão Contar, ambos perdedores?

Eu não tive outro partido na minha vida pública que não o MDB. Essa fidelidade partidária eu sei que é coisa que muitos até questionam, considerando como algo menor, mas, para mim, é fundamental e faço e fiz política sempre sob as hostes da legenda.

Tenho grandes companheiros dentro da sigla, e essa é uma decisão que será tomada em momento oportuno pelo próprio MDB. O partido tem excelentes pessoas nos seus quadros, e ainda não tive tempo de me reunir com os companheiros para saber qual a decisão em relação à nova direção partidária.

O mandato do atual presidente [deputado estadual eleito Junior Mochi] só termina no meio do ano, então, temos tempo para analisar de forma coletiva qual vai ser o melhor caminho que o MDB vai seguir internamente e, depois, obviamente, os espaços de parceria, não só com o governo estadual, mas também com o governo federal.

O mercado sempre foi a favor da política de desinvestimento da Petrobras. Ocorre que a estatal, nos últimos seis anos, tentou vender a obra inacabada da UFN3 três vezes e não conseguiu. Investimentos desse porte, em um setor com poucos players no mundo, tem de ter apoio estatal? Qual sua opinião?

É importante lembrar que tentaram vender a UFN3 de forma equivocada, e a última vez fui eu quem ajudou a barrar, porque ela não ia gerar emprego e não ia ser concluída como fábrica de fertilizante.

Não constava no edital de licitação do leilão a obrigação de a empresa vencedora terminar a obra como fábrica de fertilizantes, seria uma mera misturadora de produtos, o que geraria 90% menos empregos.

Essa fábrica é considera estratégica para o governo federal, principalmente para um Brasil que produz alimentos, porque, sozinha, a UFN3 terá capacidade dobrada para a produção de fertilizantes nitrogenados.

O Brasil é cada vez mais dependente de fertilizantes no mundo, pagando em dólar e caro pelo insumo, o que impacta a produção, aumenta o preço na hora de produzir e, consequentemente, o valor dos alimentos nas gôndolas dos supermercados.

Por que alguns setores do agronegócio têm tanto medo do governo Lula, do qual você faz parte? Qual mensagem você tem para eles?

Primeiro quero relembrar ao agronegócio, do qual eu faço parte, como você mesmo mencionou, o que foi o governo Lula 1 e o governo Lula 2.

Foi nesse período que nós tivemos um boom de commodities, Plano Safra, juros baixos para as linhas de financiamento, foi possível buscar dinheiro com juros baixos para que a produção acontecesse de forma célere e com menor custo, para não impactar no preço dos produtos.

O governo Lula 3 será uma gestão mais madura, que sabe que é preciso avançar, e não vamos discutir da questão ambiental, que isso é imperativo da lei e está ligado à sustentabilidade da vida. No entanto, em compensação, o governo sabe que é possível assentar micro e pequenos agricultores em áreas públicas, em áreas improdutivas.

E dentro da legalidade, caso haja necessidade, utilizar outras áreas com o devido pagamento em dinheiro, com um valor justo. De qualquer forma, um governo que sabe que tem milhares de hectares de áreas improdutivas, áreas públicas que podem ser destinadas para o assentamento de famílias que desejam produzir no campo.
 
No ano passado, em entrevista ao Correio do Estado, chegou a nos confidenciar que o orçamento secreto foi um dos fatores que atrapalhou sua candidatura à presidência do Senado. Agora, você é ministra do Planejamento e Orçamento e está na gestão das emendas ao Orçamento. Como a senhora encara as voltas que o mundo deu nestes últimos dois anos?

Primeiro, quero ressaltar que o orçamento secreto acabou, graças a uma decisão do Supremo Tribunal Federal [STF].

Hoje, o Orçamento Geral da União [OGU] é 100% transparente, distribuído de forma igualitária entre os parlamentares do Congresso Nacional, o que significa que nós temos condições de fiscalizar e avaliar as possíveis tentativas ou denúncias de corrupção.

Uma vez distribuído de forma igualitária para todos os parlamentares, compete ao Ministério do Planejamento e Orçamento fiscalizar se os recursos estão sendo direcionados e se a execução na ponta, nos estados e municípios, está sendo feita de acordo com a lei.

Perfil: Simone Nassar Tebet - Simone Nassar Tebet atualmente é ministra do Planejamento e Orçamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

É filiada ao MDB e foi senadora por oito anos por Mato Grosso do Sul. Também foi vice governadora do Estado, deputada estadual e prefeita de Três Lagoas, cidade onde nasceu.

É filha do ex-senador e ex-presidente do Congresso Nacional Ramez Tebet. Candidatou-se à Presidência da República em 2022, ficando em terceiro no pleito. 

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ELEIÇÕES 2026

Vander Loubet diz que desempenho de Lula nas pesquisas pode impulsionar candidaturas do PT em MS

Pré-candidato ao Senado afirma que melhora dos indicadores econômicos e programas sociais fortalecem o presidente e refletem nas disputas estaduais

09/07/2026 08h52

O deputado federal Vander Loubet, a ex-primeira-dama do Estado, Dona Gilda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-deputado federal Fábio Trad

O deputado federal Vander Loubet, a ex-primeira-dama do Estado, Dona Gilda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-deputado federal Fábio Trad Arquivo

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O deputado federal e pré-candidato do PT ao Senado, Vander Loubet, afirmou que a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto para a eleição de 2026 tende a influenciar positivamente as candidaturas do campo político alinhado ao governo federal nos estados, incluindo Mato Grosso do Sul.

Segundo o parlamentar, a recuperação de indicadores econômicos e a ampliação de políticas sociais são fatores que explicam o desempenho do presidente nas consultas eleitorais realizadas até o momento. Para Vander, esses resultados também ampliam a aceitação de Lula entre eleitores de centro e segmentos da classe média.

"Não há como negar a força do eleitorado que acompanha a extrema-direita, isso faz parte da história recente do país. No entanto, Lula venceu em 2022 e reúne condições para conquistar uma nova vitória em 2026 com o apoio das forças de centro e da direita democrática", afirmou.

Na avaliação do deputado, parte da classe média passou a enxergar de forma mais positiva os resultados das políticas públicas implementadas pelo governo federal. Como exemplo, ele destacou o crescimento do mercado automotivo.

De acordo com Vander, mais de 1,3 milhão de veículos leves foram emplacados no primeiro semestre deste ano, um aumento de 19,7% em relação ao mesmo período de 2025. Para ele, o desempenho beneficia consumidores, concessionárias e a indústria automobilística, setor que, segundo destacou, gera mais de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos no país.

Impacto na disputa estadual

Vander também afirmou que a liderança de Lula nas pesquisas tende a produzir efeitos nas eleições estaduais. Segundo ele, apesar da circulação de desinformação e notícias falsas contra o presidente e o PT, os resultados das políticas públicas acabam influenciando a percepção do eleitorado.

Na avaliação do parlamentar, esse cenário favorece a pré-candidatura de Fábio Trad ao Governo de Mato Grosso do Sul e demais nomes do campo político ligado ao presidente.

"As pré-candidaturas do Fábio Trad para governador e dos demais companheiros do nosso campo democrático estão sendo saudavelmente contagiadas pela receptividade popular. Diversos segmentos da sociedade têm manifestado apoio e se colocado à disposição para participar dessa caminhada", declarou.

Vander acrescentou que, na sua avaliação, parte dos avanços econômicos e sociais observados em Mato Grosso do Sul decorre de programas e investimentos realizados pelo governo federal, o que, segundo ele, contribui para ampliar o apoio às candidaturas ligadas ao presidente Lula no Estado.

EMENDAS PARLAMENTARES

Bancada de MS recebe mais de R$ 300 milhões antes das eleições

O montante foi pago até o início deste mês, em meio à maior liberação de recursos parlamentares já registrada em um ano eleitoral

09/07/2026 08h00

Montagem

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A bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional foi contemplada com R$ 311,27 milhões em emendas parlamentares, pagas pelo governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), até sexta-feira (3), último dia do início das restrições impostas pelo calendário eleitoral, mais conhecidas como defeso eleitoral.

O valor integra o pacote recorde de R$ 33,89 bilhões liberados pela União neste ano e evidencia que a distribuição dos recursos alcançou parlamentares de diferentes partidos e espectros políticos, conforme dados do portal da Transparência do governo federal.

Ao todo, os 11 representantes sul-mato-grossenses no Congresso Nacional – três senadores e oito deputados federais – tiveram efetivamente pagos cerca de 74,6% do total empenhado.

A aceleração dos repasses ocorreu em razão da obrigação legal de execução das emendas individuais e de bancada e da proximidade do período em que a legislação eleitoral restringe as transferências voluntárias da União.

O maior beneficiado da bancada federal sul-mato-grossense foi o senador Nelsinho Trad (PSD), que recebeu R$ 59,71 milhões, o equivalente a 19,2% de todos os recursos pagos aos parlamentares do Estado.

Na sequência aparece a senadora Soraya Thronicke (PSB), com R$ 51,21 milhões ou 16,5% do total, enquanto a senadora Tereza Cristina (PP), que teve R$ 13,70 milhões pagos até o início deste mês ou 4,4% do total, sendo a que menos recebeu dos 11 parlamentares federais.

DEPUTADOS FEDERAIS

Entre os deputados federais, o maior volume de recursos foi destinado a Rodolfo Nogueira (PL), que teve R$ 33,41 milhões liberados ou 10,7% do total, enquanto logo atrás aparecem Dagoberto Nogueira (PP), com
R$ 26,42 milhões ou 8,5%, e Dr. Luiz Ovando (PP), com R$ 23,99 milhões ou 7,7%.

Depois estão a deputada federal Camila Jara (PT), com R$ 23,67 milhões ou 7,6%, e os deputados federais Beto Pereira (Republicanos), com R$ 23,45 milhões ou 7,5%, e Marcos Pollon (PL), que recebeu R$ 23,06 milhões ou 7,4%.

Também tiveram recursos liberados os deputados federais Geraldo Resende (União Brasil), com R$ 17,35 milhões ou 5,6% do total, e Vander Loubet (PT), com R$ 15,26 milhões ou 4,9%. Os números mostram que a estratégia do Palácio do Planalto foi distribuir recursos sem distinção entre aliados e adversários políticos. 

Afinal, parlamentares de partidos da base governista, como o PT, e de legendas de oposição, como PL, PP, Republicanos e PSD, foram contemplados com liberações expressivas antes do início das restrições eleitorais.

Outro dado que chama atenção é a diferença entre os valores empenhados e os efetivamente pagos. Enquanto alguns parlamentares já receberam mais de 80% dos recursos autorizados, outros ainda aguardam a liberação de parte significativa das emendas.

O caso mais evidente é o da senadora Tereza Cristina, que teve R$ 23,66 milhões empenhados, mas recebeu R$ 13,70 milhões, porcentual inferior ao registrado por boa parte da bancada.

NACIONAL

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva executou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares, registrando o maior volume de liberações já realizado antes do início do período de restrições imposto pela legislação eleitoral.

O valor supera todo o montante pago em 2022, ano da última eleição presidencial, e a aceleração dos pagamentos ocorreu poucos dias antes do início do chamado defeso eleitoral, fase que antecede o pleito e limita as transferências voluntárias da União para estados e municípios.

Durante esse período, a legislação permite apenas exceções, como repasses destinados à continuidade de obras já iniciadas ou ao atendimento de situações de emergência e calamidade pública.

Além de atingir um patamar recorde, o volume destinado às emendas parlamentares ultrapassou os investimentos efetivamente desembolsados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que somaram R$ 19,65 bilhões no mesmo intervalo.

As liberações de emendas representam aproximadamente um quarto de todas as despesas discricionárias executadas pelo governo federal neste ano.

Em nota, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República afirmou que a execução orçamentária ocorre em conformidade com a legislação vigente e com as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o governo, os pagamentos dependem da aprovação técnica dos projetos pelos órgãos responsáveis, além da disponibilidade orçamentária e financeira.

Levantamento aponta que cerca de R$ 24,5 bilhões foram transferidos antes da conclusão das obras ou projetos aos quais os recursos estavam vinculados. Na prática, isso permite que estados e municípios utilizem os valores durante o período eleitoral, mecanismo que ganhou força após mudanças nas regras de execução do Orçamento.

Entre as alterações está a criação das chamadas “emendas Pix”, instituídas em 2019, que autorizam repasses diretos a estados e municípios sem a necessidade de convênios.

Também contribuíram para o aumento da velocidade dos pagamentos a ampliação das liberações antecipadas de outras modalidades de emendas e a adoção, neste ano, de um calendário, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente Lula, que prioriza a execução das emendas parlamentares durante o primeiro semestre.

Do total de R$ 33,89 bilhões pagos neste ano, R$ 18,55 bilhões correspondem a emendas individuais, R$ 7,68 bilhões a emendas de comissão e R$ 7,28 bilhões a emendas de bancada estadual.

Outros R$ 386 milhões referem-se ao pagamento de emendas remanescentes do antigo “orçamento secreto” e de dotações autorizadas em exercícios anteriores.

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