Política

CAMPO GRANDE

Condenados por tráfico de drogas estão na lista de programa da prefeitura

Proinc, programa criado para a limpeza urbana, foi inflado e tem mais de 2,8 mil pessoas, incluindo condenados por tráfico

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A lista em poder dos vereadores de Campo Grande que indica que há no Programa de Inclusão Profissional (Proinc) da prefeitura da Capital 2.856 pessoas beneficiadas, sob um gasto de aproximadamente R$ 3,5 milhões por mês na folha de pagamento do município, tem até pessoas condenadas por tráfico.  

Uma das pessoas é uma mulher que desde 17 de fevereiro de 2016 integra o programa e recebe o benefício por meio de contrato com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) para desempenhar serviços gerais de limpeza. 

O Correio do Estado pesquisou o nome no Portal da Transparência da Prefeitura de Campo Grande e encontrou registro apenas do mês de julho de 2022, que mostra que ela ainda é contemplada pelo Proinc com uma bolsa-auxílio no valor de R$ 1.172,00. O portal também indica que ela tem 29 dias de participação no cargo.

A funcionária citada acima foi condenada pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Ponta Porã, por tráfico de drogas, e presa em flagrante ao tentar embarcar com 10,480 kg de maconha em um ônibus que saía de Ponta Porã (MS) com destino a Campo Grande. 

O delito ocorreu em abril de 2018. Ela pegou quatro anos de prisão em regime aberto, tempo que foi convertido em pena restritiva de direitos, em prestação de serviços e prestação pecuniária. 

Após recurso, a pena foi reduzida para um ano e oito meses e mantida a conversão em pena restritiva de direitos. A ação penal transitou em julgado em 7 de julho de 2021, porém, a condenada ainda não foi devidamente intimada para iniciar o cumprimento de sua pena.

Outro funcionário do setor da limpeza da Agetran que é beneficiário do Proinc também foi condenado por tráfico, porém, em regime fechado. 

O beneficiário aparece na lista desde maio de 2018. No site do município de Campo Grande, contudo, ele aparece apenas em julho de 2022, onde constam 30 dias de participação no cargo e recebimento no valor total de R$ 2.930,60.

O funcionário da Agetran foi condenado pela 6ª Vara Criminal a 12 anos, 2 meses e 26 dias de prisão em regime fechado, mas recorreu da decisão. Ele é representado pela Defensoria Pública Estadual, que ainda deverá apresentar as razões do recurso. Não é possível estimar uma data para julgamento no Tribunal de Justiça.

O Proinc também atende egressos do sistema prisional, porém, não aqueles que estiverem em cumprimento de sentença.

Assédio

Do mesmo programa ainda participava uma das mulheres que denunciou o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PSD) por assédio sexual. 

No inquérito consta que ela manteve relações sexuais com o ex-prefeito e que foi empregada no programa, porém, sem precisar trabalhar. Conforme depoimento, o ex-mandatário disse que era para ela ficar “livre”.  

Proinc

O Proinc é um programa de inclusão social ligado à Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat), e a renda familiar da pessoa não pode ser maior do que um salário mínimo. A pessoa é encaminhada para o programa, em que fará um curso e terá um trabalho relacionado com o que aprendeu. 

Por exemplo, se ela fez um curso de auxiliar de cozinha, então, será direcionada a algum órgão vinculado ao município e encaixada nessa atividade. Os benefícios do Proinc incluem um salário mínimo por mês, uma cesta básica, alimentação, passe de ônibus e acesso a cursos profissionalizantes.  

O Proinc é fruto de uma lei municipal, que determina que o número de vagas não ultrapasse 9% do número de servidores.

CPI

O vereador André Luis Soares da Fonseca, o Professor André (Rede), recorreu à Justiça no ano passado para obter a relação dos beneficiados do Proinc, mas, ainda assim, não teve acesso. Na semana passada, uma relação dos supostos beneficiários do programa foi divulgada pela prefeitura, mas o vereador acredita que não seja a lista original. 

“Não acredito na lista pública, quero uma lista original. Acho que aquela que está no site foi plantada para tirar o foco da original”, desconfia o parlamentar.

Segundo o vereador, atualmente, a Prefeitura de Campo Grande tem 18 mil servidores públicos concursados, porém, 2.856 estão no programa. Essas 10 mil pessoas “extras” são contratadas por meio de processos seletivos , não são servidores de carreira, e sim agentes públicos.

“Existem psicólogos com consultórios, influencers de lifestyle e militares da reserva que recebem o Proinc. O programa está completamente desvirtuado. Fiz uma denúncia no Ministério Público do Trabalho [MPT], para chefe do MPT, mas não se mostraram interessados. Denunciei ao Ministério Público Estadual, mas este também não se interessou pela situação. Então, propus um mandado de segurança para pedir a lista do Proinc. Mandei dois ofícios para a Funsat e pedi todos os dados que mostrassem quem são as pessoas que recebem o benefício, quais atividades desempenham, quanto recebem, porém, não obtive respostas”, explicou Professor André.

O vereador ganhou na 1ª instância o direito de ter acesso à lista, mas a prefeitura não liberou, o que fez o parlamentar entrar com uma execução de sentença para que a lista seja entregue.

 “Pedi da data da propositura da ação, que foi em junho de 2021. O motivo é que fiquei sabendo que eles estão mandando muitos beneficiários embora, para regularizar as pessoas que estavam fora do período e passaram do limite da lei”. 

O parlamentar afirmou que insistirá na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas acredita que a Casa não abrirá investigação. 

“A Câmara é muito ‘boazinha’ e, com certeza, não vai abrir a CPI para investigar essa situação”, indignou-se o parlamentar, que acompanha o caso do Proinc desde o ano passado.

2.856 empregados no Proinc

O Programa de Inclusão Profissional (Proinc) da Prefeitura de Campo Grande, segundo lista a que a imprensa teve acesso, tinha 2.856 pessoas beneficiadas. Não há processo seletivo criterioso para a contratação. 

ELEIÇÕES 2026

De olho na reeleição, Dr. Luiz Ovando pode substituir PP pelo Republicanos

O deputado federal vislumbraria que na nova legenda as chances de sucesso no pleito seriam maiores que na atual

21/03/2026 08h00

O deputado federal Dr. Luiz Ovando estaria estudando trocar de partido na janela partidária

O deputado federal Dr. Luiz Ovando estaria estudando trocar de partido na janela partidária Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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Com a confirmação de que os deputados federais tucanos Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende vão continuar no PSDB, a bola da vez para ingressar no Republicanos em Mato Grosso do Sul é o deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP).

Conforme apuração do Correio do Estado, de olho na reeleição para mais um mandato na Câmara dos Deputados, o parlamentar estaria considerando trocar de legenda por entender que no Republicanos a chance de vencer o pleito seria maior do que no PP.

Afinal, nas eleições deste ano, o PP e o União Brasil formaram a federação partidária União Progressista e a chapa para a Câmara dos Deputados terá nomes de peso, como o da ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil), entre outros.

No Republicanos, Dr. Luiz Ovando terá, provavelmente, a companhia do deputado federal Beto Pereira, que deve deixar o PSDB, tornando ambos os nomes mais fortes na chapa para a Câmara dos Deputados pelo partido.

Antes, a legenda trabalhava com a possibilidade de receber os três deputados federais do PSDB – Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende e Beto Pereira –, agora, com as prováveis idas de Dr. Luiz Ovando e Beto Pereira, o partido terá apenas dois pré-candidatos como protagonistas para a Câmara.

SEM CHANCES

Procurado pela reportagem para comentar a provável troca do PP pelo Republicanos, o deputado federal disse que não está mudando de partido.

“Não estou mudando de partido. Eu quero esclarecer que continuo firme, convicto, determinado no PP. Há alguns que querem me tirar do PP, não vou sair, continuo firme no PP e conto com você em todas as instâncias do nosso partido”, afirmou.

Ele completou que tem plena convicção de que segue no caminho certo.

“Recebo com responsabilidade e firmeza o apoio do PP em nível nacional, em Brasília [DF], e também do PP em Mato Grosso do Sul, onde sigo como vice-presidente, ao lado da nossa senadora Tereza Cristina, uma liderança que representa equilíbrio, experiência e inabalável compromisso com o Brasil”, declarou.

Dr. Luiz Ovando ressaltou que esse respaldo não é apenas político, mas a reafirmação de que está alinhado a valores que não se negociam: a defesa da vida, da família e da liberdade.

“É também a certeza de que não nos curvaremos diante de excessos que fragilizam a democracia, como decisões monocráticas do Judiciário, que, muitas vezes, se sobrepõem à vontade soberana do povo”, argumentou.

Conforme o parlamentar sul-mato-grossense, ele tem atuado “com firmeza no Congresso Nacional, em pautas que fortalecem o produtor rural e impulsionam a economia, e, de forma prioritária, na segurança pública, porque o brasileiro não suporta mais viver refém da violência”.

“O nosso compromisso é com quem trabalha, produz e deseja viver com dignidade, ordem e proteção. Seguimos com coerência, coragem e lado definido: o Progressistas. Política não é conveniência, é convicção. E é com essa coerência que seguirei pautando minha atuação”, concluiu.

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Eleições 2026

TRE-MS amplia atendimento para regularização do título de eleitor

Justiça Eleitoral amplia atendimento para reduzir filas e incentivar regularização antes do prazo final

21/03/2026 00h01

Corregedor do TRE-MS, Sérgio Martins

Corregedor do TRE-MS, Sérgio Martins Eduardo Miranda

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O vice-presidente e corregedor regional da Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, Sérgio Fernandes Martins, ampliou o horário de atendimento para regularização do título eleitoral nos cartórios eleitorais na capital, no interior do Estado e em centros de atendimento.

A partir do dia 6 de abril, o horário para regularização do título de eleitor será de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Atualmente, a Justiça Eleitoral atende os eleitores que precisam regularizar seus documentos entre 12h e 18h.

“A demanda está grande nos postos de atendimento, e há muita gente para regularizar o título de eleitor”, explicou Sérgio Martins ao Correio do Estado.

O recadastramento e a regularização facilitam o processo eleitoral, que deve se acentuar no segundo semestre deste ano. O eleitor que busca a Justiça Eleitoral tem a oportunidade de regularizar sua situação perante a Justiça, situação cabível aos que deixaram de votar nas eleições passadas.

Também é possível transferir o domicílio eleitoral e adequar o registro com parâmetros biométricos. Conforme Sérgio Martins, Mato Grosso do Sul tem pouco mais de 2 milhões de eleitores, e 10% ainda não têm cadastro biométrico.

“O Estado recebeu muitos migrantes nos últimos anos. Acreditamos que o recadastramento pode ter impacto no número de eleitores de Mato Grosso do Sul”, explicou o corregedor regional da Justiça Eleitoral, Sérgio Martins.

A regularização eleitoral está disponível nos cartórios eleitorais de todas as comarcas. Em Campo Grande, eles estão localizados na Rua Delegado José Alfredo Hardman, 180, Jardim Veraneio. Também há atendimento eleitoral no Centro Integrado de Justiça (CIJUS), das 12h às 18h.

“A partir de 6 de abril, exatamente um mês antes do fim do prazo para cadastro eleitoral, o atual Memorial da Cultura de Campo Grande, o antigo Fórum, localizado na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, também irá oferecer atendimento à população”, informou Sérgio Martins.

Para o corregedor do TRE-MS, a iniciativa tem o objetivo de facilitar o acesso da população aos serviços da Justiça Eleitoral. “De qualquer forma, nossa orientação é que os eleitores não deixem para a última hora, para evitar filas e aglomerações”, lembrou.

Quem não estiver em dia com a Justiça Eleitoral não poderá votar em outubro. Além da transferência de domicílio e regularização, o eleitor também poderá alterar endereço ou local de votação, tirar o primeiro título eleitoral e atualizar seus dados cadastrais ou biométricos.

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