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CPI do Banco Master: Toffoli se declara suspeito para assumir relatoria; entenda

Suspeição ocorre quando o magistrado admite relações pessoais ou inimizade com algum citado no curso da investigação

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O ministro Dias Toffoli alegou 'foro íntimo' e se declarou suspeito nesta quarta, 11, para relatar a ação que pede a instalação da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados.

A suspeição ocorre quando o magistrado admite relações pessoais ou inimizade com algum citado no curso da investigação.

O ministro, entretanto, afirmou no despacho de sete páginas que "foram definitivamente afastadas, por decisão transitada em julgado, quaisquer hipóteses de suspeição ou de impedimento da minha atuação nos processos da chamada Operação Compliance Zero" Ou seja, o ministro indica que deve votar a partir de sexta-feira, 13, no julgamento da segunda turma que vai referendar ou não a prisão, pela segunda vez, do banqueiro Daniel Vorcaro.

O sorteio da relatoria ocorreu depois de o ministro ter deixado, em 12 de fevereiro, a condução do inquérito que investiga os crimes supostamente cometidos pelos controladores do Master.

O afastamento de Toffoli ocorreu após uma reunião reservada entre os dez ministros da Corte. Na ocasião, eles decidiram retirar Toffoli do caso, sem declarar formalmente sua suspeição ou impedimento.

Ao abrir mão da relatoria, o ministro amparou a alegação de 'foro íntimo' no artigo 145, parágrafo 1º do Código de Processo Civil, "há suspeição do juiz quando amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados".

O ministro não revelou, porém, a quem se refere como 'amigo íntimo' ou desafeto nos autos da Compliace Zero.

A questão da CPI no Supremo foi apresentada pelo deputado federal e ex-governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O parlamentar solicita a abertura da comissão para apurar suspeitas de fraudes envolvendo a negociação da compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.

Na petição enviada ao Supremo, o deputado Rodrigo Rollemberg afirma que há um "ato omissivo inconstitucional" do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao não instalar a CPI destinada a investigar "as fraudes ocorridas na relação entre o Banco Master e o BRB".

"A prolongada inércia na investigação de graves fraudes financeiras, como as que envolvem o Banco Master e o BRB, pode causar danos irreparáveis ao sistema financeiro, à confiança dos investidores e à própria imagem da fiscalização parlamentar", atesta o deputado na petição.

Na avaliação de Rollemberg, a investigação tem relevância nacional "inquestionável", já que, segundo ele, o escândalo indicaria ligações "profundas e preocupantes" do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, com integrantes dos três poderes

"Há indícios de que tais relações, cultivadas inclusive por meio de eventos sociais e financiamento de campanhas, poderiam ter influenciado operações financeiras e decisões políticas", protesta Rollemberg.

O pedido sustenta que, uma vez cumpridos os três requisitos constitucionais - apresentação de requerimento por um terço dos deputados, indicação de fato determinado e definição de prazo para investigação -, a instalação da CPI passa a ser um ato obrigatório da Presidência da Câmara, e não uma decisão discricionária de Motta.

Estadão pediu manifestação do presidente da Câmara sobre as alegações, mas não havia recebido retorno até a publicação deste texto. O espaço está aberto.

Rollemberg afirma que o requerimento para criação da CPI foi protocolado em 2 de fevereiro com o apoio de 201 deputados, número superior ao mínimo de um terço dos integrantes da Câmara. Segundo o parlamentar, o pedido também indica um fato determinado a ser investigado e estabelece prazo para a apuração, o que, em sua avaliação, cumpre todos os requisitos previstos na Constituição para a instalação de uma CPI.

O deputado sustenta que Hugo Motta declarou publicamente que não poderia instalar a CPI sob o argumento de que existiria uma "fila" de requerimentos anteriores aguardando análise. Para Rollemberg, essa justificativa não encontra respaldo no Regimento Interno da Câmara, que apenas limita a cinco o número de CPIs funcionando simultaneamente.

O parlamentar afirma ainda que, no dia seguinte ao protocolo do pedido, apresentou uma questão de ordem para contestar a posição do presidente da Casa. Passados mais de 30 dias, segundo ele, não houve qualquer medida para dar andamento ao requerimento, nem resposta à questão apresentada.

De acordo com a petição, o pedido de criação da CPI sequer foi formalmente lido em plenário e não aparece no sistema da Câmara. 

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ELEIÇÕES 2026

Ex-secretários e vice-prefeita disputam suplência de Azambuja

Três nomes estariam no páreo para a vaga na chapa que será encabeçada pelo ex-governador de Mato Grosso do Sul

13/04/2026 08h00

O ex-secretário Felipe Mattos, a vice-prefeita Gianni Nogueira e o ex-secretário Jaime Verruck

O ex-secretário Felipe Mattos, a vice-prefeita Gianni Nogueira e o ex-secretário Jaime Verruck Montagem

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A disputa pela primeira-suplência na chapa ao Senado encabeçada pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PL em Mato Grosso do Sul, já movimenta os bastidores da política sul-mato-grossense a seis meses das eleições do dia 4 de outubro. 

De acordo com apurações do Correio do Estado, com a pré-candidatura de Azambuja ainda em articulação, mas praticamente com uma das duas vagas já assegurada pelas lideranças nacionais do PL, três nomes despontam como postulantes ao posto estratégico na composição eleitoral.

Trata-se do ex-secretário de Estado de Fazenda Felipe Mattos, apontado como favorito, da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), vista como a “azarona” do trio, e do ex-secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação Jaime Verruck (Republicanos), tido como o preferido pelo governador Eduardo Riedel (PP).

Favorito para ficar com a vaga, Felipe Mattos tem como trunfos para garantir espaço na chapa a experiência administrativa e a proximidade com a gestão do ex-governador, afinal, ele esteve na administração Azambuja desde o primeiro mandato. 

Ele começou como consultor jurídico e, em janeiro de 2019, assumiu a Secretária de Estado de Fazenda (Sefaz), onde era o homem de confiança do então governador, sendo o responsável por azeitar a máquina econômica sul-mato-grossense. 

Quando Felipe Mattos chegou ao governo, o Estado arrecadava em torno de R$ 10 bilhões anuais e, quando deixou o cargo, em março de 2022, a arrecadação estava em R$ 18 bilhões ao ano, sendo investidos R$ 3 bilhões em obras só na parte viária.

Outro nome na disputa, Jaime Verruck também carrega bagagem técnica e trânsito político dentro da gestão do ex-governador e do atual governador, pois esteve à frente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) desde 2015.

Ou seja, ao longo dos últimos 11 anos, ele esteve no comando da secretaria, o que lhe deu o título de “supersecretário”, tanto na administração de Azambuja quanto na de Riedel. Verruck, que tem trajetória na indústria, assumiu o cargo de secretário em janeiro de 2015, no primeiro mandato de Azambuja, e se consolidou como o secretário mais longevo do Estado. 

Por ter perfil técnico, esteve no comando de negociações e reestruturações estaduais, como incentivos fiscais e atração de investimentos. Fechando a lista de interessados, aparece a vice-prefeita Gianni Nogueira, que fortalece sua candidatura com base política na segunda maior cidade do Estado e pelo vínculo com o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), o Gordinho do Bolsonaro, de quem é esposa.

A definição do nome que ocupará a primeira-suplência é considerada peça-chave na estratégia eleitoral, já que o posto pode ampliar alianças regionais, fortalecer a capilaridade da campanha e garantir sustentação política ao projeto do PL em Mato Grosso do Sul. 

Nos bastidores, lideranças partidárias avaliam não apenas o peso político de cada pré-candidato, mas também critérios como densidade eleitoral, capacidade de articulação e equilíbrio regional. A expectativa é de que a escolha seja feita nas próximas semanas, à medida que avançam as negociações para a formação completa da chapa.

Questionado pelo Correio do Estado sobre qual dos três nomes deve ser escolhido, Reinaldo Azambuja desconversou, dizendo que ainda está muito cedo para isso, porém, não negou que Felipe Mattos, Jaime Verruck e Gianni Nogueira estejam no páreo.

“Para ser bem sincero, ainda não me decidi. Vou analisar as alternativas para tomar essa decisão mais adiante, pois o primeiro-suplente terá um papel estratégico dentro da minha campanha eleitoral”, declarou.

Embora não seja eleito diretamente pelo voto, o primeiro-suplente pode acabar exercendo mandato por longos períodos, afinal, ele tem de assumir o cargo sempre que o senador se afasta, seja por licença, doença, viagem ou para ocupar outro cargo (como ministro, secretário ou governador).

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MUNDO

Orbán reconhece oficialmente derrota 'dolorosa' nas eleições na Hungria

A derrota do premiê Viktor Orbán marca o fim de 16 anos de governo e abre espaço para a oposição liderada por Peter Magyar, que já recebe apoio de líderes europeus e sinaliza uma reaproximação do país com a União Europeia

12/04/2026 17h30

A derrota do premiê Viktor Orbán marca o fim de 16 anos de governo

A derrota do premiê Viktor Orbán marca o fim de 16 anos de governo Divulgação

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O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, admitiu neste domingo, 12, que o seu partido, o Fidesz, foi derrotado nas eleições parlamentares. Ele disse que o resultado é "doloroso".

Encerra-se assim o período de 16 anos no poder de uma figura poderosa no movimento de extrema-direita global.

Aliado dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, Orbán foi oposição a uma série de políticas da União Europeia.

"Parabenizei o partido vitorioso", disse Orbán aos apoiadores em Budapeste. "Vamos servir a nação húngara e nossa pátria também a partir da oposição".

Os resultados oficiais iniciais mostram o partido Tisza, do líder da oposição Peter Magyar, dominando a eleição. 

Líderes europeus falam em união e parabenizam Magyar

Diante do resultado parcial da eleição parlamentar na Hungria, autoridades europeias se manifestaram sobre a vitória de Peter Magyar, do partido de oposição. A eleição, ainda em apuração neste domingo, 12, é considerada a mais importante da Europa neste ano. Líder de extrema-direita, o primeiro-ministro Viktor Orbán, que ficou no poder por 16 anos, reconheceu a derrota.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que conversou com Magyar para parabenizá-lo pela vitória na Hungria. "A França saúda a vitória da participação democrática, a adesão do povo húngaro aos valores da União Europeia, bem como o compromisso europeu da Hungria. Avancemos juntos em direção a uma Europa mais soberana, pela segurança do nosso continente, pela nossa competitividade e pela nossa democracia", disse na rede social X.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também postou no X que "o coração da Europa está batendo mais forte na Hungria esta noite", ao se deparar com o resultado da derrota de Órban nos resultados parciais. Ela afirmou que a Hungria escolheu a Europa e que o país reivindica seu caminho no continente, com a união se fortalecendo.

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, parabenizou Magyar pela vitória que ele chama de "histórica". "Estou ansioso para trabalhar de perto com você - como Aliados e Membros da UE. Isso marca um novo capítulo na história da Hungria", disse em postagem no X.

A vitória da oposição à Orban também foi motivo de parabenização pelo chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Em sua rede social, ele afirmou estar ansioso pela "colaboração por uma Europa forte segura e, acima de tudo, unida".

O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr, também parabenizou Magyar e seu partido pela vitória. "Aguardo com expectativa uma cooperação próxima e construtiva na busca pela paz e estabilidade, democracia e o Estado de direito em nosso continente", disse.

As urnas ainda não foram 100% apuradas, mas o resultado parcial indica a derrota de Órban, que já se pronunciou em Budapeste admitindo a vitória da oposição.

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