Requerimento produzido pelo deputado federal de Mato Grosso do Sul, Rodolfo Nogueira, do PL, e assinado por 61 congressistas reivindica que o Itamaraty e também o governo de Lula certifiquem o Hamas como uma organização terrorista. A informação foi noticiada inicialmente pelo site poder360 e a agência Estadão.
Hamas, corporação islâmica com ala militar entrou em guerra com Israel depois de atacar o território vizinho, no sábado (7). Até esta quarta-feira (11) autoridades locais contavam cerca de 2 mil mortos no conflito.
Conforme o documento preparado pelo parlamentar sul-mato-grossense, conhecido como Gordinho do Bolsonaro:
“A declaração oficial do Hamas como organização terrorista é de extrema importância para que o governo brasileiro possa tomar medidas firmes contra a organização. Essas medidas podem incluir a organização do Hamas na lista de organizações terroristas do Brasil, o congelamento de seus bens e a proibição de suas atividades no país”.
Diz ainda o publicado pelo poder360, que o deputado Rodolfo Nogueira, afirmou que: “esse ataque [o de sábado] é uma prova clara de que o Hamas é uma organização terrorista que não se importa com a vida de civis. A organização está disposta a usar a violência para atingir seus objetivos, um desses objetivos inclui a destruição do Estado de Israel”.
Sustenta também o material do poder360 que o Brasil adota a postura de só considerar um grupo terrorista se assim ela for considerada pela ONU, a Organização das Nações Unidas. Atualmente, diz o site, três organizações se encaixam nesse critério e são reconhecidas pelo governo brasileiro como terroristas: Boko Haram, surgido na Nigéria; Al-Qaeda, no Paquistão e o Estado Islâmico, criado no Iraque.
Dos 61 deputados que assinaram o requerimento proposto pelo Gordinho do Bolsonaro, narra o poder360, 42 integram o PL, que é a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, um do Podemos, outro do Novo. Já entre os 17 restantes, surgem partidários que chefiam ministérios do governo de Lula. São eles: o PP, 6, o União Brasil, 4, MDB, 2 e o Republicanos, 3 e PSD, 2.
Entre os parlamentares da Câmara dos Deputados que rubricaram o requerimento que quer que o Brasil considere o Hamas como grupo terrorista, está o presidente da FPA, Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, do PP do Paraná. A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina, também do PP já chefiou a FPA.
Ao menos até a tarde desta quarta-feira, o requerimento de Rodolfo Nogueira, contava apenas com sua assinatura da bancada sul-mato-grossense na Câmara dos Deputados, composta por oito parlamentares.
A Câmara dos Deputados é composta por 513 deputados.
O documento foi encaminhado ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Itamaraty diz que avaliação do Hamas será debatida na ONU
Também nesta quarta, informou a Agência Estadão, o embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, secretário da África e do Oriente Médio, disse que a classificação do Hamas como "grupo terrorista" pelo Brasil será debatida no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Hoje, a entidade não usa essa nomenclatura para a organização fundamentalista islâmica.
O embaixador disse que a posição do governo brasileiro foi "muito clara e muito forte" e que, por enquanto, não há data para a próxima reunião do Conselho. Segundo ele, outro embaixador, Sérgio França Danese, que é representante permanente do Brasil na ONU, está engajado em consultas para "obter consensos" entre os membros do colegiado.
Após pressão, Lula faz novo pronunciamento
Neste mês de outubro, segundo noticiou Estadão, o Brasil está presidindo o Conselho de Segurança. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido criticado pela falta de uma condenação enfática do Hamas. Diante dessa pressão, o presidente fez um novo pronunciamento, direcionado ao secretário-geral da ONU, pedindo a liberação das crianças feitas reféns pelo Hamas, o cessar-fogo na Faixa de Gaza e "intervenção humanitária internacional".
"É preciso que o Hamas liberte as crianças israelenses que foram sequestradas de suas famílias. É preciso que Israel cesse o bombardeio para que as crianças palestinas e suas mães deixem a Faixa de Gaza através da fronteira com o Egito. É preciso que haja um mínimo de humanidade na insanidade da guerra. É urgente uma intervenção humanitária internacional. É urgente um cessar fogo em defesa das crianças israelenses e palestinas", escreveu Lula nas redes sociais, informou o Estadão.


