Política

DENÚNCIA

Deputado promete abrir a "caixa-preta" de mineradora dos irmãos Batista em MS

Paulo Duarte já apresentou requerimento cobrando explicações da LHG Mining sobre a queda da compensação financeira

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O deputado estadual Paulo Duarte (PSB) informou, na sexta-feira, com exclusividade ao Correio do Estado, que nos próximos dias pretende se reunir com a gerência regional da Agência Nacional de Mineração (ANM) para cobrar providências da LHG Mining pela queda no valor repassado de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) aos municípios de Corumbá e Ladário.

A LHG Mining, que comprou os ativos da Vale em MS, é uma das dezenas de empresas que integram a holding J&F Investimentos, pertencente ao clã familiar de José Batista Sobrinho e seus filhos José Batista Júnior, Wesley Batista e Joesley Batista.

Na sessão desta quinta-feira da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), Paulo Duarte denunciou que, mesmo tendo um aumento substancial na quantidade de exportação de minérios extraídos nos dois municípios, a LHG Mining, inexplicavelmente, reduziu o valor do repasse de Cfem no primeiro trimestre.

“A Cfem é um importante instrumento de compensação pelos impactos da mineração e de promoção do desenvolvimento das regiões produtoras. Os recursos arrecadados via Cfem podem ser utilizados para financiar projetos que beneficiem as comunidades locais e contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população”, argumentou.

Como auditor fiscal da Receita Estadual, o parlamentar afirmou que está havendo sonegação no repasse de Cfem, pois “há grandes grupos que realizam a exploração mineral nos municípios de Corumbá e Ladário, deixando um passivo ambiental, sem praticamente nenhuma contrapartida econômica e social para a região”.

“CAIXA-PRETA”

Diante desse cenário, o parlamentar pretende formar uma parceria com a gerência estadual da ANM para, como ele reforçou, “abrir a ‘caixa-preta’” para identificar possíveis falhas no sistema utilizado pela LGH Mining para determinar o valor de Cfem para os dois municípios.

“É preciso abrir essa ‘caixa-preta’ da mineradora e acabar com essa história de a empresa pagar aquilo que bem entende, de não ter nenhuma fiscalização e nenhum acompanhamento das exportações”, declarou Paulo Duarte.

O deputado estadual explicou que vai propor o convênio com a ANM para que as prefeituras de Corumbá e Ladário acompanhem criteriosamente o montante exportado e o pagamento correspondente de Cfem.

“A conta não fecha! Os caras aumentam a exportação e o faturamento, porém, reduzem o pagamento do tributo devido”, reclamou.

Na quinta, ele já entregou à Mesa Diretora da Alems um requerimento cobrando esclarecimento dos seguintes pontos: (1) qual a quantidade de minério exportado dos municípios de Corumbá e Ladário no primeiro trimestre de 2024 e (2) qual a quantidade de minério exportado dos municípios de Corumbá e Ladário no trimestre deste ano.

Já em relação à Cfem, o deputado estadual solicitou as seguintes informações: (1) qual o montante repassado aos municípios de Corumbá e Ladário referente ao primeiro semestre de 2024, (2) qual o valor repassado às mesmas prefeituras referente ao primeiro trimestre deste ano e (3) se houve uma diferença do primeiro trimestre de 2024 para o primeiro trimestre deste ano e qual o motivo.

“As respostas para esse requerimento solicitando informações à ANM trará esclarecimentos necessários para garantir o repasse correto e justo dos recursos de Cfem para serem utilizados de forma eficaz em benefício de Corumbá e Ladário”, assegurou.

OUTRO LADO

Em nota oficial enviada ao Correio do Estado, a assessoria de imprensa da mineradora contestou as declarações. 

“A LHG Mining informa que paga os valores de Cfem em dia, reafirmando o seu compromisso com a gestão transparente dos recursos minerais”, comunicou.

Entretanto, o parlamentar refutou o comunicado. 

“Se tem uma coisa que não existe no pagamento de Cfem aos municípios de Corumbá e Ladário é transparência. A própria nota da empresa é quase uma confissão de culpa quando diz que paga a compensação em dia. Pode ser até que pague em dia, porém, não paga aquilo que é devido. Reafirmo que está havendo uma sonegação”, concluiu.

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Mato Grosso do Sul

Justiça inocenta Reinaldo Azambuja da delação da JBS

Além do ex-governador, conselheiro do TCE-MS, Márcio Monteiro; prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra; e o deputado estadual Zé Teixeira (PL) estão livres das acusações feitas pelo MPF

02/06/2026 15h13

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja Marcelo Victor

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A ministra Maria Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), recebeu determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e não deu seguimento à acusação feita pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-governador Reinaldo Azambuja Silva (PL), o conselheiro Marcio Campos Monteiro, do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra Ribeiro (PSDB), e o deputado estadual Zé Teixeira (PL).

Em seu despacho, datado de fevereiro deste ano, Maria Isabel Gallotti afirma que o ministro Dias Toffoli decidiu não haver justa causa para o prosseguimento da ação penal contra os quatro, sobretudo porque, segundo o ministro do STF, era baseada apenas na “narrativa de colaboradores” – no caso, os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. 

“Na espécie, a meu sentir, encontra-se ausente esse substrato probatório de corroboração que autorize a deflagração da ação penal”, afirmou Toffoli cujas aspas também foram destacadas pela ministra do STJ em seu despacho.

A acusação do MPF, que o ministro do STF entendeu não haver provas e que o STJ confirmou, acusava os quatro de organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Azambuja, Marcio Monteiro, Nelson Cintra e Zé Teixeira foram livrados dessas acusações.

A decisão de Toffoli que trancou a ação penal contra Azambuja ainda se focou na violação do princípio da razoável duração do processo, uma vez que a denúncia foi oferecida em 2020, ratificada em 2022 e ficou sem ser apreciada por quase cinco anos. O outro elemento, como já destacado, foi a insuficiência probatória, já que se amparava apenas na delação premiada dos irmãos Batista, donos da JBS, sem corroboração probatória.

Na época, a acusação do MPF usou a delação dos donos da JBS para acusar os quatro inocentados por Toffoli, e outros quatro investigados por um esquema de pagamento de propina por meio de devolução dos incentivos fiscais.

 
SERENIDADE

O caso já tem oito anos e nesse tempo passou pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-MS), STJ e STF e, no fim, o próprio MPF pediu o seu arquivamento. 

No itinerário, houve quebra do sigilo de mais de 3 mil contas bancarias e ouvidas mais de 300 pessoas no curso da investigação, sem que houvesse provas que confirmassem a delação, até a absolvição final de Reinaldo Azambuja, já transitada em julgado.

Procurado pelo Correio do Estado para comentar a decisão, o ex-governador Reinaldo Azambuja afirmou que recebeu com tranquilidade o arquivamento definitivo do caso relacionado à Operação Vostok e às delações dos empresários Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS.

“Recebi com serenidade e renovada fé na Justiça a decisão de extinção e arquivamento, em última instância, das descabidas acusações contra mim, no âmbito da Operação Vostok, relacionada às delações do grupo JBS”, declarou o presidente estadual do PL e pré-candidato a senador da República.
Azambuja afirmou que enfrentou “oito longos anos de sofrimento pessoal e da família”, período em que afirmou ter sido foi alvo de ataques e injustiças, apesar de nunca ter se tornado réu no processo.

“Foram oito longos anos de sofrimento pessoal e da minha família, vítimas de repetidos ataques e injustiças, apesar de sequer ter sido recebida denúncia formal contra mim no Judiciário. No absurdo das operações de criminalização da política, jamais estive na posição de réu”, disse.

O ex-governador também destacou que o arquivamento ocorreu por ausência de provas e que a decisão transitou em julgado sem recurso do MPF. 

“Por total ausência de provas, o processo foi arquivado, com o devido trânsito em julgado e sem que o acusador – o Ministério Público Federal – tenha recorrido da decisão”, afirmou.

Por fim, Azambuja agradeceu o apoio recebido ao longo do processo e disse que pretende seguir atuando na vida pública. 

“Agradeço a Deus, à minha família, aos companheiros de jornada e principalmente à população de Mato Grosso do Sul pelo apoio incondicional e confiança inabalável. Por isso, jamais esmoreci; jamais perdi minhas convicções e esperança. Sigo em frente, com o mesmo compromisso com Mato Grosso do Sul e a coragem necessária para fazer as mudanças que o Brasil precisa”, concluiu.

Ex-governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo AzambujaVeja a decisão que livrou Reinaldo Azambuja das acusações

ARTICULAÇÃO

Nelsinho lidera debate sobre novo tarifaço dos EUA e pede diplomacia para evitar escalada da crise

Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado defende negociação direta com aliados de Trump e alerta que retaliações podem ampliar a crise comercial

02/06/2026 14h14

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federa, o senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad está à frente da questão na Casa de Leis

Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federa, o senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad está à frente da questão na Casa de Leis Geraldo Magela/Agência Senado

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Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado agora há pouco, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), informou que já mobilizou o Congresso Nacional para discutir os possíveis impactos da proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o que deve entrar em vigo nos próximos 40 dias.

O tema está sendo debatido na tarde desta terça-feira (2) pelos integrantes da comissão, diante da preocupação com os reflexos da medida sobre a economia nacional. Em meio à crise comercial, Trad defendeu que a resposta brasileira seja pautada pela serenidade, diálogo e responsabilidade. 

O senador também orientou representantes do setor produtivo, entidades de classe e empresas a levantarem os impactos concretos da taxação e encaminharem essas informações ao Congresso, a fim de subsidiar as discussões e eventuais medidas de reação.

Na avaliação do parlamentar, algumas alternativas cogitadas pelo Brasil apresentam baixa probabilidade de sucesso e podem até agravar o cenário. Entre elas está a judicialização da medida nos Estados Unidos, considerada pouco viável porque a legislação americana que embasa a taxação concede ampla discricionariedade ao Poder Executivo. 

Outra possibilidade seria uma contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas Trad avalia que a iniciativa teria efeito apenas simbólico, diante das limitações atuais do organismo internacional.

O senador também demonstrou preocupação com a eventual aplicação da chamada Lei da Reciprocidade. Segundo ele, a medida equivaleria a uma "bomba atômica" nas relações bilaterais, com potencial para ampliar ainda mais o tensionamento entre os dois países.

Como alternativas mais eficazes, Trad defende a intensificação do diálogo diplomático com atores capazes de influenciar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além da busca por aliados dentro do Congresso norte-americano que possam questionar ou tentar barrar a medida.

Apesar de o embaixador Jamieson Greer, principal negociador comercial dos Estados Unidos, ter sinalizado interesse em manter as negociações abertas até a decisão final prevista para 15 de julho, o senador avalia que o cenário é desafiador.

"A minha percepção é que a decisão já está praticamente tomada, e uma eventual reversão dependeria de o presidente Trump enxergar algum ganho político ou econômico nessa mudança de posição", afirmou.

A movimentação ocorre paralelamente a uma reunião de emergência convocada pelo governo federal em Brasília. O encontro reúne o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, além de integrantes da equipe econômica e diplomática do governo.

Também participam da reunião o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães; o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa; o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti; e o embaixador Maurício Lyrio, representante do Ministério das Relações Exteriores.

A principal estratégia do governo brasileiro é manter aberto o canal de negociação com as autoridades norte-americanas, buscando evitar o agravamento das tensões comerciais e minimizar os prejuízos para os exportadores brasileiros.
 

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