Política

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Deputados retornam hoje e prioridade é aprovar leis que barram a sonegação

Presidente da Casa, Gerson Claro revelou que as principais pautas também incluem questões ambientais e PPPs na saúde

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Após a posse da Mesa Diretora realizada na manhã de ontem, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado estadual Gerson Claro (PP), convocou para a manhã de hoje a abertura da 3ª sessão legislativa da 12ª legislatura da Casa e adiantou para o Correio do Estado que a pauta prioritária para o primeiro semestre será a aprovação de projetos de lei de autoria do Poder Executivo para mitigar a sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“Com o retorno das sessões, será retomada a discussão de alguns projetos de autoria do governo estadual que foram encaminhados no ano passado, com destaque para dois na área tributária. O primeiro trata da autorização para a possibilidade de a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul [PGE-MS] fazer acordos para oferecer descontos, com o objetivo de receber tributos atrasados”, informou.

Já o segundo, conforme ele, aborda a questão das multas aplicadas em relação ao não pagamento do ICMS.

“Na prática, o Fisco estadual poderá estipular multas menores ou maiores de acordo com o histórico do devedor”, pontuou, referindo-se ao projeto de lei enviado no fim de 2024 pelo governador Eduardo Riedel (PSDB) que define, identifica e pune os devedores contumazes de ICMS.

No início deste ano, o Correio do Estado publicou uma reportagem revelando que a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) já identificou pelo menos 20 grandes devedores contumazes que sonegaram ao menos R$ 20 milhões em ICMS.

Esse valor, no entanto, pode ser muito maior, uma vez que R$ 1 milhão é a quantia mínima apurada da dívida para que um contribuinte seja enquadrado como devedor contumaz, ou seja, aquele que deixa de pagar os tributos devidos de forma consciente e reiterada, conseguindo assim uma vantagem competitiva em relação aos demais concorrentes de seu ramo de atividade.

Para piorar a situação, o devedor contumaz – ao declarar e lançar suas operações, mas não pagar o imposto – interrompe a cadeia de substituição tributária, gerando prejuízo tanto para o consumidor (que paga o imposto) quanto para o Fisco (que deixa de receber o valor devido).

O Correio do Estado apurou que essa prática tem aumentado em mais de um setor da economia, mas que tem se tornado frequente no segmento dos combustíveis, em que a atuação do devedor contumaz tem dado algumas vantagens competitivas a donos de postos e distribuidoras.

OUTRAS PAUTAS

O presidente da Alems também citou que as outras pautas prioritárias para o primeiro semestre são as parcerias público-privadas (PPPs) na área da saúde.

“Há o assunto da saúde, com a possibilidade de terceirização de alguns serviços nas redes hospitalares do Estado, como hotelaria, restaurante, limpeza e segurança. Esses serviços poderão ser prestados de forma terceirizada, e o tema começará a ser discutido já no início deste ano”, afirmou.

Na área ambiental, Gerson Claro comentou que o destaque é para o projeto de lei que visa regulamentar o transporte, o armazenamento e a comercialização do pescado oriundo dos rios sul-mato-grossenses.

A proposta, de autoria do deputado estadual Neno Razuk (PL), estabelece diretrizes específicas a serem seguidas pelo período de cinco anos para a proteção da biodiversidade e para a sustentabilidade dos recursos pesqueiros.

Durante esse período, será permitida a pesca nas modalidades pesque e solte e pesca profissional artesanal, desde que respeitadas as condições estipuladas na legislação. Entretanto, todas as modalidades de pesca estarão proibidas durante o período de defeso.

Outra pauta ambiental prioritária é a prorrogação da proibição de captura, embarque, transporte, comercialização, processamento e industrialização da espécie Salminus brasiliensis/maxillosus – o peixe dourado – nos rios estaduais, que perderá a validade a partir de 31 de março.

Já a última pauta prioritária para o primeiro semestre é a regulamentação do Fundo Clima Pantanal, que foi criado pela Lei Estadual nº 6.160/2023 (Lei do Pantanal), sancionada em dezembro de 2013.

Essa ferramenta precisa ser votada pela Casa de Leis, permitindo que o Estado possa arrecadar recursos para financiar a preservação do bioma pantaneiro.

SAIBA

A nova Mesa Diretora da Alems foi empossada ontem, tendo Gerson Claro (PP) na presidência, Paulo Corrêa (PSDB) na 1ª Secretaria, Pedro Kemp (PT) na 2ª Secretaria, Renato Câmara (MDB) na 1ª vice-presidência, Zé Teixeira (PSDB) na 2ª vice-presidência, Mara Caseiro (PSDB) na 3ª vice-presidência e Lucas de Lima (sem partido) na 3ª Secretaria.

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NOVO ENDEREÇO

Beto Pereira anuncia amanhã sua filiação ao Republicanos

Em fevereiro deste ano, o deputado federal havia assumido a presidência do PSDB

25/03/2026 08h25

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos Divulgação

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O deputado federal Beto Pereira oficializa amanhã a troca do PSDB pelo Republicanos para tentar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

A confirmação foi obtida pelo Correio do Estado junto a interlocutores do parlamentar, que deve assumir a presidência estadual do partido em Mato Grosso do Sul no lugar do deputado estadual Antonio Vaz.

A reportagem apurou que a chegada do deputado federal ao Republicanos foi articulada pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) diretamente com o presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), durante reunião em Brasília (DF).

Beto Pereira vai para o Republicanos com a finalidade de consolidar a aliança da legenda com o grupo político de Riedel e Azambuja, que tinha PL, PP, União Brasil e PSDB, e tem como meta a reeleição do governador e a eleição de dois senadores da República, um deles o ex-governador.

Além de Beto Pereira, o Republicanos também ganhará o reforço do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e do deputado estadual Pedro Pedrossian Neto, ambos do PSD, do senador Nelsinho Trad, que informou o apoio à reeleição de Riedel, mesmo que o partido não faça parte dessa ampla aliança.

Com a adesão do grupo governista, o Republicanos projeta montar uma chapa competitiva para a Câmara dos Deputados, com potencial para conquistar ao menos uma vaga, tendo, além de Beto Pereira, a vereadora Isa Marcondes, a Cavala, que foi a mais votada de Dourados nas eleições municipais de 2024.

HISTÓRICO

O deputado federal Beto Pereira, que vai para o RepublicanosO deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos - Forto: Divulgação

Nascido em Campo Grande, em 14 de novembro de 1977, Humberto Rezende Pereira, mais conhecido como Beto Pereira, é formado em Direito e iniciou sua carreira política como prefeito de Terenos. Ele é filho do ex-senador Valter Pereira e tataraneto do fundador da Capital, José Antônio Pereira.

Em 2004, foi eleito prefeito do município de Terenos aos 26 anos, tornando-se o gestor mais jovem do Estado na época. No ano de 2008, foi reeleito com mais de 70% dos votos dos eleitores.

Em 2009, assumiu a presidência da Associação Sul-Mato-Grossense de Municípios (Assomasul) e, em 2012, Beto Pereira se tornou vice-presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM) – o primeiro sul-mato-grossense a assumir essa função.

Em 2014, foi eleito deputado estadual, com 27.182 votos, e, em 2017, assumiu a presidência estadual do PSDB de Mato Grosso do Sul, enquanto em 2018 se elegeu deputado federal, com 80.500 votos.

No ano de 2019, foi eleito secretário-geral do PSDB nacional e, em 2022, foi reeleito deputado federal, com 97.872 votos, por Mato Grosso do Sul.

Em fevereiro de 2023, foi eleito para compor a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Um ano depois, em 2024, foi candidato a prefeito de Campo Grande, mas não conseguiu chegar ao segundo turno.

 

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ELEIÇÕES 2026

Vereadores do PSDB se recusam a servir de escada para deputados estaduais

Os parlamentares municipais da Capital querem na chapa tucana somente um entre Jamilson Name e Pedro Caravina

25/03/2026 08h20

Os deputados estaduais Marcio, Jamilson, Caravina, Lidio e Paulo durante a sessão de ontem

Os deputados estaduais Marcio, Jamilson, Caravina, Lidio e Paulo durante a sessão de ontem Luciana Nassar/Alems

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A formação da chapa para deputados estaduais pelo PSDB em Mato Grosso do Sul deixou de ser uma negociação tranquila para virar o estopim para um motim por parte dos vereadores do partido em Campo Grande que têm pretensões de concorrer a vagas na Assembleia Legislativa do Estado no pleito deste ano.

O Correio do Estado apurou que os vereadores Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha deram um ultimato ao partido depois que foram informados que os deputados estaduais Jamilson Name e Pedro Caravina vão continuar no ninho tucano para tentar a reeleição, inviabilizando que, pelo menos, um parlamentar municipal tenha chance real de ser eleito.

Na semana passada, conforme fontes ouvidas pela reportagem, estava tudo certo para que o deputado estadual Pedro Caravina fosse para o PP, ficando apenas Jamilson Name no partido, com a deputada estadual Lia Nogueira, o que permitiria que os três vereadores tivessem a oportunidade de disputar as cadeiras na Casa de Leis.

Porém, nesta semana, Caravina refez a conta de votos necessários para ser reeleito e constatou que, com os três vereadores na chapa, seria muito mais fácil garantir o retorno à Assembleia Legislativa se continuasse no PSDB do que tentando a sorte no PP, da senadora Tereza Cristina.

CAMPEÕES DE VOTOS

Entretanto, a permanência dele, de acordo com apuração do Correio do Estado, fará com que a chapa fique com dois deputados estaduais campeões de votos, tornando a campanha eleitoral de Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha muito mais difícil, pois dificilmente a chapa fará mais do que três parlamentares na eleição deste ano.

Portanto, com essa matemática, será mais fácil que Jamilson e Caravina sejam reeleitos, restando apenas uma possível cadeira na Assembleia Legislativa para o ninho tucano, que seria disputada pelos três vereadores e ainda pelos deputados estaduais Lia Nogueira e Paulo Duarte, que deve trocar o PSB pelo PSDB.

Por isso, os três vereadores avisaram que não pretendem ser “escada” para os deputados estaduais no pleito deste ano e, caso Jamilson ou Caravina resolvam bater o pé sobre ficar no PSDB, Pitu, Flávio Cabo Almi e Dr. Victor Rocha não serão mais candidatos neste ano, enfraquecendo a chapa.

Para complicar ainda mais a situação, além da chegada de Paulo Duarte, também é cogitada a pré-candidatura do ex-prefeito de Três Lagoas Ângelo Guerreiro como deputado estadual pelo PSDB, outro nome com muitos votos, principalmente, na região da Costa Leste de Mato Grosso do Sul.

OUTRO LADO

Procurados pelo Correio do Estado, os três vereadores não consideraram comentar, mesmo posicionamento do deputado estadual Jamilson Name, enquanto o deputado estadual Pedro Caravina disse que não estava sabendo do ultimato.

“Eu entendo que a chapa desenhada pelo PSDB tem total condição de eleger de quatro a cinco deputados estaduais. Com quatro deputados estaduais de mandato, os três vereadores da Capital e com outras lideranças filiadas, teremos uma chapa muito competitiva”, projetou.

No entanto, ainda conforme Caravina, a decisão de sair candidato não é para agora, mas somente nas convenções. “Agora é filiação, e todos estão filiados”, analisou, prevendo que tudo deve ser resolvido.

Agora, a definição final sobre a formação da chapa para deputados estaduais terá de passar pelas mãos do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e do atual governador Eduardo Riedel (PP), que estão à frente das negociações dos partidos da ampla aliança formada para a reeleição de Riedel e eleição de Azambuja ao Senado.

 

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