Política

ANÁLISE

Dilma cobrará fidelidade dos pedetistas

Dilma cobrará fidelidade dos pedetistas

ESTADÃO

03/03/2011 - 17h17
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O anúncio da presidente Dilma Rousseff de que manterá Carlos Lupi no Ministério do Trabalho inclui, nas entrelinhas, o recado de que, a partir de agora, o governo federal irá cobrar fidelidade plena do PDT, caso a sigla pretenda manter o seu espaço na Esplanada dos Ministérios. A avaliação é de cientistas políticos consultados pela Agência Estado, que acreditam que o gesto de Dilma, em não convidar a sigla para reunião de líderes de ontem, é uma mostra de como o Palácio do Planalto pode agir daqui para frente com as siglas da base aliada que se mostrarem infieis ao governo.

"O recado é de que só fica próximo das benesses do governo federal quem dança a música do Poder Executivo", disse o professor de Filosofia Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano. "Ela vai, a partir de agora, cobrar fidelidade de verdade do PDT", acrescentou o consultor da ONG Voto Consciente, Humberto Dantas.

Após reunião com Lupi na manhã de hoje, Dilma confirmou a permanência do ministro na equipe de governo e disse que eventuais problemas na base de apoio devem ser resolvidos na esfera partidária. A declaração ameniza a crise entre governo e PDT, que não foi convidado a participar da reunião com líderes da base aliada.

 O veto à sigla seria uma retaliação por integrantes da legenda terem se posicionado contra a proposta do governo de um salário mínimo de R$ 545. Os especialistas não acreditam que a turbulência leve o PDT a romper com o Planalto. "O PDT, desde que morreu Leonel Brizola, se tornou um partido sem muita orientação ideológica, ele corteja o poder", disse Romano. "O partido tem uma estrutura muito próxima do poder", acrescentou.

campeões de voto

Nikolas e Pavanato são os deputados mais votados da história

Ambos obtiveram mais de três milhões de votos, superando Eduardo Bolsonaro e Eneas Carneiro, recordistas anteriores

05/10/2026 06h53

NiKolas Ferreira já é deputado federal por Minas Gerais e Lucas Pavanato é vereador em SP

NiKolas Ferreira já é deputado federal por Minas Gerais e Lucas Pavanato é vereador em SP

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O deputado federal por Minas Gerais Nikolas Ferreira e o vereador de São Paulo Lucas Pavanato, ambos do PL, tornaram-se os candidatos a deputado federal mais votados da história do País, com mais de 3 milhões de votos. Até 22 horas do domingo, nos momentos finais da apuração, Nikolas tinha 3.113.945 votos e Pavanato, 3.038.075. O resultado superou a votação de Eduardo Bolsonaro, de 1,84 milhão, em 2018, e de Enéas Carneiro em 2002, de 1,57 milhão.

Conforme as projeções iniciais, o PL garantiu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com ao menos 120 deputados eleitos. Atualmente, a legenda tem 98 parlamentares. A perspectiva era de um avanço expressivo do principal partido de direita do Brasil, com um recuo das legendas de esquerda. A federação PCdoB, PT e PV deveria ficar com 78 cadeiras, dez a menos. A federação formada por PP e União, que reúne o núcleo duro do chamado Centrão, cairia de 98 para 69 cadeiras.

Ainda durante a apuração, Pavanato comemorou o resultado e disse que foi surpreendido com o próprio desempenho. "Nem de longe eu imaginei. Imaginei que no melhor dos cenários eu faria 1,3 milhão, 1,5 milhão. Mas Deus é maravilhoso", afirmou na calçada da Avenida Brigadeiro Luís Antônio na noite de ontem.

O candidato eleito disse que, na Câmara dos Deputados, vai lutar por uma "política forte" contra o crime organizado e disse não ter "pena de marginal". Também prometeu fazer frente a "autoridades que abusam do poder no Judiciário" e combater a agenda ideológica do que chamou de "extrema esquerda".

"O PT pode se preparar porque eles vão ter de passar a faixa. Porque agora nós vamos ter a Câmara, vamos ter o Senado e vamos ter mais parlamentares com coragem para dizer o que tem de ser dito", disse Pavanato. O vereador ainda agradeceu a Nikolas pelo apoio e disse que, juntos, eles elegeram "a maior bancada jovem de direita do País".

Essa foi a primeira vez que Lucas Pavanato concorreu a uma vaga de deputado federal. Há dois anos, nas eleições municipais de 2024, ele já havia sido o vereador eleito com a maior quantidade de votos da cidade de São Paulo, com 161 mil. Aos 28 anos, ele deixa o cargo para assumir seu posto na Câmara dos Deputados.

AVANÇO

Nikolas Ferreira, reeleito deputado federal como o mais votado do Brasil, teve mais que o dobro de votos neste ano do que em 2022, quando havia sido o mais votado, com 1,49 milhão. Aos 30 anos, ele vai para seu segundo mandato consecutivo.

A terceira candidata mais votada do País na disputa por vaga na Câmara dos Deputados em 2026 foi a deputada federal Erika Hilton (PSOL). A parlamentar reeleita costuma se envolver em enfrentamentos com Pavanato e Nikolas nas redes sociais.
 

Recorte

Advogados reclamam de 'muito baixa' previsibilidade de tribunais superiores

Resultados mostram que 36,2% avaliam como baixa ou muito baixa a previsibilidade das decisões

04/10/2026 23h00

TSE

TSE Reprodução/TSE

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Pesquisa da Associação dos Advogados (AASP) indica que grande parte dos advogados brasileiros está insatisfeita com a insegurança jurídica e a falta de previsibilidade nos tribunais superiores do País. O levantamento ouviu 754 profissionais para uma avaliação da rotina de práticas do Judiciário em suas mais altas instâncias.

Os resultados mostram que 36,2% avaliam como baixa ou muito baixa a previsibilidade das decisões; 82% dizem que mudanças de entendimento dos tribunais já afetaram significativamente a orientação de clientes e as estratégias processuais; 48,1% apontam o excesso de decisões monocráticas entre os fatores que mais afetam a segurança jurídica; e 40,1% afirmam que os julgamentos virtuais não preservam condições adequadas de participação da advocacia.

"Não estamos diante de uma insatisfação pontual da advocacia, mas de um alerta institucional que precisa ser ouvido", diz Paula Lima Hyppolito Oliveira, presidente da AASP, entidade fundada em 1943. Para ela, é alarmante o dado de que 82% dos profissionais consultados dizem que mudanças de entendimento das Cortes superiores já afetaram sua capacidade de definir estratégias de atuação. "Estamos falando de segurança jurídica e, em última instância, da confiança no próprio sistema de Justiça."

Paula Hyppolito assinala que "instituições fortes não são aquelas imunes a críticas, mas as que transformam a crítica em oportunidade de aperfeiçoamento". "A advocacia não quer um Judiciário menos independente, quer um Judiciário cada vez mais forte."

Previsibilidade

Em um outro mapeamento, realizado entre 17 e 24 de junho passado, os resultados já haviam indicado que a principal preocupação da classe não é o volume de processos ou a duração dos julgamentos, mas a previsibilidade das decisões, a estabilidade da jurisprudência e a preservação das condições efetivas de atuação da advocacia - 72% dos profissionais entrevistados naquele escrutínio exercem a advocacia há mais de 20 anos e apresentam atuação frequente perante as Cortes superiores, especialmente STJ (78%), STF (46,3%) e TST (36,2%).

O principal achado da pesquisa é a percepção de perda de previsibilidade das decisões, afirma Paula. "O resultado reforça que a segurança jurídica permanece como uma das maiores preocupações da advocacia." A pesquisa também revela uma preocupação consistente sobre o funcionamento dos tribunais superiores. Paula Hyppolito diz que o estudo demonstra que existe uma demanda consistente por maior previsibilidade institucional e fortalecimento da segurança jurídica.

Quando questionados sobre os fatores que mais comprometem a segurança jurídica, os advogados concentraram as respostas em grandes temas: excesso de decisões monocráticas (48,1%); mudanças frequentes de jurisprudência (42,7%); demora no julgamento dos processos (38,5%); dificuldades de acesso e interlocução com gabinetes (33,3%). Em outra face da pesquisa, as prioridades para aperfeiçoamento dos tribunais superiores convergem para medidas voltadas ao fortalecimento da segurança jurídica: maior estabilidade e coerência jurisprudencial (58,8%); regras mais claras para admissibilidade recursal (41,2%); fortalecimento da colegialidade (30,9%); adoção de códigos de ética (29,7%); ampliação das possibilidades de sustentação oral (27,2%); e maior transparência e fundamentação das decisões (25,7%).

Virtual 

Outro resultado relevante diz respeito aos julgamentos virtuais, segundo Paula. Os dados demonstram que permanece uma percepção importante de limitação ao exercício das prerrogativas profissionais nesse modelo de julgamento: 71% avaliam que não está plenamente garantida a participação efetiva da advocacia, sendo apenas parcialmente (30,8%) ou simplesmente não preservada (40,1%).

O mapeamento destaca a insatisfação quanto ao acesso institucional aos tribunais. Somando as respostas, 72,3% entendem que os procedimentos para solicitação de audiências, apresentação de memoriais e interlocução com gabinetes de ministros "não oferecem condições plenamente isonômicas de acesso à advocacia".

Na pergunta aberta surgiu um aspecto que merece atenção, segundo a AASP: a inteligência artificial foi, de longe, o tema espontâneo mais recorrente. Embora a pesquisa trate do funcionamento dos tribunais superiores, muitos advogados aproveitaram o espaço para defender maior uso de IA na gestão processual, organização de precedentes, triagem e apoio às atividades das Cortes. "Isso reforça que, para a advocacia, tecnologia e segurança jurídica deixaram de ser pautas separadas e passaram a ser percebidas como temas complementares na modernização do Judiciário", afirma Paula Hyppolito.

Ela entende que a tecnologia "pode tornar a Justiça mais eficiente, mas eficiência não pode significar menos participação". "Recuperar e fortalecer a confiança exige diálogo, estabilidade da jurisprudência, igualdade de acesso, ética e condições efetivas para que a advocacia exerça o papel que a Constituição lhe atribui."

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