Política

Divisão

Disputa entre Lula e Flávio divide petistas e bolsonaristas na Alems

Embate durante a sessão se deu entre Pedro Kemp, Gleice Jane, Coronel David e Zé Teixeira

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O acirramento da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro dividiu ala petista e ala bolsonarista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) nesta quarta-feira (14).

Ao lado do presidente Lula, os petistas Pedro Kemp e Gleice Jane destacaram a importância das políticas públicas promovidas pelo governo federal às vésperas do 2° turno, ao passo que Zé Teixeira e Coronel David (PL), mesmo partido de Flávio Bolsonaro, teceram críticas à gestão federal e simultaneamente saíram em defesa do senador bolsonarista. 

Ao se manifestar sobre o segundo turno, Pedro Kemp classificou o momento como decisivo para o futuro do país e direcionou críticas à trajetória política de Flávio Bolsonaro. O parlamentar mencionou suspeitas e denúncias que, segundo ele, precisam ser consideradas pelos eleitores na escolha do próximo presidente da República.

“Eu acho que a nação brasileira está diante de uma decisão importante para a história do país”, afirmou Kemp, ao relacionar a disputa eleitoral à continuidade de políticas sociais e à manutenção dos direitos trabalhistas.

Kemp também questionou o posicionamento do candidato do PL em relação à jornada de trabalho e às propostas para o país.

“Está em jogo a continuidade do governo que implantou no Brasil política voltada a beneficiar o trabalhador. Estão em jogo os direitos trabalhistas”, declarou. Ao abordar questões religiosas e episódios de violência, sustentou que a intolerância e a radicalização ideológica precisam integrar a discussão sobre o futuro do país.

Durante a manifestação de Kemp, o deputado Coronel David (PL) contestou os argumentos apresentados e afirmou que a oposição ao presidente Lula não conseguiria convencer o eleitorado com esse tipo de discurso.

“Costumo dizer que só ganha eleição com voto na urna e tudo caminha para que Flávio seja o próximo presidente”, afirmou David, que também questionou as acusações dirigidas ao candidato do PL.

A deputada Gleice Jane por sua vez, ampliou o debate para questões relacionadas à intolerância religiosa, à violência e aos ataques a instituições de ensino. Ela mencionou episódios envolvendo terreiros, casas de reza indígenas e igrejas, além de defender a reflexão condizente aos efeitos da polarização política e ideológica.

“Que momento é esse que estamos vivendo, em que pessoas deixaram de ter direito à sua liberdade religiosa?”, questionou.

Em resposta aos apartes e ao conjunto de críticas, Kemp reiterou a defesa da democracia e das políticas sociais. O deputado também rebateu acusações contra o presidente Lula e questionou os resultados de governos anteriores, destacando programas de acesso à educação e de assistência à população.

Na sequência, Zé Teixeira contestou as declarações de Kemp e criticou o que considerou acusações generalizadas contra apoiadores do PL.

O parlamentar defendeu o direito de escolha política e religiosa dos eleitores e apresentou críticas à gestão federal, especialmente nas áreas de economia, infraestrutura e segurança pública. “Como cristão, apoio ele”, declarou, ao justificar seu posicionamento favorável a Flávio Bolsonaro.

O deputado também questionou a interpretação apresentada por Kemp sobre os processos judiciais envolvendo Lula e mencionou denúncias e investigações relacionadas a governos petistas. Ao tratar de questões econômicas, criticou a carga tributária, os gastos públicos e a situação de serviços e obras de infraestrutura.

Para Zé Teixeira, o país precisa avançar na segurança pública e criar condições para que a população trabalhe e produza. O parlamentar citou o combate à criminalidade e defendeu medidas mais rigorosas contra organizações criminosas. “Povo brasileiro não entende que, para trabalhar e produzir, tem que ter paz de espírito”, afirmou.

Durante a fala do deputado, Coronel David manifestou apoio ao posicionamento apresentado e elogiou a atuação de Zé Teixeira no debate.

A deputada Gleice Jane voltou a participar do debate durante a manifestação de Zé Teixeira, contrapondo argumentos sobre segurança pública e conflitos envolvendo povos indígenas. A parlamentar destacou diferenças nas condições de proteção e responsabilização de indígenas e não indígenas e defendeu a análise dos episódios de violência a partir de seu contexto.

Gleice Jane também criticou propostas de reforma administrativa e medidas que, em sua avaliação, podem ampliar a privatização e a terceirização de serviços públicos, com possíveis impactos sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e outras políticas de atendimento à população.

Ao retomar a palavra, Zé Teixeira manteve as críticas ao governo federal e defendeu o fortalecimento da iniciativa privada. O deputado também abordou questões relacionadas à segurança, situação econômica e atuação das instituições públicas.

Nas explicações pessoais, Kemp voltou a rebater declarações feitas durante o debate, incluindo a atribuição dos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023 ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O parlamentar contestou essa afirmação e criticou a apresentação de informações sem contextualização.

Kemp também citou indicadores econômicos e sociais para defender a atuação do governo Lula, mencionando o mercado de trabalho, a renda da população e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, conforme sua manifestação. O segundo turno presidencial acontece no próximo dia 25 de outubro. 

Cabe destacar que o embate entre ambas às frentes deve se acirrar ainda mais em 2027, uma vez que a ala petista contará com quatro deputados, principal oposição à bancada bolsonarista, que ocupará nove cadeiras no próximo ano.

JORNADA DE TRABALHO

Tereza e Nelsinho cobram debate sobre escala 6x1, enquanto Soraya declara apoio

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou para hoje a votação em primeiro turno da PEC nº221/2019

14/10/2026 08h00

Tereza Cristina (PP), Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) têm posições distintas sobre a PEC

Tereza Cristina (PP), Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) têm posições distintas sobre a PEC Foto: Montagem

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Após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautar para hoje a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019, que põe fim à escala de trabalho 6x1, o Correio do Estado procurou ontem os senadores sul-mato-grossenses Tereza Cristina (PP), Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (PSB) para saber o posicionamento deles sobre a questão.

Tereza Cristina e Nelsinho Trad defenderam uma discussão aprofundada sobre os impactos da proposta que será colocada em votação, enquanto Soraya Thronicke confirmou que votará a favor do parecer do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). Procurada pela reportagem, Tereza afirmou que não se opõe à redução da jornada, mas questionou o formato da proposta e a velocidade de sua análise.

“Não sou contra a redução da jornada de trabalho, mas precisamos discutir com profundidade os impactos dessa mudança. O Brasil é um país muito diverso, com diferentes setores e cadeias produtivas, e não podemos estabelecer na Constituição uma regra única sem considerar essas realidades. Há segmentos da economia que poderão sofrer prejuízos”, declarou.

A parlamentar também defendeu que o Senado examine o conteúdo aprovado pelos deputados e rejeitou que suas ressalvas tenham como motivação a disputa presidencial.

“O Senado não pode simplesmente carimbar o que vem da Câmara, sem o devido debate. Uma proposta dessa importância não pode ser votada de afogadilho para ser eleitoreira. Minha preocupação não é com o resultado eleitoral de Flávio Bolsonaro, mas com as consequências que uma decisão apressada pode trazer para o Brasil”, expressou.

Também procurado pelo Correio do Estado, Nelsinho Trad destacou sua formação em medicina do trabalho para defender uma jornada que considere a saúde e a qualidade de vida dos empregados. “Médico do trabalho, conheço os efeitos que o desgaste físico e emocional pode provocar na vida das pessoas. O trabalhador precisa ter tempo para descansar, cuidar da saúde e conviver com a família”, afirmou.

O senador ponderou, porém, que a mudança precisa considerar a capacidade econômica dos empregadores, especialmente dos pequenos negócios. “Mas também precisamos olhar com responsabilidade para quem gera emprego e renda, especialmente os micro e pequenos empresários, que têm uma realidade econômica diferente das grandes empresas. Não podemos avançar na proteção do trabalhador criando dificuldades que coloquem empregos em risco”, disse.

Nelsinho defendeu que a etapa de discussão seja utilizada para construir uma proposta que concilie os interesses envolvidos. “Defendo que o Congresso conduza essa discussão com responsabilidade. Ainda estamos na fase de discussão e é justamente o momento de avaliar os caminhos possíveis para construir uma jornada mais humana sem desconsiderar a realidade de quem empreende. Não é uma questão de ideologia, mas de equilíbrio, saúde e responsabilidade com o País”, manifestou.

FAVORÁVEL

Soraya, por sua vez, anunciou voto favorável ao texto e classificou a redução da jornada como uma reivindicação legítima dos trabalhadores. “Sou favorável ao fim da escala 6x1 e votarei a favor da população brasileira. Entendo as preocupações do setor produtivo, mas essa é uma demanda legítima dos trabalhadores e precisa ser debatida com responsabilidade”, disse.

A senadora defendeu a escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, e citou a experiência de adoção desse modelo em sua empresa. “Defendo a escala 5x2 porque acredito que ela proporciona uma relação mais equilibrada entre trabalho, descanso e vida pessoal. Como empresária, já fiz essa mudança na minha própria empresa e tive uma experiência positiva”, anunciou.

Soraya também cobrou transparência dos colegas e pediu que a população acompanhe os votos dos parlamentares. “Quem é a favor precisa assumir esse voto. Quem é contra também precisa ter coragem de deixar registrada a sua posição. O trabalhador tem o direito de saber quem defende essa mudança e quem prefere manter a escala 6x1. O voto de cada parlamentar deixa uma marca, e a população precisa estar atenta a isso”, destacou.

A proposta em análise reduz a jornada máxima de 44 horas semanais para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, e assegura dois dias de descanso remunerado. Pelo texto aprovado na Câmara dos Deputados, após dois meses da publicação da emenda constitucional, passam a valer as duas folgas e o limite de 42 horas semanais.

A redução definitiva para 40 horas ocorre um ano depois, completando uma transição de 14 meses. Um dos dias de descanso deverá ser preferencialmente aos domingos. Isso não significa que todos os trabalhadores terão folga obrigatória aos sábados e domingos, pois a organização das escalas deverá observar as características de cada atividade e as regras aplicáveis.

Durante a transição, convenções ou acordos coletivos poderão permitir a ampliação da jornada diária para acomodar as 42 horas semanais. Em MS, empresas que utilizam a escala 6x1 poderão precisar reorganizar horários, equipes e períodos de repouso para cumprir as novas exigências.

As mudanças ainda dependem da conclusão da tramitação e dos prazos de adaptação previstos. Para ser aprovada, a PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos.

O parecer do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), é favorável à proposta e contrário às 36 emendas apresentadas até agora. Novas alterações ainda poderão ser propostas em plenário. Se o Senado modificar o conteúdo aprovado pelos deputados, a PEC retorna à Câmara; se mantiver o texto, poderá seguir para promulgação após a aprovação nos dois turnos.

Alternativa

Camilo Santana: Lula lançou proposta de pé-de-meia universitário, com custo de R$ 4,6 bi ao ano

Programa vai garantir, na mesma lógica do Pé-de-Meia, só que R$ 700 durante 10 meses

13/10/2026 23h00

Camilo Santana, ex-ministro da Educação

Camilo Santana, ex-ministro da Educação Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

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O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos porta-vozes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta terça-feira, 13, que o presidente da República fará um Pé-de-Meia universitário caso seja reeleito. Afirmou que a proposta garantirá uma bolsa de R$ 700 por mês aos estudantes e mais R$ 2.500 ao ano em uma poupança, que poderão ser retirados ao fim do curso.

"Lula lançou uma proposta para seu quarto mandato de, da mesma forma que criou o Pé-de-Meia para alunos do ensino médio e reduziu evasão escolar, quer ampliar isso para aluno da universidade pública, para que ele nunca desista do sonho", afirmou.

"O programa vai garantir, na mesma lógica do Pé-de-Meia, só que R$ 700 durante 10 meses, mais uma poupança no valor de R$ 2.500 por ano, com contrapartidas do aluno, para que ele tenha R$ 10 000 ao fim do curso para iniciar sua vida no mercado de trabalho", declarou.

Ex-ministro da Educação, Camilo citou essa medida junto com o anúncio voltado aos microempreendedores individuais (MEIs) nesta terça-feira. Disse que são "medidas importantes para pensar um futuro de prosperidade".

O Pé-de-Meia universitário será voltado a estudantes de universidades públicas federais e estaduais e alunos do Prouni. O custo, segundo Camilo Santana, será de R$ 4,6 bilhões ao ano. O dinheiro virá do Fundo Social do Pré-Sal, disse o senador, que estimou em cerca de 1 milhão os alunos beneficiados.

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