Política

INVESTIGAÇÃO

Em depoimento à PF, ex-mulher de Waldir Neves diz 'desconhecer' empresa pivô de escândalo

Questionada por delegado, Alessandra Ximenes, que trabalha na corte, esqueceu até o ano que casou-se com o conselheiro afastado

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Alessandra Larreia Ximenes, ex-mulher do conselheiro afastado do TCE-MS (Tribunal de Contas) de Mato Grosso do Sul, em depoimento prestado a um delegado da Polícia Federal, em 2021, disse "desconhecer" ou "não se lembrar" da Dataeasy, empresa de informática prestadora de serviço da corte e que manteve negociata milionária com o ex-marido por meio de uma licitação fraudulenta, segundo a PF.

Na declaração, Alessandra, empregada em cargo de comissão no TCE desde 2001, esqueceu-se, inclusive, do período que viveu casada com o conselheiro.

A Dataeasy, foi escolhida por licitação a prestar serviço para o TCE em 2018. Até março de 2022, a empresa havia recebido da corte em torno de R$ 102 milhões.

Ou seja, no período de quatro anos, Alessandra, que era a chefe da Secretaria das Sessões da corte, assinava documentos importantes, em depoimento, afirmou que "não sabia" o que a Dataeasy fazia no tribunal, nem que era seus funcionários. No entanto, ela muda a versão conforme avançam o questionamento do delegado.

Veja a partir daqui trechos do depoimento da ex-mulher de Waldir a um delegado da PF.

DPF MARCOS: Alessandra, você trabalha no Tribunal de Contas, né?
ALESSANDRA: Isso. Desde 2001.
DPF MARCOS: A senhora é ex-esposa do conselheiro Waldir Neves?
ALESSANDRA: Sou, ex-mulher do Waldir Neves, exato.
DPF MARCOS: Vocês foram casados em qual período?
ALESSANDRA: Fomos casados de 90... Acho que 93 até 99.
DPF MARCOS: Atualmente, a senhora trabalha em qual setor?
ALESSANDRA: Atualmente, eu sou Diretora das Sessões lá no Tribunal. ...

Waldir Neves virou conselheiro do TCE em 2009. Pelo depoimento de Alessandra, ela já trabalhava no tribunal há pelo menos oito anos antes do ex-marido assumir o cargo na corte. Segue o depoimento.

DPF MARCOS: Você sabe dizer quais são as atividades realizadas pela empresa Dataeasy no TCE-MS? Conhece essa empresa Dataeasy?
ALESSANDRA: Ah, conheço, acho que ela presta assistência lá, não sei, mas eu não sei, porque não é da minha parte ali, minha parte é só da Diretoria das Sessões.
ALESSANDRA: Só sei que é uma empresa que atende lá no Tribunal, já vi falar Dataeasy, mas não tenho conhecimento nenhum.
DPF MARCOS: Você tem conhecimento qual é o tipo de serviço que ela presta lá?
ALESSANDRA: Não tenho.
DPF MARCOS: Não tem nenhum tipo de conhecimento, o que que a Dataeasy faz lá no Tribunal?
ALESSANDRA: Não, não tenho, eu sei que é uma empresa que atende lá.
DPF MARCOS: Você sabe se eles fazem terceirização de mão de obra?
ALESSANDRA: Não, não tenho conhecimento.
DPF MARCOS: Cede mão de obra para o Tribunal?
ALESSANDRA: Não, não sei.
DPF MARCOS: Não?
ALESSANDRA: Não sei.
DPF MARCOS: Tem conhecimento se o Willian [primo do do ex-marido] é empregado da Dataeasy?
ALESSANDRA: Não sei também.
DPF MARCOS: Não tem conhecimento de nada do que a Dataeasy faz?
ALESSANDRA: Não, não tenho, não tenho acesso a isso.

Nesse trecho, Alessandra  diz 

DPF MARCOS: A senhora já viu um documento desse aqui? Esse aqui é a página 1.418 do arquivo “Licitação – Contrato”, que foi encaminhado pra nós pelo TCE, uma resposta aos Ofícios 50/2021 e 56/2021 da DELECOR, ele veio no Pen Drive anexo ao Ofício 163/2021, tá na pasta “CI CGE 020.2021/Dataeasy/TC-EX-315-2019 – PERGUNTA 11”, é o arquivo “Licitação -  Contrato”, página 1.418. A senhora já viu um documento desse?
ALESSANDRA: Vamos ver, desce aí, eu não sei, doutor.
DPF MARCOS: A senhora não tá lembrada?
ALESSANDRA: Tô, “Diretoria das Sessões”, aham.
DPF MARCOS: É da Dataeasy.
ALESSANDRA: Dataeasy.
DPF MARCOS: Termo de Aceite, Secretaria das Sessões, abril de 2018, Pregão Presencial 10/2017, “A seguir apresentamos o relatório de atividades executadas no mês de abril de 2018. A aferição é realizada utilizando-se a métrica USE, conforme atividades previstas no catálogo de serviços”, “Total USE (Qtd) 5.119”, tem uma relação aqui, e uma assinatura em nome da senhora.
ALESSANDRA: Hum... Nossa, nem lembrava disso, que que é isso?
DPF MARCOS: Isso aqui é um Termo de Aceite de serviços executados pela Dataeasy. A senhora não lembra desse Termo de Aceite, abril de 2018?
ALESSANDRA: Nem lembro.
DPF MARCOS: A senhora sabe dizer se, mensalmente, a senhora assina esses Termos de Aceite?
ALESSANDRA: Não, acho que não.
DPF MARCOS: A senhora lembra de ter assinado esse?
ALESSANDRA: Não lembro, doutor.
DPF MARCOS: Essa aqui é a assinatura da senhora?
ALESSANDRA: É, minha assinatura, isso.
DPF MARCOS: Então, a senhora nem lembra de ter assinado esse documento?
ALESSANDRA: Não lembro, mas se tá com a minha assinatura, né?
DPF MARCOS: Isso aqui é o seguinte...
ALESSANDRA: É coisa de TI?
DPF MARCOS: Na verdade, não. Você não tem nenhum funcionário da Dataeasy
trabalhando lá na Secretaria das Sessões?
ALESSANDRA: Ah, deve ter.

O delegado pressiona Alessandra.

DPF MARCOS: Mas a senhora falou que não sabia?
ALESSANDRA: Não, se é da Dataeasy ou não, eu não sei, isso ai é coisa do RH do Tribunal, né?
DPF MARCOS: Mas como que a senhora não sabe assim? A senhora não sabe quem que são seus funcionários?
ALESSANDRA: Sei, sei quem são, mas assim, tem comissionado, tem dessa empresa Dataeasy, tem outras empresas, eu não sei se é Dataeasy ou não, isso aí não sei, mas deve ter, tem
bastante gente da Dataeasy no Tribunal.
DPF MARCOS: A senhora falou que nem sabia o que que a Dataeasy faz.
ALESSANDRA: Eu não sabia o que ela faz?
DPF MARCOS: É.
ALESSANDRA: Não, eu sei, é uma empresa que atende o Tribunal.
DPF MARCOS: Fazendo o quê? A senhora até perguntou se é TI.
ALESSANDRA: Isso aí eu achei que fosse coisa de TI.
DPF MARCOS: Aham, mas não é.
ALESSANDRA: Mas não é.
DPF MARCOS: É de tudo aqui, todo tipo de serviço administrativo. Aqui nesse documento, tá escrito que a Dataeasy executou 5.119 USEs, cada USE vale R$ 49,75, nessa época. Então, esse Termo de Aceite aqui, quer dizer que é pra efetuar o pagamento pra Dataeasy, no valor de R$ 254.670,25.

Ou seja, Alessandra assinava uma espécie de autorização para pagar o serviço prestado pela empresa que disse, antes, não conhecer e nem o que fazia no tribunal.

ALESSANDRA: Hum, de serviços executados?
DPF MARCOS: De serviços executados.
ALESSANDRA: Então, deve ter sido executado
DPF MARCOS: Mas a senhora sabe se foi executado?
ALESSANDRA: Com certeza, se eu assinei, foi, né?
DPF MARCOS: Mas a senhora não sabe nem quem são os empregados da Dataeasy.
ALESSANDRA: Se é da Dataeasy ou não, eu não sei, mas as pessoas que trabalham comigo executam os serviços.
DPF MARCOS: Mas como que a senhora vai saber se a pessoa da Dataeasy fez 814 “Aferir a demanda de atendimento, que envolva recursos de TIC, avaliando o impacto financeiro desses processos.”, fez 868 “Apoio técnico com Análise de Demandas”?
ALESSANDRA: Ah doutor, isso aí é de 2018, eu não lembro disso aí, tem que ver, tem que olhar, não sei... Tem que averiguar com mais detalhes, eu não lembro.

DESFECHO

Diante desse depoimento, a PF crava na denúncia que a Dataeasy, a empresa que arrecadou R$ 102 milhões com o TCE de 2018 a 2022, negócio que que provocou o afastamento de Waldir, captava dinheiro por meio de ações suspeitas. Veja trecho.

"Isso é corroborado também pelo depoimento de ALESSANDRA LARREIA XIMENES, ex-esposa do denunciado WALDIR NEVES e funcionária do TCE/MS, responsável pela assinatura dos atestes referentes à Diretoria de Sessões do Tribunal, unidade que a depoente coordena.

Segundo reconhecido por ALESSANDRA, os termos de aceite [que gerava liberação de recursos para a empresa] são assinados sem qualquer conferência, ou mesmo sem que a chefia imediata tenha conhecimento e controle do quantitativo de USEs cobradas. Segue a transcrição parcial".

Também foram afatados em dezembro do ano passado, além de Waldir, os conselheiros Iran Coelho das Neves e Ronaldo Chadid. Foi o Superior Tribunal de Justiça quem determinou o afastamento deles do TCE.

A Procuradoria Geral da República ofertou denúncia contra o trio em que pede a demissão e a prisão dos conselheiros.

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eleições 2026

Eleitor tem um mês para regularizar pendências e ficar apto a votar

Basta ir ao cartório eleitoral ou acessar serviço eletrônico do TSE

03/04/2026 16h00

Eleições 2026 acontecerão em outubro

Eleições 2026 acontecerão em outubro FOTO: Divulgação

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O cidadão que pretende tirar o título de eleitor pela primeira vez ou alterar o local de votação tem até o dia 6 de maio para regularizar suas pendências na Justiça Eleitoral.

O prazo também vale para quem precisa regularizar o título de eleitor a fim de votar nas eleições gerais de outubro, quando serão eleitos o presidente da República, o vice-presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Para resolver as pendências, o eleitor pode procurar o cartório eleitoral mais próximo ou acessar o serviço eletrônico disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Primeiro título

De acordo com a Constituição, o voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens entre 16 e 17 anos e idosos acima de 70 anos.

Após completar 15 anos, os jovens poderão solicitar a emissão do título de eleitor. Contudo, somente estará apto a votar quem tiver completado 16 anos na data da eleição.

Janela Eleitoral

Termina nesta sexta-feira (3) o prazo da chamada janela eleitoral, período em que os políticos que vão disputar as eleições podem mudar de partido e não serem punidos com a perda do mandato.

Desincompatibilização

Neste sábado (4), encerra-se o prazo para desincompatibilização de agentes públicos que vão participar das eleições. Governadores, prefeitos e ministros de Estado que pretendem se candidatar a outros cargos devem deixar suas funções.

A medida está prevista na Constituição e impede a utilização do cargo para obtenção de vantagens eleitorais.

 

os substitutos

Conheçam os novos titulares de quatro secretarias de Estado da gestão Riedel

Os novatos são José Nogueira (SEC), Alessandro Menezes (Setesc), Artur Falcette (Semadesc) e Roberto Gurgel (SAD)

03/04/2026 07h36

Os secretários Alessandro Menezes, Artur Falcette, José Nogueira e Roberto Gurgel

Os secretários Alessandro Menezes, Artur Falcette, José Nogueira e Roberto Gurgel MONTAGEM

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Em edição extra do Diário Oficial de Mato Grosso do Sul (DOE) publicada ontem, o governador Eduardo Riedel (PP) nomeou os quatro novos titulares da Secretaria de Estado da Cidadania (SEC), da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e da Secretaria de Estado de Administração (SAD) para substituírem os antigos titulares que foram exonerados para participar das eleições gerais deste ano.

Como o Correio do Estado já tinha adiantado, o chefe do Executivo estadual decidiu não nomear novos nomes para o primeiro escalão, priorizando a promoção dos secretários adjuntos e, portanto, para a Setesc o novo titular é Alessandro Menezes de Souza, enquanto para a Semadesc é Artur Henrique Leite Falcette, para a SEC é José Francisco Sarmento Nogueira e para a SAD é Roberto Gurgel de Oliveira Filho.


 
CURRÍCULOS

 

Titular da SEC, José Nogueira tem formação acadêmica diversificada, com graduações em Design pela PUC-Rio e em Filosofia pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), além de pós-graduação em Marketing (UCDB/INPG), pós-graduação em Filosofia e Teoria Social e mestrado em Design (PUC-Rio) e doutorado em Educação (UCDB). 

 Ele dedicou 28 anos ao ensino na UCDB, atuando também como professor colaborador nos programas de mestrado e doutorado em Psicologia da mesma instituição. Sua experiência internacional inclui o período como visiting scholar no programa de mestrado e doutorado em Filosofia da Universidade Autônoma do México (Unam).

O scretário José Nogueira ainda tem sua produção presente em livros, revistas, congressos nacionais e internacionais nas áreas de Design, Filosofia, Antropologia, Educação e Psicologia Social.

Já o titular da Setesc, Alessandro Menezes é profissional com graduação em Marketing e Publicidade e bacharelado em Psicologia, com MBAs em Gestão de Projetos e Governança de TI (Uniasselvi), além de Administração Financeira e Orçamentária e Gestão Pública (UniBF), bem como presidente da Ecologia e Ação (Ecoa) de 2000 a 2008.

 Ele atuou em pautas ambientais e integrou o Conselho Nacional do Meio Ambiente e o Fórum de ONGs do Pantanal, além de participação na Rio+10. Em seguida, como secretário-executivo do Instituto SOS Pantanal, de 2009 a 2012, estruturou a governança da instituição e articulou parcerias com lideranças empresariais e ambientais.

Alessandro Menezes ainda atuou como assessor parlamentar federal, de 2012 a 2014, e presidiu o Instituto Municipal de Tecnologia da Informação de Campo Grande, em 2014, enquanto no governo de Mato Grosso do Sul foi superintendente de Tecnologia e Informação entre 2015 e 2016 e entre 2018 e 2022, secretário adjunto de Relações Institucionais, em 2017 e assessor especial da Secretaria de Governo de 2023 a 2026.

O titular da Semadesc, Artur Falcette, faz doutorando pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) com foco em sustentabilidade e tomada de decisão, além de mestre pela mesma instituição e graduado em Gestão de Agronegócios pela Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG).

Ele tem ainda MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e é pós-graduado em Liderança Estratégica de Negócios na Ohio University, nos Estados Unidos. Também é especialista em Gestão Financeira e de Projetos e trabalhou em projetos na União Europeia para desenvolvimento de ferramentas de sustentabilidade e de análise de ciclo de vida para as cadeias de produção de soja e pecuária de corte. 

Ainda atuou por mais de 15 anos na iniciativa privada e ingressou no governo do Estado em 2023 e, em seguida, na Semadesc, primeiro como secretário-executivo de Meio Ambiente, secretário adjunto e agora titular da Pasta.

No caso do titular da SAD, Roberto Gurgel, ele é delegado de Polícia Civil desde 2006 e bacharel em Direito graduado pela Faculdade Associação Educacional Toledo e pós-graduado em Direito Constitucional, Ciências Penais, Gestão de Segurança Pública e Inteligência Policial.

 Gurgel também é mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Em sua carreira na Segurança Pública, foi diretor técnico do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) em 2018 e, em 2022, foi nomeado como delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.


Desde abril de 2024, é secretário adjunto de Administração, onde também assumiu, desde 2025, a Superintendência de Seleção e Ingresso de Pessoas.

*SAIBA: O primeiro escalão do governador Eduardo Riedel conta com 12 secretários de Estado mais uma procuradora-geral de Estado, um controlador-geral de Estado e a titular do Escritório de Parcerias Estratégicas.

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