Política

Quem é quem?

Entre seis nomes ao Senado por MS, só um já é aposentado, e se aposentou cedo

Capitão Contar (PL) passou para a reserva remunerada do Exército em dezembro de 2017, aos 35 anos de idade, demais ainda trabalham

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Dos seis nomes que hoje disputam espaço para representar Mato Grosso do Sul no Senado em 2026, Soraya Thronicke (PSB), Nelsinho Trad (PSD), Reinaldo Azambuja (PL), Marcos Pollon (PL), Vander Loubet (PT) e Capitão Contar (PL), apenas um está, na prática, aposentado. E chegou lá antes dos 40 anos. 

Renan Barbosa Contar, o Capitão Contar, ex-deputado estadual e pré-candidato do PL ao Senado, passou para a reserva remunerada do Exército em dezembro de 2018, poucos dias antes de completar 35 anos e a um mês de tomar posse como deputado estadual pela primeira vez. 

Formado em 2006 pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), ele deixou a ativa após 12 anos de serviço. Desde então, recebe da União, um valor mensal de R$ 8.928,52, acima do teto pago pelo INSS aos aposentados do regime geral.

Não é uma aposentadoria no sentido civil do termo. A reserva remunerada é o regime de inatividade dos militares: o oficial deixa de atuar no dia a dia da caserna, mas permanece formalmente à disposição das Forças Armadas, podendo ser reconvocado em situação excepcional. 

Na prática, porém, funciona como uma aposentadoria vitalícia, o militar passa a receber salário integral sem cumprir expediente.

A comparação que motivou a repercussão do caso é direta: pela regra geral da reforma da Previdência de 2019, um trabalhador do setor privado só se aposenta aos 65 anos (homens) ou 62 (mulheres), com pelo menos 15 a 20 anos de contribuição. Contar chegou à inatividade remunerada com metade da idade mínima exigida de um trabalhador comum, após pouco mais de uma década de serviço. 

Coincidência ou não, o PL realizou, no final de maio, encontro com dirigentes com mais de 60 anos, para enfatizar a importância deste eleitor, que de acordo com o projeto do partido é “eleitor decisivo”. Cerca de 20% dos eleitores estão nessa faixa etária, nem todos aposentados.

Um levantamento da reportagem sobre a trajetória profissional dos outros cinco pré-candidatos não encontrou registros de aposentadoria dos demais.

  • Soraya Thronicke (PSB), 53 anos, é advogada e empresária, do setor moteleiro. Não tem registro de aposentadoria e não respondeu aos questionamentos da reportagem. 
  • Nelsinho Trad (PSD), 64 anos, é médico com especializações em cirurgia geral, urologia, medicina do trabalho e saúde pública. Foi o único que respondeu ao questionamento da reportagem se é aposentado, “Eu vou trabalhar igual o doutor Cleber Vargas, cirurgião de cabeca, na cadeira de rodas e ainda operava na Santa Casa. Não sou (aposentado)”, respondeu. 
  • Reinaldo Azambuja (PL), 63 anos, é fazendeiro e empresário desde 1982, e segundo seu entorno, não tem aposentadoria. 
  • Marcos Pollon (PL), 45 anos, é advogado e ex-professor da UFMS; sem indício de aposentadoria. Também dá indício que não concorrerá ao Senado, mas fica na lista por desencargo. 
  • Vander Loubet (PT), 62 anos, é ex-bancário (Banorte), deixou o emprego para se dedicar à política nos anos 1990, não é aposentado, de acordo com sua assessoria.
     

ARTICULAÇÕES

Mesmo com neutralidade nacional, Riedel vai apoiar Flávio Bolsonaro a presidente

Federação União Progressista libera alianças nos estados e a coligação com o PL em Mato Grosso do Sul está assegurada

24/07/2026 08h00

O governador Eduardo Riedel, a senadora Tereza Cristina e o ex-governador Reinaldo Azambuja

O governador Eduardo Riedel, a senadora Tereza Cristina e o ex-governador Reinaldo Azambuja Arquivo

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A decisão da cúpula nacional da Federação União Progressista, formada pelo PP e o União Brasil, de adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República nas eleições deste ano não vai alterar o cenário político em Mato Grosso do Sul.

No Estado, a aliança entre PP, União Brasil, PL, Republicanos e outras siglas será mantida. Em um gesto político de apoio ao projeto presidencial do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador Eduardo Riedel (PP) deverá, inclusive, reforçar esse alinhamento ao participar, amanhã, da convenção nacional do PL, em São Paulo (SP), que oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Embora a federação tenha decidido retirar o apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro no plano nacional, a executiva nacional liberou os diretórios estaduais para definirem suas alianças de acordo com a realidade política de cada unidade da Federação.

Em Mato Grosso do Sul, a presidente estadual do PP e da Federação União Progressista, senadora Tereza Cristina, assegurou ao Correio do Estado que a decisão não interfere nas articulações locais.

“A neutralidade da federação na disputa presidencial não altera os acordos já costurados em Mato Grosso do Sul. Não vai afetar em nada. Estaremos coligados com PL, Republicanos e outros mais no nosso estado”, declarou.

Tereza Cristina chegou a ser convidada para compor a chapa presidencial como candidata a vice-presidente, mas recusou o convite.

Conforme já informado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a decisão está relacionada, entre outros fatores, ao projeto político da senadora de disputar a presidência do Senado em 2027.

O presidente estadual do PL, ex-governador Reinaldo Azambuja, também reforçou à reportagem que, nos estados, os partidos estão livres para seguir ou não essa orientação de neutralidade na disputa pela Presidência da República.

“Não há uma vedação nos estados e até nacionalmente ainda não está batido o martelo. Muita coisa vai acontecer até o dia 15 de agosto, data final para o registro das candidaturas”, projetou, informando que viaja ainda hoje para São Paulo para participar, amanhã, do lançamento da candidatura de Flávio.

A posição da cúpula nacional da Federação União Progressista foi informada ao senador Flávio Bolsonaro após reunião da executiva nacional do PP, realizada na terça-feira, em Brasília (DF), com a participação de Tereza Cristina.

O encontro foi conduzido pelo presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), e reuniu outras lideranças nacionais, como os deputados federais Doutor Luizinho (RJ), Ricardo Barros (PR) e Eduardo da Fonte (PE).

Em São Paulo, assim como em Mato Grosso do Sul, a tendência é de apoio da federação à candidatura de Flávio Bolsonaro e à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Já na Paraíba o governador Lucas Ribeiro deverá manter alinhamento político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Postura

Republicanos cobra reciprocidade do PL para fechar aliança com Flávio Bolsonaro

Pesquisas contratadas pelo partido apontam chances de o partido eleger governadores em seis estados

23/07/2026 19h00

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro Andressa Anholete/Agência Senado

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O Republicanos quer reciprocidade do PL para fechar aliança nacional com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa à Presidência para as eleições de 2026.

O deputado federal e presidente da sigla Marcos Pereira (Republicanos-SP) disse que o PL não cedeu apoio aos pré-candidatos a governador do Republicanos em troca da aliança a nível nacional.

"Nós temos no Republicanos oito pré-candidatos ao governo de Estados. Eu coloquei na mesa seis", disse Pereira em entrevista nesta quarta-feira, 22, ao Grupo Z de Comunicação.

Segundo Pereira, pesquisas contratadas pelo partido apontam chances de o partido eleger governadores nesses seis Estados. Em São Paulo, ele avaliou que Tarcísio de Freitas (Republicanos) ajuda mais a candidatura de Flávio do que vice-versa. O mesmo vale, segundo o deputado, para Minas Gerais, com o pré-candidato Cleitinho (Republicanos).

Já em Mato Grosso e Roraima, onde o Republicanos já comanda os governos estaduais, o presidente do partido afirmou que uma aliança com o PL garantiria a vitória no primeiro turno. Em contrapartida, ainda ajudaria a eleger senadores do PL nesses Estados.

Pereira também afirmou que, em conversa com Flávio Bolsonaro, ouviu quais eram as prioridades do PL: primeiro a Presidência, segundo o Senado, terceiro a Câmara dos Deputados e, por último, os governos estaduais.

"Por que não abrir mão desses dois estados, que são extremamente importantes para nosso partido?", questionou Pereira.

Pereira afirmou que, sem reciprocidade, o Republicanos deverá ficar neutro a nível nacional. O apoio a candidatura de Lula, segundo o deputado, não tem chances de acontecer.

Pereira explicou, ainda, que a aliança consiste em ceder o tempo de televisão para Flávio Bolsonaro. Atualmente, o PL tem menos espaço que o PT nas emissoras para divulgar a candidatura à Presidência.

Marcos Pereira disse que reuniu-se com Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho (PL-RN) na quinta-feira passada, 16. Segundo ele, o desfecho da negociação deve ocorrer até 1º de agosto, antes da convenção do Republicanos, marcada para 4 de agosto.

Na entrevista, Pereira também falou sobre a escolha de Jair Bolsonaro de escolher o filho para concorrer à Presidência.

"Flávio não foi a melhor escolha, mas é o que temos para hoje", afirmou.

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