Política

Tática eleitoral

Estratégia dos candidatos de faltar a debates divide especialistas em MS

Enquanto um vê a baixa exposição como forma de preservar liderança, outro alerta para o risco de perda de votos dos indecisos

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Cientistas políticos ouvidos pelo Correio do Estado divergem sobre se a decisão do governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, e de candidatos à Presidência e ao Senado de faltar aos primeiros debates eleitorais ajuda a preservar sua vantagem nas pesquisas ou pode afastar eleitores que ainda não escolheram um candidato.

Enquanto Daniel Miranda, professor e pesquisador do curso de Ciências Sociais da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), avalia que a ausência praticamente não altera o cenário e acaba favorecendo a manutenção da liderança, Tércio Albuquerque considera que deixar de comparecer pode ser interpretado como desrespeito ao processo eleitoral e provocar perda de votos, principalmente entre os indecisos.

Riedel faltou aos dois primeiros debates entre os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul e anunciou que pretende participar somente dos encontros promovidos pelo site Midiamax e pela TV Morena, previstos para a segunda quinzena de setembro.

A primeira ausência ocorreu no dia 17 de agosto, no debate realizado pela Morena FM e pelo portal Primeira Página. Riedel foi o único dos oito candidatos convidados que não compareceu.

Naquela manhã, o governador participou de uma reunião do Consórcio Brasil Central e, posteriormente, viajou a Bela Vista para assinar um convênio destinado a obras de pavimentação, saneamento e drenagem. Dez dias depois, no dia 27 de agosto, Riedel também não participou do debate promovido pela Capital FM.

Ele esteve em São Paulo durante a manhã para receber uma premiação do Centro de Liderança Pública e, à noite, participou de um compromisso político em Paranaíba. Daniel Lemes (PCO) e Renato Gomes (DC) também não compareceram ao segundo encontro.

Oficialmente, a campanha atribui a decisão à necessidade de conciliar os compromissos eleitorais com as responsabilidades administrativas. A justificativa também menciona o tempo necessário para a preparação de debates, entrevistas e sabatinas.

As ausências ocorrem em um cenário confortável para o candidato à reeleição. Na pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) a pedido do Correio do Estado, entre os dias 19 e 23 de agosto, Riedel aparece com 44,77% das intenções de voto, contra 13,78% de Fábio Trad (PT), ou seja, a diferença entre os dois chega a 30,99 pontos porcentuais.

Sem prejuízo

Para Daniel Miranda, a ausência não significa necessariamente que os ataques dos adversários causarão prejuízos ao governador. Em debates com muitos participantes, as críticas tendem a ser distribuídas entre diferentes temas e candidaturas.

“Isso depende de quem é o adversário. A maioria das críticas é genérica e debates com muitos candidatos normalmente diluem o foco. Além disso, se o candidato que está liderando não vai, a audiência cai. Logo, o efeito negativo das críticas também é menor”, avaliou.

A ampla coligação, o tempo de propaganda eleitoral e a capacidade financeira para divulgar conteúdo nas redes sociais também reduziriam a dependência dos debates como instrumento para chegar ao eleitor.

“Tempo de televisão, dinheiro para impulsionar conteúdo na internet, alianças e outros fatores reduzem o peso do debate”, acrescentou Miranda.

Falou, tá falado

"A maioria das críticas é genérica e debates com muitos candidatos normalmente diluem o foco. Além disso, se o candidato que está liderando não vai, a audiência cai. Logo, o efeito negativo das críticas também é menor"
Daniel Miranda, minimizando as faltas aos debates

Risco

Tércio Albuquerque discorda da avaliação de que uma campanha mais estruturada torne os confrontos dispensáveis. 

"Não acredito que aumente a rejeição, mas pode reduzir votos, principalmente entre os eleitores indecisos"
Tércio Albuquerque, analisando a falta de Riedel aos debates eleitorais

Para ele, o risco de não falar diretamente com os eleitores aumenta quando ainda existe um contingente expressivo de pessoas sem candidato definido.

“É um equívoco pensar que estar à frente nas pesquisas, participar de coligações mais estruturadas e ter mais tempo de televisão e recursos diminuem, por si só, a necessidade dessa exposição. Quando se tem um índice de indecisos alto, o risco de não falar com o eleitor é grande”, alertou.

O cientista político não acredita que as ausências provoquem necessariamente o aumento da rejeição ao governador, mas considera possível a perda de votos entre os eleitores que ainda não fizeram uma escolha.
“Não acredito que aumente a rejeição, mas pode reduzir votos, principalmente entre os eleitores indecisos”, declarou.

Outro risco surgiria caso os adversários encontrassem algum ponto vulnerável da administração estadual e conseguissem explorar o assunto sem que Riedel estivesse presente para responder.

“Se o governo tiver algum tema considerado nevrálgico e ainda não esclarecido à população, os ataques podem representar perda de apoio”, completou Albuquerque.

Apesar das divergências sobre os efeitos da estratégia, os dois especialistas concordam que os debates eleitorais são mais destinados à apresentação de propostas do que à prestação formal de contas do atual governo.

“Debate não tem muito esse propósito. Ele é mais prospectivo, isto é, serve para tratar das promessas dos candidatos. Claro que quem é governador será colocado contra a parede e deverá dar explicações, mas isso ocorre em um contexto de promessas, olhando para a frente, e não de prestação de contas, olhando para trás”, explicou Daniel Miranda.

Tércio Albuquerque também entende que os confrontos deveriam priorizar os planos para uma eventual nova gestão, embora reconheça que parte do tempo costuma ser ocupada por ataques.

“Nos debates, o tema não se vincula à prestação de contas, mas, em tese, à apresentação de propostas para a nova gestão. Infelizmente, também há agressões contra os demais candidatos”, afirmou.

Outro discurso

A postura adotada por Riedel nesta campanha contrasta com declarações feitas por ele durante o segundo turno da eleição de 2022. Na ocasião, Capitão Contar, adversário do governador, faltou a um debate promovido pelo Midiamax.

Riedel classificou a ausência como “uma covardia com a democracia e com as pessoas deste Estado” e afirmou que fugir do enfrentamento de ideias e propostas era prejudicial ao processo democrático.

O contexto, porém, era diferente do atual. Em 2022, a disputa estava restrita aos dois candidatos que haviam chegado ao segundo turno. Agora, oito nomes concorrem ao governo.

 

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ELEIÇÕES 2026

Augusto Cury omitiu empresas nos Estados Unidos e no Brasil em declaração ao TSE

O candidato à presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, além de duas firmas no Brasil

06/09/2026 17h00

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República Foto: Felipe Machado/Correio do Estado

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O presidenciável Augusto Cury (Avante) omitiu empresas das quais é sócio na autodeclaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato a presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, nos Estados Unidos, além de duas firmas no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Em nota, a campanha de Cury informou que as participações omitidas são "inexpressivas" no patrimônio do candidato, que foi construído "de forma lícita". A equipe do empresário também disse que "eventuais inconsistências" serão corrigidas. O pedido de retificação não havia sido enviado até a manhã deste domingo, 6.

Ao TSE, Cury declarou ter participações societárias de sete empresas, entre firmas sediadas no Brasil e no exterior. Segundo a Folha, cinco companhias das quais ele é sócio ficaram de fora da declaração. Três delas estão sediadas na Flórida: a Cury Academia Comportamental, a Contemplare Investments e a Free Mind Publish.

No Brasil, Cury não declarou a sociedade na Contemplare e na Academia de Pensar e Brincar, ambas sediadas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Escritor de livros de autoajuda, Cury aparece em terceiro lugar na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. Com 10% das intenções de voto nos dois cenários avaliados pelo levantamento, o candidato cresceu oito pontos em relação à rodada anterior da pesquisa. Apesar da guinada, ele ainda está distante dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa.

Cury tem tido um reforço em suas redes sociais: o apoio de um exército de microinfluenciadores que não costumam publicar conteúdo sobre política nem demonstrar interesse pelo tema, além de profissionais ligados ao coach Pablo Marçal, também presidenciável pelo PRTB.

Postura

Senado não pode se omitir diante dos fatos que envolvem STF, diz Tereza Cristina

Ex-ministra de Bolsonaro é tida como uma das principais líderes da oposição no Legislativo

06/09/2026 13h45

Tereza Cristina

Tereza Cristina Andressa Anholete/Agência Senado

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Líder do PP, a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina defendeu que o Senado não se omita diante do fatos que envolvem o Supremo Tribunal Federal.

"O Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. A ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não podemos ignorar suspeitas gravíssimas. Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição", escreveu a senadora em publicação no Instagram.

Sem mencionar diretamente as revelações da última semana em que a Polícia Federal (PF) mostrou diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes, Tereza Cristina disse que a população está "estarrecida".

"A população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o STF. E com razão. A sociedade não pode perder a confiança nas nossas instituições. Nenhuma autoridade está acima da lei", continuou a senadora que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado.

Após a revelação da PF, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e pressionam a presidência da Casa pela abertura dos processos.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), há 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal. O Senado tem a competência constitucional de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.

Lider da oposição

Tereza Cristina foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2).

Além dela, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogerio Marinho (PL-RN) também foram contrários ao texto aprovado. 

Em sua justificativa, destacou não ser contrária à redução trabalhista e sim a pressa sobre a aprovação do texto sem a construção do debate necessário por parte dos senadores. 

"Eu acho muito complicada a definição de um texto constitucional de uma escala fixa, para que todos os tipos de atividades, sem considerar as diversas realidades do mercado de trabalho. Seria preciso uma nova Pec. O tema é de extrema importancia, mas a pressa da votação é o que me traz preocupação, ninguem pode fazer uma lei para um pais tão continental quanto o nosso, tão diverso quanto o nosso, tantas cadeias produtivas quanto o nosso sem uma discussão aprofundada", declarou a senadora. 

Na sequência, destacou que o papel dos senadores acerca da proposta não deveria ser somente de "carimbar" proposições advindas da Câmara dos Deputados. O nome da senadora é especulado para presidir o Senado no próximo ciclo, substituindo Davi Alcolumbre (União-AP)

Encaminhamento

Caso o texto seja aprovado pelos senadores sem alterações, poderá seguir para promulgação. Se houver mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.

Se a PEC for aprovada pelo Plenário e posteriormente promulgada, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 40 horas, mantido o limite de oito horas diárias.

A Constituição também passará a garantir dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.

A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, o que inclui os pisos das categorias.

A mudança será implantada em duas etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois do encerramento dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas.

A negociação coletiva continuará permitida para definir mecanismos de compensação de horários e regimes de descanso, desde que sejam respeitados os novos limites constitucionais.

Com informações de Estadão Conteúdo 

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