Após a derrota na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul neste domingo (4), Fábio Trad (PT) afirmou que continuará na oposição ao governador reeleito Eduardo Riedel e classificou o desempenho alcançado nas urnas como uma “grande vitória política”.
Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, concedida no hall do condomínio onde mora, ao lado da esposa, Trad também revelou que embarca às 4h30 desta segunda-feira (5) para Brasília, acompanhado do deputado federal Vander Loubet, para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O encontro na capital federal ocorrerá em meio à reorganização das forças políticas para o segundo turno da eleição presidencial. Segundo Trad, Lula convocou lideranças que participaram das disputas majoritárias nos estados para discutir os próximos passos da campanha.
A derrota na eleição estadual, porém, não representa, segundo o candidato, o encerramento do projeto político defendido por ele durante a campanha.
Trad afirmou que pretende permanecer como uma das vozes de oposição em Mato Grosso do Sul e utilizar a votação recebida neste domingo como ponto de partida para reorganizar o grupo nos próximos anos.
“Nós vamos continuar na oposição”, declarou.
‘Grande vitória política’
Ao fazer um balanço da campanha, Trad destacou que recebeu mais de 300 mil votos mesmo diante de um cenário que classificou como amplamente desfavorável à sua candidatura.
Segundo ele, seu grupo enfrentou uma estrutura política e econômica muito superior, formada por diferentes segmentos da classe política estadual, administrações municipais e setores empresariais.
Fábio Trad concedeu entrevista exclusiva ao Correio do Estado no hall do condomínio onde mora, ao lado da esposa, após a confirmação da derrota nas urnas. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.
“Considerando que nós tivemos mais de 300 mil votos num contexto francamente desfavorável a nós, porque eu e a dona Gilda, sozinhos, enfrentamos as forças políticas mais poderosas do Estado”, afirmou.
Trad citou, entre os grupos que, segundo ele, atuaram em favor da candidatura adversária, setores do agronegócio e da indústria, além de deputados estaduais, vereadores e prefeitos.
Para o candidato derrotado, conseguir uma votação superior a 300 mil votos diante desse cenário demonstra que existe uma parcela expressiva do eleitorado disposta a apoiar uma alternativa política no Estado.
“Evidentemente que eu e ela, sozinhos, tendo 300 mil votos, quase que 25%, nesse universo de hostilidade francamente contrário ao nosso projeto, eu penso que nós tivemos uma grande vitória política em Mato Grosso do Sul”, disse.
Trad voltou a citar a esposa durante a entrevista e afirmou que ambos participaram diretamente da campanha com apoio da militância e de grupos que, segundo ele, se opõem ao atual modelo político estadual.
Trad promete oposição ao governo
Questionado pelo Correio do Estado sobre os próximos passos depois do resultado das urnas e sobre a possibilidade de assumir alguma função política em caso de vitória de Lula na disputa presidencial, Trad afirmou que seu planejamento imediato passa pela continuidade da atuação no campo da oposição.
“É fundamental que o Estado de Mato Grosso do Sul se acostume com uma oposição programática, séria, decente, íntegra”, afirmou.
O petista também fez críticas ao projeto político vencedor e disse que pretende manter uma postura de cobrança sobre a administração estadual nos próximos quatro anos.
Durante a entrevista, Trad questionou o resultado sob o ponto de vista ideológico e relacionou o grupo vencedor ao modelo político adotado pela Prefeitura de Campo Grande.
Na avaliação dele, há uma contradição entre a rejeição que atribui à administração municipal e o resultado obtido pelo mesmo campo político na disputa estadual.
Críticas à gestão
Trad elevou o tom ao analisar a vitória adversária e voltou a citar temas que utilizou durante a campanha eleitoral, como infraestrutura, educação, segurança pública e saúde.
“Venceu o projeto que mantém as estradas esburacadas, o Ideb lá na rabeira na competição entre os estados, venceu o projeto de recorde de feminicídios, venceu um projeto que corrompeu a saúde pública de Mato Grosso do Sul”, declarou.
As afirmações representam a avaliação política feita pelo candidato derrotado durante a entrevista após a divulgação do resultado eleitoral.
Trad também associou o projeto vencedor à prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) e a grupos empresariais.
“Venceu o projeto da Adriane Lopes, da Fiems, com todos esses problemas, venceu o projeto dos bilionários”, afirmou.
Em contraponto, disse que sua candidatura buscou representar principalmente setores mais vulneráveis da população.
“Eu e a dona Gilda falamos pelos humildes, pela classe que não tem voz e vez na política desse Estado. E mesmo assim nós tivemos 300 mil votos”, declarou.
Ele mencionou trabalhadores de baixa renda, assentados, acampados e indígenas entre os grupos que considera representados pela plataforma defendida durante a eleição.
Reorganização para as próximas eleições
Trad afirmou que a votação conquistada neste domingo servirá como base para a reorganização política da oposição em Mato Grosso do Sul.
Na avaliação dele, apesar da derrota para o Governo do Estado, o desempenho nas urnas demonstra que seu campo político mantém força eleitoral suficiente para continuar disputando espaço nos próximos anos.
“Nós tivemos uma vitória eleitoral expressiva, na minha concepção, e agora nós vamos reorganizar nossas forças no âmbito estadual”, afirmou.
Fábio Trad afirmou que permanecerá na oposição e classificou os mais de 300 mil votos recebidos como uma “grande vitória política”. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estrado.
Trad também destacou o desempenho do grupo nas eleições proporcionais. Segundo ele, o campo político manteve quatro cadeiras na Assembleia Legislativa e conquistou uma votação expressiva na disputa pela Câmara dos Deputados.
Para o petista, esses resultados permitem projetar a atuação do grupo também para as próximas eleições municipais.
A estratégia deverá envolver a reorganização das bases partidárias nos municípios e a tentativa de ampliar a presença da oposição no interior do Estado e em Campo Grande.
Embarque às 4h30 para reunião com Lula
Antes de pensar nas próximas eleições estaduais e municipais, porém, Trad afirmou que sua prioridade imediata será a disputa presidencial.
O candidato revelou ao Correio do Estado que deixa Campo Grande ainda na madrugada desta segunda-feira. O embarque está previsto para 4h30, e Trad viajará com o deputado federal Vander Loubet para Brasília.
Na capital federal, os dois deverão participar de uma reunião com o presidente Lula e outras lideranças políticas.
“O presidente Lula me convidou, a mim e ao Vander, para irmos amanhã a Brasília, para termos uma reunião com ele e outros candidatos à majoritária”, afirmou.
De acordo com Trad, o objetivo do encontro será definir a reorganização das forças políticas e a estratégia para a campanha do segundo turno presidencial.
“Nós vamos reorganizar as nossas forças, voltar às ruas para fazê-lo vencedor, porque o que está em jogo é a soberania do Brasil nessa eleição”, declarou.
Trad afirmou ainda que o grupo pretende retomar imediatamente a mobilização dos apoiadores em Mato Grosso do Sul.
“E nós não vamos abrir mão dela e vamos lutar até o fim para que o Brasil continue sendo uma nação”, completou.
Derrota nas urnas, oposição mantida
A avaliação apresentada por Fábio Trad após a eleição combina o reconhecimento da vitória do adversário com uma tentativa de transformar os votos recebidos em capital político para os próximos anos.
Ao conceder a entrevista exclusiva ao Correio do Estado, no hall do condomínio e acompanhado da esposa, Trad deixou claro que pretende permanecer ativo no cenário político estadual.
O discurso após a derrota foi direcionado principalmente à reorganização da oposição, à preservação da base eleitoral conquistada durante a campanha e à disputa presidencial que ainda terá continuidade.
No curto prazo, a agenda já começa poucas horas depois da definição do resultado em Mato Grosso do Sul: às 4h30 desta segunda-feira, Trad embarca com Vander Loubet para Brasília.
Na sequência, retorna ao Estado com a missão, segundo ele, de reorganizar as forças de oposição e manter o grupo mobilizado para as próximas disputas eleitorais.
Fábio Trad afirmou que permanecerá na oposição e classificou os mais de 300 mil votos recebidos como uma “grande vitória política”. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estrado.
Riedel afirmou que o segundo mandato terá continuidade de investimentos em educação, infraestrutura, saneamento e desenvolvimento econômico. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.


