Política

Eleições 2026

Fortalecida, Tereza rechaça disputar governo e reforça aliança com Riedel

A senadora progressista classificou os boatos como fake news e garantiu que lutará pela reeleição do atual governador

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Após conseguir levar a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), ao segundo turno das eleições municipais – mesmo tendo de enfrentar a máquina do governo estadual, representada pelo deputado federal Beto Pereira (PSDB) e aliada ao apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) –, a senadora Tereza Cristina (PP) saiu ainda mais fortalecida politicamente no primeiro turno.

Se nas eleições gerais de 2022 ela já havia terminado o pleito gigante, ao ser eleita senadora por Mato Grosso do Sul com 829.149 votos, ou seja, 60,85% dos votos válidos, Tereza Cristina agora se consolidou como a principal liderança política do Estado, tanto regionalmente quanto nacionalmente, em virtude das vitórias políticas e também por conta do desempenho exemplar à frente do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento na gestão Bolsonaro.

Diante de tanta projeção política, surgiram boatos de que a senadora sairia candidata a governadora de Mato Grosso do Sul nas eleições gerais de 2026, enfrentando o amigo e aliado Eduardo Riedel (PSDB), que tentará a reeleição.

Entretanto, o Correio do Estado falou com exclusividade com Tereza Cristina sobre essa questão, e a senadora classificou tudo como “boataria de mal gosto” para minar a boa relação com o atual gestor estadual.

“Eu e o Riedel somos mais que aliados políticos, somos amigos de longa data. Não quero ser governadora e, mais do que isso, tenho uma aliança firmada com o PSDB e com ele de que eu e o PP vamos trabalhar pela sua reeleição em 2026”, declarou a parlamentar, acrescentando que matérias jornalísticas que por ventura mencionarem essa possibilidade de ela sair candidata a governadora “podem ter certeza que serão fake news”.

Tereza Cristina ainda completou que sempre deixou claro que o fato de ambos estarem em lados opostos no primeiro turno das eleições municipais nas duas maiores cidades de Mato Grosso do Sul – Campo Grande e Dourados – foi uma circunstância do momento.

“Tanto que em outros municípios do interior do Estado o PP e o PSDB caminharam juntos, uma hora sendo a cabeça de chapa, enquanto na outra com a vaga de vice”, ressaltou.

 A parlamentar reforçou ainda que para 2026 ela já tem o seu posicionamento político definido. “Em nível federal, vou seguir a orientação do presidente Bolsonaro, enquanto em nível estadual sou Riedel, pois a minha ideologia política é de centro-direita”, assegurou, argumentando que não vai mudar de posicionamento político nem agora nem muito menos sequer daqui a dois anos.

“O meu alinhamento com o Riedel é antigo. Fora as disputas que travamos no primeiro turno das eleições municipais deste ano em alguns municípios, vamos continuar unidos e parceiros, tanto que ele já declarou apoio à reeleição da prefeita Adriane Lopes aqui em Campo Grande”, salientou Tereza Cristina, referindo-se ao vídeo gravado pelo governador ao lado dela declarando seu voto à atual prefeita da Capital.

Ainda nesse vídeo, ela também citou a boa relação com o mandatário do Executivo estadual. “Obrigada, governador. Fico muito feliz pela sua declaração de voto e apoio a Adriane. Estamos juntos, nunca estivemos separados, fomos adversários na eleição no primeiro turno, mas agora esse é o caminho natural. E eu fico muito feliz pela coerência que nós dois temos na política”, disse.

A senadora progressista voltou a reforçar que todos os boatos divulgados no sentido de que ela “passaria a perna” 
no governador em 2026 são mentiras contadas por pessoas interessadas em causar intriga entre dois grandes amigos.

“Essa possibilidade não existe, e as pessoas que estão espalhando essas mentiras não devem me medir pela régua delas. Não sou traíra como uns e outros”, afirmou.

BOLSONARO

Ao conseguir que o ex-presidente Jair Bolsonaro gravasse um vídeo declarando apoio à candidatura da prefeita Adriane Lopes no segundo turno, Tereza Cristina demonstrou, em nível nacional, a força dela junto ao principal líder de centro-direita brasileiro, que a chama carinhosamente de Tetê.

O fato chamou atenção da imprensa nacional. A CNN, por exemplo, chamou a senadora de “madrinha política” de Adriane. “A senadora já havia procurado Bolsonaro no primeiro turno, mas o ex-presidente optou por apoiar o deputado federal Beto Pereira, que ficou em terceiro lugar na disputa”, disse o canal.

“Não sou dona da verdade, mas eu acho que ele [Bolsonaro] errou”, disse Tereza à CNN, sobre o apoio do ex-presidente aos tucanos. O veículo televisivo ainda frisou que a progressista foi um dos destaques das eleições municipais em Mato Grosso do Sul, pois o PP passou de três prefeitos eleitos em 2020 para 15 neste ano.

“A legenda só perde para o PSDB, que detém o governo do Estado pelo terceiro mandato consecutivo. Os tucanos têm 44 [prefeitos] – podendo chegar a 45, pois em São Gabriel do Oeste o candidato vencedor está sub judice – dos 79 municípios”, revelou a CNN.

O canal pago adicionou também que o “aumento das prefeituras do PP é creditado à senadora Teresa Cristina. A parlamentar foi eleita senadora em 2022 com 60,85% dos votos válidos”.

Diante desse cenário positivo, a mídia nacional voltou a cogitar o nome dela para ser a cabeça de chapa ou até mesmo ser a vice de Bolsonaro na eleição para presidente da República em 2026, caso o ex-presidente consiga reverter o atual quadro de inelegibilidade.

Entretanto, caso isso não se viabilize, Tereza Cristina vai se consolidando para ser um dos nomes de centro-direita para enfrentar o candidato da esquerda, que deve ser novamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além dela, também são presidenciáveis o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o governador de Minas Gerais, Romeu Zuma (Novo); o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); e o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD).

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Improbidade Administrativa

Ex-prefeito de Glória de Dourados perde direitos políticos por cinco anos

Condenação por improbidade administrativa, iniciada em 2014, tornou-se definitiva no Supremo Tribunal Federal; juízo determina comunicação à Justiça Eleitoral.

22/09/2026 17h09

Arceno Athas Júnior, ex-prefeito de Glória de Dourados, teve os direitos políticos suspensos por cinco anos após condenação por improbidade administrativa.

Arceno Athas Júnior, ex-prefeito de Glória de Dourados, teve os direitos políticos suspensos por cinco anos após condenação por improbidade administrativa. Foto: Divulgação.

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O ex-prefeito de Glória de Dourados Arceno Athas Júnior (PP) teve os direitos políticos suspensos por cinco anos em decorrência de condenação por improbidade administrativa, por nomeações irregulares quando comandou o municipio. O trânsito em julgado foi certificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 22 de maio deste ano.

Nesta terça-feira (22), o juízo da Vara Única da comarca determinou que o Juízo Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) sejam oficiados para que a sanção produza efeitos no cadastro eleitoral.

Arceno Athas Júnior governou Glória de Dourados por dois mandatos, de 2009 a 2016. EM 2024, ele disputou novamente, sendo derrotado pelo atual prefeito, Júlio Buguelo (PSD).

A condenação decorre de ação civil pública ajuizada em 20 de novembro de 2014 pelo Ministério Público Estadual. A investigação apurou a nomeação de servidores para cargos comissionados de chefia e assessoramento que, na prática, desempenhavam funções típicas de cargos efetivos, como leiturista, fiscal de obras e auxiliar de serviços gerais, o que, segundo o MP, configurava burla ao concurso público.

Além da suspensão dos direitos políticos, fixada no mínimo legal, Arceno foi condenado ao pagamento de multa civil equivalente a duas vezes o valor do dano ao erário, quantificado em R$ 5.603,78, e à proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios e incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, por cinco anos.

A perda da função pública não foi aplicada porque, quando a sentença foi proferida, ele já havia deixado a Prefeitura.

Nomeação

O núcleo da condenação é a nomeação da servidora Lilia Machado Ferreira para o cargo comissionado de chefe do Departamento de Água, em julho de 2012.

Testemunhas ouvidas em juízo, entre elas o então secretário de Saneamento Básico, afirmaram que a servidora jamais trabalhou no setor, permanecendo lotada na Assistência Social, onde acompanhava a primeira-dama e atuava em cerimoniais.

Ao MP, a própria Lilia declarou ter sido nomeada "para aumentar seus provimentos, mas nunca exerceu essa função". Em depoimento na fase de inquérito, Arceno reconheceu que a servidora "foi nomeada para trabalhar junto ao Departamento de Água, mas sempre trabalhou na Assistência Social", justificando a permanência dela no setor pela vacância de outro cargo.

Ao manter a condenação, a 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) reconheceu o dolo na conduta do gestor: "O Chefe do Executivo, ciente da ilegalidade, designou e manteve a servidora Lilia Machado em uma condição mais favorável, e esta, também conhecedora da irregularidade, assim permaneceu", registra o acórdão.

Recursos

No STF, o recurso foi distribuído à ministra Cármen Lúcia. A defesa sustentou, entre outros pontos, que a suspensão de direitos políticos em ação de natureza civil seria incompatível com o Pacto de San José da Costa Rica e que o TJMS teria presumido o dolo, em afronta às alterações introduzidas pela Lei de Improbidade. 

Em 6 de abril de 2026, a relatora não conheceu do recurso, por exigir reexame de fatos e provas e por ausência de prequestionamento.

O agravo regimental foi igualmente rejeitado pela Primeira Turma, por unanimidade, em sessão virtual encerrada em 22 de maio, com determinação de certificação imediata do trânsito em julgado, independentemente da publicação do acórdão.

Participaram do julgamento os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, além da relatora.

O despacho publicado nesta terça-feira no Diário de Justiça Eletrônico Nacional também intima os réus a comprovar o recolhimento das custas processuais em 15 dias, sob pena de inscrição em dívida ativa, e determina o arquivamento dos autos após o cumprimento das providências.

Homenagem

Alckmin oficializa nome de ex-prefeito de Porto Murtinho em trecho brasileiro da Ponte Bioceânica

Proposta foi aprovada sob relatoria do senador Nelsinho Trad

22/09/2026 14h15

Ponte ligará trecho entre Porto Murtinho à Carmelo Peralta, lado paraguaio da fronteira com MS

Ponte ligará trecho entre Porto Murtinho à Carmelo Peralta, lado paraguaio da fronteira com MS Foto: Toninho Ruiz / Redes Sociais

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O nome do ex-prefeito de Porto Murtinho, Heitor Miranda dos Santos, foi oficializado nesta terça-feira (22) para denominar o trecho brasileiro da ponte sobre o Rio Paraguai, área que ligará Porto Murtinho a cidade de Carmelo Peralta, situada no departamento de Alto Paraguay, lado paraguaio da fronteira entre os dois países.

A proposta foi aprovada no último dia (2) pelo Senado, sob relatoria do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), sancionada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin. 

O Projeto de Lei (PL) 780/2023, de autoria do deputado federal Geraldo Resende (União-MS), recebeu apoio de Nelsinho Trad, que destacou a importância da homenagem e do empreendimento para a integração entre os países.

Heitor Miranda dos Santos foi prefeito de Porto Murtinho entre 2013 e 2016 e teve participação nas articulações em defesa da construção da ponte.

Ponte ligará trecho entre Porto Murtinho à Carmelo Peralta, lado paraguaio da fronteira com MS

Heitor Miranda / Divulgação 

Nascido no município em 28 de abril de 1953, ele também ocupou os cargos de secretário de Trabalho e secretário-adjunto de Justiça. Miranda, tio do deputado estadual José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, morreu em 2022, aos 69 anos, em decorrência de problemas cardíacos e respiratórios.

Obra

A ponte está em fase final de construção e integra o Corredor Bioceânico, projeto que pretende conectar o território brasileiro ao litoral do Chile, atravessando o Paraguai e a Argentina.

No Brasil, o corredor utilizará trechos já existentes de rodovias federais, o que inclui a BR-267, que dará acesso à estrutura sobre o Rio Paraguai. A ponte tem 1.294 metros e 21 metros de largura. 

Durante a tramitação da proposta, Nelsinho Trad ressaltou o impacto logístico esperado com a conclusão do corredor. Segundo o senador, a nova rota poderá reduzir em até 14 dias o tempo de viagem e diminuir em cerca de 8 mil quilômetros o percurso marítimo utilizado para o transporte de mercadorias destinadas ao mercado asiático.

Trad também afirmou que a nova ligação representaria uma redução de até 40% nos custos de frete de produtos transportados pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Chile em direção à Ásia.

“Através desse traçado, você vai economizar 14 dias de viagem, 8 mil quilômetros marítimos a menos. Terá redução de até 40% no frete dos produtos que saírem do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, para ir até o continente asiático. Vamos promover um desenvolvimento inigualável sobre o aspecto logístico”, afirmou o senador à CCJ em julho.

Além da importância econômica e logística, a ponte é considerada um dos principais marcos da integração física entre os países do Cone Sul. A previsão é de que a inauguração ocorra até 2027.

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