Política

APURAÇÃO

Investigação do 8 de janeiro interessa a todos, diz ministro da Defesa

Apuração conduzida pelo Supremo Tribunal Federal quer saber se houve leniência ou coparticipação de militares com os golpistas

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Em um dia inédito para as Forças Armadas, com 89 militares, 3 deles generais, depondo devido a uma intentona golpista em Brasília, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, manteve o tom apaziguador que tem pautado sua relação com os fardados.

"Interessa a todos a investigação", resumiu o ministro, em uma breve conversa com a reportagem enquanto se encaminhava para um helicóptero da Marinha pousado no Riocentro, onde ele tem um gabinete montado na LAAD, maior feira militar da América Latina.

Múcio não quis comentar particularmente a questão dos depoimentos, que estão em curso na capital federal. Apuração conduzida pelo Supremo Tribunal Federal quer saber se houve leniência ou coparticipação de militares com os golpistas bolsonaristas que invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes em 8 de janeiro.

O laconismo coaduna com o trabalho empreendido por Múcio desde dezembro, quando foi chamado pelo então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar refazer pontes entre o petista e os militares, implodida durante quatro anos de relação simbiótica de parcelas significativas das Forças Armadas com o governo do capitão reformado Jair Bolsonaro (PL).

O ministro indicado reuniu-se com o próprio Bolsonaro para desarmar a revolta institucional sugerida pelos então comandantes de Forças, que queriam deixar o cargo antes da indicação de sucessores para não se submeter a Lula. Os chefes militares nem aceitavam falar com Múcio, que por fim achou uma solução salomônica e fez a escolha dos novos comandantes já em dezembro.

Como nada é simples no Brasil, Múcio passou a ser bombardeado pelo PT, particularmente depois que bolsonaristas acampados em frente ao QG do Exército em Brasília formaram o núcleo da tropa de assalto golpista do 8/1. Até Lula questionou sua postura de apaziguamento.

Para agravar a crise, houve a demissão do comandante do Exército, Júlio Cesar de Arruda, que desagradou o Planalto na condução do pós-8/1 e manteve a promoção do ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, a um posto estratégico.

Até aqui, contudo, Múcio prevaleceu. Colocou Lula para almoçar com o Almirantado e não fez objeções à promoção sugerida de um oficial conhecido pelo bolsonarismo para integrar o colegiado. Agora, o presidente irá se reunir com o Alto-Comando do Exército e, depois, com o da Aeronáutica.

O novo chefe do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, conduz um programa de despolitização interna da Força. Tem sofrido fortes de críticas de alguns setores, que se manifestam por meio de sites militares, blogueiros de direita e grupos de WhatsApp.

O ministro apresentou uma proposta alternativa à do PT para mudar o regramento da relação com os militares. Em vez de mudar o polêmico artigo 142 da Constituição, Múcio fez avançar projeto que obriga fardados a tirarem o uniforme se quiserem entrar na política, sem caminho de volta.

Por fim, ele também estabeleceu prioridade para a criação de mecanismos para custear novos projetos militares e estimular a indústria de Defesa, que responde por 4,5% do Produto Interno Bruto e depende do governo como cliente primário.

Se isso tudo dará certo, é insondável agora, mas políticos de partidos aliados ao governo elogiam a disposição da Defesa e prometem apoio parlamentar ao que for preciso.

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MINISTERIÁVEL

Azambuja é cotado para o Ministério da Agricultura se Flávio for eleito presidente

Ex-governador integra grupo da senadora Tereza Cristina (PP), que já ocupou o cargo na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro

15/08/2026 07h30

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o senador Flávio Bolsonaro durante encontro em Brasília (DF)

O ex-governador Reinaldo Azambuja e o senador Flávio Bolsonaro durante encontro em Brasília (DF) Arquivo

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O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado, desponta como um dos nomes cotados para assumir o Ministério da Agricultura em uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República.

A possibilidade de o ex-governador ser apontado como favorito para o comando da Pasta foi divulgada pela coluna Grande Angular, do site Metrópoles, porém, Azambuja disse que não tem conhecimento sobre essa questão.

Em declaração exclusiva ao Correio do Estado, ele considerou prematuro discutir a possibilidade antes das eleições de outubro e afirmou que, neste momento, está concentrado na disputa por uma vaga no Senado e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Estado.

“Acredito que seja prematuro tratar dessa possibilidade antes do resultado das eleições. Primeiro, o senador Flávio Bolsonaro precisa ser eleito presidente da República e, depois, teria de haver um convite para que eu assumisse o Ministério da Agricultura”, afirmou.

O ex-governador ressaltou que uma eventual ida para o primeiro escalão de um governo de Flávio Bolsonaro somente seria analisada após a eleição e diante de um convite formal.

“Estou focado na minha eleição para o Senado e em trabalhar para que Flávio seja eleito presidente. Se ele vencer a eleição e, posteriormente, me fizer o convite para assumir o Ministério da Agricultura, aí sim vou avaliar essa possibilidade com carinho”, completou Azambuja.

Azambuja mantém proximidade política com a senadora Tereza Cristina (PP), que comandou a Pasta durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A trajetória ligada ao setor rural também reforça seu nome nessas articulações.

Azambuja filiou-se ao PL em setembro de 2025, depois de deixar o PSDB, partido pelo qual construiu a maior parte da carreira política. Atualmente, ele preside o diretório estadual da legenda no Estado.

A chapa ao Senado tem Nelsinho Trad como primeiro suplente, pois o parlamentar desistiu de disputar a reeleição e passou a apoiar o ex-governador.

Reinaldo Azambuja governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2023. Antes de chegar ao governo estadual, foi prefeito de Maracaju, deputado estadual e deputado federal.

Maracaju é um dos principais polos agropecuários de Mato Grosso do Sul, com destaque para a produção de soja e milho. O município também sedia a Showtec, feira voltada à inovação e à tecnologia aplicadas ao setor rural.

A ligação de Azambuja com o agronegócio também aparece na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, quando informou R$ 55,9 milhões.

Desse total, R$ 47,8 milhões, o equivalente a 85,4%, estão concentrados em ativos relacionados com o setor agropecuário. A lista inclui participações em imóveis rurais, benfeitorias, bens empregados na atividade rural, 80 mil sacas de milho, 3.343 bovinos e cotas de cooperativas do segmento.

ccj

Alcolumbre destrava PEC do fim da 6x1 após conversas com Lula

Senador estava para encaminhar proposta para análise desde maio

14/08/2026 21h00

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre Divulgação/ Agência Brasil

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A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 foi despachada, nesta sexta-feira (14), pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país", informou, em nota, Alcolumbre.

A PEC estava na mesa do senador desde o final de maio, depois de aprovada na Câmara dos Deputados.   

O presidente do Senado informou ainda que, a partir das conversas com o presidente Lula, encaminhou também para as comissões competentes a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) e o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/2024), todos prioritários para o Executivo.

"Cabe ao Executivo apresentar suas prioridades e ao Congresso Nacional analisá-las com independência e a responsabilidade de construir os melhores caminhos para o país", disse Alcolumbte na nota.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse que a decisão de Alcolumbre foi fruto do diálogo institucional.  

"É uma demonstração importante de que o diálogo produz resultados e abre caminhos para fazer avançar uma agenda fundamental para o desenvolvimento do Brasil", comentou Teresa Leitão.

Pressão

Esta semana foi a primeira de trabalhos deliberativos no Congresso Nacional desde a volta do recesso de julho. O MDB e o PT voltaram a pressionar Alcolumbre para que liberasse a PEC da escala 6x1 para análise.

Em nota, a bancada do MDB no Senado pediu a liberação para as comissões da PEC do fim da 6x1, do PL dos minerais críticos e a PEC da Segurança Pública. 

O líder do partido no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), pediu a votação das matérias em sessão plenária na quarta-feira (12).

"Não há razão, portanto, regimental ou política, que justifique o adiamento. O que falta é a decisão de pautar, e isso é o que a bancada requer a V. Exa. Se há setores com especificidades - e entendemos que há -, vamos discutir e apontar soluções para estes setores", cobrou Braga do presidente do Senado.

A PEC 221 de 2019 acaba com a escala 6x1 instituindo a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A proposta permite compensar o sábado ou domingo trabalhados no caso de categorias com jornadas especiais, mas mantendo o número de folgas remuneradas em duas por semana, em média, gozadas obrigatoriamente no mesmo mês.

A proposta também estipula uma regra de transição de até 14 meses. A exceção são os trabalhadores terceirizados da Administração Pública, que terão uma regra de transição diferenciada.

Para todos os demais trabalhadores, em 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas terão que garantir a escala de 5x2, assim como a redução da jornada para 42 horas semanais. Doze meses após essa primeira redução, a jornada cai para 40 horas.

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