O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, em sessão plenária, trancou temporariamente e arquivou a ação penal eleitoral que investigava suposta ocultação de patrimônio em declaração de bens feita por Juliano Ferro (PL), prefeito de Ivinhema autointitulado prefeito "Mais louco do Brasil", durante as eleições de 2024.
O nome do líder do executivo surgiu em meio a uma operação da Polícia Federal para desbancar uma quadrilha envolvida com o narcotráfico, isso porque a casa na qual mora Juliano Ferro e a caminhonete de luxo usada pelo prefeito à época, pertenciam a Luiz Carlos Honório, suposto traficante, preso durante a Operação Lepidosiren, desencadeada em 8 de agosto do último ano.
Conforme as investigações, além da ocultação de patrimônio, a polícia também desconfiava de suposto crime eleitoral, já que nas redes sociais, onde tem mais de 1 milhão de seguidores (Instagram), o prefeito "ostentava" a posse de duas caminhonetes de luxo, sendo uma Silverado (2023) e uma Dodge Ram (2021), juntas avaliadas em R$ 800 mil pela Polícia Federal.
Apesar de andar com os veículos, em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, Ferro disse ser proprietário apenas de uma F-1000 fabricada em 1983, de um Uno Mille de 2010 e um Gol 2011, veículos que segundo revelou à polícia, já vendidos por ele.
Em seu depoimento, Luiz Carlos Honório, revelou que fizera uma série de negócios como Juliano Ferro. Em 2021, por exemplo, vendeu para ele uma casa. O homem preso pela PF diz que vendeu por R$ 170 mil. O prefeito, por sua vez, disse que pagou R$ 750 mil. É nesta casa que o prefeito reside desde 2021.
O homem preso por narcotráfico revelou ter vendido, no começo deste ano, uma Silverado com menos de dois mil quilômetros rodados, que saiu da concessionária às vésperas do Natal do ano passado. E, desde então, o prefeito “influencer digital” passou a ostentar o veículo em suas redes sociais, segundo a Polícia Federal.
Em seu depoimento à PF, na condição de testemunha, no dia 3 de setembro do ano passado, o prefeito afirmou que havia vendido uma das caminhonetes, a Dodge Ram, há cerca de quatro ou cinco meses, embora a Polícia Federal tenha juntado evidências de que o veículo continuasse em sua posse à época.
A caminhonete, que tem mais de 23 registros de multa entre 2022 e 2024, foi usada na viagem que ele fez para Porto Alegre para prestar auxílio às vítimas das enchentes.
À polícia, Juliano Ferro alegou ter comprado esse veículo da dupla sertaneja Bruno e Barreto, contratada pela prefeitura de Ivinhema para fazer uma série de shows na cidade nos últimos anos. Estes contratos já são alvo de investigações do Ministério Público Estadual.
Luiz Carlos Honório diz que negociou a venda da caminhonete diretamente com prefeito. Como pagamento, o prefeito teria dado um cheque de R$ 380 mil. Este suposto cheque não foi compensado ainda e Luiz Carlos não soube informar onde estaria. O prefeito também disse não lembrar se é nominal ou não.
Indagado sobre o tipo de relação com o prefeito, e suposto traficante admitiu que em seu celular tem o contato de Juliano Ferro, mas negou que tenham proximidade com ele, embora tenha lhe entregado um veículo de R$ 519 mil para ser pago somente um ano depois. Ele ressaltou, ainda, que a caminhonete, por ser importada, só poderia ser transferida depois de um ano.
A reportagem buscou contato com o prefeito mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.
*Colaborou Neri Kaspary
O deputado federal Beto Pereira, que vai para o Republicanos - Forto: Divulgação


