Política

TRF3

Justiça Federal retoma Lama Asfáltica, operação que prendeu ex-governador

André Puccinelli e o filho passaram cinco meses presos sob a acusação de que chefiavam esquema de corrupção

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A Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal (PF) deflagrada em julho de 2015, suspensa em dezembro do ano passado, seis anos e meio depois, ressurgiu nesta sexta-feira por determinação da Justiça Federal.  

A ofensiva policial havia desarticulado uma organização criminosa, segundo a PF, que teria desviado recursos públicos por meio de licitações supostamente fraudadas e superfaturamento em obras tocadas pelo governo de Mato Grosso do Sul nas gestões de André Puccinelli (MDB), que foram de 2007 a 2014.

A Lama Asfáltica, inclusive, pôs na cadeia, em julho de 2018, o ex-governador, que hoje é pré-candidato ao governo. Investigadores do caso, para justificarem o pedido de prisão, afirmaram que Puccinelli chefiava um esquema de corrupção. O ex-governador e o filho André Júnior ficaram encarcerados por cinco meses.

Ocorre que, em dezembro passado, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou o afastamento do juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande Bruno Cezar da Cunha Teixeira, então magistrado que tocava as ações penais e os inquéritos da Lama Asfáltica.  

A corte entendeu que Teixeira estaria agindo de maneira parcial no processo. Ou seja, com a decisão do TRF-3, caíram a zero as investigações contra o ex-governador e o filho. No entanto, o tribunal mandou substituir o “juiz suspeito”, segundo sua interpretação.

Já em uma de suas primeiras ações como magistrada da Lama Asfáltica, a substituta, a juíza da 3ª Vara Federal de Campo Grande Júlia Cavalcante Silva, acatou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o empreiteiro João Amorim, a sócia e as três filhas. Antes da troca de magistrados, o quinteto era réu por crime de lavagem de dinheiro.  

Com a remoção do juiz Bruno Cezar, o empreiteiro, as filhas e a sócia tinham se livrado do processo. Agora, voltaram a ser réus. Contra Amorim, nesse processo, a suspeita é de que ele tenha lavado dinheiro na compra de duas fazendas, uma na cidade de Jaraguari e outra em Porto Murtinho, no valor de R$ 33,5 milhões.

PALAVRA DA JUÍZA

Para concordar com a denúncia do MPF, a juíza federal Júlia Cavalcante diz, em um trecho de sua decisão: 

“No caso sub examine [matéria que está sendo examinada] não se vislumbra a ocorrência de qualquer das hipóteses de rejeição descritas no artigo 395 do Código de Processo Penal. Ressalto que, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a aptidão da denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro não exige uma descrição exaustiva e pormenorizada do suposto crime prévio, bastando, com relação às condutas praticadas antes da Lei 12.683/12, a presença de indícios suficientes de que o objeto material da lavagem seja proveniente, direta ou indiretamente, de uma daquelas infrações penais mencionadas”.

Afirma ainda a magistrada: “Ante o exposto, com base no art. 396 do Código de Processo Penal, recebo a denúncia, pois verifico, em sede de cognição sumária, que a acusação está lastreada em razoável suporte probatório”.

João Amorim era dono da então Proteco, empreiteira que vencia as licitações promovidas pelo governo estadual tidas como suspeitas pelos investigadores da Polícia Federal.

Agora, o temor de servidores públicos, políticos e empresários implicados na Lama Asfáltica, que se sentiram aliviados quando o TRF-3 tirou o juiz Bruno Cezar do caso, é que o MPF refaça as denúncias contra a suposta organização criminosa e a juíza substituta acate todas, já que assim foi com Amorim.

SAIBA

Quando foi preso, em julho de 2018, Puccinelli estava em pré-campanha para concorrer novamente ao governo do Estado. À época, o partido chegou a manter a pré-candidatura, mas teve de recuar diante das recusas da Justiça aos pedidos de soltura. 

A convenção partidária que o coroaria candidato estava marcada para duas semanas depois da data da prisão. Seu nome chegou a ser substituído pelo da senadora Simone Tebet (MDB), mas ela voltou atrás. 

Às pressas, quem encabeçou a chapa emedebista foi o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Junior Mochi, que acabou por não chegar ao segundo turno.

EM EVIDÊNCIA

Em busca de holofotes, direita de MS se junta à caminhada de Nikolas

Três deputados do PL e um pré-candidato a senador pelo partido estão participando da Caminhada pela Liberdade

24/01/2026 08h20

Nikolas Ferreira com o deputado federal Rodolfo Nogueira e com o ex-deputado Capitão Contar

Nikolas Ferreira com o deputado federal Rodolfo Nogueira e com o ex-deputado Capitão Contar Montagem

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De olho no holofote nacional que conquistou a caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em defesa da anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos demais presos pela tentativa de golpe do 8 de Janeiro de 2023, três parlamentares e um pré-candidato a senador da direita de Mato Grosso do Sul aderiram à manifestação na reta final do movimento.

O primeiro a aderir ao ato político, que começou pela cidade de Paracatu (MG) na segunda-feira e termina neste domingo em Brasília (DF), percorrendo 240 km pela rodovia federal BR-040, foi o deputado estadual João Henrique Catan (PL), na terça-feira passada, enquanto o segundo foi o deputado federal Marcos Pollon (PL), na quinta-feira, ambos pré-candidatos a governador.

Já na sexta-feira, foram as vezes do deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), que vai tentar a reeleição no pleito deste ano, e do ex-deputado estadual Capitão Contar, pré-candidato do PL a senador da República, que seguem exemplos de diversos outros parlamentares de direita de todo o Brasil que atuam nos poderes legislativos estaduais e municipais, bem como de influenciadores e religiosos.

O principal nome a aderir, na terça-feira, foi o ex-vereador Carlos Bolsonaro. Nas redes sociais, ele agradeceu pelo gesto de “consideração e sensibilidade” demonstrado ao seu pai e aos condenados nos atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023.

“Desde os mais humildes que caminham ao nosso lado, até aqueles que deixam uma mensagem, um abraço ou uma palavra de apoio. Cada gesto importa, cada demonstração de solidariedade fortalece”, escreveu o filho do ex-presidente.

Recém-operado e com problemas de locomoção, o senador Magno Malta (PL-ES) também participa da iniciativa. Ele chegou à caminhada de bengalas e, ao longo do percurso, está sendo levado pelos bolsonaristas em uma cadeira de rodas.

“Eu, como deputado federal, com outros deputados e senadores, fico com o mesmo sentimento de vocês diante das prisões injustas do 8 de Janeiro, e a própria prisão do ex-presidente Bolsonaro, em relação a esse governo e ao Supremo Tribunal Federal. Eu tenho orado para que Deus me desse uma ideia sobre o que fazer, vim pensando e chegou o dia. Por isso, decidi caminhar até Brasília em um ato simbólico para poder trazer luz a todos os fatos que estão acontecendo”, disse Nikolas.

REDES SOCIAIS

Em nota divulgada nas redes sociais, a executiva nacional do PL apoiou a iniciativa. “É preciso agir com coragem, posição e determinação, porque a gente não foge quando a liberdade está em jogo. Vamos juntos em defesa da democracia de verdade: aquela que respeita o povo, a Constituição e o direito de pensar diferente. Bolsonaro livre, Brasil livre”, escreveu na legenda.

Também por meio de nota publicada em sua conta na rede social Instagram, o ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PL de Mato Grosso do Sul e pré-candidato a senador da República pela sigla, elogiou a iniciativa. “A coragem de um abriu o caminho para que muitos seguissem juntos”, escreveu.

Outro que também usou as redes sociais para enaltecer o movimento foi o deputado estadual Coronel David (PL), que divulgou um vídeo rebatendo de forma direta as declarações do pré-candidato do PT ao governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, que classificou como “patética” a caminhada realizada por Nikolas.

No vídeo, Coronel David enaltece a iniciativa e desmonta a crítica feita por Fábio Trad, afirmando que o comentário revela distanciamento da realidade e desprezo pela política feita à população.

“Patético é achar que política se faz longe das pessoas. Patético não é caminhar com o povo. Patético é desprezar a rua, é achar que política se faz só em gabinete, longe de quem vive os problemas reais do País”, afirmou.

Ele destacou ainda que Nikolas Ferreira optou por uma agenda simples, sem eventos fechados ou encenações, priorizando o contato direto com as pessoas. “Quem tem respaldo popular vai à rua. Quem perdeu essa conexão reage com deboche”, disse em outro trecho do vídeo.

DEMAIS REPERCUSSÕES

O ex-deputado estadual Capitão Contar escreveu nas suas redes sociais que “estar ao lado de tantas pessoas unidas pelo mesmo desejo de Justiça e liberdade renova as nossas forças”.

“É a prova de que o resgate do nosso Brasil é possível!”, assegurou. Ele ainda completou que “essa garra e determinação são o combustível para o que vem pela frente”.

“Esta caminhada até Brasília é apenas o começo de uma jornada incansável pelo nosso País. Vamos juntos, Mato Grosso do Sul! Acorda, Brasil”, postou.

Capitão Contar também escreveu que, a cada trecho percorrido, mais apoiadores se unem à causa. “É a determinação de brasileiros que dão voz aqueles que sofrem com as injustiças, as perseguições e os abusos de poder. Cheguei para me juntar a esse grupo que não se cala diante do que está acontecendo no nosso País. Esse é apenas o começo. É pela nossa liberdade, pelo futuro do Brasil e pelos sul-mato-grossenses!”, concluiu.

Já o deputado federal Rodolfo Nogueira destacou a atuação de Nikolas Ferreira como uma das principais vozes do movimento conservador no País.

Em discurso, ele afirmou que o parlamentar “acendeu os corações” de seus apoiadores e simboliza esperança para o Brasil, utilizando a expressão “voz que clama no deserto” para descrever sua trajetória política e mobilizadora.

“Estamos juntos pelo Brasil, pelos nossos filhos, pelo nosso futuro. O presente pode ser deles, mas o futuro é nosso”, afirmou o parlamentar, reforçando a união do grupo e que a Caminhada pela Liberdade integra uma série de atos organizados por parlamentares e apoiadores alinhados ao ex-presidente Bolsonaro para manter a mobilização política da base conservadora em todo o País.

ANIVERSÁRIO

O deputado federal Marcos Pollon foi recebido com “parabéns para você”, cantado pelos apoiadores e lideranças, pois o seu aniversário foi na segunda-feira. Ele justificou que demorou para se juntar à caminhada porque no meio do trajeto de Mato Grosso do Sul até Goiás teve pane no veículo.

O parlamentar levou alguns apoiadores que queriam participar após convocação de Nikolas Ferreira nas redes sociais, como o vereador Raul (PL), de Chapadão do Sul, e o influencer Charles Gama. “Quero conclamar a todos para estarem em Brasília no domingo, quando teremos uma grande manifestação”, declarou.

Primeiro parlamentar de Mato Grosso do Sul a fazer parte da caminhada, o deputado estadual João Henrique Catan também convocou a população para um ato de domingo em Brasília.

“Vou postando e convidando todos vocês a acompanharem esse movimento, mostrando como estamos sendo recebidos pelas pessoas nas rodovias e nas cidades”, declarou.

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Política

Lula volta a dizer que 2026 será 'ano da comparação' entre seu governo e passados

Declaração foi feita durante evento em Maceió (AL) para formalizar a entrega de 1,3 mil moradias do programa Minha Casa, Minha Vida

23/01/2026 22h00

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar, nesta sexta-feira, 23, que 2026 será o "ano da verdade" e "da comparação". A declaração foi feita durante evento em Maceió (AL) para formalizar a entrega de 1,3 mil moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.

Lula disse que assumiu o governo com o País "desmantelado" e que os dois primeiros anos de seu mandato foram dedicados à reconstrução. Segundo o presidente, o governo anterior tinha como principal prática a disseminação de mentiras nas redes sociais. Em seguida, voltou a afirmar que 2026, ano de eleições presidenciais, será o "ano da comparação" com os governos dos ex-presidentes Jair Bolsonaro (PL) e Michel Temer (MDB).

"Nós vamos comparar cada coisa que fizemos com os governos Temer e Bolsonaro. Comparar quem fez mais estradas, universidades, institutos federais. Para vocês escolherem quem vai cuidar de vocês", afirmou.

Sem citá-lo nominalmente, Lula também criticou pessoas que defendem o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

"Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? Os bancos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal", disse.

Após a declaração, alguém na plateia gritou: "E tem gente que defende". Lula concordou e completou: "Está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara neste País".

Oposição defende CPI do Banco Master

Apesar do discurso do presidente, a oposição ao governo defende a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para apurar crimes e fraudes cometidos por operadores do liquidado Banco Master, cujo proprietário é Daniel Vorcaro, citado por Lula.

Ao Estadão, o novo líder da oposição na Câmara, deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou apoiar a criação da comissão. O requerimento é encabeçado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ).

Além disso, o Movimento Brasil Livre (MBL), crítico do governo Lula, realizou nesta quinta-feira, 22, uma manifestação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso Master.

O ato ocorreu em frente à sede da instituição financeira, nas imediações da Avenida Faria Lima, em São Paulo, e teve como foco decisões recentes do magistrado no inquérito. Em cartazes, manifestantes exibiam frases como "Vorcaro na cadeia".

Minha Casa, Minha Vida chega a 2 milhões de moradias

Durante o mesmo evento, o ministro das Cidades, Jader Filho, anunciou o cumprimento da meta de contratação de 2 milhões de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.

Na cerimônia desta sexta, foi oficializada a entrega de 1.337 unidades habitacionais por meio do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). As moradias estão localizadas nos empreendimentos Dr. Pedro Teixeira 1 e 2, Parque Lagoa e Diana Simon Duarte.

Também participaram do evento o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB) e os ministros Jader Filho (Cidades), Rui Costa (Casa Civil), Renan Filho (Transportes), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Alexandre Padilha (Saúde) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral).

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