Política

PROPOSTA

Lira e Lula fazem acordo sobre emendas e PEC da Transição passa no 1º turno na Câmara

Acordo prevê R$ 12,4 milhões a mais em emendas parlamentares individuais para cada deputado e R$ 39,3 milhões extras para cada senador

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Depois de muitas negociações, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fechou nesta terça-feira, 20, acordo com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que prevê R$ 12,4 milhões a mais em emendas parlamentares individuais para cada deputado e R$ 39,3 milhões extras para cada senador.

A negociação ocorreu um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar o orçamento secreto e envolveu a promessa de Lira de garantir votos para aprovar, no plenário da Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição.

O acerto de Lula com o Centrão prevê a redistribuição de R$ 19,4 bilhões que estavam reservados para as emendas do orçamento secreto, em 2023, mas agora com rateio dos recursos entre parlamentares e governo.

Chancelado por líderes da Comissão Mista de Orçamento, o acordo estabelece que, deste total, R$ 9,85 bilhões devem ser usados por ministérios para investimentos.

O presidente eleito garantiu, porém, que negociará com os congressistas. Outros R$ 9,55 bilhões serão destinados a emendas individuais de deputados e senadores.

Hoje, cada um deles tem direito a R$ 19,7 milhões para esse tipo de emenda. Mas, com o aumento avalizado por Lula, a partir de 2023 um deputado poderá destinar R$ 32,1 milhões para repassar a seus redutos eleitorais e um senador contará com R$ 59 milhões. As cifras são corrigidas pela inflação nos anos seguintes.

O preço foi imposto pelo Centrão para aprovar a PEC da Transição, que passou no primeiro turno com 331 votos a favor e 168 contra.

A proposta permite o aumento do teto de gastos e uma licença para o governo Lula gastar R$ 168 bilhões, com o objetivo de pagar o Bolsa Família de R$ 600 e o novo salário mínimo, além de outras despesas.

O Centrão exigiu, porém, que a autorização para o aumento dos gastos fosse reduzida de dois anos para um, desidratando a PEC. O segundo turno da votação ocorrerá nesta quarta-feira, 21.

O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com Lira para negociar o acordo, que teve o aval de Lula.

O presidente da Câmara, por sua vez, comandou vários encontros com líderes de partidos. Foram muitas idas e vindas até o acordo, por causa do clima de desconfiança entre os interlocutores.

Lira e seus aliados achavam que o PT queria assumir o controle de tudo. Os petistas, na outra ponta, reclamavam da tentativa do presidente da Câmara de transformar Lula em refém para emplacar seus apadrinhados em ministério.

Interesse

O interesse principal do Centrão recai em Minas e Energia e Saúde. Lula não aceita entregar o Ministério da Saúde, prometido para Nísia Trindade, presidente da Fiocruz.

Minas e Energia ainda está em negociação. A "fatura" cobrada pelo Centrão também inclui cargos de comando na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Desde que foi instituído pelo governo de Jair Bolsonaro, há dois anos e meio, o orçamento secreto, revelado pelo Estadão/Broadcast, serve de moeda de troca e de instrumento de barganha usado pelo Palácio do Planalto para obter apoio no Congresso.

O poder de Lira e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), esteve concentrado nesse toma lá, dá cá. Os dois são candidatos a novo mandato. A disputa está marcada para 1.º de fevereiro de 2023.

O PT anunciou apoio à reeleição de Lira e também deve avalizar Pacheco. Aliados de Lula em partidos como Rede e PSOL, no entanto, acham que é preciso lançar um nome para enfrentar o presidente da Câmara, mas a estratégia é vista apenas como "balão de ensaio".

Lira responsabilizou Lula pela derrubada do orçamento secreto, uma vez que o presidente eleito é próximo ao ministro do Supremo Ricardo Lewandowski. O ministro considerou ilegal a distribuição dos recursos, nos moldes atuais.

A decisão surpreendeu o Centrão, uma vez que Lewandowski tinha dado declarações de que mudanças feitas pelo Congresso nesse dispositivo atendiam às preocupações da Corte. A partir daí, a relação entre Lira e Lula azedou e foi difícil o acordo.

 

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PESQUISA

Reinaldo Azambuja mantém liderança na disputa para o Senado em MS

Pesquisa IPR/Correio do Estado mostra ex-governador com 23,98% na soma dos dois votos; Capitão Contar, com 20,34%, é segundo colocado

21/09/2026 06h40

Azambuja e Contar (ao centro) lideram pesquisa; Vander e Soraya (nos cantos) aparecem no segundo pelotão

Azambuja e Contar (ao centro) lideram pesquisa; Vander e Soraya (nos cantos) aparecem no segundo pelotão Fotomontagem/Divulgação

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Nova rodada da pesquisa IPR/Correio do Estado mostra o ex-governador de Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL) se consolidando em primeiro lugar na preferência dos eleitores na disputa por uma das duas vagas ao Senado nas eleições deste ano. Azambuja se manteve na liderança, com 23,98% da preferência do eleitorado na pesquisa estimulada, na soma dos levantamentos referentes ao primeiro e ao segundo votos da disputa.

Em relação ao levantamento anterior, Azambuja cresceu 0,96 ponto porcentual, mantendo uma trajetória consistente de crescimento. A pesquisa, registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-05239/2026 e MS-06794/2026, foi realizada entre os dias 15 a 19 de setembro, com 784 entrevistas em 17 cidades de Mato Grosso do Sul, incluindo os principais colégios eleitorais. A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%.

A pesquisa IPR/Correio do Estado ainda indica uma dobradinha dos candidatos do PL na disputa, se a eleição fosse hoje. O segundo colocado na soma do primeiro e do segundo votos para o Senado é Capitão Contar (PL), com 20,34%. No levantamento anterior, ele tinha 17,09% da preferência do eleitorado.

A dupla do PL tem uma larga vantagem sobre os candidatos dos partidos de esquerda no cenário estimulado. O deputado federal Vander Loubet (PT) é o terceiro na disputa ao Senado, com 8,99% da preferência do eleitorado. O petista se manteve estável em relação ao levantamento anterior.

Na quarta posição aparece a senadora Soraya Thronicke (PSB), candidata à reeleição. Ela tem 8,61% da preferência dos eleitores neste cenário estimulado, com a soma do primeiro e do segundo votos na disputa.

INDECISOS

O volume de votos brancos, nulos e indecisos, apesar da queda brusca e de uma maior cristalização dos votos nesta rodada, ainda é grande. Os 28,97% dos eleitores que ainda não decidiram em quem votar, que anularão o voto ou votarão em branco formam o maior grupo do levantamento e superam as intenções de voto para qualquer um dos candidatos.

O grupo, contudo, vem caindo desde o mês de março, quando representava 49,74% dos eleitores. O porcentual caiu para 40,05% em abril, 33,1% em agosto e, agora, para 28,57% da amostragem do eleitorado captada pelo IPR.

Quando apenas o volume de indecisos é separado dos brancos e nulos, o porcentual cai para 21,36%, grupo inferior apenas ao dos que dizem que votarão em Reinaldo Azambuja.

Por se tratar de uma eleição com duas vagas, o IPR faz duas perguntas ao entrevistado: qual será o primeiro e o segundo voto? Os números apresentados têm origem no agrupamento desses dois cenários, cujo universo da amostragem equivale a 200%, e não a 100%, como nas pesquisas para outras eleições majoritárias.

Os votos brancos e nulos somam 7,21% neste levantamento.

Azambuja e Contar (ao centro) lideram pesquisa; Vander e Soraya (nos cantos) aparecem no segundo pelotão

NANICOS

A pesquisa também aferiu a performance dos candidatos dos partidos pequenos. Neste grupo, quem mais se destaca é o candidato do PSOL, Beto do Movimento, com 3,32% dos votos.

Luiz Lemes, do Democracia Cristã, tem 1,85% das intenções; Roberto Oshiro (Novo), 1,72%; Daniel Junior, do Agir, 1,15%; Valter da Comagran (PRD), 0,83%; e Valderi Garbia (PCO), 0,64%.

REJEIÇÃO

O levantamento IPR/Correio do Estado também verificou a rejeição dos candidatos. A senadora Soraya Thronicke (PSB) é a mais rejeitada, com 10,97% dos eleitores afirmando que não votariam nela de jeito nenhum.

Na sequência aparece Capitão Contar (PL), rejeitado por 8,55%. O ranking da rejeição é completado por Vander Loubet (PT), com 5,87%; Reinaldo Azambuja (PL), 4,21%; Beto do Movimento (PSOL), 1,40%; Daniel Júnior (Agir), 0,77%; Luiz Lemes (DC), 0,64%; Roberto Oshiro (Novo), 0,64%; Valter da Comagran (PRD), 0,38%; e Valderi Garcia (PCO), 0,13%.

Os eleitores que não rejeitam nenhum deles representam 50% da amostragem; os que rejeitam todos, 9,95%; os que votarão em branco ou nulo, 2,55%; e os indecisos, 3,95%.

ANÁLISE

O diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, avalia que há uma consolidação da dupla de candidatos do PL na liderança da disputa. 

“A distância entre o segundo colocado e o terceiro atingiu 11,35 pontos porcentuais[mais de três vezes a margem de erro], estabelecendo uma vantagem conjunta expressiva sobre os demais concorrentes”, avalia.

Sobre a oposição, Barbosa destaca: “Os dois nomes mais citados pelos eleitores de esquerda aparecem divididos e em patamares inferiores”. “O deputado Vander Loubet, com 8,99%, e a senadora Soraya Thronicke, com 8,61%, estão empatados tecnicamente, travando uma disputa isolada pelo terceiro lugar”. 

“Somados, eles chegam a 17,60% na média, marca que permanece abaixo da pontuação individual do segundo colocado, sem registrar qualquer movimento de mudança de patamar ao longo de toda a série histórica”, acrescenta.

Sobre os indecisos, o diretor do IPR destaca que apesar da queda brusca entre março e setembro, o elevado índice de indecisão na consulta espontânea e a definição do voto exigem atenção.

 “O grupo que decidirá por último é formado majoritariamente por mulheres, representando 70,2%, e por jovens de 16 a 34 anos, que somam 37,9%”, indica. 

“Como a lembrança espontânea ainda é baixa, a decisão nos últimos dias tende a definir principalmente a ordem de chegada, sendo necessário um fato novo de grande proporção para alterar a composição da dupla de frente”, conclui o diretor.

Armamento

Trump diz que 'Arco do Triunfo dos EUA' terá drones, atiradores de elite e depósito de munição

Declaração é mais um exemplo de como Trump tem atribuído uma finalidade defensiva a seus projetos para embelezar a Casa Branca

20/09/2026 22h00

Trump e Lula em encontro na Malásia recentemente

Trump e Lula em encontro na Malásia recentemente Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Donald Trump afirmou neste domingo, 20, que o "Arco do Triunfo" dos Estados Unidos que pretende construir entre o Memorial de Lincoln e o Cemitério Nacional de Arlington se tornaria um "complexo militar de primeira linha", capaz de abrigar drones e atiradores de elite, além de armazenar munição.

A declaração é mais um exemplo de como Trump tem atribuído uma finalidade defensiva a seus projetos para embelezar a Casa Branca e a cidade.

O presidente também vem se referindo ao novo salão de baile da Casa Branca como um "complexo militar" e argumenta que a construção é necessária para a segurança nacional. O Pentágono afirmou não ter informações adicionais além da declaração do presidente.

A fala Trump ocorre em meio a uma disputa judicial envolvendo o arco, assim como outros projetos do presidente. Embora a construção tenha recebido aprovação preliminar da Comissão de Belas Artes dos EUA - cujos membros foram todos indicados por Trump -, três veteranos e um historiador de arquitetura entraram com uma ação judicial sob o argumento de que o projeto precisa ser aprovado pelo Congresso.

"Os esforços tardios do presidente para inventar uma justificativa de segurança nacional para este projeto não fazem nada para sanar sua ilegalidade fundamental", afirmou no domingo Nicolas Sansone, um dos advogados que representam os autores da ação. "O Congresso não autorizou o arco e, a menos que o faça, o projeto não deve ter permissão para seguir adiante."

Em uma publicação nas redes sociais, o presidente republicano afirmou que concordou, a "forte pedido" das Forças Armadas, em transformar o arco memorial planejado, de 75 metros de altura, "em um complexo militar de alto padrão/Arco do Triunfo de alto padrão, para abrigar, armazenar e ter a capacidade de utilizar rapidamente um grande número de drones, além de atiradores de elite, tanto no telhado quanto na praça, e, adicionalmente, armazenar grandes quantidades de munição para atiradores de elite".

O arco está previsto para uma rotatória próxima à Memorial Bridge, uma área de tráfego intenso por abrigar uma das poucas pontes que ligam a capital americana ao norte da Virgínia.

A construção é um dos vários projetos promovidos pelo presidente republicano para deixar sua marca em Washington. Entre as outras iniciativas estão o salão de baile da Casa Branca, a mudança de nome e a reforma do Kennedy Center, a reforma do Espelho d’Água do Memorial de Lincoln e a reconstrução de um campo de golfe no East Potomac Park, que poderia reduzir significativamente o acesso do público às trilhas de corrida e ciclismo.

O início das obras do arco estava previsto para este mês. O projeto ainda não recebeu a aprovação final da Comissão de Planejamento da Área da Capital Nacional, que aprovou o local e os planos preliminares em uma reunião realizada em julho. A expectativa é que a comissão volte a analisar a proposta durante o outono no Hemisfério Norte.

*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.

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