Política

regras

Bancada ruralista avança PL que flexibiliza agrotóxicos em meio a debate por PEC da Transição

O projeto entrou na pauta da Comissão de Agricultura do Senado (CRA) em uma reunião extraordinária

Continue lendo...

Em meio à negociação para a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição, a bancada ruralista conseguiu avançar no Senado o projeto que flexibiliza as regras para autorização ao uso de agrotóxicos, conhecido como PL do Veneno, e pressionou o PT a aceitar a votação do texto ainda neste ano.

O projeto entrou na pauta da Comissão de Agricultura do Senado (CRA) em uma reunião extraordinária, marcada de última hora, nesta segunda (19) – na última semana antes do recesso parlamentar e um dia antes da data acertada para a votação da PEC da Transição na Câmara.

Tradicionalmente, essa comissão só se reúne às quintas-feiras. Na sessão desta segunda, o novo relatório foi lido e a matéria, deliberada, tudo em menos de uma hora – e com cerca de meia hora para que o texto pudesse ser analisado pelos parlamentares, após um pedidos de vistas.

O PL quase foi votado no fim do mês passado, mas a votação foi adiada a pedido do grupo de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos últimos dias, no entanto, o texto entrou no bojo das negociações para a aprovação da PEC da Transição, e o PT decidiu que não criaria embaraços para a votação no Senado.

Apesar de ter concordado em votar o projeto de lei, integrantes do partido afirmam sob reserva que a ideia é manter a postura defendida até aqui –contra a aprovação do PL– e levar a discussão para o plenário. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em fevereiro e depende, agora, do aval do Senado.

O senador Paulo Rocha, líder do PT na Casa, ainda apresentou um voto em separado durante a sessão na CRA. "Tem que ficar clara a posição do PT nesse debate", disse ele, que fez críticas ao projeto e afirmou que ele precisava ser mais longamente debatido e que o texto deveria ser revisado para diminuir seus impactos.
"[Nós] não temos como não encaminhar contra esse projeto, do jeito que ele está", completou. Mesmo assim, o texto avançou.

O Ministério da Agricultura já havia pedido a interlocutores de Lula junto ao agronegócio que aproveitassem as negociações em torno da PEC da Transição para aprovar também o chamado PL do Autocontrole –que muda o sistema atual, exclusivamente estatal, e prevê o autocontrole na produção agropecuária.

Com medo de que o chamado PL do Veneno seja aprovado pelo Congresso em 2023, mas vetado por Lula, a bancada ruralista quer garantir que o texto seja aprovado a tempo de ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que é a favor das mudanças.

Prioridade do Ministério da Agricultura, o PL amplia o poder da pasta para licenciar agrotóxicos e esvazia as atribuições da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Dentre outros pontos, o texto também substitui o termo "agrotóxico" na legislação por "pesticida", e fixa o prazo para obtenção do registro desses produtos. O projeto também prevê licenças temporárias caso o prazo não seja cumprido pelos órgãos competentes.

O presidente da Comissão de Agricultura do Senado, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), que também é relator do PL, apresentou um novo parecer na sexta-feira (16). O relator fez ajustes pontuais no texto para diminuir a resistência dos senadores que são contrários à aprovação.

Gurgacz afirmou que buscou deixar claro que "serão preservadas as competências dos responsáveis pelo setor da saúde e de meio ambiente". A redação atual mantém, no entanto, a Anvisa e o Ibama com função homologatória. A mudança também deixa em aberto quais serão os critérios para priorizar as análises pelos órgãos.

O PL colocou em rota de colisão os integrantes da transição do novo governo ligados à agricultura e ao meio ambiente. Em reunião no fim do mês passado –logo após o adiamento da votação– os ambientalistas sugeriram a apresentação de um novo projeto de lei, que tivesse consenso, no primeiro semestre de 2023.

O grupo reforçou que emendas pontuais, que ainda podem ser apresentadas, não conseguem mais corrigir os problemas do texto. Pessoas que participaram do encontro relataram que Gurgacz afirmou que levaria a proposta à bancada ruralista, mas não se comprometeu em retirar o PL da pauta definitivamente neste ano.

Um dos principais defensores do projeto é o senador Carlos Fávaro (PSD-MT), cotado para o Ministério da Agricultura e um dos coordenadores do grupo de agricultura da transição do novo governo. Já Acir Gurgacz integra a equipe de transição de Lula na área de infraestrutura.

Por outro lado, o projeto é alvo de duras críticas da ex-ministra do Meio Ambiente e deputada federal eleita Marina Silva (Rede-SP), do grupo de trabalho do meio ambiente. Marina foi uma das principais apoiadoras de Lula no segundo turno e também está cotada para assumir algum posto no governo.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o PL que flexibiliza os agrotóxicos é a principal proposta do pacote apelidado por ambientalistas de "boiadinhas". O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), enviou o projeto apenas para a CRA, dominada por ruralistas, e decidiu ignorar a análise da CMA (Comissão de Meio Ambiente) e da CAS (Comissão de Assuntos Sociais).

Revogado

Relator no TSE derruba decisão de Nunes Marques e mantém canal 'Exército do Lula' no WhatsApp

Nunes Marques havia atendido solicitação da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL)

11/10/2026 15h30

Ministro Kassio Nunes Marques

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Divulgação / X

Continue Lendo...

O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, e manteve no ar o canal “Exército do Lula” no WhatssApp.

Na manhã deste domingo, 11, Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e determinou a derrubada do canal, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Nunes Marques havia afirmado que o canal transmitia “a milhões de pessoas, sob comando único” conteúdos que o TSE já reconheceu como “inverídicos.” “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral”, dizia de decisão.

A campanha de Flávio alegou que o canal foi criado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) para disseminar desinformação sobre o cancelamento do Programa Bolsa Família, redução do valor de aposentadorias, entre outros casos.

No entendimento de Kassio, o canal é responsável pela replicação de conteúdos que já foram considerados “inverídicos” pelo tribunal, como a afirmação de que Flávio seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida de padroeira do Brasil, além de afirmar que o candidato reduzirá aposentadorias se for eleito.

“Quando essa mesma potência é posta a serviço da replicação de fatos que esta Corte já reconheceu como inverídicos, o dano ao equilíbrio do pleito é imediato e de difícil reversão”, afirmou.

O presidente do TSE também afirmou que a "paridade de armas" deve ser garantida entre os candidatos.

“A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”, completou.

Competência

Kassio ressaltou ainda que sua decisão foi tomada em função da proximidade do segundo turno das eleições.

“O perigo na demora também está presente. O segundo turno das eleições realizar-se-á em 25 de outubro de 2026, e cada hora de funcionamento do canal amplia a exposição do eleitorado, com repercussão imediata e de difícil reversão”, justificou.

A legalidade do canal “Exército do Lula” já estava judicializada no TSE antes da decisão do presidente da Corte.

A campanha de Flávio ajuizou uma ação para cassar o mandato de Janones, além de solicitar a suspensão do canal.

Neste sábado (10), o ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, relator do processo, pediu que o presidenciável apresente informações complementares.

Em suas redes, Janones rebateu a acusação de que utiliza o canal para disseminar notícias falsas. Segundo ele, o objetivo do canal é mobilizar e orientar eleitores durante o segundo turno das eleições presidenciais, que será disputado no dia 25, último domingo do mês, entre Flávio e Lula.

Janones também enfatizou que não divulgou nenhuma notícia no canal.

“A gente estava só mobilizando, crescendo páginas, trazendo pessoas, explicando como que iria funcionar”, complementou.

Janones disse que o pedido da candidatura do PL é motivado por “medo”.

“Eles pedem que eu seja proibido de criar outros canais. Sabe o nome disso? Medo. Eles estão com medo”, disse.

Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil 

MARCHA PELA DEMOCRACIA

Movimento pró Lula reúne 1 milhão de apoiadores na Avenida Paulista

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE)

11/10/2026 14h45

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11)

Movimento na Avenida Paulista reuniu cerca de 1 milhão de apoiadores de Lula, neste domingo (11) Reprodução: rede social / Lula

Continue Lendo...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de um ato na Avenida Paulista, na manhã deste domingo (11). Segundo o perfil oficial do candidato à reeleição, cerca de 1 milhão de apoiadores se reuniram nas ruas de São Paulo para o ato, o qual teve o objetivo de reverter o cenário das eleições no segundo turno, diante da desvantagem na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), que ficou à frente no primeiro turno da eleição.

Entre as autoridades que participaram do movimento, estiveram presentes: Simone Tebet (PSB), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (REDE).

O ato, batizado de Marcha pela Democracia, foi convocado por estudantes, comunidades de fãs, movimentos sociais e partidos de esquerda. A concentração começou às 11h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e seguiu até a praça Roosevelt, no centro da capital paulista.

Em discurso durante a marcha, Lula criticou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Nunes Marques de derrubar um canal do Whatsapp com mais de 3 milhões de apoiadores do petista, a pedido da campanha de Flávio, ao dizer que dissemina desinformação. Além disso, Lula disse desconfiar do comportamento da Justiça Eleitoral.

"Não é possível que um presidente [de tribunal] eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano", afirmou Lula a jornalistas, em referência a Kassio Nunes Marques.

O petista disse ainda estar "desconfiado do comportamento da corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa".

"Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral", afirmou. "Acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque já há alguns dias estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura", completou Lula.

Novo canal

Logo após a ordem de derrubada, Janones gravou vídeo criticando a decisão e convocando seus seguidores a entrarem em um novo canal no Instagram. No material, ele pede que os eleitores de Lula denunciem a decisão de Kassio e diz que a medida será um tiro no pé na campanha de Flávio.

"Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito, a censura vai ser instalada. A censura já começou", afirmou. "Só que eles vão sentir a força de 3,3 milhões de pessoas unidas. Nós não vamos nos calar. Nós vamos continuar."

"Vocês venceram a batalha, mas a guerra vocês não venceram", disse. "Eu vou criar um canal dentro do Instagram, que aí eles não terão como derrubar", seguiu Janones.

Na última quarta, Lula disse que sua campanha de primeiro turno neste ano foi a menos organizada de suas disputas presidenciais. Ele deu a declaração a aliados ao lado do coordenador da campanha, Edinho Silva, que foi criticado por petistas pela forma como conduziu o esforço de reeleição de Lula.

"Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta", declarou Lula.

*Com informações do Folha de S. Paulo

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).