Política

insatisfação

Mais da metade dos vereadores do PSD cogita deixar partido na próxima janela

O ex-prefeito Marquinhos Trad, que deve assumir a executiva municipal, acredita que conseguirá reverter essa decisão

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Mais da metade dos oito vereadores do PSD em Campo Grande já cogita deixar o partido na próxima janela partidária, em abril de 2024, por insatisfação com a forma “morosa” que as executivas estadual e municipal estão tratando as eleições municipais do ano que vem.

Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, pelo menos cinco parlamentares do partido – Junior Coringa, Professor Riverton, Silvio Pitu, Tiago Vargas e Valdir Gomes – já estariam ouvindo propostas de outras legendas para tentar a reeleição em 2024. 

Procurado pela reportagem, o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad, que deve assumir a executiva municipal, disse acreditar que possa acalmar os ânimos dos vereadores mais revoltados com a condução adotada pelo PSD para o próximo pleito.

“Dizem que a política é igual à nuvem, então, vamos aguardar. Tudo tem o seu tempo e o seu momento. O partido também é maduro o suficiente para fortalecer a legenda e dar a eles a tranquilidade para a reeleição”, disse ontem, com exclusividade ao Correio do Estado.

Com relação à demora para que assuma oficialmente o diretório municipal do PSD em Campo Grande, Marquinhos Trad lembrou que o prazo regimental para que todos os partidos definam seus diretórios municipais é o dia 31 de julho, portanto, ainda há bastante tempo.

Sobre a possibilidade de sair candidato a vereador nas eleições de 2024, ele disse que vai depender de uma decisão em conjunto. “Vou me reunir com aqueles que são os nossos pré-candidatos e os que vão buscar a reeleição para decidirmos em conjunto se vou ou não me candidatar”, argumentou.

DESCONTENTES

O vereador Junior Coringa, líder do PSD na Câmara Municipal de Campo Grande, disse ao Correio do Estado que, como foi um dos fundadores do partido, está trabalhando para não sair do PSD. 

“Eu estou buscando a unidade do partido para termos uma legenda forte para o próximo ano porque, se não estivermos fortalecidos, não vamos conseguir eleger uma boa bancada e não teremos cabeça de chapa”, alertou.

Ele cobrou mais agilidade do presidente estadual do PSD, senador Nelsinho Trad, para definir logo o presidente municipal do partido em Campo Grande.

“Se vai ser o Marquinhos, coloca logo, se não vai ser, já escolhe um outro para a gente poder discutir a sucessão municipal, porque hoje nós estamos parados porque não temos um presidente respondendo pelo municipal”, reclamou.

Junior Coringa disse que sua vontade é ficar no PSD, mas informou que já recebeu convites de vários partidos. “Tenho uns 10 partidos que me convidaram, mas, como tenho interesse de ficar no PSD, vou trabalhar para compor uma chapa forte para fazer uma bancada numerosa na próxima eleição”, projetou.
Apesar disso, o vereador disse que tudo pode acontecer no futuro. “A gente está no aguardo de que o PSD se reestruture e que a gente não precise sair”, pontuou.

Já o vereador Valdir Gomes confirmou que estuda convite de outras três siglas e avalia qual será o melhor caminho para a reeleição. “Eu preciso de mais um mandato e estou vendo para onde vou, se para o PP, o PSDB ou o PSB. Não me decidi ainda”, declarou.
 

O parlamentar explicou que precisa ser reeleito para conseguir concluir o projeto da Vila do Idoso. “Esse é um projeto meu e não posso deixar inacabado, pois não sou um vereador figurativo. No momento, não ouvi nenhuma conversa da executiva municipal para montar chapa”, reclamou.

O vereador Professor Riverton é outro que estaria aguardando a janela partidária de abril de 2024 para migrar para o PP, que é o partido de sua “madrinha” política, a senadora Tereza Cristina. 
No caso do vereador Silvio Pitu, conforme disse ao Correio do Estado, o problema é a falta de movimentação por parte do diretório municipal para a eleição do ano que vem.

“Se não tivermos mudanças urgentes, tenho de procurar outra legenda, pois, assim como o vereador Valdir Gomes, também preciso ser reeleito”, afirmou, revelando que recebeu convites de outras siglas. 

Outro que já está com o pé fora do PSD é o vereador Tiago Vargas, que, mesmo estando inelegível por determinação da Justiça Eleitoral, acredita que poderá reverter a decisão e tentar a reeleição em 2024, mas por uma outra legenda, provavelmente o PL.
 

SAIBA

A cada ano eleitoral ocorre a chamada janela partidária, um prazo de 30 dias para que deputados estaduais, deputados federais e vereadores possam mudar de partido sem perder o mandato. Esse período acontece seis meses antes do pleito.

A regra foi regulamentada pela reforma eleitoral de 2015 (Lei nº 13.165/2015) e se consolidou como uma saída para a troca de legenda, após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que definiu que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato eleito.

Política

TSE cria conselho para monitorar desinformação e IA nas eleições

Grupo dará assessoria ao presidente da Corte eleitoral

07/08/2026 22h00

TSE

TSE Reprodução/TSE

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou nesta sexta-feira (7) o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional para monitorar o uso indevido da inteligência artificial e a difusão de desinformação durante a campanha eleitoral.

O grupo será responsável pelo assessoramento do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, nas ações para manter a normalidade do processo eleitoral.

Profissionais de diversas áreas vão participar do grupo, entre eles especialistas em tecnologia da informação, segurança pública, relações internacionais e saúde pública. Os nomes dos participantes ainda não foram escolhidos pelo TSE.

As reuniões serão mensais. O conselho está previsto para funcionar até 31 de dezembro.

IA 

Em março, o TSE aprovou regras sobre o uso de inteligência artificial durante as eleições gerais de outubro.

As normas valem para candidatos e partidos. Os ministros proibiram que provedores de IA permitam, ainda que solicitado pelos usuários, sugestões de candidatos para votar.

O objetivo é evitar a interferência de algoritmos na livre escolha dos eleitores. 

Para combater a misoginia digital, o TSE proibiu postagens nas redes sociais com montagens envolvendo candidatas e fotos e vídeos com nudez e pornografia.

A Corte eleitoral também reafirmou que os provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça se não retirarem perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários.

Eleições

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República.

O segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro na disputa para os cargos de governador e presidente. Os eleitores voltarão às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.

Contas Partidárias

TRE manda PSB de MS devolver dinheiro usado para pagar juros e multas

Contas do diretório estadual foram aprovadas com ressalvas; Justiça Eleitoral considerou irregular o uso de recursos do Fundo Partidário para quitar R$ 818,63 em encargos decorrentes de atrasos

07/08/2026 17h59

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), que aprovou com ressalvas as contas de 2024 do diretório estadual do PSB e determinou a devolução de R$ 818,63 ao Tesouro Nacional.

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), que aprovou com ressalvas as contas de 2024 do diretório estadual do PSB e determinou a devolução de R$ 818,63 ao Tesouro Nacional. Foto: Divulgação

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) determinou que o diretório estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) devolva ao Tesouro Nacional R$ 818,63 utilizados irregularmente para o pagamento de juros e multas por atraso. A decisão foi tomada durante a análise da prestação de contas da legenda referente ao exercício financeiro de 2024.

As contas foram aprovadas com ressalvas, por unanimidade, seguindo parecer do Ministério Público Eleitoral. A Corte, no entanto, considerou irregular o uso de recursos do Fundo Partidário para o pagamento de encargos decorrentes da inadimplência da própria legenda.

Na prática, a aprovação com ressalvas significa que o TRE-MS considerou as contas regulares no conjunto, mas identificou uma falha que, embora deva ser corrigida, não foi considerada grave o suficiente para provocar a rejeição da prestação de contas.

Neste caso, a irregularidade resultou na determinação para que o partido devolva R$ 818,63 aos cofres públicos.

O processo envolve o diretório estadual do PSB e apresenta como interessados, entre outros, a senadora Soraya Thronicke, Paulo Roberto Duarte, Ana Paula Campos Wolff Gomes e Eliete Aimee da Silva Duarte.

A irregularidade foi identificada durante a fiscalização realizada pela Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Anuais (Asepa).

Inicialmente, a análise apontou três pontos que precisavam de esclarecimentos: o pagamento de encargos decorrentes de inadimplência, no total de R$ 818,63; despesas de R$ 10.069,90 com uma empresa de assessoria e consultoria contábil; e um gasto de R$ 328,47 com combustível. 

Durante a tramitação do processo, entretanto, o partido apresentou novos documentos e conseguiu sanar os questionamentos relacionados às duas últimas despesas.

No caso dos R$ 10.069,90 pagos à Santos & Souza Assessoria e Consultoria Contábil Ltda., a Procuradoria Regional Eleitoral considerou que o contrato de prestação de serviços apresentado posteriormente, acompanhado de boletos e comprovantes de transferências bancárias, foi suficiente para demonstrar a regularidade da despesa. 

Situação semelhante ocorreu com os R$ 328,47 pagos ao Posto Emanuele Ltda. A apresentação da nota fiscal, do boleto bancário e do comprovante de pagamento levou a Justiça Eleitoral a considerar o gasto devidamente comprovado. 

Uso de dinheiro do Fundo Partidário permaneceu irregular

O problema que permaneceu na prestação de contas foi a utilização de R$ 818,63 do Fundo Partidário para quitar juros e multas de mora.

De acordo com a decisão, embora tenha sido regularmente intimado, o PSB-MS não apresentou justificativas para a utilização dos recursos nessa finalidade. 

A legislação eleitoral estabelece que recursos do Fundo Partidário não podem ser utilizados para pagar encargos provocados pela inadimplência da própria legenda, como juros, multas de mora e atualização monetária. Esses valores devem ser pagos com recursos próprios do partido. 

Na prática, o entendimento é de que recursos públicos destinados ao funcionamento das legendas não devem suportar custos adicionais gerados pelo atraso no cumprimento de obrigações financeiras do próprio partido.

Por esse motivo, o TRE-MS manteve a irregularidade e determinou a devolução dos R$ 818,63 ao Tesouro Nacional. Mesmo com o problema identificado, a Corte entendeu que a falha não comprometeu a integralidade da prestação de contas, permitindo a aprovação com ressalvas. 

Decisão foi unânime

O julgamento ocorreu em 3 de agosto e teve como relator o juiz Fernando Bonfim Duque Estrada. Os integrantes do TRE-MS acompanharam o parecer ministerial e aprovaram, por unanimidade, as contas do diretório estadual do PSB referentes a 2024, mantendo a obrigação de ressarcimento do valor considerado irregular. 

A decisão reforça que, mesmo quando as demais despesas são devidamente comprovadas durante a análise das contas, valores do Fundo Partidário empregados no pagamento de juros e multas decorrentes de atraso devem retornar aos cofres públicos.

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