Política

Mato Grosso do Sul

Marido da vice-prefeita de Dourados bate-boca e xinga eleitor após eliminação do Brasil

Deputado federal Rodolfo Nogueira (PL), trocou ofensas em grupo de Whats App, chamou interlocutor de "viadinho" e ameaçou "levantar o CPF" dele sugerindo que iria usar de meios para levantar os dados da pessoa

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O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), marido da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), protagonizou uma discussão marcada por ofensas homofóbicas na noite do último domingo (5) no grupo de WhatsApp “Pra frente e avante Dourados!”. 

O Correio do Estado teve acesso a uma troca de mensagens, que ocorreu logo após a eliminação do Brasil da Copa do Mundo, derrotado pela Noruega por 2 a 1. 

Por volta das 19h, Rodolfo Nogueira compartilhou no grupo um vídeo em que afirmava que, depois da derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo, que “iria varrer o PT do Brasil”, fala que provocou reação de um integrante do grupo, que a reportagem preferiu preservar, por razões explicadas abaixo. 

“Você teve quatro anos pra fazer alguma coisa e não fez nada. Fica com essa conversinha de que vai varrer. Vai varrer o quê? Você não representa ninguém”, disse o crítico, em áudio enviado ao grupo às 21h04.

Em vez de rebater no mérito, Rodolfo Nogueira publicou às 21h39 a imagem de um veado com a frase “Calma, viadinho”, expressão de conotação homofóbica. Minutos depois, enviou outra figurinha classificando o interlocutor como “petista”.

O bate-boca prosseguiu por áudios. Às 21h43, o crítico voltou a criticar o mandato do deputado e mencionou diretamente a esposa dele: “Suas postagens, que cê precisa empregar e dar mais quatro ano pra sua [...] pra sua esposa. Precisa deixar de votar em você, se você fosse homem, você renunciaria esse cargo que você conseguiu, aí cê tá de brincadeira, rapaz.”

Às 21h44, Rodolfo respondeu: “Melodia do capeta pilantra é vc”, seguido de “Ficou brava?” e de nova imagem do veado. Às 21h45, publicou a figurinha “O viadim engraçado”.

Às 21h53, o deputado escreveu: “Vou levantar o cpf desse pilantra pra saber pra quem ele deve rsrs”, e enviou imagem com o texto “Se não é gay, o namorado dele é”. A ameaça de identificar o autor das críticas por meio do CPF ocorre no mesmo grupo. 

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) protege as informações pessoais de cidadãos brasileiros. Divulgar dados como CPF, endereço, telefone ou fotos sem o consentimento do titular gera severas punições administrativas e obrigações de indenização por danos morais na esfera cível.

Já perto das 22h, Rodolfo perguntou ao grupo: “Já pode arrumar confusão, ou ainda é cedo?” e voltou a publicar a figurinha “Se não é gay, o namorado dele é”, às 22h01.

Outros participantes do grupo, entre eles usuários identificados como “Marcos, o cara do frete”, “Dr. Motoca” e “Carlos Fábio”, deram sequência à troca de provocações.

Contexto político

Rodolfo Nogueira está no primeiro mandato como deputado federal por Mato Grosso do Sul, pelo PL, e já anunciou que irá concorrer à reeleição.

Ele é casado com Gianni Nogueira (PL), empossada vice-prefeita de Dourados na gestão do prefeito Marçal Filho e que, em 4 de julho, dois dias antes do episódio, confirmou pré-candidatura a deputada estadual pelo mesmo partido.

Foi justamente a atuação política do casal que o crítico anônimo colocou em questão durante a discussão, ao sugerir que o deputado deveria “empregar” esforços na campanha da esposa em vez de reagir a críticas no grupo.

Desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, enquanto o Congresso Nacional não aprova legislação específica sobre o tema. A conduta pode resultar em pena de um a três anos de reclusão e multa, podendo chegar a cinco anos quando praticada por meio de redes sociais ou outros meios de comunicação.

O que diz o gabinete

Procurado, o gabinete do deputado Rodolfo Nogueira não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

 

Força-tarefa

Após temporal, Campo Grande vai ao Planalto em busca de ajuda federal

Reunião articulada por Vander Loubet será realizada na terça-feira (15) e deve reunir Prefeitura, Estado e Câmara para apresentar os prejuízos e buscar recursos para a recuperação da Capital.

11/09/2026 19h38

Estragos provocados pelo temporal em Campo Grande serão apresentados ao Governo Federal em reunião no Palácio do Planalto.

Estragos provocados pelo temporal em Campo Grande serão apresentados ao Governo Federal em reunião no Palácio do Planalto. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

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Os estragos deixados pelo forte temporal que atingiu Campo Grande na quinta-feira (10) serão levados ao Palácio do Planalto na próxima semana. O deputado federal e pré-candidato ao Senado Vander Loubet (PT-MS) articulou uma reunião com o Governo Federal para apresentar a dimensão dos prejuízos e buscar apoio da União para a recuperação da Capital.

A agenda está marcada para a próxima terça-feira (15), às 10h, em Brasília, com o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães.

Vander convidou a prefeita Adriane Lopes, que já confirmou presença, o governador Eduardo Riedel e um representante da Câmara Municipal de Campo Grande. A intenção é reunir diferentes esferas do poder público em torno das medidas necessárias para enfrentar os prejuízos deixados pela tempestade.

A reunião foi marcada para terça-feira justamente para que as equipes responsáveis tenham tempo de concluir o levantamento dos danos e dimensionar o tamanho da conta deixada pelo temporal.

Esses dados deverão subsidiar tanto os pedidos de apoio que serão apresentados ao Governo Federal quanto a análise de um eventual decreto de calamidade pública, a depender da extensão dos prejuízos identificados pelo Município.

“Agora é hora de unir forças e buscar respostas rápidas para Campo Grande”, afirmou Vander.

Estragos provocados pelo temporal em Campo Grande serão apresentados ao Governo Federal em reunião no Palácio do Planalto.Deputado federal Vander Loubet articulou reunião no Palácio do Planalto para discutir apoio federal a Campo Grande após temporal. Foto: Arquivo.

Temporal deixou rastro de destruição

A mobilização por recursos federais ocorre após uma tempestade que, em poucos minutos, mudou o cenário de diferentes regiões de Campo Grande.

O temporal começou por volta das 17h30 de quinta-feira e teve seu período mais intenso concentrado em aproximadamente 20 a 30 minutos.

Apesar da curta duração, a combinação de chuva forte, ventania e grande quantidade de raios foi suficiente para derrubar árvores, atingir a rede de energia, danificar imóveis e estruturas e bloquear vias.

As rajadas de vento chegaram a quase 84 quilômetros por hora. Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, em apenas 36 minutos foram contabilizados 3.095 raios sobre Campo Grande, número que ajuda a dimensionar a força da tempestade.

A intensidade da ventania ficou registrada em vídeos feitos por moradores. Durante os momentos mais fortes, a chuva era praticamente carregada horizontalmente pelo vento e a visibilidade caiu consideravelmente em algumas ruas.

Pouco depois do início da tempestade, começaram a surgir os primeiros registros de árvores e galhos espalhados pelas vias.

Árvores de grande porte foram arrancadas ou tiveram partes da estrutura quebradas, algumas delas ficando atravessadas sobre ruas e impedindo a passagem de veículos.

A queda de árvores também atingiu a infraestrutura elétrica. Postes, cabos e outros componentes da rede foram danificados, provocando interrupções no fornecimento de energia em diferentes pontos da Capital.

Os estragos atingiram também imóveis particulares. Em uma das ocorrências registradas após a tempestade, um muro não resistiu à força do vento e desabou sobre um Volkswagen Fox que estava estacionado na esquina das ruas Antônio Corrêa e Fernando Corrêa.

Telhados e estruturas mais leves também foram atingidos pela ventania, enquanto ruas ficaram tomadas por galhos, folhas e outros materiais carregados pelo vento.

Esplanada Ferroviária também foi atingida

Na região central, a força da tempestade deixou marcas na Esplanada Ferroviária, uma das áreas históricas de Campo Grande.

Imagens feitas logo depois do temporal mostraram uma estrutura metálica retorcida e derrubada pela força do vento, com partes espalhadas pela área. A chuva ainda caía quando os danos foram registrados.

Estragos provocados pelo temporal em Campo Grande serão apresentados ao Governo Federal em reunião no Palácio do Planalto.Cobertura da Esplanada Ferroviária foi arrancada pela força do temporal e ficou espalhada pela Avenida Calógeras, em Campo Grande. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

Árvores também caíram na região e houve ocorrências envolvendo a rede elétrica, ampliando o risco para quem circulava pelo local após a tempestade.

O cenário encontrado na Esplanada se repetiu, em diferentes proporções, por vários pontos da cidade: árvores no chão, vias parcialmente bloqueadas, estruturas danificadas e equipes mobilizadas para liberar ruas e reduzir os riscos à população.

A tempestade também expôs problemas em equipamentos públicos. Na UPA Universitário, pacientes registraram momentos de apreensão durante a chuva após parte da estrutura do teto apresentar problemas em meio ao temporal. As imagens mostraram água entrando na unidade e usuários assustados com a situação.

Os danos espalhados pela Capital fizeram com que os trabalhos avançassem pela noite de quinta-feira e continuassem nesta sexta-feira (11), principalmente para retirada de árvores, liberação de vias e recuperação da rede elétrica.

Quase 24 horas sem energia

Para parte dos moradores, os efeitos do temporal continuaram mesmo depois de o céu abrir. Nesta sexta-feira, famílias de diferentes regiões de Campo Grande ainda relatavam falta de energia, em alguns casos se aproximando de 24 horas desde a passagem da tempestade.

Entre os bairros e regiões com relatos de consumidores ainda afetados estavam Vila Olinda, Jardim São Bento, Itanhangá Park, Jardim Monte Líbano, Residencial Maria Aparecida Pedrossian, Vila Carlota, Oliveira e União.

Logo após o temporal também houve registros de interrupção em regiões como Amambaí, Piratininga, Guanandi, Centro, Vila Margarida, Jardim Veraneio, Vivendas do Bosque e José Abrão.

A demora no restabelecimento provocou uma série de transtornos dentro das residências. Sem eletricidade, moradores passaram a improvisar para carregar celulares, conservar alimentos e manter atividades básicas da rotina.

Em alguns imóveis, a falta de energia também afetou o funcionamento de bombas utilizadas no abastecimento de água.

A Energisa informou que, até as 5h30 desta sexta-feira, havia restabelecido o fornecimento para 77% dos clientes atingidos pelo temporal. Diante do volume de ocorrências, equipes foram reforçadas e profissionais de outros estados mobilizados para auxiliar nos reparos.

O trabalho envolve situações que exigem intervenções mais complexas, principalmente nos locais onde árvores atingiram diretamente postes, transformadores e cabos da rede.

Por isso, mesmo 24 horas após a tempestade, os reflexos ainda eram sentidos por moradores de diferentes regiões da Capital.

Conta dos prejuízos ainda está sendo calculada

É justamente esse conjunto de danos que deverá compor o levantamento a ser apresentado em Brasília. Até terça-feira, Prefeitura e demais órgãos envolvidos deverão avançar na contabilização dos prejuízos causados à infraestrutura pública e identificar as áreas que precisarão de intervenções para recuperação.

Além dos danos visíveis em árvores, ruas, imóveis e rede elétrica, o levantamento poderá apontar custos relacionados à limpeza da cidade, recuperação de equipamentos públicos, retirada de estruturas comprometidas e demais serviços emergenciais realizados depois da tempestade.

Com os números em mãos, a comitiva pretende apresentar ao Governo Federal as necessidades consideradas mais urgentes e discutir de que maneira a União poderá participar da recuperação de Campo Grande.

Os dados também deverão pesar na análise sobre a necessidade de um eventual decreto de calamidade pública, medida que depende da avaliação da extensão dos danos e da capacidade do poder público local de responder aos prejuízos.

“Campo Grande vive um momento difícil e precisa de união. Nosso papel é abrir os caminhos em Brasília, levar a dimensão dos prejuízos ao Governo Federal e trabalhar para que o apoio chegue o mais rápido possível às pessoas. É hora de cuidar da nossa cidade”, concluiu Vander.

A reunião no Planalto, portanto, acontecerá quatro dias depois de uma tempestade que durou poucos minutos em sua fase mais intensa, mas deixou consequências que ainda eram enfrentadas pelos campo-grandenses nesta sexta-feira. O tamanho financeiro desses estragos é justamente o próximo número que a Capital terá de descobrir.

Advocacia pública

Adriano Arrias de Lima é reeleito presidente da Aprems

Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso do Sul reelege procurador para comandar entidade no triênio 2026-2029

11/09/2026 19h29

Diretoria da Aprems eleita para o próximo triênio

Diretoria da Aprems eleita para o próximo triênio Eduardo Miranda

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O procurador do Estado Adriano Aparecido Arrias de Lima foi reeleito presidente da Associação dos Procuradores do Estado de Mato Grosso do Sul (Aprems) para o triênio 2026-2029. A chapa Aprems Unida foi eleita na tarde desta sexta-feira (11), durante votação realizada na sede da entidade, em Campo Grande.

Adriano seguirá à frente da associação ao lado do procurador Wagner Moreira Garcia, que permanece na vice-presidência. A nova diretoria também será formada por José Wilson Costa Ramos Júnior, como secretário; Neusa Miranda e Silva, como diretora tesoureira; Norton Riffel Camatte, como diretor de Prerrogativas; Bruno César dos Santos Pereira, como diretor de Comunicação; Henri Dhouglas Ramalho, como diretor de Acompanhamento Legislativo; Maria Fernanda Carli de Freitas, como diretora Administrativa; e Ludmila dos Santos Russi, como diretora Social e Cultural.

Após a eleição, o presidente da Aprems agradeceu o apoio recebido dos procuradores do Estado e destacou o trabalho desenvolvido pela diretoria nos últimos dois anos. Segundo Adriano, a continuidade à frente da entidade representa também um compromisso de buscar novos avanços para a carreira.

“Nos últimos dois anos, todos os diretores se empenharam muito para que a carreira pudesse receber sempre o melhor, e este voto de confiança que recebemos é também recebido como um compromisso. A gente vai continuar se doando ao máximo para que a gente possa conseguir cada vez mais avanços e direitos para os procuradores”, afirmou.

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