Política

RISCO

Marisa ganha vaga no Tribunal de Contas, mas pode não levar

Marisa ganha vaga no Tribunal de Contas, mas pode não levar

DA REDAÇÃO E LIDIANE KOBER

16/06/2011 - 00h00
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O que seria um pequeno passeio da senadora tucana Marisa Serrano e seu suplento Antônio Russo - ela para cadeira do Tribunal de Contas do Estado e, ele, em direção à Brasília - deve se transformar numa batalha judicial. A parlamentar ganhou, em votação ontem na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a indicação para a Corte Fiscal mas corre o risco de não levar.

Ela obteve 20 votos favoráveis, um contra e registraram-se duas abstenções. O outro concorrente, deputado estadual Antônio Carlos Arroyo (PR), teve sete votos favoráveis, dois contra e foram registrados 15 em branco. E são esses últimos que tomam forma de pesadelo e que deverão respaldar a discussão em uma futura batalha judicial. Arroyo disse que já acionou sua assessoria jurídica para estudar o caso.

Matemática simples: se 15 se abstiveram da votação, então esses não são contabilizados como válidos. Sobram os sete favoráveis e dois contra. Qualquer criança que está aprendendo "ler e contar" sabe que sete são mais que dois e, portanto, Arroyo é o conselheiro. Com isso, a lista com o nome da tucana Marisa nem precisaria ter ido para votação, como ocorreu,

A questão foi levantada pelo deputado Marquinhos Trad (PMDB) - eleitor declarado de Arroyo - logo após a contagem de votos do colega.

 

Discussão

Questão levantada, regimento interno na mesma proporção. Integrantes da base aliada - refeitos do susto inicial - apelaram pelos artigos, parágrafos e incisos para contrapor o questionamento do colega Marquinhos Trad. Recorreram ainda à Constituição Estadual e normas do Truibunal Superior Eleitoral (TSE).

"Quem vota em branco lava as mãos", reforçou Marquinhos. Ainda segundo ele, o regimento da Casa de Leis é claro quando diz, em seu artigo 217, parágrafo segundo, que "os votos em branco só serão computados para efeito de quórum".

O deputado do PMDB recorreu ainda ao artigo 55 da Constituição Estadual, que trata das decisões do Poder Legislativo. De acordo com o texto, "as deliberações da Assembleia serão tomadas por maioria de voto e voto em branco não conta". Para reforçar sua teoria, ele apresentou resolução do TSE, que deixa claro a não interferência dos votos brancos em uma eleição. "Cabe recurso jurídico (da votação) porque, pela lei, o Arroyo é novo conselheiro do TCE", declarou.

O presidente do Legislativo, deputado Jerson Domingos (PMDB), entende que quando trata das votações de decreto legislativo, o regimento interno da Casa deixa claro que "a maioria relativa (dos votos) é expressa pelo número inteiro" dos 24 deputados. Portanto, Arroyo precisaria de no mínimo 12 votos para virar conselheiro, ou seja, a metade mais o aval de um dos 23 parlamentares aptos a votar.

O líder do governo na Assembleia, deputado Junior Mochi (PMDB), fez coro ao entendimento de Jerson. "No artigo 218 do regimento, em seu segundo e terceiro parágrafos, fica claro que a maioria absoluta dos votos é aquela expressa pelo número inteiro imediatamente superior à metade aritmética da representação parlamentar com assento no Legislativo", citou.

Marquinhos, por sua vez, destacou que o artigo citado diz respeito a quorum especial e da obstrução de votações. "Nem é preciso chegar neste artigo, pois o anterior (217) já deixa claro que os projetos serão aprovados por maioria e que voto em branco só será computado para efeito de quorum", disse.

Diante da polêmica, Arroyo estuda recorrer à Justiça. Ele já acionou sua equipe técnica para montar uma ação e só aguardará a publicação da aprovação da indicação de Marisa ao Tribunal de Contas para impedir a posse da senadora e requerer sua nomeação.

Jerson admitiu o direito de Arroyo de recorrer à Justiça, mas deixou claro o equívoco de confundir a votação de um projeto de decreto legislativo a uma eleição. "Não houve disputa eleitoral", disse para afastar a comparação das regras de escolha de um conselheiro do TCE a um pleito normal.

eleições 2026

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio por uso de perfis para impulsionar campanha

Equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis

20/09/2026 19h00

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que pede uma investigação judicial eleitoral sobre o suposto uso, pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), de collabs nas redes sociais para burlar às regras de recomendação de propaganda eleitoral e monetizar conteúdos.

Segundo a petição, a equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. A maior parte delas ocorreu em um espaço de dez dias e repetiu o mesmo conjunto de coautores.

Parte das páginas utilizaria links para venda de produtos relacionados à campanha. Um dos casos é o de um boné com número 22. Segundo o documento, doze perfis com mais de 10 milhões de seguidores somados direcionam o público a mesma loja na Shoppe com o produto.

A coligação de Lula argumenta que a situação caracteriza uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico e político. Além de Flávio, a petição cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa.

A petição pede liminar para que os registros sejam preservados pela Meta e da Shopee e que os responsáveis pelos perfis sejam identificados. Também solicita que os links de vendas sejam suspensos. Requer ainda a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade dos investigados por oito anos.

Caixinha gorda

Lucas de Lima, Dione Hashioka e Gleice Jane lideram arrecadação de campanha por vaga na Alems

Grande parte da verba dos candidatos foi destinada pelo fundo eleitoral de seus respectivos partidos

20/09/2026 17h00

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka Fotos: Alems

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Lucas de Lima (PL), Dione Hashioka (União Brasil) e Gleice Jane (PT) concentram as maiores arrecadações entre os candidatos a deputado estadual de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026.

Conforme a Justiça eleitoral, o trio é quem mais recebeu dinheiro para gastar na corrida pelas 24 cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado.

Lucas declarou R$ 1.102.830,00 em recursos para a campanha, seguido por Dione, com R$ 1.093.660,00, e Gleice, que soma R$ 1.081.986,33.

Candidatos que mais receberam dinheiro para campanha deste ano

Lucas de Lima do Amor Sem Fim: R$ 1.102.830,00 PL
Dione Hashioka: R$ 1.093.660,00 UNIÃO
Professora Gleice Jane: R$ 1.081.986,33 PT
Barbara Resende: R$ 1.063.260,00 UNIÃO
Professor Marcelo Miranda: R$ 1.050.000,00 PP
Zé Teixeira: R$ 1.027.720,00 PL
Coronel David: R$ 1.007.120,00 PL
Marcio Fernandes: R$ 1.000.620,00 PL
Renato Câmara: R$ 986.079,29 Republicanos
Pedrossian Neto: R$ 979.400,00 Republicanos

Cabe destacar que os valores correspondem aos recursos declarados pelas campanhas neste domingo (4) e podem sofrer alterações conforme novas prestações de contas, ou doações sejam informadas à Justiça Eleitoral.

Lucas de Lima disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e está em seu segundo mandato. Em 2022, foi eleito com 26.575 votos, mais que o dobro dos 12.391 votos obtidos na eleição de 2018.

Do total arrecadado por Lucas, R$ 1 milhão foi destinado pelo fundo de campanha do PL. O restante corresponde a doações de campanha. 

Dione Hashioka também retorna à disputa pela Alems após já ter exercido dois mandatos como deputada estadual. Em janeiro de 2023, reassumiu uma cadeira na Assembleia após a saída de Barbosinha, que deixou o Legislativo para assumir o cargo de vice-governador de Mato Grosso do Sul.

Dos recursos declarados por Dione, R$ 1,063 milhão é proveniente do fundo de campanha destinado pelo União Brasil.

Terceira colocada no levantamento, Gleice Jane foi eleita como primeira suplente do PT e assumiu uma cadeira na Assembleia em 2023, após o falecimento do deputado estadual Amarildo Cruz.

No caso de Gleice, R$ 1,035 milhão da arrecadação declarada é oriundo do fundo partidário destinado à campanha.

Barbara Resende, quarta colocada entre as maiores arrecadações, é filha do deputado federal Geraldo Resende. Os dois se filiaram ao União Brasil em março deste ano, após deixarem o PSDB. Assim como a filha, Geraldo Resende compõe o top-3 dos candidatos a deputado federal que mais receberam verba para utilizar na campanha deste ano. 

Ao todo, foram registradas 253 candidaturas para deputado estadual em Mato Grosso do Sul. Desse total, 31 candidatos disputam a eleição sem qualquer valor arrecadado, enquanto outros 104 declararam até R$ 50 mil em recursos para a campanha.

Cada candidato a deputado estadual pode gastar até R$ 1.270.629,01, conforme o limite informado para o cargo. O prazo para a realização da votação é 4 de outubro.

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