Política

ELEIÇÕES 2024

Mesmo inelegível, Bolsonaro é o 'queridinho' entre os pré-candidatos a prefeitura de Campo Grande

Querem apoio do ex-presidente, a prefeita, um deputado federal, um deputado estadual, ex-parlamentares e estreantes na política

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Ainda que condenado a inelegibilidade por oito anos, por força de duas recentes decisões definidas pelo TSE, corte máxima eleitoral do país, o ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, segue reinando como o principal cabo eleitoral em Campo Grande.  

Ao menos nas eventuais pré-candidaturas à prefeitura de Campo Grande, no pleito marcado para novembro do ano que vem, daqui um ano, a metade dos concorrentes, ou mais que isso, levam consigo a esperança de que Bolsonaro possa a ser seu presumível apoiador. 

Pelas decisões do TSE, Bolsonaro está impedido de concorrer às eleições municipais de 2024 e 2028 e também as eleições gerais, aquelas que escolhem governador e presidente, em 2026.  

Por enquanto, Bolsonaro poderá disputar à Presidência da República, em 2030, daqui sete anos, período que o ex-presidente terá completado 75 anos de idade. 

NA ESTEIRA 

Na disputa pela prefeitura em 2024, já se mostraram correligionários de Bolsonaro, a prefeita Adriane Lopes, do PP. Ela já disse em público que há interesse em encarar a reeleição.  Adriane juntou-se a senadora Tereza Cristina, do PP, que é bolsonarista de carteirinha. 

Embora ainda paire dúvida acerca de sua pré-candidatura, o ex-deputado estadual Renan Barbosa Contar, o capitão Contar, do PRTB, é um aliado antigo de Bolsonaro. E isso ele mostra todos os dias em suas redes sociais. 

O deputado estadual coronel David, do PL, é outro bolsonarista roxo. Ele ainda não desponta como pré-candidato à prefeitura, contudo, o nome dele já foi ventilado por aliados. O coronel já disse que seu nome é livre para "apreciação do partido".

Ainda no PL, comenta-se que Gabriel Pollon, irmão do deputado federal Marcos Pollon, deva ser concorrente da legenda. O irmão do parlamentar, firme bolsonarista, em recente decisão, foi nomeado à presidência do PL, em Campo Grande.

Aliados e não aliados seus têm dito que a nomeação seria um jeito de consolidá-lo o pré-candidato à prefeitura. 

Antônio Vaz, deputado estadual do PRTB, é outro bolsonarista que pode disputar a prefeitura nas eleições de 2024. 

A ex-deputada federal Rose Modesto, do União Brasil, que hoje integra o governo Lula, também quer disputar a prefeitura de Campo Grande. A maioria dos integrantes da legenda apoiou Bolsonaro nas eleições vencidas por Lula, em 2022. 

A deputada federal Camila Jara, do PT, é, até agora, a única pré-candidata a prefeitura de Campo Grande, que é apoiada pelo presidente Lula. 

O MDB, de André Puccinelli, disse que deve concorrer às eleições municipais. Mas há uma corrente dentro do partido que acha que a sigla deve se juntar ao PSDB no período eleitoral. Nada acertado até agora. Em MS, MDB e o PT, poucas vezes se aliaram. 

Já o PSDB deve concorrer com o até agora pré-candidato Beto Pereira, deputado federal. Ano passado, o governador então eleito Eduardo Riedel, que quer a candidatura de Beto, apoiou o ex-preesidente Bolsonaro.

PRESTÍGIO

O ex-presidente, mesmo perdendo a eleição para Lula, mantém um certo prestígio entre os eleitores sul-mato-grossenses.

No meio deste ano, o ex-presidente, alegando que precisava de dinheiro para quitar as multas judiciais, recebeu em torno de R$ 18 milhões de simpatizantes via Pix.

Deste total, R$ 405.659,11 é o valor transferido de contas de correntistas de Mato Grosso do Sul, por meio do Pix para a conta do ex-presidente. Na soma completa, incluindo todas as transições feitas no país, o saldo de Bolsonaro empilhou R$ 18,1 milhões.  

O dinheiro arrecadado teria como fim o de pagar as multas judiciais aplicadas contra o ex-presidente. Entre os doadores aparecem até quem integra famílias que vivem com renda mensal de meio salário-mínimo.

As operações, que ficaram também conhecidas como “vaquinha” de Bolsonaro, ocorreram entre 20 de junho a 31 de julho passado. No total, foram registradas 809,8 mil transações feitas por 770,2 mil pessoas. 

Numa das poucas vezes que Bolsonaro comentou a vaquinha, publicamente, ele disse que a quantia arrecadada daria para quitar "todas as suas contas" e ainda "tomar um caldo de cana com pastel".

Redes Sociais

Deputada Mara Caseiro relata invasão e uso indevido de perfil oficial no Instagram

Parlamentar afirmou que mensagens, comentários e conteúdos publicados durante o período devem ser desconsiderados

23/08/2026 16h30

A deputada estadual Mara Caseiro f

A deputada estadual Mara Caseiro f Arquivo

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A deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), e também candidata a uma cadeira na Câmara Federal  informou, por meio de uma publicação nas redes sociais, que seu perfil oficial no Instagram teria sido acessado e utilizado indevidamente por uma pessoa que integrava sua equipe de comunicação.

Segundo a parlamentar, durante o período em que a conta teria sido acessada, perfis foram bloqueados e ofensas foram publicadas em seu nome, sem autorização e sem participação da atual equipe de comunicação. “Peço que desconsiderem qualquer mensagem, comentário, solicitação ou conteúdo estranho enviado pelo meu perfil nesse período”, escreveu a deputada na publicação.A deputada estadual Mara Caseiro f

Mara Caseiro afirmou ainda que as providências necessárias já estão sendo tomadas para apurar o ocorrido, mas não detalhou quando o acesso indevido teria acontecido, por quanto tempo a conta permaneceu sob controle da outra pessoa ou quais conteúdos e comentários foram publicados.

O Correio do Estado entrou em contato com a assessoria de comunicação da deputada para obter um posicionamento e mais informações sobre a situação, mas não recebemos o retorno até a publicação desta matéria.

Eleições

Procuradoria eleitoral barra candidatura de dono de faculdade na fronteira

Doação irregular às vésperas de eleição municipal há seis anos foi determinante para derrubar candidatura

23/08/2026 09h45

Carlos Bernardo (União Brasil)

Carlos Bernardo (União Brasil) Foto: Divulgação

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Pela segunda vez em quatro anos, a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul optou por barrar a candidatura de Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal e fundador da Faculdade de Medicina da Universidade Central do Paraguai em Pedro Juan Caballero, cidade fronteiriça a Ponta Porã, interior do Estado.

O pedido foi assinado pelo Procurador Silvio Pettengill Neto neste sábado (22), que manteve sua decisão anterior sobre a derrubada da candidatura. Em 2022 ele também foi impedido de disputar as eleições pelo mesmo motivo. 

A impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara-GO em 2020. Em decisão colegiada, a Justiça determinou à época que o repasse ultrapassou o limite legal de 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador em 2019.

Com base na declaração de imposto de renda, Carlos Bernardo poderia doar até R$ 20.767,55, contudo, o repasse ultrapassou em R$ 69.223,45 o limite permitido. 

Na ocasião, ele foi apontado como o maior doador da campanha de Rogério Rezende, valor que correspondeu a 26,58% da arrecadação total do candidato e 300% do que ele poderia doar.

Conforme a alegação do procurador Silvio Pettengill Neto, a doação "não deveria existir na realidade da
campanha eleitoral do beneficiário, de modo que a sua simples existência na conta bancária de candidato ou partido beneficiado, por óbvio, acarretou o desequilíbrio entre os candidatos em disputa."

De acordo com o Portal DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, a doação aconteceu às vésperas do primeiro turno, 13 de novembro, dois dias antes do pleito. Rogério Rezende foi derrotado nas urnas. 

Desse modo, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul reconheceu a irregularidade, ratificou a sentença do juízo da 52ª zona eleitoral e impediu Carlos Bernardo de disputar as eleições há quatro anos, quando lançou-se candidato a deputado federal pelo MDB. 

"A Lei Complementar n. 64/1990, ao regulamentar as hipóteses de inelegibilidade infraconstitucionais, estabelece no art. 1º, inc. I, al. p, que 'são inelegíveis (...) para qualquer cargo (...) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22'”.

Apesar da decisão colegiada impedir a candidatura de Carlos Bernardo por oito anos, ele disputou a prefeitura de Ponta Porã em 2024.

Na ocasião, a Justiça entendeu que a doação irregular realizada por ele ao candidato goiano não impactaria diretamente a disputa pela prefeitura ponta-poranense.

A determinação da Procuradoria Eleitoral será encaminhada à Justiça eleitoral que deve acatar o pedido nos próximos dias. 

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