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Moraes autoriza notificação pessoal de Augusto Heleno pela Comissão de Ética da Presidência

O militar cumpre atualmente prisão domiciliar, após apresentar laudos que apontam demência decorrente de Alzheimer

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que servidores da Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República notifiquem pessoalmente o general Augusto Heleno.

A autorização foi concedida na sexta-feira, 9, e refere-se a um processo instaurado pelo órgão para apurar supostos desvios éticos em razão de manifestações feitas pelo então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante reunião no Palácio do Planalto, em julho de 2022.

Segundo o despacho, a Comissão de Ética comunicou ao STF a instauração formal do Processo de Apuração Ética (PAE) contra Heleno por meio de ofício enviado à Corte.

Moraes autorizou que dois servidores da Secretaria-Executiva da CEP façam a entrega presencial da notificação, após repetidas tentativas frustradas por e-mail e pelos Correios.

O procedimento ético foi aberto com base em voto do conselheiro Manoel Caetano Ferreira Filho, relator do caso na Comissão de Ética, que apontou indícios de autoria e materialidade de conduta incompatível com o Código de Conduta da Alta Administração Federal.

A investigação tem como objeto falas de Heleno durante uma reunião convocada pelo então presidente Jair Bolsonaro em 5 de julho de 2022, com ministros e autoridades do governo, cujo vídeo foi posteriormente divulgado.

Na gravação, Heleno afirma que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) deveria montar um esquema para acompanhar o que os dois lados estão fazendo.

"Eu já conversei, ontem, com o Vitor, que é o novo diretor da Abin; nós vamos montar um esquema para acompanhar o que os dois lados estão fazendo. O problema todo disso é se vazar qualquer coisa, qualquer acusação de infiltração desse elemento da Abin em qualquer lugar", afirmou o general, segundo a transcrição do documento.

Ele também diz que seria necessário agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas antes das eleições, mencionando ainda a possibilidade de "virar a mesa".

"Não vai ter segunda chamada da eleição; não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver de ser feito tem que ser feito antes das eleições; se tiver de dar soco na mesa, é antes das eleições; se tiver de virar a mesa, é antes das eleições", declarou.

Segundo o voto da Comissão de Ética, as declarações indicam uma possível tentativa de instrumentalização da Abin para infiltração em campanhas eleitorais, com o objetivo de reforçar uma narrativa de fraude e agir contra instituições do Estado.

"Aparentemente, trata-se de possível desvio de finalidade, voltado a reforçar a retórica de fraudes nos processos eleitorais, contrariando o resultado da vontade popular nas urnas", afirma o relator.

A reportagem tenta contato com a defesa de Augusto Heleno. O espaço segue aberto.

À época, a Abin integrava a estrutura do próprio Gabinete de Segurança Institucional, comandado por Heleno, o que, segundo o colegiado, reforça a gravidade dos fatos.

A Comissão de Ética entendeu que as declarações violam o artigo 3º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, que exige das autoridades padrões de integridade, moralidade, clareza de posições e decoro

Apesar de diversas tentativas de notificação desde março de 2024, inclusive por e-mail e via Correios, Heleno não apresentou esclarecimentos, o que levou o colegiado a autorizar a abertura do processo.

Com a decisão do STF, o general deverá agora ser formalmente intimado e terá prazo de dez dias úteis para apresentar defesa e documentos.

Heleno foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão por envolvimento no núcleo central da tentativa de golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder.

O militar cumpre atualmente prisão domiciliar, após apresentar laudos que apontam demência decorrente de Alzheimer.

Eleições 2026

Agora é segundo turno, ao lado de Flávio Bolsonaro, diz Tereza Cristina

A senadora e ex-ministra da Agricultura destacou o desempenho do candidato em Mato Grosso do Sul

05/10/2026 22h00

Tereza Cristina e Flávio Bolsonaro

Tereza Cristina e Flávio Bolsonaro Foto: Divulgação

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A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) convocou apoiadores para a disputa de segundo turno ao lado do candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) Em publicação na rede social X nesta segunda-feira, 5, a parlamentar destacou o desempenho do candidato em Mato Grosso do Sul.

"Obrigada, Mato Grosso do Sul, por mostrar a força da direita! O presidenciável Flávio Bolsonaro obteve quase 60% dos votos do nosso Estado", escreveu a senadora. "Agora é segundo turno, ao lado do Flávio Bolsonaro."

Ainda na publicação, Tereza Cristina afirmou que o resultado das urnas impôs ao Senado Federal a tarefa de pautar o controle de órgãos judiciais. "As urnas deram um recado claro: o Senado Federal precisa discutir os mecanismos de fiscalização e controle do Poder Judiciário.

Todos nós, políticos, devemos ser avaliados pela sociedade brasileira - e fomos ontem, pelo voto", disse a senadora. "Nenhuma autoridade está acima da lei. Esse é um debate necessário, maduro e que o Senado não pode mais adiar", declarou.

No âmbito regional, a ex-ministra comemorou o resultado do pleito em seu Estado natal, agradecendo ao eleitorado sul-mato-grossense pela renovação do mandato do governador Eduardo Riedel (PP) e pela eleição dos senadores eleitos Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL). "Quero agradecer a todos que renovaram ontem o mandato do nosso competente governador Eduardo Riedel, e aos que confiaram em Reinaldo Azambuja e no Capitão Contar", afirmou.

Tereza Cristina concluiu a mensagem afirmando estar "muito animada" e prometeu seguir mobilizada para a etapa decisiva da eleição presidencial.

 

PÓS-ELEIÇÃO 2026

Marquinhos Trad, Picarelli e outros veteranos são derrotados nas urnas em MS

Ex-prefeito da Capital, ex-deputados e nomes com décadas de vida pública não conseguiram conquistar os cargos disputados nas Eleições 2026 em Mato Grosso do Sul.

05/10/2026 16h41

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Marquinhos Trad, Maurício Picarelli, Delcídio do Amaral, Eduardo Rocha e Geraldo Resende, nomes conhecidos da política de Mato Grosso do Sul.

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Marquinhos Trad, Maurício Picarelli, Delcídio do Amaral, Eduardo Rocha e Geraldo Resende, nomes conhecidos da política de Mato Grosso do Sul. Fotos: Reprodução/Alems, Instagram e Câmara dos Deputados. Montagem: Correio do Estado

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As urnas deste domingo (4) não significaram apenas a chegada de novos nomes e a permanência de lideranças tradicionais no poder em Mato Grosso do Sul. O resultado das Eleições 2026 também impôs derrotas a políticos conhecidos há décadas pelo eleitorado sul-mato-grossense e que buscavam ampliar, recuperar ou preservar espaço na vida pública.

Entre os nomes que ficaram fora dos cargos disputados estão o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad (PV), o ex-deputado estadual Maurício Picarelli (PRD), o ex-secretário estadual e ex-deputado Eduardo Rocha (PSDB) e os deputados federais Geraldo Resende (União Brasil) e Dr. Luiz Ovando (PP).

Também entra nesse grupo o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), que tentou retornar ao primeiro plano da política estadual concorrendo ao Governo de Mato Grosso do Sul, mas terminou distante dos primeiros colocados.

São trajetórias diferentes, mas que têm um ponto em comum: todos chegaram às urnas de 2026 carregando um histórico de participação relevante na política estadual e não conseguiram transformar o peso acumulado ao longo dos anos em vitória eleitoral.

Marquinhos tenta chegar a Brasília

Um dos nomes de maior projeção entre os derrotados foi Marquinhos Trad, que concorreu a uma das oito vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados.

O ex-prefeito recebeu 31.382 votos, equivalentes a 2,21% dos votos válidos para deputado federal, terminou na 14ª posição da votação nominal e ficou como suplente.

A derrota interrompe, pelo menos neste momento, o projeto de Marquinhos de retornar a um cargo de maior projeção estadual e nacional.

Ela, porém, não deixa o político sem mandato. Ele permanece vereador de Campo Grande, cargo para o qual foi eleito em 2024 como o candidato mais votado da Capital.

A trajetória de Marquinhos atravessa diferentes espaços da política sul-mato-grossense. Advogado, iniciou sua carreira eleitoral na Câmara Municipal, posteriormente cumpriu três mandatos como deputado estadual e chegou à Prefeitura de Campo Grande, onde foi eleito em 2016 e reeleito em 2020. Deixou o Executivo em 2022 para disputar o Governo do Estado.

Na eleição estadual daquele ano, não conseguiu chegar ao segundo turno. Dois anos depois, voltou às origens ao disputar uma vaga de vereador e conquistou novamente espaço na Câmara Municipal. Em 2026, a tentativa era dar um novo salto, desta vez para Brasília.

As urnas, entretanto, mantiveram Marquinhos no Legislativo municipal.

Picarelli e o peso de oito mandatos

Se Marquinhos representa um dos nomes mais conhecidos da política recente de Campo Grande, Maurício Picarelli carrega uma das trajetórias legislativas mais longevas de Mato Grosso do Sul.

Picarelli ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa durante oito mandatos consecutivos, somando aproximadamente 32 anos no Parlamento estadual. Ele foi eleito pela primeira vez na década de 1980 e permaneceu na Casa até 2019.

Neste ano, tentou chegar à Câmara dos Deputados, mas o resultado ficou muito distante das votações que marcaram o auge de sua carreira política.

Picarelli recebeu 1.475 votos, ou 0,10% dos válidos para deputado federal, e terminou na 47ª posição da disputa. Não foi eleito.

O desempenho chama atenção justamente pelo contraste com seu passado eleitoral. Picarelli chegou a ser o deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul em eleições anteriores e construiu sua imagem pública paralelamente à carreira como apresentador de rádio e televisão.

Em 2026, no entanto, a popularidade acumulada durante décadas não foi suficiente para recolocá-lo em um mandato eletivo.

A derrota prolonga o período de Picarelli fora de cargos conquistados pelo voto, situação que começou após o fim de seu último mandato na Assembleia, em 2019.

Eduardo Rocha tenta voltar à Assembleia

Outro nome conhecido que não conseguiu retornar ao Legislativo estadual foi Eduardo Rocha. Ex-deputado estadual por três mandatos, Rocha também ocupou posições estratégicas no Governo de Mato Grosso do Sul, entre elas a Secretaria de Governo durante a administração de Reinaldo Azambuja e, posteriormente, a Casa Civil.

Na eleição deste domingo, concorreu novamente a deputado estadual pelo PSDB. Recebeu 15.782 votos, equivalentes a 1,11% dos válidos, terminou na 33ª colocação e ficou na condição de suplente.

A tentativa de retorno à Assembleia ocorreu depois de anos de atuação tanto no Legislativo quanto no núcleo político do Executivo estadual. Rocha apostava justamente nessa experiência como uma de suas principais credenciais na campanha.

O resultado, porém, mostrou que o histórico de três mandatos e a passagem por secretarias importantes não foram suficientes para colocá-lo entre os 24 eleitos para a próxima legislatura.

Dois deputados federais perdem a cadeira

As urnas também produziram baixas entre parlamentares que atualmente representam Mato Grosso do Sul em Brasília.

Dr. Luiz Ovando e Geraldo Resende, ambos candidatos à reeleição, não conseguiram permanecer entre os oito deputados federais escolhidos pelo eleitorado sul-mato-grossense.

Ovando recebeu 34.679 votos, enquanto Geraldo Resende terminou com 31.714 votos. Apesar das votações superiores às registradas por Marquinhos Trad, nenhum dos dois obteve cadeira na distribuição das vagas da Câmara Federal.

No caso de Ovando, a derrota encerra uma sequência iniciada em 2018, quando foi eleito deputado federal pela primeira vez. Ele conseguiu renovar o mandato em 2022, mas não repetiu o resultado quatro anos depois.

Geraldo Resende, por sua vez, é um dos políticos com maior tempo de atuação federal entre os nomes derrotados neste ano.

Antes de chegar à Câmara dos Deputados, passou pela Câmara Municipal de Dourados, Assembleia Legislativa e Secretaria Estadual de Saúde. Ao longo da carreira, acumulou 16 anos de mandatos como deputado federal e também comandou a Saúde estadual em diferentes períodos.

A partir de 2027, portanto, a bancada sul-mato-grossense em Brasília terá renovação também provocada pela saída de dois parlamentares que atualmente ocupam cadeiras.

Delcídio tem votação distante dos líderes

A lista de figuras tradicionais que não tiveram sucesso nas urnas chega também à disputa pelo cargo mais importante do Estado.

Ex-senador e personagem de destaque da política sul-mato-grossense durante anos, Delcídio do Amaral tentou voltar ao protagonismo concorrendo ao Governo pelo PRD.

Terminou, contudo, apenas na quarta colocação, com 14.431 votos, equivalentes a 1,06% dos votos válidos.

O resultado ficou distante do governador reeleito Eduardo Riedel (PP), que resolveu a eleição no primeiro turno, e também de Fábio Trad (PT) e João Henrique Catan (Novo), segundo e terceiro colocados, respectivamente.

Para Delcídio, a votação de 2026 também contrasta com o espaço que ocupou no passado. O político já representou Mato Grosso do Sul no Senado e disputou anteriormente o próprio Governo do Estado.

Urnas redesenham espaço dos veteranos

As derrotas não significam necessariamente o fim das carreiras políticas desses nomes. Marquinhos Trad, por exemplo, segue com mandato na Câmara Municipal de Campo Grande, enquanto outros derrotados podem permanecer em posições partidárias, assumir suplências ou voltar às urnas nos próximos pleitos.

O resultado, no entanto, revela uma das faces das Eleições 2026 em Mato Grosso do Sul: o reconhecimento acumulado durante anos ou mesmo décadas de vida pública não garantiu passagem automática para um novo mandato.

Enquanto nomes como Zeca do PT, André Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel mostraram força para continuar ocupando espaços de poder, outros personagens conhecidos encontraram nas urnas uma barreira para os projetos apresentados neste ano.

Entre oito mandatos estaduais de Picarelli, dois períodos de Marquinhos Trad na Prefeitura de Campo Grande, três legislaturas de Eduardo Rocha na Assembleia e anos de Geraldo Resende e Luiz Ovando em Brasília, a eleição deste domingo deixou um recado que atravessa gerações da política sul-mato-grossense: trajetória e lembrança do eleitor ajudam a chegar competitivo à disputa, mas não são suficientes, por si só, para garantir uma cadeira.

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