Política

ELEIÇÕES 2024

MS é o 9º que mais registrou pesquisa neste ano, quase 100% autofinanciadas

No país, de janeiro até abril, foram mais de 1,1 mil, sendo 44,4% autofinanciadas, o que acendeu um alerta no TSE

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De janeiro a abril deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) detectou um recorde no número de pesquisas de intenções de votos registradas no site da Corte Eleitoral desde o início da série histórica em 2012.

A exatos cinco meses das eleições municipais deste ano, já foram realizados 1.127 levantamentos, quatro vezes mais do que no último pleito para prefeito e vereador, em 2020, quando teve 296 no mesmo período. 

Os dados mostram que quase metade, 500 (44,4%), foram autofinanciadas, ou seja, pagas pela mesma empresa que realizou a sondagem. 

Nesse formato, ao informar que fazem o levantamento com verba própria, os responsáveis não precisam prestar contas sobre a origem do dinheiro.

Tal fato acendeu um alerta no TSE, bem como já está provocando um debate no Congresso Nacional.

ENTRE OS DEZ

Para se ter uma ideia, de janeiro a abril deste ano, conforme pesquisa realizada pelo Correio do Estado junto ao site do TSE, apenas em Mato Grosso do Sul foram 42 pesquisas e apenas uma não foi autofinanciada, ou seja, quase 100% delas não tiveram um contratante que não fosse o próprio instituto.

Além disso, dessas 42 pesquisas de intenções de votos, quase 15% (6), foram feitas em Campo Grande, enquanto o restante foram duas em Dourados, Anastácio, Aquidauana, Deodápolis, Fátima do Sul, Itaporã, Miranda e Três Lagoas.

Já nos municípios de Angélica, Bandeirantes, Bataguassu, Batayporã, Bodoquena, Camapuã, Corumbá, Coxim, Jardim, Jatei, Ladário, Nioaque, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Rio Verde, Taquarussu, Terenos e Vicentina foram um levantamento para cada.

A consulta feita pelo Correio do Estado junto ao site da Corte Eleitoral apontou ainda que Mato Grosso do Sul é o 9º estado do Brasil que mais registrou pesquisas neste início de ano, perdendo apenas para Goiás (157), Piauí (139), São Paulo (108), Rio Grande do Norte (83), Pernambuco (78), Maranhão (66), Pará (64) e Bahia (50).

Os números da Corte Eleitoral mostram que essa modalidade já havia sido maioria em 2020, respondendo por 74% dos levantamentos, mas caiu na eleição seguinte, de 2022 (36%). 

Na ocasião, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) chegou a pedir uma investigação sobre a proliferação de CNPJs que registravam pesquisas eleitorais bancadas pela própria empresa.

“Empresas de pesquisa não são atividades beneficentes. Se surgem empresas que se dedicam a uma prática reincidente de levantamentos feitos com recursos próprios, isso pode ser um indicativo de que está acontecendo um financiamento implícito, que não aparece”, destacou a Abep.

PROJETO NO SENADO

A proibição de pesquisas autofinanciadas é um dos pontos do projeto que trata do Código Eleitoral, já aprovado na Câmara dos Deputados, mas ainda sem consenso no Senado. O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), defendeu acabar com essa modalidade.

Na sua justificativa, ele questionou o que um instituto ganha em fazer por conta própria uma pesquisa eleitoral ao invés de ser contratado por um candidato, comparando que seria como uma loja que não vende as suas mercadorias, acabando por quebrar em um futuro próximo.

Portanto, de acordo com o parlamentar, as pesquisas autofinanciadas servem apenas para que o instituto esconda quem realmente o contratou, geralmente com dinheiro em espécie para não deixar pontas soltas.

Em fevereiro, o TSE aprovou uma resolução para dar mais transparência às pesquisas autofinanciadas. 

Neste ano, as empresas são obrigadas a mandar à Corte o Demonstrativo de Resultado de Exercício (DRE) do ano anterior para comprovar que tem capacidade financeira para custear os seus próprios levantamentos.

Especialistas em eleições e representantes de empresas do setor também atribuem a alta à popularização dos métodos de coleta de dados. 

Se antes os levantamentos eram feitos pessoalmente, hoje, com processos automatizados, é possível enviar uma série de perguntas somente com uma base de e-mails ou telefones.

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eleições 2026

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio por uso de perfis para impulsionar campanha

Equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis

20/09/2026 19h00

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que pede uma investigação judicial eleitoral sobre o suposto uso, pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), de collabs nas redes sociais para burlar às regras de recomendação de propaganda eleitoral e monetizar conteúdos.

Segundo a petição, a equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. A maior parte delas ocorreu em um espaço de dez dias e repetiu o mesmo conjunto de coautores.

Parte das páginas utilizaria links para venda de produtos relacionados à campanha. Um dos casos é o de um boné com número 22. Segundo o documento, doze perfis com mais de 10 milhões de seguidores somados direcionam o público a mesma loja na Shoppe com o produto.

A coligação de Lula argumenta que a situação caracteriza uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico e político. Além de Flávio, a petição cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa.

A petição pede liminar para que os registros sejam preservados pela Meta e da Shopee e que os responsáveis pelos perfis sejam identificados. Também solicita que os links de vendas sejam suspensos. Requer ainda a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade dos investigados por oito anos.

Caixinha gorda

Lucas de Lima, Dione Hashioka e Gleice Jane lideram arrecadação de campanha por vaga na Alems

Grande parte da verba dos candidatos foi destinada pelo fundo eleitoral de seus respectivos partidos

20/09/2026 17h00

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka Fotos: Alems

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Lucas de Lima (PL), Dione Hashioka (União Brasil) e Gleice Jane (PT) concentram as maiores arrecadações entre os candidatos a deputado estadual de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026.

Conforme a Justiça eleitoral, o trio é quem mais recebeu dinheiro para gastar na corrida pelas 24 cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado.

Lucas declarou R$ 1.102.830,00 em recursos para a campanha, seguido por Dione, com R$ 1.093.660,00, e Gleice, que soma R$ 1.081.986,33.

Candidatos que mais receberam dinheiro para campanha deste ano

Lucas de Lima do Amor Sem Fim: R$ 1.102.830,00 PL
Dione Hashioka: R$ 1.093.660,00 UNIÃO
Professora Gleice Jane: R$ 1.081.986,33 PT
Barbara Resende: R$ 1.063.260,00 UNIÃO
Professor Marcelo Miranda: R$ 1.050.000,00 PP
Zé Teixeira: R$ 1.027.720,00 PL
Coronel David: R$ 1.007.120,00 PL
Marcio Fernandes: R$ 1.000.620,00 PL
Renato Câmara: R$ 986.079,29 Republicanos
Pedrossian Neto: R$ 979.400,00 Republicanos

Cabe destacar que os valores correspondem aos recursos declarados pelas campanhas neste domingo (4) e podem sofrer alterações conforme novas prestações de contas, ou doações sejam informadas à Justiça Eleitoral.

Lucas de Lima disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e está em seu segundo mandato. Em 2022, foi eleito com 26.575 votos, mais que o dobro dos 12.391 votos obtidos na eleição de 2018.

Do total arrecadado por Lucas, R$ 1 milhão foi destinado pelo fundo de campanha do PL. O restante corresponde a doações de campanha. 

Dione Hashioka também retorna à disputa pela Alems após já ter exercido dois mandatos como deputada estadual. Em janeiro de 2023, reassumiu uma cadeira na Assembleia após a saída de Barbosinha, que deixou o Legislativo para assumir o cargo de vice-governador de Mato Grosso do Sul.

Dos recursos declarados por Dione, R$ 1,063 milhão é proveniente do fundo de campanha destinado pelo União Brasil.

Terceira colocada no levantamento, Gleice Jane foi eleita como primeira suplente do PT e assumiu uma cadeira na Assembleia em 2023, após o falecimento do deputado estadual Amarildo Cruz.

No caso de Gleice, R$ 1,035 milhão da arrecadação declarada é oriundo do fundo partidário destinado à campanha.

Barbara Resende, quarta colocada entre as maiores arrecadações, é filha do deputado federal Geraldo Resende. Os dois se filiaram ao União Brasil em março deste ano, após deixarem o PSDB. Assim como a filha, Geraldo Resende compõe o top-3 dos candidatos a deputado federal que mais receberam verba para utilizar na campanha deste ano. 

Ao todo, foram registradas 253 candidaturas para deputado estadual em Mato Grosso do Sul. Desse total, 31 candidatos disputam a eleição sem qualquer valor arrecadado, enquanto outros 104 declararam até R$ 50 mil em recursos para a campanha.

Cada candidato a deputado estadual pode gastar até R$ 1.270.629,01, conforme o limite informado para o cargo. O prazo para a realização da votação é 4 de outubro.

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